O SMS Brandenburg foi o primeiro couraçado pré-dreadnought operado pela Marinha Imperial Alemã e a primeira embarcação da Classe Brandenburg, seguido pelo , e . Sua construção começou em maio de 1890 nos estaleiros da AG Vulcan em Estetino e foi lançado ao mar em setembro do ano seguinte, sendo comissionado em novembro de 1893. Era armado com uma bateria principal composta por seis canhões de 283 milímetros montados em três torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento carregado de mais de dez mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de mais de dezesseis nós (trinta quilômetros por hora).
O Brandenburg serviu na I Divisão durante sua primeira década de serviço, período durante o qual suas principais atividades geralmente limitaram-se a exercícios de rotina e viagens para portos estrangeiros. Sua primeira grande ação foi em 1900, quando ele e seus três irmãos foram para a China a fim de subjugar o Levante dos Boxers. O Brandenburg foi reformado no início do século XX, porém já estava obsoleto na época do início da Primeira Guerra Mundial em 1914 e assim serviu de forma limitada, inicialmente como um navio de defesa de costa. Foi descomissionado em dezembro de 1915 e usado como alojamento flutuante pelo restante do conflito. Foi desmontado em Danzig em 1920.
Características
thumb|esquerda|250px|Desenho da Classe Brandenburg A Classe Brandenburg foi a primeira de couraçados pré-dreadnought da Marinha Imperial Alemã. A frota era orientada para defesa litorânea até a ascensão do imperador Guilherme II em junho de 1888. Guilherme tinha grande interesse em questões navais e em agosto colocou o vice-almirante Alexander von Monts no comando do Almirantado Imperial, ordenando a construção de quatro couraçados. Monts também defendia uma estratégia defesa litorânea e encomendou navios de dez mil toneladas. Foram os primeiros couraçados modernos da Alemanha, mas seu projeto refletia a confusão estratégica e tática causada pelo conceito da Jeune École.
O Brandenburg tinha 115,7 metros de comprimento de fora a fora, boca de 19,5 metros e calado de 7,6 metros. Seu deslocamento normal era de toneladas e o deslocamento carregado de toneladas. Tinha doze caldeiras cilíndricas transversais Scotch que alimentava dois motores verticais de tripla expansão com três cilindros, cada um girando uma hélice. A potência indicada era de dez mil cavalos-vapor ( quilowatts) para uma velocidade máxima de 16,5 nós (30,6 quilômetros por hora). A autonomia era de 4,3 mil milhas náuticas (oito mil quilômetros) a dez nós (dezenove quilômetros por hora). Sua tripulação tinha 38 oficiais e 530 marinheiros.
O armamento principal era de seis canhões de 283 milímetros montados em três torres de artilharia duplas; os canhões das torres de vante e ré eram do modelo calibre 40, enquanto aqueles da torre de meia-nau eram mais curtos do modelo calibre 35. O armamento secundário consistia em oito canhões calibre 35 de 105 milímetros e oito canhões calibre 30 de 88 milímetros montados em casamatas. Por fim, o armamento tinha seis tubos de torpedo de 450 milímetros em montagens giratórias acima da linha de flutuação. A blindagem do Brandenburg era feita de aço-níquel Krupp, um novo e mais resistente tipo de aço. O cinturão principal tinha quatrocentos milímetros de espessura na cidadela central, onde protegia os depósitos de munição e salas de máquinas. O convés tinha sessenta milímetros, já as barbetas das torres de artilharia tinha trezentos milímetros.
Carreira Início de carreira thumb|250px|O Brandenburg em novembro de 1893 O Brandenburg foi encomendado sob o nome provisório de A, com seu batimento de quilha ocorrendo em maio de 1890 nos estaleiros da AG Vulcan em Estetino. Seu casco completo foi lançado ao mar em 21 de setembro de 1891, quando foi batizado por Guilherme II. Seguiram-se os trabalhos de equipagem, que terminaram em setembro de 1893 com exceção da instalação de seus canhões, sendo então transferido para Kiel. Foi comissionado na frota em 19 de novembro. Seus testes marítimos começaram quatro dias depois, com o imperador e uma delegação do governo provincial de Brandemburgo subindo a bordo para observar nos primeiros dias. O navio recebeu em 27 de dezembro uma bandeira com o brasão de armas de Brandemburgo, que era hasteada em ocasiões especiais. O couraçado foi formalmente designado para a II Divisão da Esquadra de Manobras no final do mês.
