A Copa João Havelange foi a edição do ano 2000 do Campeonato Brasileiro de Futebol, a 45ª edição da competição, extraordinariamente organizada pelo Clube dos 13, que homenageou o ex-presidente da CBF e da FIFA, João Havelange. Impossibilitada pela Justiça de organizar o campeonato em razão do Caso Sandro Hiroshi, a CBF passou a responsabilidade ao Clube dos 13, mas este não pôde aplicar os critérios de acesso e descenso do ano anterior. Assim, teve-se o Campeonato Brasileiro com a maior quantidade de equipes participantes, 116, divididos em quatro módulos na primeira fase. Antes do início, o C13 afirmou que não pretendia realizar uma segunda edição no ano seguinte, retornando a organização à CBF.
O campeão foi o Vasco da Gama, que conseguiu o seu quarto título nacional, repetindo os feitos de 1974, 1989 e 1997. O vice-campeão foi o São Caetano, clube fundado há pouco mais de 10 anos, que começou a disputa no Módulo Amarelo e na fase final eliminou três campeões, Fluminense, Palmeiras e Grêmio.
No fim do século XX, o Campeonato Brasileiro confirmou seu histórico de desorganização institucional, mas também se consolidou como um dos campeonatos mais disputados do mundo: 16 clubes diferentes conseguiram o título em apenas 45 edições. O campeonato foi finalizado apenas no ano seguinte, o que só voltaria a ocorrer na edição de 2020.
Uma das controvérsias do certame, em razão das disputas jurídicas do ano anterior, é a estruturação dos módulos. Observou-se a presença de clubes que não deveriam jogar a Série A de 2000, nos termos dos regulamentos de 1999, no Módulo Azul, grupo que na prática correspondia ao primeiro nível nacional daquele ano. A conturbada organização do torneio foi lida pela imprensa e profissionais do esporte como um ponto de virada para uma mudança na administração do futebol brasileiro. Apesar das polêmicas extracampo e fórmula pouco convencional, foi um campeonato considerado qualificado tecnicamente.
A questão judicial
Logo na terceira rodada do Brasileirão de 1999 (no dia 4 de agosto), o São Paulo goleou o Botafogo por 6 a 1 e, poucos dias depois, o alvinegro entrou com um pedido de anulação dessa partida, alegando que, em razão do bloqueio de seu passe, o atacante Sandro Hiroshi (que esteve em campo naquela goleada) teria atuado irregularmente. Esse pedido só foi julgado pela Comissão Disciplinar do TJD em 19 de outubro. Com isso, a Comissão Disciplinar tirou do São Paulo os três pontos daquela goleada e entregou-os ao Botafogo.Diário do Grande ABC
O time paulista ainda recorreu ao TJD, alegando que havia dezenas de outros jogadores com o passe bloqueado e, consequentemente, em situação tão irregular quanto a de Sandro Hiroshi. Em julgamento realizado no dia 3 de novembro, porém, o TJD apenas ratificou a decisão da primeira instância.
Posteriormente, o Internacional também ganhou da Comissão Disciplinar os pontos do seu jogo contra o São Paulo, em virtude da escalação irregular de Sandro Hiroshi. Igualmente ao Botafogo, o Internacional ganhou dois pontos, pois havia empatado o jogo contra o São Paulo. Com esses pontos, o Botafogo terminou o campeonato com média de aproveitamento superior à do Gama e acabou salvo do rebaixamento à Série B. O Internacional se salvaria do rebaixamento à Série B, mesmo se não tivesse ganho os pontos da partida contra o São Paulo.
Por sua vez, o Gama, que não estaria entre os rebaixados, se os resultados conquistados pelo São Paulo dentro de campo fossem mantidos, naturalmente não aceitou a situação e foi à Justiça Comum contra a CBF, que foi impedida de realizar o Campeonato Brasileiro do ano seguinte, sendo este organizado pelo Clube dos Treze e tendo o nome de Copa João Havelange.UOL Esporte - Heverton pode ser novo Sandro Hiroshi
Por não ter aceitado o seu rebaixamento à Série B em 1999, o Gama, com apoio do Sindicato dos Técnicos de Futebol do Distrito Federal e do PFL, entrou com uma ação na Justiça comum exigindo sua reintegração à Série A. Em junho de 2000, devido ao conflito de decisões entre STJD (contra o Gama) e a Justiça comum (a favor), com o processo ainda não tendo sido julgado em todas as instâncias, a CBF ficou impedida de publicar o regulamento do campeonato que deveria iniciar em seguida.
Um acordo com o Clube dos 13 foi a solução, e definiu que essa entidade organizaria um campeonato próprio, que mais tarde seria oficializado pela CBF, inclusive para definição das vagas brasileiras na Libertadores da América de 2001. Porém, uma nova liminar obtida pelo Gama determinou sua inclusão no torneio. Com o temor de uma série de liminares de outros clubes, optou-se pela unificação das três divisões em um único certame.
Mais tarde, o Gama desistiu de dar prosseguimento ao processo. A FIFA, que havia banido o Gama (impedindo qualquer outro clube de disputar jogos oficiais contra o time brasiliense), também voltou atrás em sua decisão. Finalmente, a CBF ratificou oficialmente a Copa João Havelange como o Campeonato Brasileiro de Futebol de 2000.
Essa competição também foi marcada pela queda de parte do alambrado de São Januário, o que fez ser adiada a partida decisiva, e de protesto do clube campeão contra o monopólio da grande mídia. Na nova volta da final, o Vasco jogou com o logo do SBT estampado atrás da camisa; ideia de Eurico Miranda, então vice-presidente e presidente eleito do clube carioca (assumiria em 22 de janeiro de 2001), que ficou insatisfeito com a cobertura da Globo no jogo cancelado.
Segundo HIRATA (2013, p. 7):
Equipes participantes