Cantão ou Guangzhou (em chinês tradicional: 廣州; chinês simplificado: 广州; pinyin: Guǎngzhōu), historicamente também conhecida como Kwangchow, é uma cidade da República Popular da China, capital e maior cidade da província de Cantão (Guangdong). Através do Rio das Pérolas, cerca de 120 km a noroeste de Hong Kong e 145 km ao norte de Macau, a cidade tem uma história de mais de 2200 anos e foi um dos principais terminais da Rota da Seda marítima e continua a servir como um importante centro de transportes, além de ser uma das três maiores cidades da China.

Cantão está no coração da área metropolitana mais populosa da China continental, que se estende às cidades vizinhas de Foshan, Dongguan, Zhongshan e Shenzhen, formando uma das maiores aglomerações urbanas do planeta. Administrativamente, a cidade possui estatuto subprovincial e é uma das nove cidades centrais nacionais da China. No final de 2018, a população da ampla área administrativa da cidade era estimada em 14 904 400 pelas autoridades da cidade, um aumento de 3,8% em relação ao ano anterior. Cantão é classificada como uma cidade global "Alpha" e há um número crescente de residentes temporários estrangeiros e imigrantes do Sudeste Asiático, do Oriente Médio, da Europa Oriental e da África.China cracks down on African immigrants and traders , The Guardian, 6 de outubro de 2010 Isso levou a ser apelidada de "Capital do Terceiro Mundo".

A população migrante doméstica de outras províncias da China representou 40% da população total da cidade em 2008. Juntamente com Xangai, Pequim e Shenzhen, Cantão possui um dos mercados imobiliários mais caros da China. No final dos anos 1990 e início dos anos 2000, pessoas da África Subsaariana que inicialmente se estabeleceram no Oriente Médio e em outras partes do sudeste da Ásia mudaram-se em número sem precedentes para Cantão em resposta à crise financeira asiática de 1997/98.

Por muito tempo o único porto chinês acessível à maioria dos comerciantes estrangeiros, a cidade caiu para os britânicos durante a Primeira Guerra do Ópio. Não tendo mais o monopólio após a guerra, perdeu o comércio para outros portos, como Hong Kong e Xangai, mas continuou a servir como um grande entreposto. No comércio moderno, Cantão é mais conhecida por sua feira anual, a maior e mais antiga da China. Por três anos consecutivos (2013–2015), a Forbes a classificou como a melhor cidade comercial da China continental.

Etimologia Guǎngzhōu é a romanização pinyin do nome chinês 廣州, que foi simplificada na China continental para 广州 na década de 1950. O nome da cidade foi retirado da antiga província de Guang (Guang Zhou), depois que ela se tornou a sede do governo da prefeitura, o que também ocorreu com algumas outras cidades chinesas, como Hangzhou, Suzhou e Fuzhou. Antes de adquirir seu nome atual, a cidade era conhecida como Panyu, um nome ainda usado por um dos distritos de Cantão, não muito longe da cidade principal. A origem deste nome ainda é incerta, com 11 explicações diversas, incluindo a possibilidade de se referir a duas montanhas locais.

O nome em português "Cantão" ou "Cidade de Cantão" é uma confusão de pronúncias dialéticas de "Guangdong". Embora originalmente se aplicasse à cidade murada, ocasionalmente o termo era usado também para Guangdong por alguns autores.

História Pré-história Um assentamento agora conhecido como Nanwucheng estava presente na área de Cantão em 1100 a.C.. Algumas histórias chinesas tradicionais colocaram a fundação de Nanwucheng durante o reinado de Ji Yan, da Dinastia Chou, entre 38 e 396 aC. Dizia-se que ele consistia em pouco mais do que uma paliçada de bambu e lama.

Nanyue thumb|O traje funerário de jade de Zhao Mo.

Panyu foi estabelecida na margem leste do rio das Pérolas em 214 a.C. para servir de base para a primeira invasão fracassada do Império Qin das terras dos povos baiyue, no sul da China. Relatos lendários afirmavam que os soldados de Panyu estavam tão vigilantes que não removeram suas armaduras por três anos. Após a queda da Dinastia Qin, o general Zhao Tuo estabeleceu seu próprio reino de Nanyue e fez de Panyu sua capital em 204 a.C.. A região permaneceu independente através da Disputa Chu-Han, embora Zhao tenha negociado o reconhecimento de sua independência em troca de sua submissão nominal aos Han em 196 aC. Evidências arqueológicas mostram que Panyu era um centro comercial expansivo: além de itens do centro da China, os arqueólogos encontraram restos originários do sudeste da Ásia, Índia e até da África.