Os testes continuaram em 1894, com o navio sofrendo o pior acidente de maquinário da história da Marinha Imperial em 16 de fevereiro enquanto realizava testes forçando suas caldeiras. Uma das válvulas principais de vapor das caldeiras de estibordo explodiu, matando 44 tripulantes e ferindo outros sete. A causa foi um defeito na construção da válvula. O príncipe Henrique da Prússia estava perto a bordo do navio de transporte SMS Pelikan e imediatamente ordenou que sua embarcação fosse ao auxílio do Brandenburg, embarcando os mortos e feridos. O couraçado foi primeiro para Wiker e depois rebocado para Kiel, onde foi passar reparos no Estaleiro Imperial de Kiel. O acidente causou um pequeno incidente político depois da imprensa criticar Guilherme por não ter enviado Henrique ao funeral dos mortos. Além disso, o vice-almirante Friedrich Hollmann, o Secretário de Estado do Escritório Naval Imperial, afirmou para a Dieta Imperial que "tais acidentes podem ocorrer de novo e de novo", o que aumentou a resistência parlamentar a aumentar mais o orçamento naval; isto fez com que os fundos destinados para o primeiro cruzador blindado alemão, o , fossem inicialmente rejeitados. Os contra-almirantes Eduard Knorr e Hans Koester criticaram o comentário, formando Hollmann a se desculpar publicamente.
thumb|esquerda|250px|Ilustração do Brandenburg por Fritz Stoltenberg em 1894 Os reparos terminaram em 16 de abril, permitindo que o Brandenburg retomasse seus testes, que duraram até agosto e incluíram um cruzeiro pelo Kattegat. Juntou-se à II Divisão em 21 de agosto, mas uma reorganização da frota pouco depois o transferiu para a I Divisão junto com seus três irmãos. A formação ficava baseada em Wilhelmshaven, no Mar do Norte. O couraçado e o resto da esquadra compareceram a cerimônias no Canal Imperador Guilherme em 3 de dezembro. Em seguida embarcaram em um cruzeiro de treinamento de inverno no Mar Báltico, o primeiro do tipo feito pela Marinha Imperial; até então, a maior parte da frota costumava ser desativada durante o inverno. A I Divisão ficou em Estocolmo, na Suécia, entre 7 e 11 de dezembro durante as celebrações do aniversário de trezentos anos do nascimento do rei Gustavo II Adolfo. O rei Óscar II realizou uma recepção para a delegação alemã. Mais exercícios no Báltico aconteceram depois disso antes das embarcações voltarem para casa e passarem por reparos.
O ano de 1895 começou com cruzeiros normais de treinamento na Heligolândia e depois em Bremerhaven, com o imperador acompanhando a bordo da capitânia, o couraçado . Seguiu-se treinamentos individuais e divisionais, que foram interrompidos por uma viagem ao norte do Mar do Norte, a primeira vez que unidades da principal frota alemã deixaram águas territoriais. O Brandenburg e Kurfürst Friedrich Wilhelm pararam em Lerwick, nas Ilhas Shetland, entre 16 e 23 de março. Os exercícios testaram os navios em clima ruim, com ambos os couraçados tendo um desempenho admirável. Mais manobras de frota ocorreram no leste do Báltico em maio, terminando com uma visita da frota a Kirkwall, nas Ilhas Órcades. A esquadra voltou para Kiel no início de junho, onde preparações estavam em andamento para a inauguração do Canal Imperador Guilherme. Exercícios táticos ocorreram na Baía de Kiel na presença de delegações estrangeiras para a inauguração. Mais exercícios duraram até 1º de julho, quando a I Divisão partiu em uma viagem ao Oceano Atlântico. Esta operação tinha motivos políticos; a Alemanha tinha sido capaz de enviar apenas um pequeno contingente de embarcações para uma demonstração naval internacional no litoral de Marrocos ao mesmo tempo. A frota principal desta forma poderia proporcionar suporte moral para a demonstrar ao navegar para águas espanholas. Clima ruim novamente permitiu que o Brandenburg e seus irmãos demonstrassem sua excelente navegabilidade. A frota deixou Vigo, na Espanha, e parou em Queenstown, no Reino Unido. Guilherme, a bordo de seu iate , compareceu à Regata de Cowes enquanto o resto da frota alemã ficou na Ilha de Wight.
