A Bacia do Taquari-Antas situa-se na Região Hidrográfica do Guaíba, na porção nordeste do Rio Grande do Sul. Abrange as províncias geomorfológicas do Planalto Meridional e Depressão Central.

Possui uma área de 26.491,82 km², correspondendo a 9% do território estadual, e 119 municípios, inseridos total ou parcialmente. Limita-se ao norte com a bacia do rio Apuaê-Inhandava, a oeste com as bacias do Alto Jacuí e Pardo; ao sul com as bacias Baixo Jacuí, Caí e Sinos. A leste estão situadas as escarpas da Serra Geral, onde nascem alguns rios da bacia do Araranguá em Santa Catarina e mais a sudeste limita‐se com a bacia do Mampituba. Trata-se do principal afluente do Rio Jacuí, maior formador do Guaíba.

Abrange municípios como Antônio Prado, Veranópolis, Bento Gonçalves, Cambará do Sul, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Estrela e Triunfo, com população estimada de 1.281.866 habitantes (IBGE, 2010). Os principais cursos de água são o Rio das Antas, Rio Tainhas, Rio Lageado Grande, Rio Humatã, Rio Carreiro, Rio Guaporé, Rio Forqueta, Rio Forquetinha e o Rio Taquari.

O rio Taquari-Antas tem suas nascentes em São José dos Ausentes e desemboca no Rio Jacuí. Tem uma extensão de 530 km desde as nascentes até a foz, sendo 390 km denominado rio das Antas e 140 km, rio Taquari. A captação de água na bacia destina-se a irrigação, o abastecimento público, a agroindústria e a dessedentação de animais.

A Bacia do Taquari-Antas abrange parte dos campos de cima da serra e região do Vale do Taquari, com predomínio de agropecuária, e a região colonial da Serra Gaúcha, caracterizada por intensa atividade industrial.

A topografia proporciona aos rios formadores da Bacia características diferenciadas em função da variação de altitude, que acompanha o Taquari-Antas e seus afluentes desde as cabeceiras, acima de 1000 m de altitude, até a foz, em uma altitude aproximada de 5 m.

thumb|direita|280px|Rio das Antas em Farroupilha. Altitude e localização de alguns dos corpos de água principais Principais corpos de águaAltitude/nascente principalLocalizaçãoRio das Antas1260 mSão José dos AusentesRio Tainhas940 mSão Francisco de PaulaRio Carreiro800 mIbiraiaras

A diferenciação topográfica confere à Bacia três áreas com padrões de paisagem distintos: Altitudes superiores a 700 m: planalto entre as nascentes e a foz do rio Tainhas, o rio Taquari-Antas caracteriza-se por possuir declividade acentuada (média de 4,8 m/km), com afluentes encaixados e muitas corredeiras. Altitudes entre 700 m e 200 m: encosta entre a foz do rio Tainhas e a foz do rio Guaporé, o rio apresenta uma declividade menos acentuada (média de 1,6 m/km), com vales encaixados e corredeiras. Altitudes inferiores a 200 m: baixada começa na foz do Guaporé e termina na confluência com o rio Jacuí, com pouca declividade (média de 0,2 m/km) e raras corredeiras.

História A bacia hidrográfica do sistema Taquari‐Antas é situada no nordeste do Rio Grande do Sul, abrangendo um território muito amplo, no qual estão inseridos total ou parcialmente 119 municípios, mas estas demarcações político‐administrativas sofreram modificações ao longo de séculos. Tem‐se também que a trajetória de ocupação territorial destas regiões é bastante diversa, e está ligada diretamente aos fluxos migratórios europeus para o Brasil desde o início de sua formação como Estado independente, instituído em 1822, com a criação do Estado Imperial Brasileiro.

Nesta bacia, conta‐se com a presença de grupos étnicos de origem alemã, italiana, polonesa, açoriana, africana e indígena, especialmente os da nação Kaingang, para mencionar algumas etnias.

Imigração italiana A imigração italiana ocorre no fortalecimento do fluxo migratório do RS, entre 1874 e 1889, e estes contingentes populacionais eram atraídos, basicamente, por uma política governamental que objetivava a formação de colônias que produzissem gêneros alimentícios necessários ao consumo interno. As áreas de ocupação italiana eram mais altas e mais acidentadas, em altitudes que variavam entre 600 e 900 metros.

