O SMS Kronprinz foi um navio couraçado operado pela Marinha Imperial Alemã e a quarta e última embarcação da Classe König depois do , e . Nomeado em homenagem a Guilherme, Príncipe Herdeiro da Alemanha, sua construção começou em novembro de 1911 nos estaleiros da Germaniawerft em Kiel, sendo lançado ao mar em fevereiro de 1914 e comissionado em novembro do mesmo ano, quatro meses depois do início da Primeira Guerra Mundial. Era armado com uma bateria principal composta por dez canhões de 305 milímetros, possuía uma deslocamento de mais de 28 mil toneladas e podia alcançar uma velocidade máxima de 21 nós.

O Kronprinz participou da maioria das operações navais alemãs de frota na Primeira Guerra ao lado de seus três irmãos, incluindo ataques contra a costa britânica e a Batalha da Jutlândia em 1916. Nesta ele esteve perto da frente da linha alemã, porém mesmo assim saiu do embate ileso. O navio foi torpedeado em 5 de novembro de 1916 pelo submarino britânico HMS J1 durante uma operação próxima da costa da Dinamarca. O couraçado passou por reparos e participou em outubro de 1917 da Operação Albion contra alvos russos no Mar Báltico, forçando o recuo do couraçado Grazhdanin. A embarcação acabou por ser renomeada para Kronprinz Wilhelm em junho de 1918.

A Alemanha foi derrotada em novembro de 1918 e a maior parte de sua Frota de Alto-Mar, incluindo o Kronprinz Wilhelm, foi internada na base britânica de Scapa Flow na Escócia. Os navios foram desarmados e suas tripulações reduzidas enquanto os Aliados negociavam seu destino na Conferência de Paz de Paris. O couraçado junto com as outras embarcações internadas em Scapa Flow foram deliberadamente afundadas por seus marinheiros dias antes da assinatura do Tratado de Versalhes a fim de impedir que fossem tomados pelos britânicos. O Kronprinz Wilhelm, diferentemente da maioria dos outros navios, nunca foi recuperado e seus destroços estão até hoje submersos.

Características

thumb|esquerda|260px|Diagrama dos navios da Classe König. Os quatro couraçados da Classe König foram encomendados como parte da corrida armamentista naval anglo-germânica. Eram a quarta geração de dreadnought da Marinha Imperial Alemã e foram construídos em resposta à Classe Orion da Marinha Real Britânica, encomendada em 1909. Os König representavam um desenvolvimento em relação à predecessora Classe Kaiser, com seu melhoramento de destaque sendo um arranjo mais eficiente da bateria principal. A intenção era que os navios usassem um sistema de propulsão que incluísse motores a diesel para a hélice central a fim de aumentar seu alcance, porém seu desenvolvimento mostrou-se mais complicado do que o esperado, assim uma usina de energia toda composta de turbinas a vapor foi empregada.

O SMS Kronprinz tinha 175,4 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 29,5 metros e um calado de 9,19 metros. Seu deslocamento com um carregamento normal de suprimentos ficava em 25 795 toneladas, porém quanto totalmente carregado esse valor podia chegar em 28 600 toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por três caldeiras Schulz-Thornycroft a combustível e doze caldeiras Schulz-Thornycroft a carvão que alimentavam três turbinas a vapor Parsons, que por sua vez impulsionavam três hélices triplas de 3,8 metros de diâmetro. A potência gerada pelos motores era de 45 570 cavalos-vapor (34 mil quilowatts), o que lhe permitia alcançar uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora). O navio podia transportar três mil toneladas de carvão e seiscentas toneladas de combustível, o que lhe dava um alcance de oito mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros) a doze nós (22 quilômetros por hora). Sua tripulação consistia em 41 oficiais e 1 095 marinheiros.

