As eleições estaduais de Mato Grosso do Sul, em 2018, foram realizadas nos dias 7 e 28 de outubro como parte das eleições gerais no Brasil. Os eleitores aptos a votar — o que representa 1,8 milhão de cidadãos sul-mato-grossenses — elegeram dois senadores da república (Nelson Trad Filho, do PTB; e Soraya Thronicke, do PSL), oito deputados federais e 24 deputados estaduais.
Como nenhum dos candidatos ao governo do estado obteve mais da metade dos votos válidos, um segundo turno foi realizado em 28 de outubro entre o atual chefe do Executivo Reinaldo Azambuja (PSDB) e Odilon de Oliveira (PDT). No primeiro turno, seis candidatos registraram suas candidaturas ao governo, enquanto a disputa pelas duas vagas no Senado Federal contou com a participação de treze candidatos.
Reinaldo Azambuja foi reeleito governador com 52,35% dos votos válidos.
Contexto Eleições anteriores Em 3 de outubro de 2010, Delcídio do Amaral (PT) e Waldemir Moka (PMDB) foram eleitos senadores por Mato Grosso do Sul. Quatro anos depois, em 26 de outubro de 2014, o deputado federal Reinaldo Azambuja foi eleito governador do estado com 55,34% dos votos válidos. Vindo de um primeiro turno, o pecuarista filiado ao PSDB conquistou o resultado superando o senador Delcídio, que teve 44,36% da preferência do eleitorado.
Operação Lama Asfáltica Após passar a faixa ao sucessor, o ex-governador André Puccinelli (MDB) sofreu com uma série de adversidades. Em julho de 2015, uma operação da PF revelou um esquema de corrupção durante sua administração do estado. Intitulada Lama Asfáltica, as investigações mostraram fraudes em contratos públicos e implicaram Puccinelli, que rebateu alegando que todas as suas ações tiveram amparo legal e não obteve qualquer vantagem.
Em novembro de 2017, o ex-governador e o filho foram presos na operação Papiros de Lama, 5ª fase da Lama Asfáltica. André foi apontado como chefe do esquema de propina. Ambos foram encaminhados para uma penitenciária de Campo Grande. Após um recurso negado, pai e filho foram soltos após obterem habeas corpus. A defesa do ex-governador declarou desconhecer os motivos da nova operação. Segundo a PF, o acordo de colaboração premiada do empresário e pecuarista Ivanildo Miranda. Ele declarou ao MPF ter sido operador de propina de Puccinelli entre 2006 e 2013 e repassou ao político cerca de R$ 20 milhões.
Já em julho de 2018, Puccinelli voltou a ser preso pela PF, no âmbito da operação Lama Asfáltica. A nova detenção foi embasada em provas colhidas pelo MPF em pedido feito em maio.
Governo Azambuja No primeiro ano de administração, o governador do estado, Reinaldo Azambuja, cumpriu seis das 23 promessas de campanha, além de ter começado a cumprir outras duas ao longo de 2015. No ano de 2016, o número mudou para cinco promessas cumpridas e três foram executadas parcialmente. No terceiro ano de mandato, Azambuja já tinha cumprido nove promessas, continuava executando outras três, enquanto 11 ainda não haviam sido colocadas em prática.
Em setembro de 2016, o governo Azambuja recebeu 50% de aprovação, de acordo com pesquisa da IBOPE Inteligência. Uma outra pesquisa do instituto, contratada pela TV Morena, apontou que o chefe do Executivo tinha 37% de avaliação regular, 36% boa, 12% ótima, 7% péssima e 4% ruim. Já em abril de 2017, Azambuja recebeu 70,97% de aprovação popular, somando as avaliações "Ótima", "Boa" e "Regular". Os dados foram apurados pelo Instituto de Pesquisas de Mato Grosso do Sul (Ipems) e divulgados pelo jornal Correio do Estado.
