Operação Árvore de Natal (alemão - Unternehmen Tannenbaum), anteriormente conhecida como operação Grün ("Verde"),Weinberg 2005, A World At Arms, p. 174. Adicionado em 06/11/2018. foi uma plano, cancelado, da Alemanha Nazista e Itália Fascista, para invadir a Suíça e o Liechtenstein durante a II Guerra Mundial.
Contexto
Por razões estratégicas, Adolf Hitler fez repetidas garantias, antes da eclosão da II Guerra Mundial, de que a Alemanha respeitaria a neutralidade suíça no caso de um conflito militar na Europa.Leitz, Christian (2000). Nazi Germany and Neutral Europe during the Second World War, p. 14. Manchester University Press. Adicionado em 06/11/2018. Em Fevereiro de 1937, ele anunciou que "em todos os momentos, aconteça o que acontecer, respeitaremos a inviolabilidade e neutralidade da Suíça" ao conselheiro federal suíço Edmund Schulthess, reiterando essa promessa pouco antes da invasão nazista da Polônia. Estas foram, no entanto, puramente manobras políticas destinadas a garantir a passividade da Suíça. A Alemanha Nazista planejava acabar com a independência da Suíça depois de ter derrotado seus principais inimigos no continente.
Atitudes nazistas em relação à Suíça
Numa reunião realizada com o Duce (líder da Itália fascista), Benito Mussolini, e Galeazzo Ciano (ministro das relações exteriores da Itália), em Junho de 1941, Hitler declarou claramente sua opinião sobre a Suíça:
"A Suíça possuía o povo e o sistema político mais repugnantes e miseráveis. Os suíços eram os inimigos mortais da nova Alemanha."
Em uma discussão posterior, o ministro do III Reich, Joachim von Ribbentrop, aludiu diretamente à possibilidade de dividir a Suíça entre as duas potências do Eixo:
"Na pergunta do Duce se a Suíça, como um verdadeiro anacronismo, tinha futuro, o ministro do Exterior do Reich sorriu e disse ao Duce que ele teria que discutir isso com o Führer."
Em Agosto de 1942, Hitler descreveu a Suíça como "uma espinha na face da Europa" e como um estado que não tinha mais o direito de existir, denunciando o povo suíço como "um ramo desvantajoso de nosso Volk (povo)".Adolf Hitler, Hitler's Table Talk, 1941–1944, Martin Bormann, ed., Norman Cameron, trans. (London: Enigma Books, 2000), 800. Adicionado em 06/11/2018. Uma democracia pequena, multilíngüe e descentralizada - na qual os falantes de alemão sentiam afinidade e lealdade para com seus cidadãos suíços falantes de francês, ao invés de seus irmãos alemães do outro lado da fronteira - era do ponto de vista nacional-socialista - uma antítese total do racismo homogêneo e coletivizado do "Führerprinzip". Urner 2001, 17. Adicionado em 06/11/2018. Hitler também acreditava que o Estado suíço independente havia surgido devido à fraqueza temporária do Sacro Império Romano-Germânico, e agora que seu poder havia sido restabelecido com o Machtergreifung (ascensão do nazismo), o país havia se tornado obsoleto.
Por mais que Hitler desprezasse os suíços-alemães de mentalidade democrática como o "ramo rebelde do povo alemão", ele ainda reconhecia seu status como alemães.Norman Rich, Hitler's War Aims: the Establishment of the New Order (New York: W.W Norton, 1974), 401–402. Adicionado em 06/11/2018. Além disso, os objetivos políticos abertamente alemães do NSDAP (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães) pediram a unificação de todos os alemães em uma Grande Alemanha, incluindo o povo suíço. O primeiro objetivo do Programa de 25 pontos afirmava que "Nós [Partido Nacional Socialista] exigimos a unificação de todos os alemães na Grande Alemanha com base no direito das pessoas à autodeterminação".wikisource:Program of the NSDAP Acessado em 06/11/2018.
