miniaturadaimagem|300x300px|Um CGG da raça Pastor-maremano-abruzês, protegendo seu rebanho de ovelhas na Austrália. Um cão guardião de gado (CGG) ( - LGD), cão de proteção de rebanho (CPR) ou cão de guarda do rebanho (CGR) é um tipo de cão (geralmente molosso) cuja finalidade é proteger rebanhos (seja gado ovino, caprino, bovino, etc) contra predadores (sejam lobos, cães ferais, ursos, etc) em tempo integral.

Não se deve confundir cães guardiões de gado com cães de pastoreio, que normalmente são usados para gerenciar a lida com o rebanho, ajudando com o trânsito e controle deste animais, como por exemplo o Boiadeiro Australiano, Border Colie, Ovelheiro Gaúcho ou o Pastor-da-Mantiqueira.

Pequenas matilhas de cães guardiões de gado se mantém em tempo integral (24 horas) de forma independente com o grupo de animais que se pretende proteger, participando como membros do rebanho. Sua capacidade de guardar o rebanho é essencialmente instintiva pelo fato do cão estar ligado a estes animais a partir de uma determinada idade quando jovem e observar os cães mais velhos. Ao contrário de cães de pastoreio que controlam o movimento da manada, CGGs se misturam a ela, atentos a eventuais intrusos a partir do rebanho. A mera presença de um cão guardião é geralmente suficiente para afastar os predadores e eles vão enfrentar as ameaças por intimidação vocal, latindo e exibindo muito comportamento agressivo. O cão poderá atacar ou lutar com um predador se não for possível o afastar por meio da intimidação. Os cães guardiões de gado podem ativamente observar o movimento dos predadores e agir preventivamente para tentar os intimidar e afastar.

História O uso de cães de proteção ao rebanho se originou há mais de 2000 anos, com a sua utilização sendo registrada no ano de 150 a.C., em Roma. Tanto Aristóteles em seu livro História dos Animais como Virgílio no seu livro Geórgicas mencionam o uso de cães de proteção ao rebanho pelos molossos na antiga região de Epiro. Muitos dos modernos cães de proteção ao rebanho provavelmente são descendentes do extinto cão molosso que era a raça usada pelos molossos.

Treinamento esquerda|miniaturadaimagem|Um cão de montanha dos Pirenéus com um rebanho de cabras. Os cães são introduzidos no rebanho ainda filhotes, para que neles fique fixada (imprinting) na sua rotina de vida a convivência diária e constante com os animais do rebanho, enxergando-se como parte da manada e grupo grupo a ser protegido, não como presas. Especialistas recomendam que os filhotes comecem a viver com o rebanho entre 4 a 5 semanas de idade. Esta convivência é planejada para ser em grande parte olfativa e ocorre entre 3 e 16 semanas de idade. De acordo com uma parte dos criadores de cães guardiões de gado, existem muitos mitos para as pessoas ocidentais sobre a formação de cães de proteção ao rebanho, particularmente, a própria ideia incorreta de que o contato humano deve ser mantido a um mínimo. Eles defendem que o treinamento requer uma rotina diária no tratamento e gerenciamento dos cães e do rebanho, de preferência a partir do nascimento. Um cão de proteção não é considerado confiável até que ele atinja, no mínimo, 2 anos de idade. Até esta idade a supervisão, a orientação e a correção são necessárias para ensinar ao cão as habilidades e as regras que necessita para fazer seu trabalho. Cães mais velhos que já estão habituados a este tipo de função ajudam bastante na formação de cães mais jovens, simplificando este processo consideravelmente. Por outro lado, uma outra maneira de treinar cães para esta função que diverge da anterior, segundo alguns criadores, é colocar o filhote recém desmamado por no mínimo 3 meses em contato total com alguns animais do rebanho (de preferência com animais permanentes, ou seja, que não serão abatidos ou vendidos) em algum recinto com quase nenhum contato humano (apenas colocando comida e água sem carinhos no animal), após este período o cachorro terá fixado (imprinting) em seu comportamento que aqueles animais não são hostis e são parte da sua matilha. Durante o treinamento e após o cão estar treinado, o contato deve ser bem neutro, o cão não deve ser tratado como se fosse um cão qualquer, não devem ser feitas brincadeiras, não deve receber carinho (contato físico somente se extremamente necessário para tratar doença ou ferimentos, por exemplo) e não deve receber nomes.

Na Namíbia , no sudoeste da África, Pastores-da-Anatólia são utilizados para proteger rebanhos de cabras de chitas e normalmente são colocados entre elas com sete e oito semanas de idade. Antes da utilização de cães ser implementada, agricultores pobres da Namíbia muitas vezes entravam em conflito com os chitas; com o Pastor-da-Anatólia, no geral, são capazes de expulsar estes felinos com seus latidos e exibições de agressão diminuindo muito o conflito entre estes animais e os seres humanos.About the cheetah

direita|miniaturadaimagem|250x250px|Pastor Cazaque: seu cavalo e seus cachorros servem, primariamente, pra função de proteção das ovelhas dos predadores.

