A Biblioteca perdida dos Czares de Moscou também conhecida como "Biblioteca Dourada," é a biblioteca que se especula ter sido criada por Ivã III da Rússia (o Grande) no século XVI. É também conhecida como a Biblioteca de Ivã IV da Rússia (o Terrível), a quem seu desaparecimento é atribuído. Diz-se que a biblioteca perdida conteria exemplares raros de literatura Grega, Latina, e Egípcia, obras provenientes das bibliotecas de Constantinopla e Alexandria, assim como textos chineses do século II e manuscritos contemporâneos a Ivã. A biblioteca foi historicamente descrita como situada nos subterrâneos do Kremlin, e tem sido fonte de interesse por parte de pesquisadores, arqueologistas, caçadores de tesouro e figuras históricas como Pedro, o Grande e Napoleão Bonaparte. Sob o reinado de Ivã a lenda da biblioteca cresceu. Há vários mitos em torno dela, como o de que Ivã teria amaldiçoado a biblioteca antes de sua morte, de forma a causar cegueira naqueles que chegassem perto de localizá-la, e também de que Ivã teria forçado estudiosos a traduzirem textos antigos para ganhar conhecimento de magia negra.

História

Segundo a lenda, a biblioteca começou com os bizantinos, reunindo ao longo dos séculos, até Constantino XI.Бацалев В., Варакин А. Тайны археологии. Радость и проклятие великих открытий. — Издательство «Вече» 1999. Após a queda de Constantinopla, a coleção de livros foi levada para Roma e, em seguida, dado como um dote quando Sofia Paleóloga se casou com o príncipe Ivã III da Rússia.

Ao chegar a Moscou em 1472, Sofia viu as conseqüências do incêndio de 1470 em Moscou. Ordenou, então, manter os livros no porão, para evitar perdê-los, sob a Igreja da Natividade da Virgem no Kremlin. Em abril de 1473, um novo incêndio devastador ocorreu: todo o Kremlin foi queimado, menos os livros.Библиотека Ивана Грозного. Библиотеки мира Como a biblioteca passou para Ivã, o Terrível, é desconhecido. Talvez, a biblioteca tenha sido abastecida por emissários do czar, que compravam livros raros em diferentes países. Há sugestões de que a parte da coletânea foi a igualmente lendária biblioteca de Yaroslav, o Sábio.por L. B. Kolpakova "A História da Biblioteca Desaparecida de Ivã"

A referencia mais antiga à biblioteca perdida foi em 1518 quando Miguel de Trípoli, mais conhecido como Máximo, o Grego foi mandado para a Rússia e entrou em contato com o Grão-Príncipe de Moscou Basílio III, filho de Ivã III. A reputação de Tripolis como tradutor e estudioso em obras como o Saltério para o russo, trouxe a atenção de Basílio. Foi em uma reunião entre Michail e Basílio que foi descrito que "uma multitude de inúmeras obras gregas" foram mostradas ao estudioso pelo nobre. Um contemporâneo russo de Michail escreveu uma biografia dele chamada "O conto de Máximo, o filósofo." Este biógrafo, Andrey Kurbsky, um membro da nobreza de Moscou, detalhou esse encontro entre os dois. Kurbskii escreveu que "Máximo ficou maravilhado e impressionado, e assegurou ao príncipe que nem mesmo na Grécia ele havia visto tantos livros helênicos."

Cerca de oitenta anos após Kurbskii escrever a biografia sobre Máximo, uma nova menção à biblioteca, e sobre sua localização apareceu. O escritor livoniano Franz Nyenstadt escreveu sobre Johannes Wetterman, um ministro protestante germânico que estabeleceu uma igreja na Rússia e se encontrou com Ivã IV. Este, supostamente, estava escondendo diversos armamentos sob o Kremlin. Algumas das armas foram descobertas em 1978 por construtores soviéticos trabalhando no metrô. Wetterman foi convocado por Ivã, o Terrível, não para olhar as armas, mas sim para ver os livros antigos, guardados em um arquivo seguro em algum lugar do Kremlin por mais de cem anos. Wetterman e outros três alemães, e três oficiais russos receberam ordens para fazer um apanhado das obras. Wetterman notou que havia diversos livros presentes que eram apenas mencionados por outros estudiosos, pois era considerados que todos os exemplares tinham sido destruídos em incêndios ou em guerras prévias. Ele recebeu a oportunidade de trabalhar com, e traduzir um dos livros, mas se negou, por considerar que aceitar a empreitada poderia levar a mais trabalhos, o que o manteria em Moscou indefinidamente. As obras foram, então, trancadas novamente sob o Kremlin, talvez para evitar que um outro incêndio as destruíssem.

