Chácara Tangará foi uma propriedade rural pertencente a Francisco Matarazzo Pignatari, localizada no distrito da Vila Andrade, Zona Sul do município de São Paulo. Comprada pela Lubeca S/A Empreendimentos e Participação em outubro de 1986, a área total de 482.215,63m² comporta, hoje, o bairro Panamby e o Parque Burle Marx. Foi tombada pelo CONDEPHAAT em 1994.

A luxuosa residência e os jardins Burle Marx Conhecido como Baby Pignatari, o empresário ítalo-brasileiro, na década de 50, viu na propriedade a oportunidade de prestar uma homenagem à namorada e princesa austríaca, Ira von Furstenberg. A ideia era construir a maior casa do Morumbi, cerca de 3.000 metros quadrados, para os dois viverem. Para isso, contratou o arquiteto Oscar Niemeyer, responsável pelo projeto, e o arquiteto paisagista Roberto Burle Marx, responsável por projetar jardins que enfeitassem a mansão. O romance, entretanto, terminou antes mesmo das obras se concluírem: a casa inacabada com apenas o jardim lateral finalizado, ficou abandonada até os meados dos anos 80, quando faleceu o único herdeiro, Giulio Cesare, filho do primeiro casamento de Baby, e o terreno fosse adquirido pela Lubeca S/A Empreendimentos e Participação.

O loteamento da Chácara Tangará A intenção da Lubeca em transformar aquela pequena reserva florestal em um empreendimento imobiliário logo mobilizou grupos ambientalista, que reivindicava a legislação sobre vegetação arbórea para proteger aquela área da ocupação imobiliária - formando o Movimento Pró-Parque Tangará.

Um projeto de lei, aprovado na gestão de Jânio Quadros, teve uma grande influência na formação estética do bairro Panamby: ela previa a construção de duas ruas que resultaria a divisão da Chácara Tangará em três glebas. A empresa Lubeca, interessada no arruamento do terreno, logo se prontificou e iniciou as obras. Mas a solicitação de tombamento da área junto ao Condephaat e ao Conpresp, por parte da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB-SP), alegando a biodiversidade do local, forçou a empresa interrompê-las e iniciar um acordo com o poder público municipal. A partir das negociações, durante a gestão de Luiza Erundina, decidiu-se a criação do Parque Burle Marx. A decisão acabou se tornando benéfica para os agentes imobiliários, que enxergaram ali uma grande oportunidade de valorização.

Itens do termo deste acordo com a prefeitura de São Paulo

A doação de 24.110,78 m2 de área institucional para instalação de uma creche a ser construída pela Lubeca S/A com 600m2 de área construída (...); A doação de 138.279,22 m2 de área verde na forma de 2 (dois) parques públicos (...) a serem cer­cados e equipados (nos padrões do Parque do Morumbi) pela Lubeca S/A de acordo com projeto a ser apresentado pela mesma à municipalidade (...); A recomposição paisagística do jardim do paisagista Rober­to Burle Marx, contido na área de um dos parques (...); A recuperação da vegetação já degradada contida nos dois parques pú­blicos, de acordo com projeto a ser desen­volvido pela Lubeca S/A, através de seus téc­nicos especializados, com acompanhamento do Depave; A doação pela Lubeca S/A de 5.000 mudas de árvores para arborização de ruas na região da Administração Regional de Campo Limpo; A obrigação da Lubeca S/A em manter a vegetação de preservação permanente, que permanecer de proprieda­de privada, nos locais consignados no pa­recer do Prof. Dr. Hermógenes de Freitas Leitão Filho; A remoção da parcela da vegetação de preservação permanente que se fizer indispensável para acomodação das edificações que vierem a ser implantadas nas Glebas “B” e “C” (...) obedecida orienta­ção do Depave, devendo a mesma vegetação ser transplantada para local a ser definido pela municipalidade, dentro dos limites do empreendimento; O direito da Lubeca S/A de computar o equivalente à área doada no cálculo do coeficiente de aproveitamento, nos termos da Lei Municipal 10.671/88, no que exceder às doações previstas na Lei Municipal 9.413/81, independentemente da forma de subdivisão em lotes (mantendo-se, principalmente, os coeficientes de aproveita­mento dos lotes lindeiros à Avenida Marginal Oeste do Rio Pinheiros / Gleba “C”, conside­rados pelo projeto precedente – em face à modificação do parque privado para público) e, sem prejuízo do coeficiente de aproveita­mento já deferido, decorrente da doação das áreas atingidas pelo sistema viário local (Ata de Reunião ocorrida em 04/09/1989).Documento presente nos processos de tombamento junto ao Conpresp (Resolução 48/92) e ao Condephaat (nº27.096//89).

