Suzanne Bélair, mais conhecida como Sanité Bélair (Verettes, c. 1781 - 5 de outubro de 1802) foi uma militar e revolucionária haitiana, tenente do exército de Toussaint Louverture, uma das poucas mulheres a lutar pela independência do país. Apelida pelos companheiros de luta de "Tigresa", é considerada uma heroína nacional no Haiti.

Biografia Sanité Bélair, nascida Suzanne no distrito de Verettes em 1781, nasceu alforriada, com direito a ter terras e a receber alguma educação formal. Pouco se sabe sobre sua infância e juventude.

Em 1791, ela liderou uma rebelião de escravos na região de Artibonite junto de Charles Bélair.

Em 1796, casou-se com Charles Bélair, sobrinho de Toussaint Louverture e tenente de seu exército. No período da colônia no exército era habitual que mulheres participassem de modo independente das lutas no campo de batalha, nas reuniões importantes e nas plantações ao lado de seus companheiros, logo como caso exemplar é o de Sanite Belair com Charles Belair. Ela participou ativamente dos eventos da Revolução Haitiana, tornando-se sargento e depois tenente no exército de Louverture, durante o conflito contra as tropas francesas da Expedição de São Domingos, entre dezembro de 1801 e novembro de 1803.

Em agosto de 1802, Sanité Bélair participou dos combates nas montanhas Verrettes contra a expedição napoleônica liderada pelo general Charles Leclerc, cujo objetivo era restabelecer a escravidão na colônia de Saint-Domingue. As tropas haitianas obtêm algum sucesso, ocupando as alturas de Artibonite com parte das tropas coloniais que estavam a serviço do general Leclerc e haviam se juntado aos insurgentes.

Por mais de dois meses, ela lutou ao lado do marido contra os exércitos do general Leclerc, sendo reconhecida por seu vigor em batalha. Os franceses, por sua vez, a descreviam como brutal e vingativa. Após as batalhas, o jovem secretário de seu marido Charles, foi acusado por vários soldados de ser um espião francês, mas Charles estava relutante de puni-lo. Sanité Bélair acabou por fazê-lo pouco depois.

Captura e morte O casal foi perseguido pelo comandante Faustin Répussard e se refugiou nos arredores de Artibonite. O comandante lançou um ataque surpresa e acabou capturando Sanité Bélair. Seu marido acabou se entregando ao exército francês para não ficar longe dela. O casal foi então enviado ao general Leclerc, que os condenou à morte assim que chegaram à região hoje conhecida por Cabo Haitiano. Considerando a patente dos dois, Charles foi condenado ao fuzilamento e Sanité Bélair a ser decapitada.

Enquanto o marido era amarrado perante o pelotão de fuzilamento, conta-se que Sanité Bélair o exaltava e o lembrava do grande soldado que era e que morreria com bravura. Quando chegou sua hora, ela se negou a ser vendada que queria ser morta como um soldado. Sem conseguir amarrá-la à pedra de decapitação, o pelotão acabou por fuzilá-la, ao lado do corpo do marido.

Foi morta por fuzilamento em 5 de outubro de 1802 e suas últimas palavras teriam sido:

Legado alt=|miniaturadaimagem|300x300px|Nota de 10 gourdes haitianos da série comemorativa dos 200 anos do Haiti contendo ilustração de Sanité Bélair. Sanité Bélair é hoje considerada uma das heroínas da Revolução Haitiana. Em 2004, ela foi representada na nota de 10 do gourde haitiano na série comemorativa dos 200 anos do Haiti. Foi a única mulher a ser representada na série e a segunda mulher, depois de Catherine Flon, a ser representada em uma nota oficial do Banco Haitiano. alt=Placa da Rua Sanité Belair, Saint-Denis, em Seine-Saint-Denis.|miniaturadaimagem|300x300px|Placa da Rua Sanité Belair, Saint-Denis, em Seine-Saint-Denis. Sanité Bélair foi representada junto de seu marido em uma pintura a óleo feita no ano de 2002 pelo artista britânico Kimathi Donkor. A pintura faz parte da série Caribbean Passion: Haiti 1804, que retrata figuras importantes da Revolução Haitiana, tendo sido exibida publicamente pela primeira vez em 2004 na Bettie Morton Gallery de Londres para marcar os duzentos anos de independência da nação caribenha.

Ela é a personagem principal do texto teatral Opéra poussière, de autoria do escritor haitiano Jean d'Ámerique. Na obra, a revolucionária volta de além-túmulo para inaugurar o movimento #HéroïneEnColère e reivindicar seu lugar entre os grandes heróis da história. O texto foi publicado em livro na França pela Éditions Théâtrales no ano de 2022, mesmo ano no qual foi montado pela primeira vez no tradicional Festival d’Avignon.

Bélair foi uma das personagens históricas representadas em obras do pintor francês Raphaël Barontini, presentes na exposição We could be heroes. A exposição foi realizada nos anos de 2023 e 2024 no Pantheon de Paris, visando homenagear figuras históricas da região do Caribe que se notabilizaram na luta pela abolição da escravatura.

Ver também

Mulheres na Revolução Haitiana Henriette Saint-Marc Marie-Jeanne Lamartinière

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