China imperial Incorporado à Dinastia Han, Panyu tornou-se uma capital provincial. Em , tornou-se a sede da província da prefeitura de Guang, que lhe deu seu nome moderno. O Antigo Livro de Tang descreveu Cantão como um porto importante no sul da China.刘煦.旧唐书·王方庆传〔M〕.北京:中华书局,1975 As rotas diretas conectavam o Oriente Médio e a China, como mostram os registros de um prisioneiro chinês que volta do Iraque doze anos após sua captura em Talas. As relações nem sempre eram pacíficas: piratas árabes e persas saquearam a cidade em 30 de outubro de 758 e foram massacrados pelo rebelde chinês Huang Chao em 878, juntamente com judeus, cristãos, (Abu Zayd Husayn al-Sirafi, Rihlat al-Sirafi, al-Mujamma' al-thaqafi, Abu Dhabi, 1990) e parses. O porto teria sido fechado por cinquenta anos após o caos. thumb|esquerda|Mapa de Cantão em 1665 esquerda|thumb|Vista de Cantão, 1750-1800

Entre as cinco dinastias e os dez reinos que se seguiram ao colapso da Dinastia Tang, o governador de Liang Yan, mais tarde, usou sua base em Panyu para estabelecer um império "Grande Yue" ou "Han do sul", que durou de 917 a 971. A região teve considerável sucesso cultural e econômico nesse período. Entre os séculos X e XII, há registros de que as grandes comunidades estrangeiras não eram exclusivamente do sexo masculino, mas incluíam "mulheres persas". Segundo Odorico de Pordenone, Cantão era do tamanho de três Venezas e rivalizava com toda a Itália na quantidade de artesanato que produzia. Ele também observou a grande quantidade de gengibre disponível, bem como grandes gansos e cobras. Cantão foi visitada pelo viajante marroquino ibne Batuta durante sua jornada do século XIV ao redor do mundo.

Logo após a declaração da Dinastia Ming pelo imperador Hongwu, ele reverteu seu apoio anterior ao comércio exterior e impôs o primeiro de uma série de proibições marítimas (haijin). Eles proibiram o comércio exterior privado sob pena de morte para o comerciante e o exílio para sua família e vizinhos. As intenções marítimas da Era Iuã de Cantão, Quanzhou e Ningbo foram proibidas em 1384 e o comércio legal ficou limitado às delegações de tributo enviadas a ou por representantes oficiais de governos estrangeiros.

Após a conquista portuguesa de Malaca, Rafael Perestrello viajou para Cantão como passageiro em um junco nativo em 1516. Seu relatório induziu Fernão Pires de Andrade a navegar para a cidade com oito navios no ano seguinte, mas a exploração de de Andrade foi entendida como espionagem e seu irmão Simão e outros começaram a tentar monopolizar o comércio, escravizando mulheres e crianças chinesas, envolvendo-se em pirataria e fortalecendo a ilha de Tamão. Circulavam boatos de que portugueses estavam comendo as crianças. O governo de Cantão ficou então encarregado de expulsá-los: eles venceram os portugueses na Batalha de Tamão e na Baía de Xicao; ele mantiveram o diplomata Tomé Pires como refém em uma tentativa fracassada de pressionar a restauração do sultão de Malaca, que havia sido considerado um vassalo Ming; e, depois de mantê-los aprisionados por quase um ano, os executaram pela "morte por mil cortes". Com a ajuda de piratas locais, os "Folangji" realizaram contrabando em Macau, Lampacau e na ilha de São João (hoje Sanchoão), até Leonel de Sousa legalizar seu comércio com subornos ao almirante Wang Bo (汪 柏) e ao Acordo Luso-Chinês de 1554. Os portugueses se comprometeram a não aumentar fortificações e pagar taxas alfandegárias; três anos depois, depois de ajudar os chineses a suprimir seus antigos aliados piratas, os portugueses foram autorizados a armazenar suas mercadorias em Macau, em vez de em Cantão.

