direita|miniaturadaimagem|Uma cesta de preço de noiva papuana do início do século XX. Na coleção do Museu Infantil de Indianápolis. Preço de noiva é o dinheiro, a propriedade, ou outra forma de riqueza, paga pelo noivo ou sua família, para a família da mulher com quem ele vai se casar ou está se casando. O preço de noiva pode ser comparado ao dote, que é pago ao noivo ou usado pela noiva para ajudar a estabelecer a nova habitação, e contradote, que é a propriedade acertada com a própria noiva pelo noivo, no momento do casamento. Algumas culturas podem praticar o dote e o preço de noiva, simultaneamente. Muitas culturas já praticavam o preço de noiva antes de registros existentes.

A tradição de pagar o preço de noiva é praticado em muitos países da Ásia, do Oriente Médio, partes da África e em algumas civilizações do Pacífico, especialmente os da Melanésia. A quantidade pode variar de montantes mínimos, para manter a tradição, até muitos milhares de dólares em alguns casamentos na Tailândia, podendo chegar a $100.000, nos excepcionalmente grandes preços de noiva em partes da Papua Nova Guiné, onde o preço de noiva é habitual.

Função O preço de noiva normalmente é pago em uma moeda que não é geralmente usada para câmbio. De acordo com o antropólogo francês, Philippe Rospabé, o seu pagamento não implica na compra de uma mulher, como se pensava no início do século XX. Ao invés disso, ele é um gesto puramente simbólico do reconhecimento (mas nunca pagamento) do débito permanente do marido com os pais da esposa.

Dotes existem em sociedades onde o capital é mais valioso do que o trabalho manual. Por exemplo, na Europa da Idade Média, a família de uma futura esposa era obrigada a oferecer um dote - terra, gado e dinheiro - para a família do futuro marido. O preço de noiva existe em sociedades onde o trabalho manual é mais importante do que o capital. Na África Subsariana, onde a terra era abundante e havia poucos ou nenhum animal domesticado, o trabalho manual era mais valioso do que o capital e, portanto,o preço de noiva dominava.

Uma explicação da psicologia evolucionista para o dote e o preço de noiva é que o preço de noiva é comum em sociedades poligínias, que possuem uma relativa escassez de mulheres disponíveis. Em sociedades monogâmicas, onde as mulheres têm pouca riqueza pessoal, o dote é, ao invés disso, comum, pois há uma relativa escassez de homens ricos, que podem escolher entre muitas mulheres para se casarem.The Oxford Handbook of Evolutionary Psychology, Edited by Robin Dunbar and Louise Barret, Oxford University Press, 2007, Chapter 26, "The evolutionary ecology of family size".

História

Mesopotâmia O Código de Hamurábi menciona o preço de noiva em diversas leis, como um costume estabelecido. Não é o pagamento do preço de noiva que está previsto, mas a regulamentação de vários aspectos:

um homem que pagou o preço de noiva, mas procurou outra noiva, não teria reembolso, mas ele teria se o pai da noiva recusou o casamento se uma mulher morreu sem filhos, seu pai tinha o direito de receber o seu dote de volta, menos o valor do preço de noiva[carece de fontes?] Categoria:!Artigos que carecem de notas de rodapé

A tradição judaica A Bíblia Hebraica (Tanakh) menciona a prática de pagar o preço de noiva ao pai de uma pequena menina. Em Êxodo 22:16-17 diz:

"Se alguém enganar alguma virgem, que não for desposada, e se deitar com ela, certamente pagará o seu dote e tomará por sua mulher. Se seu pai inteiramente recusar dar-lha, pagará ele em dinheiro conforme ao dote das virgens."

Deuteronômio 22:28-29, similarmente, declara:

"Quando um homem achar uma moça virgem, que não for desposada, e pegar nela, e se deitar com ela, e forem apanhados, Então o homem que se deitou com ela dará ao pai da moça cinqüenta siclos de prata; e porquanto a humilhou, lhe será por mulher; não a poderá despedir em todos os seus dias."