thumb|280px|Os couraçados da Classe Brandenburg em Nieuwediep em maio de 1896 A frota voltou para Wilhelmshaven em 10 de agosto e começou preparações para as manobras de outono mais tarde no mesmo mês. Os primeiros exercícios começaram no dia 25 na Angra da Heligolândia. Os navios navegaram pelo Skagerrak até o Báltico, porém tempestades causaram danos significativos a vários navios, com o barco torpedeiro SMS S41 afundando e apenas três homens sobrevivendo. A frota ficou brevemente em Kiel antes de retomar o cruzeiro, incluindo exercícios de disparo com projéteis reais, no Kattegat e Grande Belt. Durante este período, o Brandenburg colidiu com o aviso SMS Jagd, porém apenas este ficou danificado pelo acidente. As manobras principais começaram em 7 de setembro com uma simulação de um ataque a Kiel vindo o leste do Báltico. O imperador Nicolau II da Rússia inspecionou o couraçado no dia seguinte enquanto viajava pela Alemanha. Mais manobras ocorreram perto do litoral da Pomerânia e na Baía de Danzig. As manobras terminaram em 14 de setembro com uma revista naval para o imperador em Jershöft. O resto do ano transcorreu em treinamentos individuais. O ano 1896 seguiu o mesmo padrão do ano anterior. Treinamentos individuais ocorreram até abril, seguidos por treinamento em esquadra no Mar do Norte do final de abril até o início de maio, que incluíram paradas em Flessingue e Nieuwediep, nos Países Baixos. Mais manobras duraram do final de maio até o final de julho e ocorreram no Mar do Norte, frequentemente em águas norueguesas, com os navios tendo visitado Bergen de 11 a 18 de julho. Guilherme e o vice-rei chinês Li Hongzhang observaram uma revista de frota em Kiel durante as manobras. A frota se reuniu em Wilhelmshaven em 9 de agosto para os treinamentos anuais de outono.
Rotina de treinamentos O Brandenburg e o resto da frota operaram sob a rotina normal de treinamentos individuais e em unidade pela primeira metade de 1897. O comando naval considerou no início do ano enviar a I Divisão para outra demonstração perto de Marrocos em protesto ao assassinato de dois cidadãos alemães, mas uma esquadra menor de fragatas acabou enviada. A rotina típica de treinamentos foi interrompida no início de agosto quando Guilherme e a imperatriz Augusta Vitória foram visitar a Rússia; ambas as divisões da I Esquadra foram enviadas para Kronstadt a fim de acompanhá-los, com o casal imperial seguindo então para São Petersburgo. Os navios voltaram para Neufahrwasser em Danzig em 15 de agosto, com o resto da frota se juntando para as manobras anuais de outono. Estes exercícios refletiram o pensamento tático do novo Secretário de Estado do Escritório Naval Imperial, o contra-almirante Alfred Tirpitz, e do novo comandante da I Esquadra, o vice-almirante August Thomsen. Essas novas táticas salientavam artilharia precisa, especialmente a distâncias maiores, porém a necessidade de uma formação de linha de batalha levaram a uma grande rigidez nas táticas. A ênfase que Thomsen deu para a artilharia criou as bases para a excelente artilharia alemã posteriormente na Primeira Guerra Mundial. As manobras terminaram em 22 de setembro em Wilhelmshaven.
thumb|esquerda|310px|O Brandenburg com barcos torpedeiros em 1898