A história diplomática da Segunda Guerra Mundial inclui as principais políticas e interações externas dentro das coalizões opostas, os Aliados da Segunda Guerra Mundial e as potências do Eixo. A diplomacia pré-guerra é coberta em Causas da Segunda Guerra Mundial e Relações Internacionais (1919-1939). As potências capitalistas comemoraram a vitória na reunião.Jacques R. Pauwels, The Myth of the Good War: America in the Second World War, Toronto, 2002, p. 98 ff Muitas das consequências diplomáticas da guerra surgem com as vitórias soviéticas.Former friends about USSR's contribution to victory in WWII
Aliados
thumb|600px|center| Os Aliados da Segunda Guerra Mundial começaram a se formar em setembro de 1939, quando a Polônia foi invadida e a Grã-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha nazista. Com exceção da Irlanda, que permaneceu neutra durante a guerra, os Domínios da Commonwealth (Canadá, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul) declararam guerra ao lado da Grã-Bretanha, mas nenhuma outra nação aderiu à causa. O Conselho Supremo de Guerra Anglo-Francês, estabelecido no início do conflito, coordenou uma estratégia militar conjunta até a Batalha da França se encerrar com uma ocupação alemã bem-sucedida em junho de 1940, após a qual a França se rendeu e a Grã-Bretanha manteve o conflito contra a Alemanha.
A primeira cimeira entre líderes dos Aliados ocorreu em Londres em 12 de junho de 1941, sendo liderada pelo Reino Unido, os quatro Domínios Britânicos co-beligerantes (Canadá, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul), os oito governos em exílio (Bélgica, Tchecoslováquia, Grécia, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Polônia, Iugoslávia) e França Livre.
A União Soviética, tendo primeiramente cooperado com a Alemanha na invasão da Polônia enquanto permanecia neutra no conflito Aliados-Eixo, juntou-se aos Aliados no final de junho de 1941 após seu território ter sido invadido pela Alemanha na Operação Barbarossa. Os Estados Unidos forneciam suprimentos de guerra aos Aliados desde março de 1941 e declararam guerra oficialmente em dezembro de 1941 como resposta ao ataque japonês a Pearl Harbor. A China já mantinha uma guerra prolongada com o Japão desde o Incidente da Ponte Marco Polo em 1937, mas oficializou seu apoio aos Aliados em dezembro de 1941.
A Grande Aliança Os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Soviética formavam as "Três Grandes" potências aliadas, mantendo contato frequente por meio de embaixadores, altos oficiais de suas respectivas forças armadas e seus respectivos ministérios de relações exteriores e emissários especiais. A relação fechada entre os três países resultou nas principais decisões que moldaram os esforços de guerra e moldaram o mundo pós-guerra. Alcunhada de "Relação Especial", a cooperação entre o Reino Unido e os Estados Unidos foi aprofundada em vários setores econômicos e políticos e incluiu a formação de um gabinete ministerial de guerra especializado. Os Aliados realizaram inúmeras conferências de alto nível. No total, o Primeiro-ministro britânico Winston Churchill participou de 14 reuniões de cúpula, Franklin Roosevelt esteve em 12 e Josef Stalin em 5 delas. As mais visíveis foram as três conferências de cúpula que reuniram os três principais líderes. A política dos Aliados com relação à Alemanha e ao Império do Japão evoluiu e se desenvolveu nessas três conferências.
Europa primeiro
thumb|right|250px|Tropas britânicas e estadunidenses nas proximidades de Algiers durante a Operação Tocha, em 1942. Na Conferência Arcadia de dezembro de 1941, o presidente dos Estados Unidos Franklin Roosevelt e o Primeiro-ministro britânico Winston Churchill se reuniram em Washington, D.C., logo após a entrada dos Estados Unidos na guerra. Ambos os líderes concordaram com os elementos-chave da grande estratégia. Os Estados Unidos e o Reino Unido usariam a preponderância de seus recursos para subjugar a Alemanha nazista na "Europa primeiro". Simultaneamente, esses países travariam uma ação de contenção e ofensiva coordenada contra o Japão no teatro do Pacífico usando menos recursos. Após uma eventual derrota da Alemanha - considerada a principal ameaça ao Reino Unido e à União Soviética - todas as forças Aliadas seriam concentradas na derrota do Japão.
A política da "Europa primeiro" permaneceu em vigor durante toda a guerra, no entanto, os termos da "ação de contenção" e "ofensiva limitada" na Guerra do Pacífico estiveram sujeitos a interpretações e modificações ao longo das conferências realizadas pelos líderes Aliados. Na Conferência Arcadia, os Estados Unidos concordaram em enviar bombardeiros para bases na Inglaterra enquanto os britânicos concordaram em fortalecer suas tropas no Pacífico. Os britânicos rejeitaram a proposta estadunidense de uma invasão "suicida" do norte da Europa em 1942. Em contrapartida, Churchill pressionou por um desembarque no norte da África francesa ainda no mesmo ano. Em julho de 1942, com o apoio de Roosevelt, a Operação Tocha foi marcada para o final daquele ano. No entanto, foi a situação estratégica no Pacífico e os requisitos logísticos relacionados que dominaram as ações dos Estados Unidos após sua entrada na guerra e levaram a um foco inicial no Pacífico. Após as sucessivas vitórias no Pacífico a partir de 1944, os Estados Unidos concentraram seus esforços no desenvolvimento do conflito no cenário europeu. Mesmo nos últimos estágios da guerra, houve uma intensa competição por recursos à medida que as operações em ambas as regiões foram intensificadas.