A bateria principal consistia de dez canhões SK L/50 de 305 milímetros. Estes eram montados em cinco torres de artilharia duplas: duas na proa, duas na popa, em ambos os casos com uma torre posicionada em cima da outra, e por fim uma única à meia-nau entre as chaminés. Seus armamentos secundários consistiam em catorze canhões SK L/45 de 150 milímetros e seis canhões SK L/45 de 88 milímetros, todos montados em casamatas. Além disso, como era costume para os grandes navios de guerra da época, era armado com cinco tubos de torpedo de quinhentos milímetros. O cinturão de blindagem tinha 350 milímetros de espessura sobre a parte central da embarcação que protegia as máquinas e depósitos de munição, sendo reduzida para 180 milímetros na proa e 120 na popa. O convés era protegido por uma blindagem horizontal de cem milímetros, que era reduzida para quarenta milímetros nas extremidades. As torres de artilharia da bateria principal possuíam blindagem de trezentos milímetros nas laterais e 110 no teto, enquanto as casamatas ficavam com 150 milímetros de proteção. As laterais da torre de comando dianteira também tinham trezentos milímetros de espessura.

História thumb|270px|Ilustração do Kronprinz em 1915. O Kronprinz foi encomendado pela Marinha Imperial Alemã sob o nome provisório de Ersatz Brandenburg, como um substituto para o antigo couraçado pré-dreadnought . O contrato para a construção foi entregue para a Germaniawerft em Kiel. O batimento de quilha aconteceu em maio de 1912 e ele foi lançado ao mar no dia 21 de fevereiro de 1914. Guilherme, Príncipe Herdeiro da Alemanha e o homônimo do navio, deveria ter discursado durante a cerimônia de lançamento, porém ele estava doente e assim foi substituído por seu tio o príncipe Henrique da Prússia, Inspetor Geral da Marinha. A princesa Cecília de Mecklemburgo-Schwerin, esposa de Guilherme, o batizou. Sua finalização estava prevista para o início de 1915, porém os trabalhos foram acelerados depois do início da Primeira Guerra Mundial em meados de 1914. A equipagem terminou em 8 de novembro de 1914, no mesmo dia em que foi comissionado na III Esquadra de Batalha da Frota de Alto-Mar.

O couraçado finalizou seus testes marítimos em 2 de janeiro de 1915. Sua primeira operação foi uma incursão para o Mar do Norte entre 29 e 30 de março que terminou sem incidentes. Ele e seus irmãos apoiaram os cruzadores rápidos do II Grupo de Reconhecimento em 17 e 18 de abril durante uma operação para colocação de minas no Banco de Swarte. Outra varredura da frota ocorreu em 22 de abril; a III Esquadra voltou para o Báltico dois dias depois para uma rodada de exercícios. Uma explosão ocorreu em 8 de maio no canhão direito de sua torre de artilharia central. Os exercícios ocorreram até o dia 13, quando a esquadra retornou para o Mar do Norte. Outra operação para colocação de minas foi realizada em 17 de maio.

O Kronprinz participou de uma operação no Mar do Norte entre 29 e 31 de maio que terminou sem combates. O navio apoiou mais uma operação de colocação de minas perto de Texel em 11 e 12 de setembro. Outra varredura da frota no Mar do Norte foi realizada de 23 a 24 e outubro. Várias incursões sem incidentes ocorreram entre 5 e 7 de março de 1916, em 31 de março e de 2 a 3 de abril. A embarcação deu apoio a um ataque contra a costa britânica em 24 de abril que foi realizado pelos cruzadores de batalha do I Grupo de Reconhecimento. Este deixou o Estuário de Jade pela manhã, com o resto da Frota de Alto-Mar partindo quase três horas depois. O cruzador de batalha bateu em uma mina no caminho e precisou recuar. Os outros cruzadores de batalha bombardearam a cidade de Lowestoft, porém encontraram a Força de Harwich de cruzadores de batalha britânicos enquanto aproximavam-se de Yarmouth. As embarcações enfrentaram-se brevemente até os britânicos recuarem. Relatos de submarinos inimigos fizeram o I Grupo de Reconhecimento recuar. O vice-almirante Reinhard Scheer, comandante da Frota de Alto-Mar, nesse momento foi informado que a Grande Frota britânica tinha deixado sua base em Scapa Flow nas Ilhas Órcades, Escócia, assim deu ordem para seus navios voltarem para águas alemãs.

