Eruxécia (), também chamada Baixa Javaquécia ou Javaquécia Ocidental, foi uma região da Geórgia na Idade Média, atualmente parte província de Ardacane no nordeste da Turquia, próximo da fronteira com a Geórgia. O distrito estava centrado no assentamento epônimo, na atual vila de Oguziolu que, segundo a tradução histórica medieval, foi um dos primeiros centros do cristianismo na Geórgia. As ruínas de igrejas cristãs são encontradas em toda a região. Na Geórgia Moderna, o nome "Eruxécia" está preservado como uma designação da cadeia montanhosa junto a fronteira com a Turquia.

História

thumb|esquerda|Ruínas do castelo medieval Cajtacique, na vila de thumb|esquerda|Tremisse de Heráclio

"Eruxécia" foi aplicado pelos georgianos medievais ao território no vale do rio Cura junto a cidade ou fortaleza epônima, ao norte de Atona, entre a cordilheira de Arsiani e o lago Carcaqui. Era contígua à província de Javaquécia e é tido como sua porção "Baixa" ou "Ocidental". Segundo Cyril Toumanoff, ela e Javaquécia eram parte do Ducado de Cunda da Ibéria Superior no Ao passo que sua contraparte foi tomada pelos artaxíadas e depois arsácidas da Armênia, a Eruxécia permaneceu firmemente dentro do Reino da Ibéria. Eremyan propôs que pertenceu a Armênia como distrito de Gogarena, mas foi perdida em 363 com Xavexécia e Paruar, e possuía quilômetros quadrados. Entre 772 e 786, um ramo dos Bagrátidas armênios sob dirigiu-se a Ibéria e recebeu de Archil Eruxécia e parte de Atona; Toumanoff pensa que a doação era uma herança do dote de sua mãe. Em seguida, passa ao príncipe , filho de Adanarses, e então , filho de Asócio. Em algum momento entre 923 e 941, foi tomada por . Com sua morte em 941, Eruxécia e boa parte de seus demais domínios passaram para Pancrácio Magistro (morto em 945).

A tradição histórica georgiana coloca-a, junto com Misqueta e Manglisi, como um dos primeiros centros do cristianismo na Ibéria após a conversão de nos anos 330. Segundo o historiador do Leôncio de Ruissi, foi o primeiro lugar que o bispo João da Ibéria, ao voltar de sua missão em Constantinopla com grupo de sacerdotes e pedreiros, escolheu para construir uma igreja. A crônica continua dizendo que deixou um tesouro e os pregos do Senhor trazidos de Constantinopla, para desapontamento de Meribanes que queria as relíquias em sua capital, Misqueta. Sua igreja foi adornada por um dos sucessores de Meribanes, , mais tarde no e tornou-se sede de um bispado homônimo sob no . Eruxécia foi privada de suas relíquias sagradas pelo imperador Heráclio , que passou pela Ibéria em sua guerra contra o Império Sassânida nos anos 620.

Após o Império Otomano tomar Eruxécia como parte de seus domínios no sudoeste da Geórgia no , o cristianismo e cultura georgiana caíram em declínio. O estudioso e príncipe georgiano do Vacusti relatou que ainda havia uma catedral, mas não estava mais em uso. O arqueólogo georgiano Ekvtime Takaishvili, visitando Eruxécia em 1902, descobriu que apenas os idosos podiam entender georgiano. Identificou uma basílica de três naves na vila de Oguziolu, próximo de , como a igreja de Eruxécia, da qual apenas o abside arruinado foi encontrado por Bruno Baumgartner em 1990. De outros monumentos descritos por Takaishvili, a igreja tetraconcha abobadada de São Jorge de Gogubani ou Gogiuba, em Bimbaxaque, está em ruínas e nada resta da relevante igreja cruciforme abobadada da Teótoco de Ccarostavi em Oncul. Melhor preservado estão igrejas de uma nave em Berqui (Borque) e Chaixi (Caiabei), o último atualmente em uso como mesquita.

Bibliografia

Categoria:Regiões históricas da Geórgia Categoria:Distritos de Gogarena