Ricardo Vélez Rodríguez (Bogotá, ) é um filósofo, ensaísta, teólogo e professor colombiano naturalizado brasileiro. No Brasil, foi professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e lecionou em universidades da França, Estados Unidos e Colômbia. É professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, responsável pela formação de oficiais de alta patente.
Na política, foi ministro da Educação do governo Jair Bolsonaro de 1º de janeiro a 8 abril de 2019, quando foi substituído por Abraham Weintraub.Vélez Rodríguez: indicado por guru dos Bolsonaro e pró-Escola sem Partido. Por João Pedroso de Campos. Veja, 22 de novembro de 2018Veja - Bolsonaro anuncia Ricardo Vélez Rodríguez como ministro da Educação. João Pedroso de Campos, 22 de Novembro de 2018. Acessado em 22/11/2018 Suas visões políticas são consideradas de extrema-direita.
Formação e atividade acadêmica Ricardo Vélez Rodríguez fez seus estudos básicos no Liceu de La Salle (Bogotá) e cursou o bacharelado em Humanidades no Instituto Tihamér Tóth, na mesma cidade. Licenciou-se em Filosofia pela (Bogotá), em 1963. Entre 1965 e 1967, fez o curso de Teologia no .
Iniciou a sua vida docente em 1968, como professor de Literatura e Filosofia, na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Pontifícia Bolivariana (Medellín), e Ética Empresarial, na Escuela de Administración de Empresas e Instituto Tecnológico, também na Colômbia, permanecendo em ambas as instituições até 1971. Entre 1972 e 1973, lecionou Filosofia e Humanidades na Universidade Externado de Colômbia e na Universidade do Rosário, em Bogotá. Realizou estudos de pós-graduação no Brasil, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, obtendo o título de Mestre em Filosofia, em 1974. Em sua vida universitária, Velez foi atleta do ciclismo, e, de acordo com ele, vice-campeão colombiano na modalidade de quilômetro contra relógio e convocado para participar de jogos Olímpicos pela Colômbia.
De volta à Colômbia, exerceu o cargo de Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade de Medellín, entre 1975 e 1978. A partir de janeiro de 1979, fixou residência no Brasil, inicialmente em São Paulo, onde trabalhou como pesquisador na Sociedade de Cultura Convívio, tendo sido redator da revista Convivium, publicação originalmente ligada ao Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES).Gonçalves, Rodrigo Jurucê Mattos.História fetichista: o aparelho de hegemonia filosófico Instituto Brasileiro de Filosofia/Convivium (1964-1985) Entre maio de 1979 e dezembro de 1980, foi conferencista da Universidade de São Paulo (USP), no curso de Estudo de Problemas Brasileiros.
Em 1981, mudou-se para Londrina, onde se tornou professor do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e criou, em 1982, o Curso de Pós-Graduação em Pensamento Político Brasileiro. Ainda em 1982, obteve o título de Doutor em Filosofia pela extinta Universidade Gama Filho, com a tese Oliveira Vianna e o Papel Modernizador do Estado Brasileiro, sobre Francisco José de Oliveira Viana (1883-1951), sociólogo, jurista e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), defensor de ideias eugenistas.Doutor em filosofia, futuro ministro escreveu sobre Dom Quixote, MST e tráfico. Por Flávia Faria e Sérgio Rangel. Folha de S. Paulo, 23 de novembro de 2018. Em 1983 vinculou-se ao Programa de Pós-Graduação em Pensamento Brasileiro da mesma universidade. É professor da Faculdade Positivo de Londrina, antiga unidade da Faculdade Arthur Thomas, instituição vinculada desde 2017 à Universidade Positivo de Curitiba e pertencente ao Grupo Positivo do Paraná. Na Positivo leciona várias disciplinas, como História do Direito, Teorias da Justiça e Filosofia, nos cursos de graduação em Direito e Administração. Ainda na mesma cidade, é membro da Academia de Letras de Londrina, sendo titular da cadeira de número 18.
Entre 1985 e 1990 foi professor adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), atuando em cursos de graduação e no Mestrado em Problemas Brasileiros. Também a partir de 1985 lecionou na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), no curso de Filosofia e no Programa de Mestrado em Pensamento Brasileiro, criado por ele e pelo filósofo e professor Antônio Paim,Antonio Ferreira Paim Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro tendo sido aposentado voluntariamente como professor associado em 2013. O Programa funcionou até 1996.
Foi professor visitante da Universidade de Antioquia, na Colômbia (1975–1978), da Universidade Católica Portuguesa (2001–2002), do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (1996–2005) e da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (1986–1989).
Ministério da Educação Seu nome foi sugerido por Olavo de Carvalho ao presidente Jair Bolsonaro para dirigir o Ministério da Educação, sendo anunciado como titular da pasta em 22 de novembro de 2018 pelo então presidente eleito.
Foi nomeado no dia 1° de janeiro de 2019, tomando posse no dia seguinte. Em seu discurso durante a cerimônia de posse, declarou que sua proposta educacional teria inspiração liberal-conservadora, citando Olavo de Carvalho e Antonio Paim, considerado por Vélez o então maior pensador brasileiro vivo, como influências suas e de sua equipe de secretários. Em 8 de abril de 2019, foi demitido do Ministério da Educação sob a alegação de "falta de expertise e gestão" que, por conseguinte, levou ao acúmulo de problemas internos da pasta. Em razão disso, veio a ser substituído pelo professor universitário Abraham Bragança Weintraub.DECRETOS DE 8 DE ABRIL DE 2019. Portal da Imprensa Nacional/Diário Oficial da União. Acessamento feito em 8 de abril de 2019.