Batalha da Jutlândia thumb|esquerda|upright=1.34|Mapa mostrando os principais movimentos da Batalha da Jutlândia. Os alemães são mostrados em vermelho enquanto os britânicos em azul. O Kronprinz esteve presente nas operações que resultaram na Batalha da Jutlândia, que ocorreu entre os dias 31 de maio e 1º de junho de 1916. A frota alemã mais uma vez tentou atrair e isolar uma parte da Grande Frota e destruí-la antes que a força principal britânica pudesse retaliar. O couraçado foi a quarta e última embarcação da V Divisão da III Esquadra, a vanguarda da frota, ficando atrás de seus irmãos , e . A III Esquadra de Batalha era a primeira de três unidades de couraçados; diretamente atrás estavam os navios da Classe Kaiser que formavam a VI Divisão da III Esquadra. Atrás destes estavam os couraçados das ClasseS Helgoland e Nassau da II Esquadra. A traseira por fim era formada pelos obsoletos couraçados pré-dreadnought da Classe Deutschland da I Esquadra.

O I Grupo de Reconhecimento encontrou a 1ª Esquadra de Cruzadores de Batalha do vice-almirante sir David Beatty pouco antes das 16h. Os dois lados começaram um duelo de artilharia que resultou na destruição do pouco depois das 17h, enquanto o afundou meia hora depois. Os alemães nesse momento já estavam navegando para o sul a fim de levar o inimigo em direção do resto da Frota de Alto-Mar. A tripulação do König, que liderava a linha alemã, avistou a aproximação do I Grupo de Reconhecimento e da 1ª Esquadra de Cruzadores de Batalha às 17h30min. Os cruzadores alemães viraram para estibordo, enquanto os britânicos foram para bombordo. Scheer ordenou às 17h45min uma manobra para colocar seus navios mais próximos dos britânicos, dando a ordem de abrir fogo um minuto depois.

Os couraçados da Classe Kaiser abriram fogo contra os cruzadores de batalha inimigos, porém o Kronprinz ainda estava longe para poder enfrentá-los. Em vez disso ele e os próximos dez navios alemães dispararam contra a 2ª Esquadra de Cruzadores Rápidos. O Kronprinz atirou contra o das 17h51min até às 18h00min a uma distância de dezessete a 18,6 quilômetros, em seguida às 18h08min passando a enfrentar o couraçado a dezessete quilômetros. O navio alemão disparou primeiro projéteis semi-antiblindagem com o objetivo de encontrar a distância correta, depois passando a usar os projéteis antiblindagem normais. O Malaya se distanciou muito treze minutos depois, com apenas um único acerto tendo sido relatado pelos artilheiros do Kronprinz. Segundo o historiador naval John Campbell, este acerto provavelmente foi "o brilho dos canhões do Malaya vistos através da neblina e fumaça". Vários disparos britânicos caíram perto da embarcação alemã durante esse período, porém sem acertá-la. O Kronprinz conseguiu ficar novamente em posição para atirar contra o Malaya às 18h30min, porém só conseguiu fazê-lo por seis minutos antes do navio britânico afastar-se de novo.

A linha alemã recebeu ordens às 20h00min de irem para o leste a fim de afastarem-se da frota britânica. O Markgraf, que estava diretamente na frente do Kronprinz, teve problemas de motor e saiu da formação, ficando atrás de seu irmão. O Kronprinz e os couraçados da III Esquadra enfrentaram entre 20h00min e 20h30min a 2ª Esquadra de Cruzadores Rápidos britânica, além de couraçados da Grande Frota. O Kronprinz tentou encontrar a distância correta de tiro ao observar os brilhos dos tiros britânicos, porém a visibilidade cada vez pior impediu que seus artilheiros encontrassem seus alvos. Consequentemente, ele não atirou durante esse período. O navio foi balançado violentamente por vários quase acertos. Scheer ordenou às 20h18min que a frota se afastasse pela terceira vez para escapar dos disparos britânicos; isto inverteu a ordem da frota e colocou o Kronprinz no fim da linha. Scheer depois ordenou que suas embarcações assumissem a formação de navegação noturna, porém falhas de comunicação entre Scheer a bordo do e o atrasaram as mudanças. A formação foi finalizada às 23h30min, com o Kronprinz ficando como o décimo quarto navio.