thumb|Stalin na década de 1920
Josef Stalin, Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética de 1922 a 1952 e Presidente do Conselho de Ministros de 1941 até sua morte em 1953, governou o país como seu Secretário-Geral do final da década de 1920 até falecer. Ele inicialmente fez parte da liderança coletiva informal do país com Lev Kamenev e Grigori Zinoviev após a morte de Vladimir Lenin em 1924, mas consolidou seu poder dentro do partido e do Estado, especialmente contra as influências de Leon Trótski e Nikolai Bukharin, entre meados e o final dos anos 1920.
Antes da Revolução de Outubro de 1917, Stalin era um revolucionário que havia ingressado na facção Bolchevique do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR), liderada por Vladimir Lenin, em 1903. No primeiro governo de Lenin, Stalin foi nomeado líder do Comissariado do Povo para as Nacionalidades. Ele também assumiu cargos militares na Guerra Civil Russa e na Guerra Polaco-Soviética. Stalin foi um dos principais agentes bolcheviques no Cáucaso e aproximou-se de Lenin, que o considerava determinado, leal e capaz de resolver questões nos bastidores. Stalin desempenhou um papel decisivo no planejamento da invasão da Geórgia pelo Exército Vermelho em 1921. Seus sucessos na Geórgia o impulsionaram para as fileiras do Politburo no final de 1921. No 11.º Congresso do Partido Comunista Russo em 1922, os líderes decidiram expandir o Comitê Central do partido. Essa decisão levou à criação do cargo de Secretário-Geral, que Stalin assumiu em 3 de abril. Stalin logo aprendeu a usar seu novo posto para obter vantagens sobre figuras-chave dentro do partido. Ele preparava a pauta das reuniões do Politburo, direcionando o curso dos debates. Como Secretário-Geral, nomeou novos líderes locais do partido, estabelecendo uma rede de clientelismo leal a ele.Isaac Deutscher, Stalin - a Political Biography, 2.ª edição, 1961, sueco , pp. 184–233
Em 1922, a saúde de Lenin deteriorava-se rapidamente, juntamente com sua relação com Stalin. Lenin e Trótski formaram um bloco de aliança política para combater a burocratização do partido e a crescente influência de Stalin. Lenin escreveu um documento, o "Testamento de Lenin", instando o partido a destituir Stalin do cargo de Secretário-Geral, temendo seu autoritarismo.Salisbury, pp. 266–269. Quando Lenin morreu em 1924, o partido entrou em turbulência e uma intensa luta pelo poder teve início. Stalin, por meio de seu cargo de Secretário-Geral, obteve conhecimento prévio sobre o Testamento de Lenin e procurou atrasar sua divulgação. Ao ser apresentado ao partido, Stalin ofereceu-se para renunciar ao cargo de Secretário-Geral, mas sua renúncia foi rejeitada para manter a imagem de unidade partidária. Com sua posição consolidada, Stalin concentrou-se em fortalecer seu poder e explorar as rivalidades entre os líderes do partido. Muitos eram membros do Politburo, e as disputas estendiam-se para além dele. Diversos Comissários do Povo envolveram-se nas lutas políticas e pessoais internas. As principais facções incluíam a ala intelectual da "esquerda" e a ala sindicalista da "direita". Nesse ambiente, Stalin apresentou-se como um moderado, rotulando sua facção como "o centro", enquanto construía alianças silenciosas com ambos os lados em meados dos anos 1920.