Na tradição judaica, os rabinos dos tempos antigos, insistiam no contrato (Ketubá) do casal que estava prestes a se casar. O Ketubá previa um valor a ser pago pelo marido em caso de divórcio (guet) ou pelo seu espólio, no caso de sua morte. Este montante foi uma substituição do contradote bíblico ou preço de noiva, que era pago pelo noivo, no momento do casamento.

Esta inovação surgiu porque o preço de noiva criou um grande problema social: muitos futuros maridos jovens não podiam levantar a quantia no momento em que se esperava que eles se casassem. Assim, para permitir que esses jovens homens se casassem, os rabinos, com efeito, adiaram o momento em que o montante deveria ser pago, quando eles estariam mais suscetíveis a ter a soma. Também pode se notar que o dote e o ketubá tinham o mesmo propósito: a proteção da mulher, cujo suporte iria cessar (por morte ou divórcio). A única diferença entre os dois sistemas era o momento do pagamento.

Na verdade, os rabinos eram tão insistentes em que a noiva tivesse o "benefício da ketubá", que alguns até descreviam um casamento sem ketubá como sendo simplesmente um concubinato, porque a noiva sentiria falta do benefício do acordo financeiro em caso de divórcio ou morte do marido, e sem o dote, a mulher e seus filhos poderiam se tornar um fardo para a comunidade. No entanto, o marido poderia se recusar a pagar o ketubá se o divórcio fosse por adultério da esposa.

Nos tradicionais casamentos judeus, para este dia, o noivo oferece à noiva um objeto de valor, como uma aliança de casamento.The Jewish Way in Love & Marriage, Rabbi Maurice Lamm, Harper & Row, 1980, Chapter 15 O anel deve ter um certo valor mínimo, e é considerado um meio de cumprir a exigência legal do Halacá, de que o marido faça um pagamento para ou pela noiva.

Grécia Antiga Alguns dos acordos de casamento mencionados na Ilíada e na Odisséia sugerem que o preço de noiva era um costume da sociedade homérica. A linguagem utilizada para várias transações de casamento, no entanto, podem distorcer a distinção entre o preço de noiva e o dote, e, uma terceira prática, chamada de "dote indireto", pelo qual o noivo abre mão da propriedade em favor da noiva, que será, então, usado para estabelecer a residência. A "sociedade homérica" é uma construção fictícia, envolvendo figuras lendárias e deidades, apesar de figurar nos costumes históricos de várias épocas e lugares do mundo grego. No momento em que as epopeias homéricas foram escritas, praticas "primitivas", como o preço de noiva e a poligamia não faziam mais parte da sociedade grega. Menções deles preservam, se é que eles têm uma base histórica, costumes que datam do Período Homérico.

Na Ilíada, Agamemnon promete que Aquiles pode tomar uma noiva sem pagar o preço de noiva (hednon), ao invés de receber um dote (pherne).Iliad 9.146 Na Odisséia, referências menos discutíveis sobre o preço de noiva estão nos acordos de casamento de Ctimene, a irmã de Ulisses;Odyssey 15.367. Pero, filha de Neleu, que exigiu gado por ela;Odyssey 11.287–297 and 15.231–238. The two versions vary, but the bride price demanded takes the form of a mythological test, labor, or ordeal; William G. Thalman, The Swineherd and the Bow: Representations of Class in the Odyssey (Cornell University Press, 1998), p. 157f. e a própria deusa Afrodite, cujo marido, Hefesto ameaça fazer com que seu pai, Zeus, devolva o preço de noiva, porque ela era adúltera. É possível que o "preço de noiva" homérico seja parte de uma troca recíproca de presentes entre o futuro marido e o pai da noiva, mas, como a troca de presentes é uma prática fundamental de amizade e hospitalidade aristocrática, isso ocorre raramente, se muito, em conexão com arranjos de casamento.