Conferência de Teerã
Após a preparação na Conferência de Moscou em outubro-novembro de 1943, a primeira reunião dos "Três Grandes" - Stalin, Roosevelt e Churchill - ocorreu na Conferência de Teerã de 28 de novembro a 1 de dezembro daquele ano. Os líderes Aliados concordaram com uma invasão da França a ocorrer no ano seguinte (a chamada "Segunda Frente") e negociaram com Turquia, Irã e Iugoslávia sobre um eventual fortalecimento na guerra contra o Japão, bem como os acordos pós-guerra.
Conferência de Yalta
thumb|right|250px|A Conferência de Ialta, realizada em 1945, determinou diversos acordos que moldariam o cenário político internacional durante a Guerra Fria e no mundo contemporâneo. A Conferência de Yalta reuniu-se na Crimeia de 4 a 11 de fevereiro de 1945 e se concentrou nos planos do pós-guerra para as fronteiras europeias. Os soviéticos já controlavam a Polônia, movendo suas fronteiras para o oeste. A Stalin foi prometido o controle do oeste da Bielorrússia e do oeste da Ucrânia. Por sua vez, a Polônia ficaria com partes da Alemanha. Stalin prometeu a realização de eleições livres na Polônia sob os auspícios de um governo que ele controlaria. Por forte insistência de Roosevelt, Stalin concordou em entrar na guerra contra o Japão três meses após a derrota da Alemanha. Foi acordado que a União Soviética seria membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas com poder de veto e somente Ucrânia e Bielorrússia - dentre as demais 12 repúblicas soviéticas - seriam membros das Nações Unidas. Por fim, a Alemanha seria dividida em três zonas de ocupação enquanto a França também seria ocupada. Em uma decisão que se tornou altamente controversa, todos os civis seriam repatriados.
Conferência de Potsdam
A Conferência de Potsdam foi realizada de 17 de julho a 2 de agosto de 1945, em Potsdam, Alemanha, perto de Berlim. Stalin se reuniu com o novo presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman, e dois primeiros-ministros britânicos sucessivamente — Winston Churchill e Clement Attlee. Os acordos desta cimeira exigiam a "rendição incondicional" do Japão e finalizava os arranjos para que a Alemanha fosse ocupada e controlada pela Comissão de Controle Aliado. A situação de outros países ocupados foi discutida de acordo com os acordos básicos arranjados anteriormente em Yalta.
China thumb|left|250px|Chen Cheng foi um dos líderes do governo da República da China durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa. Em 1931, o Japão tomou vantagem do governo enfraquecido da China na Era dos Senhores da Guerra e forjou o Incidente de Mukden para estabelecer o Estado fantoche de Manchukuo na Manchúria. Puyi, que havia sido o último Imperador da China destronado em 1912, foi entronizado novamente "Imperador de Manchukuo" sob o controle do governo japonês. Em 1937, o Incidente da Ponte Marco Polo desencadeou a Segunda Guerra Sino-Japonesa. A invasão foi lançada pelo bombardeio de muitas cidades como Xangai, Nanjing e Guangzhou. A última delas, que começou em 23 de setembro de 1937, provocou protestos generalizados que culminaram em uma resolução do Comitê Consultivo do Extremo Oriente da Liga das Nações. O Exército Imperial Japonês capturou a capital chinesa Nanjing e perpetrou vários crimes de guerra no Massacre de Nanjing. A guerra contra os japoneses consumiu um grande número de soldados chineses. O Japão tinha como principal estratégia a criação de Estados fantoches dentro do território chinês. Os Estados Unidos apoiaram fortemente a China após a invasão do Japão bem como os países isolacionistas que se opunham à guerra na Europa apoiaram uma postura mais contundente contra os avanços japoneses. thumb|right|250px|O Incidente do USS Panay, em 1937, posicionou os Estados Unidos contra os ataques japoneses à China. Após o Massacre de Nanjing, as relações entre Estados Unidos e Japão começaram a se deteriorar gradativamente enquanto a simpatia dos estadunidenses pelos chineses aumentava. O presidente estadunidense Franklin Roosevelt exigiu um pedido de desculpas dos japoneses, que foi acatado, mas não solucionou as tensões crescentes entre os dois países. No início de 1941, os Estados Unidos se preparavam para enviar tropas aéreas com uniformes chineses para deter o avanço dos invasores japoneses. Os "Tigres Voadores" sob o comando de Claire Chennault chegaram no momento em que os Estados Unidos entraram na guerra. Chennault desenvolveu um plano ambicioso para um ataque furtivo às bases japonesas. Os militares estadunidenses se opuseram a seu esquema e continuaram levantando obstáculos, mas o plano foi adotado por altos funcionários civis, incluindo Henry Morgenthau, Jr. (o Secretário do Tesouro que apoiava um financiamento da guerra da China) e especialmente o próprio Roosevelt, que o tornou uma alta prioridade para manter a China independente. Em outubro de 1941, bombardeiros e tripulações foram enviados para a China mas, no entanto, o ataque norte-americano nunca ocorreu. As tropas estadunidenses foram deslocadas para os esforços de guerra na Birmânia.
Após o término da Segunda Guerra Mundial em 1945, o confronto entre os nacionalistas e os comunistas elevou-se para uma escola de guerra civil. O general estadunidense George C. Marshall tentou negociar uma trégua sem sucesso e os Estados Unidos afastaram-se das mediações do conflito. A postura militar adotada pelo Kuomintang fracassou gradativamente e, em 1949, os nacionalistas buscaram refúgio na ilha de Taiwan e arquipélagos circundantes. Em contrapartida, o governo chinês continental proclamou a República Popular da China sob a liderança de Mao Tsé-Tung.
Grã-Bretanha thumb|right|Conferência do Cairo.