Isto porque a colonização alemã seguira os vales dos rios de parte da Depressão Central, interrompendo‐se nas encostas inferiores da Serra Geral. A região da Encosta superior estava desocupada, e a colonização italiana começaria ali ‐ entre os vales dos rios Caí e das Antas, limitando‐se ao norte com os Campos de Cima da Serra, e ao sul com as colônias alemãs do vale dos rios das Antas e Caí.

As primeiras colônias foram de Conde D’Eu (atual Garibaldi) e de Dona Isabel (atual Bento Gonçalves), ambas ficavam às margens do rio Taquari‐Antas. A área dessas colônias encontrava‐se limitada pelo rio Caí, os campos de Vacaria e o município de Triunfo, sendo divididas entre si pelo caminho de tropeiros que seguia em direção ao rio das Antas. Em 1875 foi criada a colônia Caxias, no local chamado pelos tropeiros que subiam a Serra em direção a Bom Jesus de "Campo dos Bugres". Esta colônia limitava‐se com Nova Petrópolis, São Francisco de Paula, o rio das Antas e Conde D'Eu e Dona Isabel.

Essas três colônias oficiais foram o núcleo básico da colonização italiana. A partir delas, se daria a proliferação populacional para as regiões próximas, ocupadas por colônias particulares, que somente mais tarde atingiria o Planalto. Assim, a partir de 1884, os colonos começaram a atravessar o rio das Antas, criando localidades neste entorno. Cidades como Antônio Prado (1885), pertencente à bacia, são um prolongamento natural da colônia Caxias.

O Governo Provincial do Rio Grande do Sul solicitava mais terras devolutas do planalto, cobertas de mata virgem para continuar a obra de colonização. Essas terras situavam‐se na região da Encosta Superior e Inferior do Nordeste, localizada entre as bacias dos rios Caí, Antas e Taquari, com os limites geográficos em São João do Montenegro, São Sebastião do Caí, Taquara do Mundo Novo e São Francisco de Paula de Cima da Serra. O Governo Provincial tinha a pretensão de, além de implantar novas colônias agrícolas, abrir estradas que permitissem a ligação do planalto com a Depressão Central.

Topônimo O rio Taquari‐Antas nasce no extremo leste do Planalto dos Campos gerais, em São José dos Ausentes, sendo conhecido naquela região como “rio das Antas”, e segue sendo assim denominado até a confluência com as águas do rio Carreiro. Nas imediações do município de São Valentim do Sul, passa a ser chamado de “rio Taquari”, e assim segue até desembocar no rio Jacuí, na cidade de Triunfo.

O rio das Antas era conhecido pelos indígenas como “Mboapari” ou “Mborebi”, mas a versão nominal que perdura até hoje foi criada muito tempo depois. O rio só se tornou conhecido como rio das Antas por ocasião do modo como o denominou um dos primeiros moradores do território do atual município de Lagoa Vermelha, que, tendo em vista a grande ocorrência de manadas de antas naquela região, em especial nas várzeas do rio, tornou‐o conhecido por esta particularidade, sendo sua denominação uma referência a este fato. Na fase da colonização, as antas serviam de alimento, e seu couro, como instrumento para a fabricação de utensílios para montaria.

Já a denominação do rio Taquari, é de origem indígena, sendo referente ao modo como era conhecido entre os índios da região: “Tibiquari” ou “Tibiquary”. Existem diferentes versões para o significado desta palavra. Há alguns que consideram as traduções de “rio das traíras”, enquanto outros consideram “rio das Taquaras” ou ainda “rio do barranco fundo”.

O rio já estaria assinalado nas cartas geográficas mais antigas do período da colonização portuguesa deste território, e o nome do rio serviu de influência para muitos dos povoados que foram surgindo ao redor, e posteriormente se configuraram como municípios.

Vários municípios localizados às margens do rio Taquari‐Antas tiveram suas denominações oriundas ou ligadas ao rio ou a seus afluentes. A exemplo de General Câmara (Margem do Taquari), Taquari, Bom Retiro do Sul (Porto da Úrsula), Lajeado, Arroio do Meio, Roca Sales (Conventos Vermelhos), Encantado, Muçum, Dois Lajeados, Cotiporã.

