Adroaldo Ribeiro Costa (Salvador, 13 de abril de 1917 — Salvador, 27 de fevereiro de 1984), segundo dos três filhos de Arlindo da Silva Costa e Alina Ribeiro Costa, foi um jornalista, advogado, teatrólogo, professor, escritor e compositor, considerado um dos pioneiros do teatro infantil no Brasil.
Biografia Cresceu em Santo Amaro da Purificação, tendo estudado no Ginásio Santamarense, fundado e dirigido pelo pai, Arlindo da Silva Costa, em 1928, um estabelecimento de ensino pioneiro na educação secundária no interior do Estado da Bahia. Na capital do estado formou-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade Livre de Direito da Bahia em 1936, mas a seguir dedicou-se ao magistério em vários estabelecimentos de ensino secundário. Foi inicialmente professor de História e Português do Ginásio Santamarense e Escola Normal de Santo Amaro, e professor de História Geral e do Brasil do Colégio Nossa Senhora da Vitória, dos Irmãos Maristas, em Salvador. Ao ser fundado, nesse colégio, pelo Irmão Gonzaga, o Instituto São Tomaz de Aquino, núcleo da futura Faculdade Católica de Filosofia, passou a integrar também as atividades didáticas desse Instituto, lecionando Sociologia. Lecionou Português no curso básico da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal da Bahia. Ensinou História Econômica na Escola de Comércio Remington da Bahia. Tornou-se professor do Estado da Bahia, vice-diretor do Colégio Estadual da Bahia, Central, e primeiro diretor do Ginásio de Itapagipe, inicialmente Colégio Estadual da Bahia, Seção de Itapagipe, mais tarde denominado Colégio Estadual João Florêncio Gomes. Ao deixar a direção do Ginásio de Itapagipe assumiu o cargo de superintendente de Difusão Cultural, um departamento da Secretaria de Educação da Bahia equivalente a uma Secretaria de Cultura, e foi professor do curso de jornalismo da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia. Mas a sua principal casa de ensino foi o Instituto Normal da Bahia, que teve o seu nome alterado para Instituto de Educação Isaías Alves e, depois, para Instituto Central de Educação Isaías Alves, o ICEIA, onde se tornou catedrático de História Geral.
Em 1943 assumiu o rádio-teatro da emissora Rádio Sociedade da Bahia com um programa infantil e educativo Hora da Criança, (que teve duração de trinta e cinco anos) ; em 22 de dezembro de 1947 efetuou a encenação da Opereta Narizinho, baseada na obra de Monteiro Lobato "A menina do Narizinho arrebitado" , o primeiro a fazer adaptação da obra do escritor, inaugurando no Brasil o teatro infantil, encenada no Teatro Guarani; graças ao sucesso deste trabalho vários outros se seguiram, procurando sempre emprestar um caráter didático às peças encenadas.
Colaborou, como cronista esportivo e crítico de teatro, e usando pseudônimos como Drodoala, anagrama de Adroaldo, José Caetano (J.C.) e ARCO, formado pelas iniciais do seu nome completo, com o jornal baiano O Imparcial. Sempre nas áreas do esporte e do teatro, e com os mesmos pseudônimos, colaborou com os jornais Diário de Notícias e Estado da Bahia, ambos dos Diários e Emissoras Associados. No jornal Diário da Bahia, para onde foi a seguir, manteve-se como cronista esportivo, mas também, assinando com o pseudônimo Tomé de Souza, escreveu uma crônica diária com o título geral "O Diário da Bahia". Finalmente, em 1956, passou a fazer parte do corpo redacional do jornal A Tarde, onde se manteve até a sua morte, em 1984. Em A Tarde editou semanalmente por vinte anos a página A Tarde Infantil, dedicada ao público infantil, dirigiu as edições de A Tarde Extra, que passaram a sair às segundas-feiras nos anos 50, e assinou, durante vinte e cinco anos e dois meses, de dezembro de 1958 a fevereiro de 1984, quando morreu, uma crônica diária que, a princípio, recebeu o título geral de "Conversa de Esquina", e o pseudônimo ARCO, mas depois perdeu o título geral e passou a ser assinada pelo seu próprio nome. Foram mais de 7.200 crônicas publicadas, e a sua coluna foi apontada, pelos institutos de pesquisa da época, como a mais lida da imprensa baiana. Cinquenta dessas crônicas foram reunidas por ele próprio no livro Conversas de Esquina, e duzentas outras postumamente coletadas no livro Páginas Escolhidas, 200 crônicas e dois contos, obra organizada por seu sobrinho, o escritor Aramis Ribeiro Costa. Adroaldo foi ainda o editorialista de A Tarde por muitos anos. Participou da televisão estadual, no canal TV Itapoan, e promoveu o Primeiro Salão Infantil Baiano de Artes Plásticas.
Junto a Denise Tavares, foi um dos fundadores da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato; Foi dele a ideia, levada ao então deputado Antônio Balbino, de dar o nome do poeta Castro Alves ao teatro que se projetava como principal do estado, em 1948, sendo finalmente inaugurado em 1967 como Teatro Castro Alves. Além de ter sido o primeiro diretor do Ginásio de Itapagipe, futuro Colégio Estadual João Florêncio Gomes, foi diretor do Instituto Central de Educação Isaías Alves (ICEIA), e do Serviço Estadual de Assistência aos Menores do Estado da Bahia (SEAM).
Obras Como compositor é autor de várias canções, sobretudo infantis, como "Valsa da Chuva", "Cantiga de Verão", "Totozinho", "Sonho de Bruxa", além de promover o resgate de muitas cantigas de roda.
Seu maior sucesso, entretanto, é o hino do Esporte Clube Bahia, composto em 1946, mas que se tornou o hino oficial desse clube futebolístico em 1956, quando foi gravado com instrumentação para banda do maestro Agenor Gomes e fez parte da campanha dos 10.000 sócios, tornando-se a música preferida dos trios elétricos da época, e sendo tocado também em bailes de carnaval nos clubes sociais de Salvador. Outro grande sucesso de sua autoria foi o Hino da Olimpíada Baiana da Primavera.
Teatro Infantil
Narizinho (opereta) - 1947 Infância (revista) - 1950 Enquanto Nós Cantarmos (revista) - 1953 Monetinho (opereta) - 1955 Timide (fantasia) - 1957 Nossa Árvore Querida (revista) - 1959
Discografia Gravou os seguintes LPs: Vinte Anos da Hora da Criança Navio Negreiro Hora de Cantar
Publicações Oração à Juventude - (discurso) - 1942 Conceito e Valor da História - em face de três realidades: o Professor, o Aluno, a Lei - (tese) - 1954 Conversas de Esquina - (crônicas) - 1968 A Independência Foi Guerra na Bahia - (revista em quadrinhos) - 1973 Igarapé - História de uma Teimosia - (história, memória) - 1982 Páginas Escolhidas - 200 Crônicas e Dois Contos (crônicas, póstumo, organizado por Aramis Ribeiro Costa) - 1999 Encontros com a Juventude (discursos) - inédito.
Homenagens Recebeu, em vida, a Medalha Carneiro Ribeiro, da Secretaria Estadual de Educação da Bahia.
Adroaldo Ribeiro Costa é nome de escola em Salvador, situada no bairro do Cabula; também na cidade de Simões Filho há um estabelecimento de ensino com seu nome.
Ligações externas Orquestra Sinfônica da UFBa homenageia Adroaldo Ribeiro Costa. Adroaldo Ribeiro Costa, no IMMuB.
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