Parque Burle Marx miniaturadaimagem|Parque Burle Marx Em 1991, o arquiteto paisagista Roberto Burle Marx voltaria a Chácara Tangará para reformular o trabalho que havia iniciado quando contratado pelo empresário Pignatari, enquanto o escritório KRAF, coordenado pela arquiteta paisagista Rosa Kliass, articulava seu jardim com as áreas de reserva ambiental, caminhos de pedestres, áreas contemplativas e de lazer, transformando-o em parque municipal, inaugurado à população em 1995.

Apesar de ser um parque municipal público, Burle Marx conta com a administração privada da Fundação Aron Birmann - que o teve o direito de gerir o parque depois de firmar um convênio com a Prefeitura Municipal de São Paulo.

A área de aproximadamente 138 mil metros quadrados conta com trilhas, espaços para piqueniques e eventos, horta comunitária, estação de compostagem e algumas construções importantes para a história e arquitetura nacional: a Casa de Taipa e Pilão (utilizada pelo Ciclo Bandeirista) e o jardim Burle Marx.

Palácio Tangará miniaturadaimagem|Palácio Tangará antes da venda para o grupo GTIS e com as obras inacabadas Ainda na década de 90, degradada, a mansão projetada por Oscar Niemeyer foi demolida, visando um projeto idealizado pelo grupo Birmann: a construção do Palácio Tangará Hotel e Spa em seu lugar - uma sociedade entre o empresário Rafael Birmann e a Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil).

As obras foram iniciadas em 1998, mas foram paralisadas três anos depois, quando o grupo Birmann enfrentou uma grave crise financeira. A dificuldade em encontrar um novo investidor deixou a obra parada por mais de uma década.

Em 2013, o grupo americano GTIS chegou a um acordo com o grupo Birmann e a Previ. O investimento concluiu os 30% da obra que ainda faltavam e fechou acordo de administração com a alemã Oetker Collection.

O hotel Palácio Tangará foi inaugurado no dia 10 de maio de 2017. Na época, o executivo Celso do Valle, responsável por dirigir o luxuoso hotel, prometeu um novo conceito de luxo em hotelaria ao mercado paulistano. Todos os quartos têm vista para o verde do Parque Burle Marx e as diárias variam de R$ 1,6 mil a R$ 17 mil.

Vila Andrade: Panamby miniaturadaimagem|Bairro Panamby Localizado no distrito de Vila Andrade, Panamby é um bairro nobre da Zona de Sul de São Paulo. Assim como no passado, convive constantemente com lutas de associações contra o empreendimento imobiliário para preservar e manter áreas verdes no bairro. Recentemente, através de uma ação popular (Movimento Amigos do Panamby), conseguiram suspender as obras do Parque Global - um empreendimento de luxo da construtora Bueno Netto.

Levando em consideração os bairros nobres da Zona Sul de São Paulo, como Morumbi e Jardins, Panamby tem o m² mais barato (média de R$ 9.985,83), dado que atrai novos moradores, além da particularidade de ser uma área mais arborizada dos que as outras duas regiões. Resultado disso é o crescimento populacional que o bairro passou na última década: de 73.649 para 127.015 (um aumento de 72%). O novo cenário, trouxe, até então, um problema que era inexistente: os altos índices de congestionamento.

Panamby também receberá uma estação da futura Linha 17 do Metrô de São Paulo, o que tem mobilizado alguns moradores manifestarem-se contra o projeto, tendo em vista que, por se tratar de um monotrilho, mudaria drasticamente a paisagem do bairro.

Contraste entre os bairros miniaturadaimagem|Contraste entre Paraisópolis e os bairros próximos Outra chamativa característica do distrito é a visível desigualdade social. A proximidade do bairro Panamby com a favela de Paraisópolis coloca em contraste a densidade da maior favela paulista com os luxuosos edifícios milionários da Avenida Giovanni Gronchi. Diferente do que houve em Panamby, a favela de Paraisópolis é origem de uma ocupação de terrenos, realizada na década de 50, de caráter semi-rural, por famílias de baixa renda.

Dados do distrito Vila Andrade

Área: 10,3 km² População: 99.274 hab. (2010) População residente em favelas: 29.703 hab. (2000)Favelas no município de São Paulo: estimativas de população para os anos de 1991, 1996 e 2000. (Eduardo Marques, Haroldo da Gama Torres e Camila Saraiva). Densidade demográfica (Hab/km²): 12.332/km² (2017) Renda média: R$ 3.383,44

Dados do bairro Paraisópolis

Área: 1,1779km² População: 56.369 hab. (2010) Densidade demográfica (hab/m²): 47.855,51/km² Renda média: R$ 469,78

Categoria:Construções da cidade de São Paulo Categoria:Patrimônio tombado pelo CONDEPHAAT Categoria:Construções demolidas da cidade de São Paulo Categoria:Vila Andrade