De acordo com Vélez, sua destituição veio por conta da ala ideológica de alunos de Carvalho. Para Vélez, a influência desse grupo no governo era negativa, uma vez que atrapalharia o pluralismo.
Vida pessoal Vélez Rodríguez chegou ao Brasil em 1979, fugindo da violência na Colômbia onde, no ano anterior, haviam sido assassinados dezoito professores. Propôs à sua primeira esposa, uma brasileira, que se mudassem para o Rio de Janeiro, onde ele poderia fazer seu doutorado, e retornassem quando a onda de violência tivesse passado. "Eu disse para minha esposa, que era brasileira, que a coisa estava ficando feia em Medellín e lhe propus que fôssemos para o Brasil. Lá, eu fazia um doutorado e retornávamos. Quase não aceita a ideia porque adorava Medellín", conta ele. Mas a violência não cessou, e Vélez Rodríguez acabou permanecendo no Brasil, obtendo a nacionalidade brasileira em 1997.
Atualmente reside em Londrina, no norte do Paraná, com sua segunda mulher, Paula Prux, com quem tem um filho, nascido em 2012. Ela, natural de Apucarana, também no Paraná, é filha do ex-tenente do Exército, advogado e professor Oscar Ivan Prux.
Em seu blog pessoal Páginas Para os Meus Filhos (atualmente removido), Vélez Rodríguez declara apreciar música clássica, especialmente Bach, Beethoven, Chopin, Vivaldi, Haydn e Haendel, bem como canções românticas latino-americanas.
Posicionamentos Em um programa exposto em seu blog, intitulado Um roteiro para o MEC, dia 7 de novembro de 2018, defende a descentralização do sistema educacional. Vélez Rodríguez é anticomunistahttp://www.ecsbdefesa.com.br/defesa/fts/MEC2018.pdf Um roteiro para o MEC]. Por Ricardo Vélez Rodríguez. UFJF/DefesaO marxismo gramsciano, pano de fundo ideológico da reforma educacional petista. Por Ricardo Vélez Rodríguez. UFJF/Defesa (originalmente publicado em Ibérica – Revista Interdisciplinar de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos, pelo Núcleo de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos – UFJF Ano I, Nº 1, Juiz de Fora, set.-nov./2006) e estudioso do liberalismo clássico. Em seu blog Rocinante (nome do cavalo de Dom Quixote de La Mancha), ele critica o que considera a influência marxista sobre a educação brasileira. Para ele, é necessário limpar todo o "entulho marxista que tomou conta das propostas educacionais de não poucos funcionários alojados no Ministério da Educação". Afirma que, durante a ditadura, os militares deram a grupos da extrema esquerda guerrilheira diretorias da CAPES e do CNPq, esperando que depusessem as armas, e assim, esses grupos puderam criar a atual hegemonia cultural e alijaram do debate a direita conservadora, durante o governo militar e também depois dele.. UFJF/Defesa Por outro lado, Ricardo Vélez enaltece as instituições militares de ensino, onde, segundo ele, há "patriotismo, disciplina, valorização dos docentes e amor pelo Brasil".
Vélez Rodríguez defende o movimento político Escola Sem Partido. "Esta é uma providência fundamental. O mundo de hoje está submetido, todos sabemos, à tentação totalitária, decorrente de o Estado ocupar todos os espaços, o que tornaria praticamente impossível o exercício da liberdade por parte dos indivíduos", escreve ele em texto divulgado em 5 de setembro de 2017.Independência:Escola sem Partido, República sem Bambu. UFJF/Defesa, 7 de setembro de 2017. Afirmou que: [os brasileiros estão] "reféns de um sistema de ensino alheio às suas vidas e afinado com a tentativa de impor, à sociedade, uma doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de 'revolução cultural gramsciana', com toda a corte de invenções deletérias em matéria pedagógica como a educação de gênero". [Para ele, essa educação atual estaria] "destinada a desmontar os valores tradicionais da nossa sociedade, no que tange à preservação da vida, da família, da religião, da cidadania, em soma, do patriotismo."
Assim como Ernesto Araújo, Vélez manifesta-se "contra o globalismo politicamente correto". Em seu blog, afirma que a vitória de Bolsonaro virou mais uma página da História do Brasil e trouxe uma "imensa carga de esperança, com o intenso desejo de que os últimos resquícios do socialismo sejam escoimados dentre nós".O novo ministro da Educação contra os moinhos de Marx e Gramsci. Por Caroline Oliveira. Justificando, 23 de novembro de 2018. Atualmente, o acesso ao blog é restrito a "convidados".
Defende a ditadura militar no Brasil e, segundo ele, o dia 31 de março de 1964, que marca o golpe militar no Brasil (que ele chama de revolução, comparando-a à Revolução Gloriosa de 1688, na Inglaterra), é "uma data para lembrar e comemorar" porque "nos livrou do comunismo". No mesmo texto, de 2017, Vélez escreve: "A malfadada ‘Comissão da Verdade’ que, a meu ver, consistiu mais numa encenação para ‘omissão da verdade’, foi a iniciativa mais absurda que os petralhas tentaram impor". Ele também ironiza o conceito de direitos humanos e louva o "patriótico papel" desempenhado pelos militares no período em que estiveram no poder. 31 de março de 1964: É patriótico e necessário recordar essa data. UFJF/Defesa, 2017Novo ministro da Educação disse que golpe de 1964 deve ser comemorado. Folha de S. Paulo, 23 de novembro de 2018. Também fez críticas ao regime, como em seu livro, Republicanismo Brasileiro: "O regime militar tinha um propósito, em que pese o viés autoritário evidentemente criticável".
Católico por formação, é crítico da Teologia da Libertação.Teologia da Libertação, marxismo e messianismo político. UFJF/Defesa, 20 de setembro de 2018.]