Em julho de 2018, o governador já tinha cumprido 12 das 23 promessas de campanha, executou uma parte de quatro compromissos e ainda não havia colocado em prática sete projetos. No mês de agosto, o governo Azambuja recebeu avaliação regular de 38%, 37% consideraram ótimo ou bom, 23% opinaram que seria ruim ou péssimo e 3% não souberam responder. Contratada pela TV Morena, a pesquisa foi realizada pela IBOPE Inteligência. Outra sondagem, do instituto Real Time Big Data, apontou que administração do tucano tinha 53% de aprovação, contra 32% de rejeição. 15% dos entrevistados não souberam ou não opinaram. Em setembro, a gestão do governador recebeu 46% de avaliação ótima ou boa, 32% dos entrevistados consideraram regular, 17% acharam ruim ou péssimo e 5% não souberam opinar.
Pré-campanha Nos bastidores, a pré-candidatura à reeleição do atual governador Reinaldo Azambuja caminhou a passos lentos. Ele chegou a cogitar a se candidatar a uma das cadeiras em disputa no Senado Federal, e até declarou ser contrário à reeleição. Durante 2017, ele frisou que só anunciaria a busca pela reeleição após o Carnaval de 2018. Somente em março de 2018, o chefe do Executivo assumiu publicamente que concorreria mais uma vez ao cargo.
As especulações da candidatura petista começaram em 2015, com o nome do ex-governador e deputado federal Zeca do PT como provável candidato. Porém, ele descartou a possibilidade em outubro de 2017. Somente em novembro, o diretório estadual passou a apostar no ex-prefeito de Mundo Novo, Humberto Amaducci. O nome dele foi oficializado no mês seguinte. Em junho de 2018, a legenda escolheu a advogada e professora Luciene Maria da Silva como vice na chapa.
Já as articulações para uma pré-candidatura emedebista começaram em novembro de 2016, com o nome do ex-governador André Puccinelli e da senadora Simone Tebet apontados como possibilidades. Somente em dezembro de 2017, o ex-governador assumiu publicamente que tentaria um terceiro mandato.
Mesmo com a segunda prisão de Puccinelli, em julho de 2018, o partido manteve por algumas semanas a pré-candidatura do ex-governador. Porém, André desistiu no fim do mês e indicou a senadora Simone Tebet para disputar o comando da Governadoria.
O juiz federal Odilon de Oliveira foi apontado como pré-candidato já no primeiro semestre de 2017. Após se aposentar, filiar-se oficialmente ao PDT e passar por um período de indecisão, assumiu em novembro que entraria na corrida pela Governadoria.
Em outubro de 2017, durante um Congresso do PSOL, o ex-vice-prefeito de Ribas do Rio Pardo, João Alfredo Danieze, foi indicado pré-candidato ao governo do estado. Por fim, a legenda confirmou em março de 2018 a pré-candidatura de Danieze.
Já em junho de 2018, o ex-vereador de Campo Grande Marcelo Bluma foi apontado como pré-candidato ao governo do estado.
Definição de candidaturas Eleição majoritária Candidaturas oficializadas Movimento Democrático Brasileiro (MDB) Após a desistência da senadora Simone Tebet e do procurador licenciado Sérgio Harfouche, o presidente da Assembleia Legislativa, Junior Mochi, foi lançado como candidato ao governo do estado em 14 de agosto e Tânia Garib como candidata a vice no dia 15. Com o rompimento do PSC, a coligação se manteve com PR, PTC, PHS, PRTB, PRP, e Democracia Cristã.
Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) O atual governador Reinaldo Azambuja foi lançado candidato à reeleição em convenção realizada no dia 4 de agosto. Como vice, foi indicado o ex-prefeito de Dourados e ex-vice-governador Murilo Zauith (DEM). Além do partido Democratas, compuseram a coligação tucana PTB, PSD, PSB, PPS, PP, PSL, PMB PMN, Avante, Solidariedade e Patriota.
Partido dos Trabalhadores (PT) Em convenção realizada no dia 28 de julho, o PT confirmou a candidatura do ex-prefeito de Mundo Novo, Humberto Amaducci. Sua candidata a vice é Luciene Maria da Silva. Assim, o partido vai à disputa em chapa pura.
Partido Democrático Trabalhista (PDT) O nome do ex-juiz federal Odilon de Oliveira foi oficializado como candidato na convenção realizada em 21 de julho. Para a vaga de vice, foi indicado o empresário e ex-secretário executivo da Fundação de Apoio à Pequisa ao Ensino e à Cultura (Fapec), Herbert Assunção. A candidatura chegou a receber apoio do PROS.