Um relatório de 1724 menciona uma descoberta feita por V. Makariev em 1682. Makariev quando ordenado a adentrar uma passagem secreta no Kremlin, achou um recinto cheio de baús. Quando ele reportou o achado à princesa Sofia Alexeievna da Rússia, ela proibiu que qualquer um acessasse aquele quarto.

A Procura pela Biblioteca Perdida

No começo do século XIX, o professor Dabelov da Universidade de Tartu achou nos arquivos da cidade de Pärnu, um documento chamado "Manuscritos Segurados pelo Czar." Dabelov deixou Pärnu para informar um associado da universidade, Professor Clossius, da descoberta, porem ao retornar aos arquivos o documento aparentemente desapareceu. A única informação deixada no documento foi um pouco do que Dabelov copiara em sua primeira visita. Essa informação detalhou que os czares tinham cerca de 800 manuscritos alguns desses foram presentes à Rússia de um imperador Bizantino desconhecido.

Em 1834, o Professor Clossius escreveu sobre uma coleção de história russa, incluindo trabalhos de Nikolay Karamzin, autor de "História do Estado Russo". Karamzin menciona o encontro entre Ivã, o Terrível e o ministro protestante, Wetterman. No artigo do Professor Clossius, ele diz acreditar que a biblioteca perdida foi vítima de um incêndio, causada pela invasão polonesa no século XVI.

Na década de 1890, O Professor Thraemer da Universidade de Estrasburgo localizou um manuscrito dos Hinos homéricos que ele acreditava ter sido parte de uma coleção de manuscritos levados a Moscou pela princesa bizantina Sofia Paleóloga quando esta casou com Ivã, o Grande. Ivã III e Sofia casaram em 1472, e seu dote incluía uma rara coleção de livros das bibliotecas de Constantinopla e Alexandria. Por vários meses em em 1891, Professor Thraemer viveu em Moscou procurando por todas as bibliotecas e arquivos da cidade, na esperança de localizar a biblioteca perdida. Thraemer eventualmente decidiu que ela provavelmente estava localizada em quartos subterrâneos escondidos sob o Kremlin. Em 1893 o Professor I.E. Zabelin escreveu um artigo chamando "As Câmaras no subsolo do Kremlin de Moscou", no qual ele concluiu que a biblioteca existiu lá, mas foi destruída no Século XVII. Algumas tentativas de escavar sob o Kremlin foram feitas, estas acharam diversos túneis e câmaras subterrâneas, mas, todos vazios. Estudiosos russos da época refutaram a existência da biblioteca. S.A. Belokurov em 1898 escreveu que o "Conto de Máximo, o Filósofo" não foi escrito pelo príncipe Kurbskii, mas 75 anos depois, por outro monge. Belokurov diz ter achado contradições e inconsistências suficientes na biografia para acreditar que o grego sequer viu a biblioteca. Belokurov acreditava também que o documento do Professor Dabelov fora forjado, além de refutar outras fontes também.

No início do Século XX, o arqueologista Ignatiy Stelletsky se tornou um caçador da biblioteca perdida. Um artigo de 1929 do The New York Times detalha a busca de Stelletskii. O artigo reporta que Stelletskii achou arquivos mostrando "dois grandes cômodos cheios de baús de tesouro sabidos de existir abaixo do Kremlin" meio século após a morte de Ivã IV. Também reportado, foi o fato do ministro protestante Wetterman nunca ter retornado para casa, após sua estadia em Moscou. Ivã, o Terrível, de acordo com o mito, mandou cegar o arquiteto da Catedral de São Basílio para não ser capaz de a recriar, escondendo assim seus segredos. Assim sendo, Ivã causar o desaparecimento de Wetterman, após este ver a biblioteca, não está fora de cogitação. Pedro, o Grande Também tentou achar a biblioteca, na esperança que seus tesouros poderiam ajudar o Tesouro, após anos envolvido em guerras. A busca de Stelletskii, no entanto, acabou sem nunca achar a biblioteca.