A lei islâmica A lei islâmica ordena ao noivo que dê à noiva um presente chamado Mahr (em árabe: مهر) antes da consumação do casamento. Um mahr difere do significado padrão de preço de noiva, pois não é para a família da noiva, mas para a mulher guardar para si mesma; ele é, portanto, mais precisamente, descrito como um contradote. No Corão ele é mencionado, no capítulo 4, An-Nisa, versículo 4, da seguinte forma:"E dêem às mulheres (com quem se casarem) sua Mahr [dinheiro nupcial obrigatório dado pelo marido à sua esposa no momento do casamento] de bom coração; mas se elas, de sua própria boa vontade, te isentar e qualquer parte dele, tome-o e desfrute dele sem medo de qualquer mal (pois Allah o tornou lícito)."A lei islâmica considera um pecado (haraam) para o marido, que a família do noivo ou a família da noiva tome o mahr da noiva, sem decisão única e exclusiva dela.

Os presentes da manhã Os presentes da manhã, que podem ser organizados pelo pai da noiva, ao invés da noiva, são dados à própria noiva. O nome deriva do costume tribal germânico de dar os presentes a elas, na manhã seguinte à noite de núpcias. A mulher pode ter o controle do presente da manhã durante a vida de seu marido, mas recebe como propriedade quando viúva. Se a quantidade de sua herança é estabelecida por lei, ao invés de acordo, ele pode ser chamado de contradote. Dependendo dos sistemas legais e do acordo específico, ela pode não ter propriedade para dispôr dele a vida toda, e pode perder a propriedade se voltar a se casar. O costume dos presentes da manhã foi preservado por muitos séculos, em casamentos morganáticos, uma união em que o status social inferior da mulher era mantido para proibir seus filhos de herdarem títulos ou propriedades nobres. Neste caso, o presente da manhã dai suporte à mulher e aos seus filhos. Outra disposição legal para a viuvez era a conjunta, em que a propriedade, geralmente terra, seria mantida em bem conjunto, de modo que iria automaticamente para a viúva, na morte do marido.

Hoje em dia

África Em partes da África, uma cerimônia de casamento tradicional depende do pagamento de um preço de noiva para ser válido. Na África Subsariana, o preço de noiva deve ser pago primeiro, para o casal obter permissão de se casar na igreja ou em outras cerimônias civis, ou o casamento não é considerado válido pela família da noiva. O montante pode variar de uma quantia mínima até uma grande soma de dinheiro, bens imóveis e outros valores. Lobolo (ou Lobola, por vezes, também conhecido como Roora) é a mesma tradição na maioria das culturas da África Austral, Shona, Venda, Zulu, Ndebele, etc. O montante varia de algumas a várias cabeças de gado, caprinos e uma quantia em dinheiro, dependendo da família. O gado e cabras constituem parte integrante do casamento tradicional para fins cerimoniais durante, e após, a verdadeira cerimônia de casamento.

Os animais e o dinheiro não são sempre pagos de uma só vez. Dependendo da riqueza do noivo, ele e sua família podem fazer um contrato não escrito com a família da noiva, semelhante ao ketubá judeu, em que ele promete pagar o que deve, dentro de um determinado período de tempo. Isso é feito para permitir que homens jovens, que não têm muito para se casar, já que eles trabalham para pagar o preço de noiva, bem como formar uma família ou esperar por suas irmãs e tias se casarem, para que eles, por sua vez, possam utilizar o valor recebido para liquidar suas dívidas com suas consortes. Este valor deve ser pago pela sua família na eventualidade que ele fique incapacitado ou morra. É considerado uma dívida de honra familiar.

A tradição do preço de noiva pode ter efeitos destrutivos quando homens jovens não têm os meios para se casarem. No arrasado Sudão do Sul, por exemplo, muitos homens jovens roubam gado pra isso, muitas vezes arriscando suas vidas. No Gabão da metade do século XX, toda a vida de uma pessoa podia ser regida por assuntos financeiros ligados ao casamento; para garantir uma esposa para seu filho, os pais começavam a pagar prestações por uma menina de apenas alguns anos de idade; do lado da família da esposa inicia-se um processo de extorsão, que se prolonga por anos.Schweitzer, Albert. 1958. African Notebook. Indiana University Press