Stalin voltou-se então contra Trótski. Ele formou uma aliança com outros Velhos Bolcheviques para confrontar Trótski no aparato do partido. Derrotar Trótski era uma tarefa complexa, visto seu papel proeminente na Revolução de Outubro. Trótski havia organizado o Exército Vermelho e desempenhado um papel indispensável durante a Guerra Civil Russa. Stalin confrontou Trótski com discrição, procurando manter a imagem de árbitro moderado de centro. Antes da Revolução, Trótski frequentemente desdenhava de Stalin, zombava de sua falta de erudição e questionava sua eficácia como revolucionário. A teoria de Stalin do "Socialismo em um só país" contrastava diretamente com a teoria da "Revolução permanente" de Trótski. A queda de Trótski foi rápida: ele foi primeiro destituído do cargo de Comissário do Povo para Assuntos Militares e Navais (janeiro de 1925), depois retirado do Politburo (outubro de 1926) e perdeu seu assento no Comitê Central em outubro de 1927. Stalin expulsou-o do partido em novembro de 1927 e o enviou para Alma-Ata, no Cazaquistão, em 1928. Trótski foi expulso da União Soviética em fevereiro de 1929 e viveu o restante de sua vida no exílio. Com Trótski afastado, Stalin aliou-se à ala direita do partido. Usando sua posição de Secretário-Geral, preencheu a burocracia soviética com aliados leais. Após a morte de Lenin, Stalin viajou pela URSS ministrando palestras sobre a filosofia leninista e apresentando-se como seu legítimo herdeiro. Ao longo da década de 1920, utilizou seu cargo para expulsar críticos e consolidar seu controle. A aliança de Stalin com a ala direita terminou quando ele decidiu avançar com o Primeiro Plano Quinquenal, abandonando a Nova Política Econômica. Stalin derrotou seus adversários internos até 1928, encerrando as disputas pelo poder. A partir de 1929, sua liderança sobre o partido e o Estado estava plenamente estabelecida, permanecendo como o líder inconteste da URSS até sua morte.
Antecedentes
Antes de seu exílio na Sibéria entre 1913 e 1917, Stalin foi um dos agentes bolcheviques no Cáucaso, organizando células, distribuindo propaganda e arrecadando fundos por meio de atividades ilegais. Stalin também formou um grupo rebelde envolvido em assaltos armados, extorsão, assassinatos, aquisição de armas e uso de menores como mensageiros.Montefiore, Simon Sebag (2007). Young Stalin. Nova York: Knopf, pp. xii, xxix, 10, 151–153. Segundo Montefiore, Stalin mantinha contato com militantes como Kamo e Kote Tsintsadze, mas emitia ordens formais aos outros membros do grupo por meio de seu guarda-costas. Stalin acabou conquistando um lugar no círculo íntimo de Lenin e nos escalões superiores da hierarquia bolchevique. Seu pseudônimo, Stalin, significa "homem de aço". A Revolução de Outubro ocorreu na capital russa, Petrogrado, em 7 de novembro de 1917 (25 de outubro no estilo antigo), transferindo todo o poder político para os Sovietes.
thumb|140px|Vladimir Lenin, fundador da União Soviética e líder do Partido Bolchevique thumb|140px|Leon Trótski, fundador do Exército Vermelho e figura-chave na Revolução de Outubro
Na Guerra Civil Russa que se seguiu, Stalin estabeleceu laços com vários generais do Exército Vermelho e adquiriu autoridade militar própria. Ele reprimiu duramente contrarrevolucionários e rebeldes. Após vencer a Guerra Civil, os bolcheviques buscaram expandir a Revolução pela Europa, começando pela Polônia, que combatia o Exército Vermelho na Ucrânia. Como comandante conjunto de um exército na Ucrânia e depois na própria Polônia, a atuação de Stalin na Batalha de Varsóvia foi posteriormente criticada por diversos dirigentes, incluindo Leon Trótski.
Invasão da Geórgia e Secretaria-Geral No final de 1920, em meio às crises decorrentes da Guerra Civil Russa, Trótski defendeu que os sindicatos fossem progressivamente incorporados ao Estado operário e que este controlasse integralmente os setores industriais. A posição de Lenin sustentava que os sindicatos deveriam ser subordinados ao Estado operário, porém mantidos como entidades separadas, acusando Trótski de pressionar burocraticamente as organizações sindicais. Temendo uma reação negativa dos sindicatos, Lenin solicitou a Stalin que construísse uma base de apoio na Inspeção de Operários e Camponeses (Rabkrin) para combater o burocratismo. A posição de Lenin prevaleceu no 10.º Congresso do Partido em março de 1921. Diante das disputas entre facções durante um período considerado crítico, Lenin convenceu o congresso a aprovar a proibição de qualquer oposição à linha oficial do Comitê Central (a resolução sobre a Unidade do Partido, que Stalin utilizaria mais tarde para expulsar adversários).Robert Service. Stalin: A Biography. 2004.
