miniatura|250px|direita| Uma sweatshop em Chicago, EUA, em 1903Sweatshop (fábrica de suorGOMES, Ana Virgínia Moreira; BEZERRA, Lara Pinheiro. A prática das sweatshops: uma realidade nas oficinas de costura brasileiras? Revista da Faculdade de Direito do Sul de Minas, v. 34, n. 1, 2018. Disponível em: https://www.fdsm.edu.br/adm/artigos/6e288d3069edf6d225e4d3bbe870f683.pdf. ou atelier de miséria, nos termos franceses) é um termo pejorativo atribuído a locais de trabalho com condições extremamente precárias e socialmente inaceitáveis. Geralmente, o termo refere-se a espaços nos quais se desenvolve o chamado Sweating System, regime em que trabalhadores trabalham e habitam o mesmo local, que operam como extensão de suas residências, abrigando inclusive suas famílias.
Ainda que nem todas as definições de sweatshop envolvam moradia no local de trabalho, há consenso de que envolvem salários baixíssimos, horas excessivas e ambientes insalubres.BARRAUD DE LAGERIE, Pauline. Le salaire de la sueur: un éclairage socio-historique sur la lutte anti-sweatshop. Sociologie du travail, v. 54, n. 1, p. 45–69, 2012. O trabalho nesses locais geralmente inclui atividades exaustivas, perigosas, insalubres e mal remuneradas, com pouca ou nenhuma separação entre espaços de descanso e trabalho.FIGUEIREDO, Anna Carolina Moraes. Sweating System e trabalho escravo contemporâneo: um estudo sobre a repetição de padrões. 2023. Dissertação (Mestrado) — Universidade de São Paulo, São Paulo, 2023. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100133/tde-24012024-165955/publico/defesa_final_2023.pdf. Nessas condições, são frequentes as violações a leis de salário mínimo, pagamento de horas extras e combate ao trabalho infantil.
Produtos como vestuário, calçados, brinquedos, chocolate e café são produzidos em sweatshops.«Viés | O outro lado da rede – Sweatshops: exploração moderna». www.ufrgs.br. Consultado em 1 de junho de 2018 Empresas multinacionais, como Levi’s, Nike, Tommy Hilfiger, Calvin Klein, Ralph Lauren e Zara, foram acusadas de utilizar trabalho em sweatshops.«M&S and Zara in Syria refugee sweatshop storm: Suppliers accused of exploiting children to make cheap clothes for the chains» (em inglês). Daily Mail Marcas de luxo, como Armani, Gucci, Prada, Dolce & Gabbana e Burberry também enfrentaram acusações.«Marcas de luxo também praticam trabalho semiescravo». jornalgnn.
No documentário A conspiração consumista,Stacey, Nic. A Conspiração Consumista (Buy Now! The Shopping Conspiracy). Documentário, 2024. Netflix. o ex-presidente da Adidas relata a estratégia por trás da criação de objetos de desejo que sustentam altas taxas de vendas e lucros, reforçando a dinâmica de hiperprodução do fast fashion sustentada por condições de trabalho degradantes.
Origem na Revolução Industrial O Sweating System foi originado na Inglaterra durante a Revolução Industrial.SMITHSONIAN INSTITUTION. History of Sweatshops: 1880-1940. National Museum of American History. Disponível em: https://americanhistory.si.edu/explore/exhibitions/sweatshops/online/history/1880-1940. Acesso em: 08 nov. 2025. O aumento tecnológico, com invenções como a máquina de fiar hidráulica, o tear mecânico e a máquina de costura, expandiu a produção têxtil, mas demandava imensa quantidade de mão de obra. Os empregadores reduziam indiscriminadamente custos de produção ao submeter trabalhadores a condições abusivas como forma de maximizar lucros.
O termo sweatshop foi registrado pela primeira vez em 1850 no ensaio Cheap Clothes and Nasty, do romancista e clérigo inglês Charles Kingsley, que denunciava oficinas de Londres com condições miseráveis.
Nos sweatshops, homens, mulheres e crianças trabalhavam até 15 horas por dia em ambientes insalubres e inseguros, sujeitos a doenças como varíola e escarlatina. A remuneração por peça produzida era comum, incentivando jornadas compulsivas e evitando o pagamento de horas extras.BIGNANI, Renato. Trabalho escravo contemporâneo: o sweating system no contexto brasileiro como expressão do trabalho forçado urbano. In: VELLOSO, Gabriel Napoleão; FAVA, Marcos Neves (coords.). Trabalho Escravo Contemporâneo: o Desafio de Superar a Negação. 2. ed. São Paulo: LTr, 2011.
Com o crescimento da desigualdade urbana e a ausência de leis trabalhistas, multiplicaram-se os abusos. A fundação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 1919 e a Convenção nº 29 sobre Trabalho Forçado em 1930 foram marcos para proteção dos trabalhadores.
Ressurgimento dos sweatshops Após certa retração, a partir dos anos 1970, com a globalização e o crescimento do fast fashion, os sweatshops retornaram como modelo predominante de produção de vestuário. As condições degradantes do século XIX permanecem presentes até os dias atuais, aproximando os sweatshops da tipificação de trabalho análogo ao de escravo, segundo a legislação brasileira.VERONESE, Osmar; LASTE, Andressa. O trabalho escravo e fast fashion: o flerte da indústria da moda com a servidão. Revista Direito e Justiça: Reflexões Sociojurídicas, v. 22, n. 43, p. 171-185, 2022. Disponível em: https://san.uri.br/revistas/index.php/direitoejustica/article/view/1009
Para o Código Penal brasileiro (Art. 149), trabalho análogo à escravidão envolve jornadas exaustivas, condições degradantes, trabalho forçado ou restrição de locomoção. Alguns autores defendem maior precisão conceitual e uso do termo apenas em casos extremos de servidão.Patterson, O.; Zhuo, X. Modern trafficking, slavery, and other forms of servitude. Annual Review of Sociology, v. 44, p. 407-439, 2018. Disponível em: https://www.annualreviews.org/doi/10.1146/annurev-soc-073117-041147 Porém, segundo a lei brasileira, trabalhadores em sweatshops se enquadram nessa condição.
Do ponto de vista sociológico, o trabalho nesses ambientes é mais frequentemente entendido como servidão, caracterizada pela exploração forçada para obtenção de lucro.
Situações como tráfico de pessoas, servidão por dívida e retenção de documentos também são comuns nesses contextos. A prática é predominante em países em desenvolvimento, mas também ocorre em regiões pobres de países desenvolvidos, afetando principalmente mulheres.
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