Unidades de gestão e sub-bacias A Bacia foi dividida em 7 UGs: Alto Taquari-Antas, Médio Taquari-Antas, Prata, Carreiro, Guaporé, Forqueta e Baixo Taquari-Antas. Está subdividida em 32 sub-bacias: Alto Taquari-Antas: Alto Rio das Antas, Rio Camisas, Rio Tainhas, Arroio Pinheiro Alto, Arroio São Tomé/Bagual e Lajeado Grande. Médio Taquari-Antas: Arroio Marrecão, Rio Burati/Arroio Retiro, Arroio Biazus, Arroio Tega, Rio São Marcos, Arroio do Inferno, Rio Quebra dentes/Arroio Mulada. Prata: Alto Rio Turvo, Rio da Prata e Baixo Rio Turvo. Carreiro: Alto Rio Carreiro, Médio Rio Carreiro e Baixo Rio Carreiro. Guaporé: Alto Rio Guaporé, Médio Rio Guaporé e Baixo Rio Guaporé. Forqueta: Alto Rio Forqueta, Rio Fão e Rio Forqueta. Baixo Taquari-Antas: Arroio Jacaré/Augusta, Arroio Seca, Arroio Boa Vista, Arroio Sampaio/Estrela, Arroio Castelhano, Rio Taquari-Mirim e Baixo Taquari.

Solo Os solos da Bacia são de vários tipos. No trecho inferior, na várzea do rio Taquari, os solos são de alta fertilidade natural e boas características físicas, com relevo plano a suavemente ondulado. Na área do entorno deste trecho, os solos são podzólicos associados a rochas sedimentares, de baixa fertilidade natural. No vale do trecho médio e superior do rio Taquari-Antas, os solos são eutróficos, com relevo fortemente ondulado. Na área do entorno deste trecho, os solos apresentam textura argilosa associados à formação Serra Geral, com relevo ondulado a suavemente ondulado e afloramentos rochosos. No trecho superior dos afluentes, encontram-se os latossolos com relevo suavemente ondulado, muito utilizado para lavouras mecanizadas devido à topografia e características físicas adequadas.

Clima O tipo climático predominante é o subtropical úmido, com duas variedades principais, segundo o sistema geral de Koeppen: Cfa e Cfb. A primeira, abrangendo altitudes inferiores a 600 m, caracteriza-se por temperaturas médias compreendidas entre –3 °C e 18 °C para o mês mais frio e superiores a 22 °C para o mês mais quente, com precipitação bem distribuída durante o ano e total anual em torno de 1400 mm. A variedade Cfb diferencia-se basicamente pelas temperaturas médias do mês mais quente inferiores a 22 °C e precipitação total anual superior a 1600 mm, em conseqüência da altitude, já que predomina nas áreas com cotas superiores aos 600 m.

Vegetação

A vegetação apresenta três regiões fitogeográficas associadas à Mata Atlântica: a Floresta ombrófila mista, a Floresta estacional decidual e as Savanas (Campos de altitude e Campos do Planalto Médio). Considerando critérios de altitude, que para a escala do trabalho mostrou-se adequado, a Floresta ombrófila mista estaria originalmente distribuída nas áreas acima de 500 m e a Floresta estacional decidual em altitudes inferiores a 500 m, embora na realidade não exista uma transição brusca entre as diferentes formações vegetais.

Existem locais onde a vegetação original encontra-se em bom estado de conservação, principalmente as encostas íngremes dos vales, de difícil acesso e impróprios para práticas agrícolas. As savanas, representadas pelos campos, ocupam áreas de altitudes superiores aos 700 m, com matas de galeria ao longo dos cursos d'água e remanescentes florestais em estágio de regeneração avançada.

Área ocupada Região fitogeográficaÁrea de ocorrência (ha)Área protegida (ha)EstepeEstepe31.781,2723.811,85Parque com floresta de galeria138.776,42Gramíneo-lenhosa com floresta de galeria754.759,52Floresta ombrófila mistaMontana907.467,695.953,60Alto-montana27.222,17Floresta estacional decidualAluvial65.039,650,0Montana206.801,90Sub-montana463.471,21Contato Estepe/Floresta estacional35.986,760,0Total2.631.306,5829.765,45

Estepes ou Campos do Sul do Brasil