Stalin desempenhou um papel central na organização da invasão da Geórgia pelo Exército Vermelho em fevereiro e março de 1921, quando o território constituía o principal reduto menchevique. Após a invasão, Stalin adotou políticas centralizadoras e rigorosas em relação à Geórgia Soviética, reprimindo a oposição aos bolcheviques e dissidências dentro do próprio Partido Comunista local (como no Caso Georgiano de 1922), além de manifestações contrárias ao poder soviético (como a Revolta de Agosto de 1924).Knight, Ami W. (1991), Beria and the Cult of Stalin: Rewriting Transcaucasian Party History. Soviet Studies, Vol. 43, No. 4, pp. 749–763. Foi durante os acontecimentos na Geórgia que Stalin começou a consolidar uma atuação política autônoma.Shanin, Teodor (julho de 1989), Ethnicity in the Soviet Union: Analytical Perceptions and Political Strategies. Comparative Studies in Society and History, Vol. 31, No. 3, pp. 409–424. Lenin, no entanto, discordou da conduta de Stalin na Geórgia, defendendo que todas as repúblicas soviéticas deveriam ter estatuto de igualdade com a Rússia, em vez de serem absorvidas e subordinadas a ela.
Grigori Zinoviev apoiou com sucesso a nomeação de Stalin para o cargo de Secretário-Geral em março de 1922, assumindo formalmente as funções em 3 de abril de 1922. Stalin manteve seus cargos no Orgburo, na Inspeção de Operários e Camponeses (Rabkrin) e no Comissariado do Povo para as Nacionalidades, delegando parte das tarefas a subordinados. A partir desse posto, passou a nomear partidários para funções administrativas e políticas estratégicas.
Afastamento e morte de Lenin thumb|Stalin visitando Lenin convalescente em sua dacha em Gorki, em 1922
Em 25 de maio de 1922, Lenin sofreu um derrame enquanto se recuperava de uma cirurgia para retirar uma bala alojada em seu pescoço desde um atentado sofrido em agosto de 1918. Com a saúde debilitada, afastou-se parcialmente das atividades cotidianas e instalou-se em sua dacha em Gorki. A partir de então, debates sobre a sucessão intensificaram-se entre os dirigentes bolcheviques. Lenin e Trótski mantinham uma relação de afinidade teórica, enquanto a relação com Stalin era de caráter prático e administrativo. Stalin visitava Lenin com regularidade, servindo como intermediário entre o líder e o governo. Durante esse período, os dois divergiram sobre políticas econômicas e sobre a estrutura institucional da União Soviética. Em determinado momento, Stalin insultou verbalmente a esposa de Lenin, Nadejda Krupskaia, por descumprir orientações do Politburo ao intermediar contatos políticos entre Lenin, Trótski e outros dirigentes; o episódio provocou forte descontentamento em Lenin. Com a deterioração das relações entre ambos, Lenin ditou notas críticas a Stalin no documento conhecido como seu testamento político.
A autoria estrita do documento foi objeto de discussões historiográficas. O historiador Stephen Kotkin sugeriu a hipótese de que Krupskaia, em articulação com Trótski, pudesse ter redigido o texto para descredibilizar Stalin. A maioria dos historiadores, contudo, considera o documento representativo das posições de Lenin no período. Pesquisadores apontam também a proposta de Lenin para nomear Trótski como vice-presidente do Conselho de Comissários do Povo como indício de que o considerava uma alternativa para a liderança governamental.