Hitler Samussuku, nome artístico de Hitler Jessy Tshikonde (Luena, 31 de dezembro de 1989), é um cientista político, investigador, activista dos direitos humanos, rapper, ator e analista político angolano. Tornou-se conhecido pela sua participação em movimentos cívicos em defesa da democracia, dos direitos humanos e da liberdade de expressão em Angola. Foi um dos activistas detidos no denominado Caso 15+2, processo judicial que recebeu ampla cobertura da imprensa nacional e internacional e motivou manifestações de organizações de defesa dos direitos humanos.

É licenciado em Ciência Política pela Universidade Agostinho Neto, mestre em Política Social pela Universidade de Brasília (UnB) e doutorando na mesma instituição. A sua investigação centra-se nos movimentos sociais, democracia, autoritarismo, participação política e comunicação política em África, com especial incidência em Angola e Moçambique.

Nas eleições gerais angolanas de 2022, integrou a lista de candidatos a deputado da Frente Patriótica Unida (FPU), plataforma eleitoral constituída pela UNITA, pelo Bloco Democrático e pelo PRA-JA Servir Angola.

Biografia Hitler Jessy Tshikonde nasceu em 31 de dezembro de 1989, na cidade do Luena, filho de Doroteia Mussavo Jessy e Kanyimbo Tshikonde. Durante a infância mudou-se com a família para Luanda, em consequência da Guerra Civil Angolana.

Ainda jovem interessou-se pela política, pela música e pelas questões relacionadas com cidadania, direitos humanos e participação política, temas que viriam a marcar a sua actividade pública.

Formação académica Licenciou-se em ciências políticas pela Universidade Agostinho Neto, apresentando como trabalho de conclusão de curso uma investigação sobre a legitimidade política em Angola.

Posteriormente concluiu o Mestrado em Política Social na Universidade de Brasília (UnB). Na mesma instituição prossegue os estudos de doutoramento, desenvolvendo investigação sobre movimentos sociais, contestação política e democracia em África.

A sua produção académica incide sobre temas como movimentos sociais, autoritarismo, comunicação política, comportamento político, políticas públicas e direitos humanos.

Activismo Hitler Samussuku iniciou a sua actividade pública nos finais da década de 1990, através do movimento Hip hop, utilizando a música como instrumento de intervenção social e consciencialização cívica. A partir de 2008, passou a dedicar-se ao activismo juvenil e, ao longo da década de 2010, envolveu-se em diversas iniciativas da sociedade civil angolana voltadas para a defesa dos direitos humanos, a promoção da transparência governativa, o fortalecimento da participação cidadã e a democratização do Estado. miniaturadaimagem Em 20 de junho de 2015, foi detido juntamente com outros activistas no denominado Caso 15+2, inicialmente acusado de tentativa de golpe de Estado e, posteriormente, de actos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores. O processo foi acompanhado por organizações nacionais e internacionais de defesa dos direitos humanos, que manifestaram preocupação quanto às garantias processuais e à liberdade de expressão em Angola. em que foi porta-voz.

Após a sua libertação, participou em iniciativas de formação cívica e organização comunitária, colaborando com organizações da sociedade civil em programas destinados ao fortalecimento da participação cidadã em diversas províncias angolanas.

Direitos humanos

Ao longo da sua atividade pública, Hitler Samussuku foi alvo de detenções, agressões físicas, vigilância e processos judiciais relacionados com a sua participação em manifestações, campanhas cívicas e ações de defesa dos direitos humanos e das liberdades civis em Angola. A sua atuação foi acompanhada por organizações nacionais e internacionais de defesa dos direitos humanos, que denunciaram episódios considerados violações da liberdade de expressão, da liberdade de reunião e da participação cívica.

Em 2017, foi agredido por agentes da Polícia Nacional de Angola durante uma manifestação realizada em Luanda. O episódio foi amplamente divulgado pela comunicação social e citado em relatórios e comunicados da Human Rights Watch, que manifestou preocupação com o uso excessivo da força pelas autoridades angolanas contra manifestantes pacíficos.

Em 2018, foi selecionado pela Delegação da União Europeia em Angola para integrar a campanha Stand Up for Human Rights, iniciativa internacional de sensibilização para a promoção e proteção dos direitos humanos, na qual participou ao lado de outros defensores dos direitos humanos angolanos.

Em 10 de maio de 2019, foi detido após divulgar um vídeo nas redes sociais com críticas ao Presidente João Lourenço. A detenção motivou reações de organizações internacionais, entre elas a Human Rights Watch, que considerou o caso uma violação da liberdade de expressão e apelou às autoridades angolanas para a sua libertação imediata. Dias depois, foi colocado em liberdade por decisão da Procuradoria-Geral da República.

Em setembro de 2019, foi novamente convocado pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) para prestar declarações no âmbito do mesmo processo relacionado com a divulgação do vídeo.

Em outubro de 2019, passou a colaborar com o Instituto Mosaiko – Instituto para a Cidadania, onde atuou como formador nas áreas de direitos humanos, cidadania e movimentos sociais. Exerceu essa função até novembro de 2022, participando na capacitação de jovens ativistas, líderes comunitários e organizações da sociedade civil.

Em 23 de janeiro de 2020, foi novamente detido juntamente com outros ativistas durante uma manifestação em defesa da implementação das autarquias locais em Angola. A detenção ocorreu durante uma ação organizada por movimentos da sociedade civil que reivindicavam o cumprimento das promessas de descentralização administrativa e a realização das primeiras eleições autárquicas no país.