Nos seus mapas da "Grande Alemanha", os livros escolares alemães incluíam os Países Baixos, Bélgica, Áustria, Boêmia-Morávia, as regiões de língua alemã da Suíça e a Polônia ocidental, desde Danzigue (atual Gdańsk) até Cracóvia. Ignorando o status da Suíça como um estado soberano, esses mapas frequentemente mostravam seu território como um Gau alemão. O autor de um desses livros didáticos, Ewald Banse, explicou: "Naturalmente, consideramos vocês suíços como ramos da nação alemã, juntamente com os holandeses, os flamengos, os lorenos, os alsacianos, os austríacos e os boêmios... um dia nos agruparemos sob uma única bandeira, e exterminaremos quem tentar nos separar!"Stephen P. Halbrook, Target Switzerland: Swiss Armed Neutrality in World War II (Rockville Centre, NY: Sarpedon, 1998), 32–33. Adicionado em 06/11/2018. Vários nazistas foram explícitos sobre a intenção alemã de "expandir as fronteiras da Alemanha até os limites mais distantes do antigo Sacro Império Romano-Germânico, e até mesmo além."Halbrook, Target Switzerland, 33. Adicionado em 06/11/2018.
Embora não fosse ideologica ou politicamente alinhado ao nazismo, mesmo oferecendo apoio intelectual em seu trabalho, o geopolítico Karl Haushofer também defendeu a divisão da Suíça entre seus vizinhos, onde a Welschland (Suíça romanda) seria cedida à França de Vichy, Ticino para a Itália e a Suíça central/oriental para a Alemanha.Rönn von Uexküll (1976). Unser Mann in Berlin: die Tätigkeit der deutschen und schweizerischen Geheimdienste, 1933–1945, 145. Steinach Verlag; Reutlingen, Germany. Adicionado em 06/11/2018.
Preparativos militares
thumb|x90px|direita|Fuzil K31.
Foi aprovado um aumento nos gastos com defesa na Suíça, com uma primeira parcela de 15 milhões de francos suíços (de um orçamento total de 100 milhões de francos) para a modernização. Com a renúncia de Hitler ao Tratado de Versalhes em 1935, esse gasto subiu para 90 milhões de francos.Halbrook, Target Switzerland, 36. Adicionado em 06/11/2018. O K31 tornou-se o fuzil de infantaria padrão em 1933 e era superior ao alemão Karabiner 98k em facilidade de uso, precisão e peso. Até o final da II Guerra Mundial, quase 350.000 seriam produzidos.Halbrook, Target Switzerland, 42. Adicionado em 06/11/2018.
A Suíça tem uma forma única de generalato. Em tempo de paz, não há oficial com nível mais alto que o de Korpskommandant (general de 3 estrelas). No entanto, em tempos de guerra e em "necessidade", a Bundesversammlung (Assembleia Federal) elege um general para comandar o exército e a força aérea. Em 30 de Agosto de 1939, Henri Guisan foi eleito com 204 votos de um total de 227.Schweizer Bundesversammlung, Resultate der Wahlen des Bundesrats, der Bundeskanzler, und des Generals Seite (Bern: Schweizer Bundesversammlungsdienst, n.d.) 66. Adicionado em 06/11/2018. Ele assumiu a posição imediatamente.
A invasão da Polônia pela Wehrmacht dois dias depois fez o Reino Unido declarar guerra à Alemanha. Guisan convocou uma mobilização geral e emitiu o Operationsbefehl Nº 1, o primeiro do que seria uma série de planos defensivos em desenvolvimento. O primeiro designou os três corpos do exército existentes a leste, norte e oeste, com reservas no centro e sul do país."Operationsbefehl Nr. 1," September 3, 1939, Tagesbefehle des Generals, 1939–1945 (Bern: Eidg. Militärbibliothek, n.d.). Adicionado em 06/11/2018.
thumb|x233px|esquerda|Henri Guisan (1874-1960).
Guisan relatou ao Conselho Federal em 7 de setembro que, no momento da declaração britânica de guerra, "todo o nosso exército esteve em suas posições operacionais em dez minutos". Ele também fez com que seu chefe do Estado-Maior aumentasse a idade de elegibilidade de serviço de 48 para 60 anos (homens dessas idades formariam as unidades Landsturm de retaguarda) e ordenou a formação de um corpo de exército inteiramente novo de 100.000 homens.Jonathan Steinberg, Why Switzerland? (Cambridge, U.K.: Cambridge University Press, 1996), 66. Adicionado em 06/11/2018.Halbrook, Target Switzerland, 84–85. Adicionado em 06/11/2018.