Em 1º de agosto, a legenda anunciou a troca do candidato a vice, indicando a radialista Keliana Fernandes (PROS). Porém, a direção voltou atrás no mesmo dia após críticas. O movimento fez com o que o Pros abandonasse a coligação dois dias depois.
Em seguida, Odilon recebeu o apoio do PRB, no dia 3, que indicou Marcos Vitor, bispo da comunidade evangélica Sara Nossa Terra e presidente do Conselho de Pastores de Dourados (Conped) como candidato a vice-governador, em 5 de agosto. Assim, o PDT oficializou a coligação “Esperança e Mudança”, com PDT encabeçando a chapa, o PRB na vice e o Podemos.}}
Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) Na convenção realizada em 5 de agosto, o ex-vice-prefeito de Ribas do Rio Pardo, João Alfredo Danieze, teve o nome oficializado como candidato. A agricultora Osvaldina Freitas, a Diná, foi indicada como candidata a vice, formando assim uma chapa pura.
Partido Verde (PV) O ex-vereador de Campo Grande Marcelo Bluma foi indicado oficialmente como candidato na convenção realizada em 4 de agosto. A Rede Sustentabilidade apontou a professora Ana Maria Bernadelli como vice. Assim, a chapa foi composta por PV, Rede. e PCdoB
Desistências Movimento Democrático Brasileiro Na convenção realizada no dia 4 de agosto, a senadora Simone Tebet foi oficializada como candidata ao governo do estado, tendo como vice o procurador licenciado do MPMS, Sérgio Harfouche (PSC). Porém, no dia 12, Simone anunciou que desistiria da candidatura por razões pessoais. O candidato a vice, Sérgio Harfouche (PSC), também abriu mão da disputa dois dias depois, anunciando em seguida que concorreria a uma das vagas ao Senado.
Eleições parlamentares Candidaturas oficializadas Movimento Democrático Brasileiro (MDB) Waldemir Moka, senador desde 2011, foi indicado oficialmente para disputar novo mandato na convenção realizada em 4 de agosto. O partido indicou o ex-prefeito de Sonora Zelir Maggioni, o Mano, como primeiro suplente e a ex-vereadora de Campo Grande Maria Emília Sulzer como segunda suplente.
Partido da Mulher Brasileira (PMB) Durante convenção realizada em 4 de agosto, o nome do ex-superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Mato Grosso do Sul, Dorival Betini, foi lançado oficialmente para a disputa. A legenda indicou a empresária Meire Xavier como primeira suplente e a primeira-dama de Mundo Novo, Gislaine Rocha, como segunda suplente.
Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) O ex-secretário de estado de Infraestrutura, Marcelo Miglioli, foi oficializado como candidato ao Senado na convenção do partido, realizada em 4 de agosto. O PSB indicou o presidente da Assembleia de Deus, pastor Antônio Dionizio, como primeiro suplente. Já o PSD indicou como segunda suplente a presidente da Câmara Municipal de Dourados, vereadora Daniela Hall.
Partido dos Trabalhadores (PT) Como único candidato, o deputado federal José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, foi confirmado como candidato ao Senado na convenção do partido realizada em 28 de julho. Como primeiro suplente, foi indicado o ex-prefeito de Dourados, Laerte Tetila, também do PT. A advogada Giselle Marques foi oficializada em agosto como segunda suplente.
Partido Comunista do Brasil (PCdoB) Em convenção realizada em 4 de agosto, o PCdoB confirmou a candidatura do advogado Mário Fonseca. O PV indicou o administrador de empresas Elias Camilo como primeiro suplente e a Rede indicou o ex-cacique da Aldeia Indígena Urbana Marçal de Souza, Vânio Lara, como segundo suplente.
Partido Republicano Brasileiro (PRB) Após a desistência do senador Pedro Chaves, o PRB indicou o vereador de Campo Grande Gilmar da Cruz como candidato em 16 de agosto.
Partido Social Cristão (PSC) Após o período de convenções, o procurador licenciado Sérgio Harfouche anunciou sua candidatura em 14 de agosto, após a desistência de Simone Tebet em concorrer ao governo e romper com o MDB. Os empresários Edson Almeida e Mackson Vianna foram indicados pelo PSC como primeiro suplente e segundo suplentes, respectivamente.
Partido Social Liberal (PSL)