Afonso Henrique da Costa Guimarães (Ouro Preto, 24 de julho de 1870 – Mariana, 15 de julho de 1921), mais conhecido como Alphonsus de Guimaraens, foi um poeta brasileiro, considerado um dos principais representantes do simbolismo no Brasil. Seus poemas versavam de maneira obsessiva a morte da mulher amada e apresentavam um ritmo melódico e um misticismo católico, temas centrais em livros como Câmara Ardente, com influências barrocas, românticas e decadentistas.

Sua obra, predominantemente poética, consagrou-o como um dos principais autores simbolistas do Brasil. Traduziu também poetas como Stéphane Mallarmé, em referência à cidade em que passou parte de sua vida, é também chamado de "o solitário de Mariana", a sua "torre de marfim do Simbolismo".

Biografia thumb|left|Alphonsus de Guimarães. Alphonsus de Guimaraens era filho de Albino da Costa Guimarães, comerciante nascido em Cepães, Braga, Portugal, e de Francisca de Paula Guimarães Alvim, sobrinha do poeta Bernardo Guimarães, portanto, era sobrinho-neto de Bernardo.

Matriculou-se, em 1887, na Faculdade de Engenharia. Perdeu prematuramente (1889) a prima e noiva Constança, filha de Bernardo Guimarães, o que o abalou moral e fisicamente.

Foi, em 1890, para São Paulo, onde ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, compondo a turma 64, que colou grau em 1895. Em São Paulo, colaborou na imprensa e frequentou a Vila Kyrial, de José de Freitas Vale, onde se reuniam os jovens simbolistas. Em 1895, no Rio de Janeiro, conheceu Cruz e Souza, poeta a quem já admirava e de quem se tornou amigo pessoal. Também foi juiz-substituto e promotor em Conceição do Serro, hoje Conceição do Mato Dentro, MG. No ano de 1897, casou-se com Zenaide de Oliveira. Posteriormente, em 1899, estreou na literatura com volumes de versos como Septenário das dores de Nossa Senhora, Câmara Ardente e Dona Mystica, obras de nítida inspiração simbolista.

Em 1900, passou a exercer a função de jornalista, colaborando em A Gazeta, de São Paulo. Em 1902, publicou Kyriale, sob o pseudônimo de Alphonsus de Guimaraens; obra que o projetou no universo literário, obtendo assim reconhecimento, ainda que restrito de alguns raros críticos e de amigos mais próximos. Em 1903, os cargos de juízes-substitutos foram suprimidos pelo governo do estado de Minas Gerais. Consequentemente, Alphonsus perdeu também seu cargo de juiz, o que o levou a graves dificuldades financeiras.

Após recusar um posto de destaque no jornal A Gazeta, Alphonsus foi nomeado para a direção do jornal político Conceição do Serro, onde também colaborariam seu irmão, o poeta Archangelus de Guimaraens, Cruz e Souza e José Severino de Resende. Em 1906, tornou-se juiz municipal de Mariana, MG, para onde se transferiu com sua esposa Zenaide de Oliveira, com quem teve 15 filhos, dois dos quais também escritores: João Alphonsus (1901–1944) e Alphonsus de Guimaraens Filho (1918–2008).

Devido ao período que viveu em Mariana, ficou conhecido como "O Solitário de Mariana", apesar de ter vivido lá com a mulher e com seus filhos. O apelido lhe foi dado devido ao isolamento completo em que viveu. Sua vida, nessa época, passou a ser dedicada basicamente às atividades de juiz e à elaboração de sua obra poética.

Homenagem O poeta Carlos Drummond de Andrade homenageou Alphonsus em seu centenário em 1970, com o poema "Luar para Alphonsus", na segunda edição do livro de poesias e crônicas chamado "Versiprosa", em 1973.

Em 1987 foi inaugurado em Mariana o Museu Casa Alphonsus de Guimaraens. O Museu está instalado na casa em que o escritor viveu com a família no período de 1913 a 1921. Localizado no centro histórico da cidade, o imóvel apresenta características das construções de estilo colonial, dentro dos padrões estéticos do fim do século XVIII até o início do século XIX, com dois pavimentos e um quintal, por onde se distribuem os espaços expositivos, educativos, áreas de pesquisa, de administração e de convivência do Museu.https://www.mg.gov.br/servico/visitar-o-museu-casa-alphonsus-de-guimaraens, acessado em 17 de abril de 2023.

Na mesma cidade há também uma rua com seu nome,RUA ALPHONSUS DE GUIMARÃES. Portal do turismo de Mariana. Disponível em: https://turismo.mariana.mg.gov.br/atrativos/civis/ruas/rua-alphonsus-de-guimaraes, acessado em 17 de abril de 2023. situada entre a ponte de areia e a ponte de tabuas - que também recebe seu nome.Ponte de tábuas. Portal do turismo de Mariana. Disponível em: https://turismo.mariana.mg.gov.br/atrativos/civis/pontes/ponte-de-tabuas, acessado em 17 de abril de 2023.

O rapper Emicida, em 2019, lançou uma música inspirada no maior poema do autor, "Ismália". A música é uma parceria com Larissa Luz e Fernanda Montenegro, que recita o texto no final da canção.Emicida e Alphonsus de Guimaraens – As Duas Ismálias. Disponível em: https://oganpazan.com.br/emicida-e-alphonsus-de-guimaraens-as-duas-ismalia/, acessado em 17 de abril de 2023.

Principais obras Septenário das dores de Nossa Senhora, poesia (1899) Câmara Ardente, poesia (1899) Dona Mystica, poesia (1899) Kiriale, poesia (1902) Mendigos, prosa (1920)

Póstumas Pastoral aos crentes do amor e da morte Escada de Jacó Pulvis Salmos Poesias Jesus Alphonsus

Bibliografia .

Ligações externas Poemas de Alphonsus de Guimaraens (1) Poemas de Alphonsus de Guimaraens (2)

Categoria:Poetas de Minas Gerais Categoria:Escritores simbolistas do Brasil Categoria:Escritores de Minas Gerais Categoria:Poetas simbolistas do Brasil Categoria:Naturais de Ouro Preto Categoria:Brasileiros de ascendência portuguesa Categoria:Tradutores de Minas Gerais Categoria:Tradutores da poesia moderna Categoria:Sonetistas Categoria:Membros da Academia Mineira de Letras Categoria:Alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo Categoria:Sonetistas do Brasil