S.O. Shmidt em 1978 descreveu um trabalho não publicado de N.N. Zarubin dos anos 30 chamado "A Biblioteca de Ivã, o Terrível e seus Livros". Zarubin argumentou que o trabalho de S. Belokurov não era imparcial quando dizia que a biblioteca não existia.

Nos anos 90 arqueologistas aumentaram suas buscas para além do Kremlin, até Sergiev Posad, Alexandrov, e Dyakovo, lugares sob a influência de Ivã IV.

Hipóteses da biblioteca

O conteúdo da biblioteca é geralmente estimado em 800 volumes ou 30 (talvez até 70) baús carregados com livros.

"Lista de Dabelov" contém os seguintes trabalhosQuantos manuscritos do rei do Oriente. Aqueles eram apenas 800, que parte ele comprou, em parte recebeu como um presente. A maioria deles é grega, mas também latina. Do latim tenho visto: Histórias de Livia que eu tive que traduzir. Cicero livro de republica e 8 livros Historiarum. Histórias de Svetaeviev sobre reis, também traduzidas por mim. Histórias tacíticas. Livro das Leis Romanas. Histórias de Justinov. Código de Constituições do Imperador Teodósio. Virgil Aeneid e Iht. Código Justinov de constituições e código de histórias. Estes manuscritos são escritos em pergaminho fino e têm encadernações de ouro. Também me foi dito pelo rei que eles o pegaram do próprio imperador e que ele quer ter uma tradução destes, o que eu, no entanto, não pude fazer. Sallust Yugurtinsky guerra e a sátira de Syrah. Comentário de César e Codru. Os manuscritos gregos que vi foram: Histórias de Polybiev, comédias de Aristófanes. Poemas de Pindarova. Heliotropes Gynothaet .. Gefestionova Geographika. Leis agrárias justinianas ... " (Citado por: Kozlov V. Uma nota anônima, ou a história de como o Professor H. H. Dabelov visitou a biblioteca de Ivã, o Terrível // Pátria — 1992. — № 5. — С. 17):

"História" de Tito Lívio - 142 livros (rolos) deste trabalho, a ciência conhece somente 35; "Vidas dos Doze Césares" de Suetónio - Talvez uma lista mais completa do que as que se conhece agora; “História” de Tácito - “Vários volumes” aparecem na lista, no entanto, não são especificados quais. Apenas quatro e meio dos primeiros 12 livros chegaram até nós; "Eneida" de Virgílio - Obra clássica do poeta romano. Além disso, é indicado que alguns de seus ensaios com o título ilegível "Ith..." estavam contidos. "História" Políbio - Este ensaio continha 40 livros. Que livros estavam em Liberay não é indicado; Comédias de Aristófanes - Novamente sem esclarecimentos; "Canções" de Píndaro - A partir dos escritos deste antigo poeta grego, apenas 4 ciclos de poemas nos alcançaram; “De republica” e 8 livros de “Historiarum” de Cícero - referindo-se ao tratado “Sobre o Estado”, que é preservado fragmentário, e algum ensaio histórico que não nos alcançou;

Na década de 30, o arqueógrafo N. N. Zarubin compilou a “Lista Alfabética de Livros Conhecidos pelo Nome de Ivã, o Terrível”. Inclui livros de sete fontes: encontrados nos inventários de sua propriedade e arquivo, copiados pela ordem do rei, transferidos a ele por várias pessoas, temporariamente retirados dele, doados pelo rei a igrejas, mosteiros ou concedidos a particulares, pessoalmente possuídos e procurados por ele. O rei de seus contemporâneos. No total, Zarubin contou 154 unidades, nas quais alguns livros da “Lista de Dabelov” foram incluídos.Zarubin NI Ivan Biblioteca Terrível: Reconstrução e descrição bibliográfica. - L .: Ciência (Leningrado. Separação), 1982.

Versões de localização

Existem mais de 60 versões completamente diferentes. Muitas delas são obviamente fantasiosas ou intencionalmente criados para atrair turistas. Abaixo estão os mais comuns:

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