A Alemanha começou a planejar a invasão da Suíça em 25 de Junho de 1940, dia da queda da França. Neste ponto, o exército alemão na França consistia de três grupos do exército com dois milhões de soldados em 102 divisões.Ernest May, Strange Victory: Hitler's Conquest of France (New York: Hill and Wang, 2000) 477. Adicionado em 06/11/2018. Suíça e Liechtenstein estavam cercados pela França ocupada e pelas forças do Eixo, e assim Guisan emitiu o Operationsbefehl Nº 10, uma revisão completa dos planos defensivos suíços existentes. A fortaleza de Saint-Maurice, o passo de São Gotardo, no sul, e a fortaleza de Sargans, no nordeste, serviriam como linha de defesa. Os Alpes suíços seriam sua fortaleza. O 2º, 3º e 4º Corpo de Exército suíço conteria os invasores na fronteira, enquanto os demais recuariam para o refúgio alpino conhecido como Réduit national. Os centros populacionais, no entanto, estavam todos localizados nas planícies do norte. Eles teriam que ser deixados para os alemães para que o resto sobrevivesse."Operationsbefehl Nr. 10," June 20, 1940, Tagesbefehle des Generals. Adicionado em 06/11/2018.
Hitler exigiu ver planos para a invasão da Suíça após o armistício com a França. Franz Halder, chefe do OKH, recorda: "Eu estava constantemente ouvindo sobre explosões da fúria de Hitler contra a Suíça, que, dada a sua mentalidade, poderia ter levado a qualquer minuto atividades militares para o exército."Steinberg, Why Switzerland? 68. Adicionado em 06/11/2018. O capitão Otto-Wilhelm Kurt von Menges, do OKH, apresentou um projeto de plano para a invasão. O Generaloberst (coronel-general) Wilhelm Ritter von Leeb (Grupo de Exércitos C), liderado pelo Generalleutnant Wilhelm List e pelo 12.º Exército, conduziria o ataque. Leeb pessoalmente reconheceu o terreno, estudando as rotas de invasão mais seguras e caminhos de menor resistência.Gerhard Weinberg, A World at Arms: A Global History of World War II, 2nd edition (New York: Cambridge University Press, 2005), 174. Adicionado em 06/11/2018. Menges observou, em seu plano, que a resistência suíça era improvável e que um Anschluss não violento seria o resultado mais provável. Com "a situação política atual na Suíça", escreveu ele, "pode aceder às demandas do ultimato de maneira pacífica, de modo que depois de uma guerra de fronteira, uma transição rápida para uma invasão pacífica deve ser assegurada".Klaus Urner, "Let's Swallow Switzerland": Hitler's Plans against the Swiss Confederation (Lanham, MD: Lexington Books, 2001) 67. Adicionado em 06/11/2018.
thumb|x292px|direita|Defesa antiaérea suíça em Mellingen.
O plano continuou a ser revisado até outubro, quando o 12º Exército apresentou seu quarto esboço, agora chamado operação Tannenbaum ("Árvore de Natal"). O plano original previa 21 divisões alemãs, mas esse número foi reduzido para 11 pelo OKH. O próprio Halder havia estudado as áreas fronteiriças, e concluiu que "a fronteira Cantão do Jura não oferece base favorável para um ataque. A Suíça sobe, em sucessivas ondulações de áreas cobertas por florestas na rota da invasão. Os pontos de cruzamento no rio Doubs e fronteira são poucos, a posição da fronteira suíça é forte". Ele decidiu usar um "drible" de infantaria no Jura para forçar a retirada o exército suíço e depois cortá-lo na retaguarda, como fora feito na França. Com as 11 divisões alemãs e aproximadamente 15 outras divisões italianas preparadas para entrar pelo sul, os suíços vislumbravam uma invasão de entre 300.000 e 500.000 homens.Angelo Codevilla, Between the Alps and a Hard Place: Switzerland in World War II and Moral Blackmail Today (Washington, D.C.: Regnery, 2000) 57–58. Adicionado em 06/11/2018.