O Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga (FIMCMA) é um evento musical realizado anualmente na cidade brasileira de Juiz de Fora (Minas Gerais).
Dedicado ao estudo e interpretação da música antiga e organizado pela Pró-Reitoria de Cultura e o Centro Cultural Pró-Música da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), é um dos mais importantes e tradicionais eventos do gênero no Brasil."Mostra em MG recebe música antiga e colonial". Folha de S.Paulo, 16/07/2005"23º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga". Agência FAPESP, 15-29/07/2012Cruz, Luiz. "Pró-Música de Juiz de Fora". Gazeta de São João del-Rei, 26/05/2012 Em 2018 estava em sua 29ª edição. Sua programação inclui concertos vocais e instrumentais, inclusive óperas, choro e canção popular integrados ao repertório de música antiga, sempre gratuitos, além de oficinas de estudo, master classes, cursos, palestras, exposições, lançamento de publicações e gravações, e regularmente conta com seminários e congressos paralelos de musicologia. O Encontro de Musicologia Histórica ocorre a cada dois anos, apresentando pesquisas sobre o tema proposto para a edição daquele ano.Ribeiro, Douglas. "Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga começa neste domingo". Diário Regional, 10/07/2018
O festival conta com a participação de professores, intérpretes e conjuntos estrangeiros e de várias partes do país, e oferece instrução para centenas de alunos."Juiz de Fora sedia festival com 30 concertos gratuitos". Portal do Governo do Brasil, 25/07/2014 A partir de 2000 a Orquestra Barroca, formada por professores, passou a ser regida pelo maestro e violinista Luís Otávio Santos, educado na Holanda e lá distinguido com o prestigioso prêmio Diapason d'Or por sua gravação de sonatas de Jean-Marie Leclair. Sob sua direção a orquestra elevou o nível técnico das apresentações e tem realizado muitas gravações, elogiadas pela sua qualidade e pela sua importância como documentos."Orquestra Barroca revisita Beethoven em novo CD". Tribuna de Minas, 11/12/2014Natali, João Batista. "De volta ao Brasil, regente Luís Otávio Santos cria Orquestra Barroca". Folha de S.Paulo, 31/01/2012
O festival contribuiu para uma renovação no campo da música antiga no Brasil, introduzindo conceitos de interpretação histórica e formando um novo público. O festival foi tombado como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade de Juiz de Fora por meio do decreto municipal nº 9793/2009.Lima, Helô. "21° Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga". Jornal GGN, 05/07/2010
Histórico das Edições A 27ª edição do festival ocorreu em julho de 2016 marcada pelo grande sucesso de público e pela diversidade de atividades formativas e artísticas. Cerca de 7.000 pessoas participaram das atividades, incluindo estudantes, músicos e ouvintes, enquanto os concertos realizados em espaços como o Cine-Theatro Central e a Capela do Museu Mariano Procópio. As oficinas especializadas, especialmente de instrumentos históricos, como cordas dedilhadas, teve mais de 200 inscritos. O evento contou com apresentações da Orquestra Barroca do Festival, regida por Luís Otávio Santos, e de grupos convidados de várias partes do país. Além dos concertos, houve palestras, masterclasses e exposições dedicadas à preservação e interpretação histórica da música colonial.
Em julho de 2019 foi realizada a 30ª edição do Festival com uma programação especial em comemoração às três décadas de existência do evento. A programação incluiu concertos, cursos e oficinas em vários espaços culturais de Juiz de Fora, destacando-se o Cine-Theatro Central como palco principal das apresentações. O concerto de encerramento foi protagonizado pelo Conjunto de Música Antiga da Universidade de São Paulo (USP), que realizou a estreia latino-americana de obras de Haydn, Mozart e Beethoven executadas com instrumentos de época. O evento também contou com a Orquestra Barroca do Festival, grupos vocais convidados e alunos participantes das oficinas.