Em junho de 2025, Hitler Samussuku foi impedido de embarcar para Angola pela companhia aérea TAAG – Linhas Aéreas de Angola, após iniciar a viagem a partir de Brasília (Brasil). O ativista deslocava-se ao país a convite da SCATEAM e do Chr. Michelsen Institute (CMI) para participar do lançamento da obra Angola Pós-Dos Santos: Uma Antologia sobre Continuidade e Mudança, da qual é coautor, tendo contribuído com um dos capítulos. Em consequência do impedimento, Samussuku não participou da cerimônia de lançamento da publicação nem das demais atividades acadêmicas previstas em Luanda. Posteriormente, ajuizou uma ação judicial no Brasil contra a TAAG, alegando danos morais decorrentes do episódio. A companhia aérea brasileira GOL também foi incluída no processo. Segundo informações divulgadas posteriormente, ambas as empresas foram condenadas ao pagamento de indenização por danos morais.

Associação Cívica miniaturadaimagem Em 22 de junho de 2019, foi eleito vice-presidente da Associação Cívica Handeka, organização da sociedade civil angolana dedicada à promoção dos direitos humanos, da cidadania, da participação democrática e da transparência pública.

Durante o exercício das suas funções, participou na coordenação de actividades de educação cívica, observação eleitoral e mobilização comunitária, com especial incidência na promoção da cidadania e do registo civil em Angola.

Carreira musical

Paralelamente à sua atividade como ativista político e defensor dos direitos humanos, Samussuku desenvolveu uma carreira na música, destacando-se no hip hop de intervenção e no kuduro. Desde o início da década de 2000, passou a utilizar a música como instrumento de expressão artística, crítica social e mobilização cívica, abordando questões relacionadas com a realidade política e social de Angola.

Em 2003, foi um dos fundadores do grupo Patrulha Squad, coletivo juvenil que reunia rappers e kuduristas da cidade do Luena, na província do Moxico. Nesse período, ganhou notoriedade pela participação em batalhas de improvisação e rimas, conhecidas em Angola como rompimentos, prática que contribuiu para a consolidação do movimento hip hop na região leste do país.

Em 2008, integrou o Movimento Hip Hop Terceira Divisão, coletivo angolano de rap de intervenção reconhecido pelas suas composições de conteúdo crítico sobre a realidade política, económica e social angolana. No movimento, desempenhou igualmente as funções de porta-voz, participando na divulgação das posições públicas do coletivo e na coordenação de iniciativas culturais e de conscientização cívica.

Em 2012, participou no lançamento do álbum Projecto Não Vota, considerado uma das principais produções do rap underground angolano da época. O projeto reuniu artistas e coletivos de Cacuaco, incluindo o Movimento Hip Hop Terceira Divisão, o MP Crew e os Tiranicídios Verbais, tendo Samussuku interpretado três faixas do álbum. A obra ficou marcada pelo seu discurso crítico sobre a governação, a participação política, a cidadania e os desafios enfrentados pela juventude angolana.

Ao longo da sua trajetória artística, as suas composições abordaram temas como a cidadania, a participação política, os direitos humanos, a corrupção, a desigualdade social, a exclusão da juventude e a defesa da democracia. A sua produção musical insere-se na tradição do rap de intervenção em Angola, movimento que, desde a década de 2000, consolidou a música como uma importante ferramenta de crítica social, educação cívica e mobilização política.

Carreira artística no teatro

miniaturadaimagem Além da sua atuação política e académica, Hitler Samussuku desenvolveu atividade nas artes cénicas, integrando projetos de teatro comunitário e de criação coletiva no Distrito Federal, Brasil. A sua participação artística está associada ao projeto Taguá em Cena, iniciativa de formação teatral voltada para a valorização da cultura periférica e da participação comunitária, realizada no Mercado Sul Vive, em Taguatinga, com apoio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC) da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.

Em 2025, integrou o elenco do espetáculo Taguá, dirigido por André Araújo. A montagem foi construída a partir das experiências pessoais dos atores e atrizes participantes da oficina Taguá em Cena, reunindo narrativas sobre identidade, migração, periferia, violência, participação política, juventude e diversidade cultural. O espetáculo estabeleceu um diálogo entre diferentes territórios, como Taguatinga, Samambaia, Vicente Pires, Altamira e Angola, articulando elementos de poesia, hip hop, rap e teatro contemporâneo em uma dramaturgia coletiva.

Posteriormente, passou a integrar o elenco de Rádio Discórdia, espetáculo da segunda edição do projeto Taguá em Cena, também dirigido por André Araújo. A peça desenvolve uma dramaturgia colaborativa inspirada nas experiências do elenco e em obras clássicas do teatro, abordando temas como conflito, desigualdade, violência, esperança, afetividade e resistência. A montagem incorpora referências ao slam, ao hip hop, ao teatro épico e à performance urbana, utilizando a metáfora de uma estação de rádio como espaço de escuta, diálogo e reflexão sobre as tensões da experiência humana.

A participação de Hitler Samussuku nessas produções marca a ampliação de sua atuação para o campo das artes performativas, articulando teatro, cultura periférica, direitos humanos e intervenção social por meio de processos colaborativos de criação artística.

Actividade política

Nas eleições gerais angolanas de 2022, integrou a lista de candidatos a deputado da Frente Patriótica Unida (FPU), plataforma eleitoral constituída pela UNITA, pelo Bloco Democrático e pelo PRA-JA Servir Angola.

A sua intervenção política tem incidido sobre temas como a descentralização administrativa, a transparência pública, o combate à corrupção, a participação política da juventude, a defesa dos direitos humanos e o fortalecimento das instituições democráticas.

Produção intelectual