Os CGGs são geralmente cães de grande porte e protetores, o que pode os tornar menos atraentes para áreas urbanas ou mesmo suburbanas. No entanto, apesar de seu tamanho, eles podem ser gentis, serem bons cães de companhia e muitas vezes são protetores para as crianças. Se introduzido na família como filhote, a maioria deles é tão protetor de sua família quanto um cão de proteção que trabalha em seu rebanho. De fato, em algumas comunidades onde cães guardiões de gado são uma tradição, o menor cão de uma ninhada muitas vezes é dado como um animal doméstico ou simplesmente é mantido como um cão da localidade sem um único dono.

Devem ser colocados preferencialmente dois cães juntos ao rebanho ou manada, pois assim fica mais fácil a vigia - podendo se ajudar mutuamente em caso de perigo, alternar-se na vigilância se necessário e substituir-se em caso de ferimentos, doenças ou morte de um deles - evitando ao máximo deixar os animais desprotegidos. Se os predadores são escassos, um cão pode ser suficiente, embora a maioria das vezes e o recomendado seja de pelo menos dois cães. Grandes rebanhos e grandes predadores vão exigir mais cães, dependendo, ainda, do tipo e do número de predadores, além da intensidade da predação. Deve-se levar em consideração, inclusive, o porte dos cães e seus comuns predadores da região, pois raças de menor porte, como o caso da raça Pastor-maremano-abruzês, por mais coragem que tenham, podem não ser suficientes para intimidar os predadores de maior porte. Para complementar, deve-se levar em conta o custo-benefício de se manter muitos ou poucos cães, se cães maiores ou menores, pois quanto maior a quantidade de cães ou quanto maior for o seu porte, mais alimento necessitam para uma nutrição adequada, também deve ser observada a resistência da raça para o clima local, pois um raça mais adaptada para clima frio e peluda pode não ser adequada para um local de muito calor. Tanto o macho como a fêmea se provaram ser igualmente eficazes na proteção dos animais.

As três qualidades mais procuradas em CGGs são a confiança, a atenção e a proteção - a confiança de que eles não irão se afastar e nem serão agressivos com o rebanho, a atenção de que eles estão totalmente cientes das ameaças por parte de predadores e a proteção de que eles vão tentar repelir os predadores. Cães, sendo animais sociais com diferentes personalidades, vão assumir diferentes papéis com o rebanho e entre si: a maioria seguindo por perto a manada, outros tendem a seguir o pastor ou fazendeiro quando estiver um presente, e alguns observando e seguindo um pouco mais distante o rebanho. Estes diferentes papéis são muitas vezes complementares em termos de proteção da manada, e os mais experientes fazendeiros e pastores, às vezes, estimulam essas diferenças para ajustes na socialização e técnica, de modo a aumentar a eficácia da proteção do seu grupo de cães em encontros específicos das ameaças dos predadores. cães que seguem bem próximos do rebanho servem para garantir uma reação imediata se ocorrer um ataque de predador, enquanto outros que patrulham nos limites da manada estão em uma posição para delimitar e intimidar os atacantes a uma distância segura dos animais. Os cães que são mais atentos tendem a alertar aqueles que são mais passivos.

Enquanto CGGs são conhecidos por lutar até a morte com os predadores se necessário, na maioria dos casos os ataques são impedidos por uma exibição de agressividade. tais cães são conhecidos por repelir predadores que fisicamente não seriam páreos, como ursos e até leões. Com a reintrodução de predadores em habitats naturais na Europa e América do Norte, os ambientalistas têm vindo a apreciar eles porque eles permitem que animais como ovelhas ou vacas possam coexistir com os predadores, no mesmo habitat ou nas proximidades. Ao contrário das armadilhas e do envenenamento, cães guardiões de gado raramente matam predadores; em vez disso, seus comportamentos agressivos e a constante marcação de seus territórios por meio de urina ou fezes tendem a condicionar os predadores a buscarem presas desprotegidas. Na Itália no parque nacional Gran Sasso, onde os cães e lobos têm coexistido durante séculos, os lobos mais velhos e experientes parecem "saber" da proteção que tais rebanhos tem e e os deixam em paz.

Análise de predadores por continente alt=|miniaturadaimagem|239x239px|Um Kangal cuidando do rebanho que lhe é confiada a segurança. Este é um CGG bastante utilizado na região do cáucaso e no oriente médio. É um cão de grande porte e muito imponente, os lobos costumam respeitar bastante a presença destes animais, mas encontros fatais para estes cães não é incomum se o número deles for insuficiente para intimidar um grupo grande de lobos.