Geografia thumb|Vista aérea da cidade à noite thumb|Monte Tiantang, o ponto mais alto da cidade Localizada no centro-sul de Guangdong, nas margens do rio das Pérolas, Cantão é uma cidade litorânea, situada perto das montanhas Baiyun. A elevação da cidade geralmente aumenta de sudoeste para nordeste, com as montanhas que formam a espinha dorsal da cidade, e que compreende o oceano.

Clima Cantão apresenta um clima subtropical úmido, diretamente influenciado pelas monções do sudeste asiático, tendo as estações do ano levemente diferenciadas, principalmente o verão e o inverno. Em circunstâncias habituais, os outonos, entre outubro e dezembro, assim como as primaveras, entre abril e junho, são amenos e ventosos, enquanto os invernos, entre janeiro e março, são breves e secos, e os verões, entre julho e setembro, são longos e relativamente quentes. O mês mais frio é janeiro, com temperatura média de 13,6 °C, e o mês mais quente é julho, com temperatura média de 28,6 °C, com uma média anual de 22,6 °C, sendo considerada uma das grandes cidades mais quentes da China. Ocasionalmente, as temperaturas podem ultrapassar facilmente os 30 °C durante o verão (principalmente nas duas últimas semanas de julho), e cair abaixo de 10 °C no inverno, podendo chegar aos 5 °C em determinadas madrugadas (principalmente na última semana de janeiro). A maior temperatura já registrada na Subprovíncia de Cantão foi de 39,1 °C em 19 de julho de 2013, e a menor já registrada foi de 0 °C em 27 de dezembro de 1927. Desde 1910, já foram registradas duas vezes a ocorrência de neve em Cantão, a primeira em 12 de janeiro de 1929 (quando as temperaturas chegaram a 0,2 °C), e em 24 de janeiro de 2016 (quando foram registrados 0,1 °C na cidade), 87 anos depois da primeira ocorrência.http://news.southcn.com/g/2016-01/24/content_141390169.htm No entanto, o fenômeno da água-neve já foi registrado em Cantão dezessete vezes desde 1910, nos anos de 1911, 1919, 1926, 1927, 1940, 1966, 1983, 1994 e 2002. Em média, a umidade relativa do ar é de 68% em Cantão ao longo do ano, a maior proporção média entre as grandes cidades chinesas.

Demografia

+ Crescimento populacional de Cantão Ano Pop. ±% 1953http://gd-info.gov.cn/books/209/76.html 1 598 900 — 1964 3 031 480 +89,6% 1982 5 630 733 +85,7% 1990http://scjss.mofcom.gov.cn/table/gz_3.pdf 6 299 943 +11,9% 1995 8 117 100 +28,8% 2000 9 942 022 +22,5% 2002 10 106 229 +1,7% 2010 12 780 800 +25,7%

Segundo dados de 2010, Cantão possuí 12 780 800 habitantes, figurando como a terceira cidade mais populosa da China, sendo superada somente por Xangai e pela capital, Pequim. Em relação a população segundo o censo do ano 2000, de 9 942 020 habitantes, houve um crescimento populacional de 25,7% — superior ao registrado entre os anos de 1990 e 2000, em que a população de Cantão cresceu 22,5%. Segundo dados do governo local datados do ano 2000, a cidade possuí 2,3 milhões de famílias, com cerca de 3,1 pessoas por família.http://www.asiarooms.com/en/travel-guide/china/guangzhou/guangzhou-overview/guangzhou-population.html

Cerca de 12,3% da população de Cantão (Guangdong), de 104 303 132 habitantes (dados de 2010), vive em Cantão, e, assim como a província, boa parte de sua população é oriunda de outras províncias chinesas — e até de outros países asiáticos, como Coreia do Sul, Japão, Indonésia e Malásia.

Religião Apesar do cristianismo não ser a religião predominante da população de Cantão, essa religião é um dos principais símbolos da cidade.

A mesquita de Huaisheng, localizada em Cantão, é uma das mais antigas mesquitas da China.http://fls.sysu.edu.cn/fls/deut/guangzhou/charaktereigenschaften-der-guangzhouer.html O budismo, entretanto, é a religião predominante da população da cidade.http://www.excelguangzhou.com/sixbanyan.html