A 31ª edição, que ocorreu em 2020, foi realizada de forma virtual devido à pandemia de COVID-19, como alternativa para manter a continuidade do festival. Foram gravados concertos nacionais e internacionais e transmitidos online pelo canal oficial da UFJF no YouTube. A programação incluiu dez concertos gravados, com participação de diversos artistas, como o quarteto de cravo, oboé barroco, violino formado por arquitetos musicais da Holanda, viola da gamba, o organista italiano Giulio Mercati, o duo de teorba e flauta doce como Giulio Quirici e Isabel Favilla, o duo de cravo e canto com Marco Brescia e Rosana Orsini, o duo de flautas doces como Cesar Villavicencio e Paula Callegari (Uberlândia), o trio chileno de teorba, viola da gamba e oboé barroco. Uma parceria foi firmada com o Festival Internacional de Órgão de Vila Nova de Famalicão e Santo Tirso (FIO), de Portugal, para ceder gravações de concertos realizados em igrejas portuguesas com órgãos de tubos históricos.
A 34ª edição, em 2023, teve programação especial que se estendeu para além de julho, com concertos até agosto, com entrada gratuita para o público. A abertura oficial do evento ocorreu no Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM) com o tema “Nacionalismo em Música”, reunindo a soprano Rosana Orsini (Brasil/Itália) e o violonista espanhol José Manuel Dapena, num repertório que incluiu obras dos compositores Manuel de Falla, Enrique Granados e Heitor Villa‑Lobos. O evento incluiu concertos noturnos em diversos espaços de Juiz de Fora, tais como o Cine‑Theatro Central, o Teatro Paschoal Carlos Magno, a Capela da Academia do Comércio e a Igreja do Rosário. A edição incorporou também oficinas e masterclasses voltadas à formação musical de ópera, piano, violão, canto lírico, violino barroco e cravo com participação da professora Margareth Darezzo, José Manuel Dapena, Marco Brescia, Rosana Orsini, Roberto Santamarina e Bruno Procópio, realizadas no campus e espaços da UFJF. Uma das atrações-chave dessa edição foi a montagem da ópera “A Noite de São João”, considerada a primeira ópera brasileira, com coprodução com o Conservatório de Tatuí (São Paulo). Nessa edição, o festival reforçou um tema de valorização da música brasileira e latino-americana, dentro do contexto do bicentenário da Independência do Brasil (1822-2022).https://www2.ufjf.br/procult/wp-content/uploads/sites/159/2023/07/PROGRAMA%C3%87%C3%83O-COMPLETA-34%C2%BA-FESTIVAL.pdf
Em novembro de 2024 foi realizada a 35ª edição do festival, com abertura solene no Cine-Theatro Central, em Juiz de Fora (MG). O destaque da edição foi a encenação da ópera “Uma Noite no Castelo” (1861), composta por Henrique Alves de Mesquita (1830–1906), uma das primeiras óperas românticas brasileiras, baseada em poema de Antônio de Castro Alves. A montagem foi realizada pela Orquestra Barroca do Festival, sob a regência do maestro Luís Otávio Santos, com direção cênica de Rubens Ricciardi, reafirmando o caráter de resgate histórico e valorização da música nacional do evento. Além da ópera, o festival contou com mais de 30 concertos gratuitos, oficinas de música antiga, masterclasses e o Encontro de Musicologia Histórica, que reuniu pesquisadores brasileiros e estrangeiros para discutir novas abordagens interpretativas da música colonial luso-brasileira. As apresentações ocorreram em diferentes espaços culturais da cidade, como o Museu Mariano Procópio, a Casa de Cultura da UFJF, o Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM) e o Theatro Central. O evento reuniu cerca de 400 músicos, professores e estudantes, incluindo convidados internacionais da França, Portugal, Itália e Alemanha, consolidando-se como um dos maiores festivais de música antiga da América Latina. A programação também incluiu concertos didáticos abertos ao público escolar e oficinas de iniciação musical para jovens da rede pública, reforçando o compromisso do festival com a formação de novos públicos e a difusão cultural. A Pro-Reitoria de Cultura da UFJF (PROCULT) e o Centro Cultural Pró-Música coordenaram a edição, em parceria com o SESC Minas e o Instituto João Guedes, com apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). O festival manteve sua tradição de unir pesquisa acadêmica, prática artística e difusão do patrimônio musical brasileiro e ibérico, celebrando o legado de mais de três décadas dedicadas à preservação e renovação da música colonial e antiga.
Ver também Revivalismo da música antiga no Brasil
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