Fundação da Andiroba Por acreditar que a vocação do Acre , IBGE. Acre. Disponível em: <https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ac/panorama>. Acesso em: 19 de maio de 2019. e da Amazônia é a oferta de produtos oriundos de sua diversidade biológica, por negar de forma veemente qualquer alternativa econômica que pressuponha o desmatamento da floresta para cultivo de grãos , EMBRAPA. Ciência que transforma. Disponível em: <https://www.embrapa.br/grandes-contribuicoes-para-a-agricultura-brasileira/graos>. Acesso em: 18 de maio de 2019. e criação de boi, os fundadores da Andiroba defendem a produção florestal, como única alternativa para ocupação produtiva do Acre.

Mais que isso, a organização dessa produção florestal terá que incluir desde o princípio ativo da indústria da biotecnologia, passar pela produção de água e exportação de sementes florestais , Eng Florestal. Sementes e Viveiros Florestais,2013. Disponível em:<https://engflorestal.webnode.com.br/material-tecnico/sementes-e-viveiros-florestais>. Acesso em: 21 de maio de 2019.. e pela comercialização de animais silvestres até chegar a atual oferta de madeira.

Um leque de produtos que deverão compor o que se denomina de cluster florestal que será, em um futuro próximo, o Vale do Silício amazônico., Associação Andiroba. Quem somos, 2015. Disponível em <http://www.andiroba.org.br/home/>. Acesso em: 24 maio 2019.

Onde a Andiroba atua Tendo o Acre como referência territorial a atuação da Andiroba se concentra em áreas rurais, cobertas por florestas e, incondicionalmente, onde a situação fundiária está resolvida, em especial, por meio da criação de uma Unidade de Conservação.

A Reserva Extrativista, um tipo especial de Unidade de Conservação inventada no Acre é considerada como prioridade para atuação da Andiroba.

Da mesma forma que o manejo florestal comunitário , AMARAl, P. Manejo Florestal Comunitário,2005. Disponível em:<http://www.mma.gov.br/estruturas/pnf/_arquivos/mfc_imazon.pdf>. Acesso em: 21 de maio de 2019., para oferta de um leque de produtos que comporão o cluster florestal é a tecnologia empregada na atuação da Andiroba.

Prêmios recebidos pela Andiroba Ao longo de sua história a atuação da Andiroba foi várias vezes reconhecidas por meio de prêmios recebidos de renomadas instituições em nível nacional e internacional.

Um total de 3 prêmios merecem destaque: Prêmio Objetivos do Milênio recebido em 2005 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Prêmio de Empreendedorismo recebido em 2006 da organização holandesa Ashoka , ASHOKA. Empreendedorismo Social. Disponível em: <https://www.ashoka.org/pt-br/focus/empreendedorismo-social>. Acesso em: 10 de maio de 2019. com avaliação da agência de consultoria McKinsey que possibilitou a compra de terreno e construção da sede permanente da Andiroba. Premio Samuel Benchimol , Prêmios da Amazônia. Disponível em: <http://www.amazonia.ibict.br/>. Acesso em: 04 de maio de 2019. recebido no Ministério do Desenvolvimento Regional voltado a iniciativas de sustentabilidade na Amazônia, edição 2014.

Projetos Andiroba Projeto Microcrédito Florestal Iniciado em 1999 e encerrado em 2010 a principal meta do Microcrédito Florestal da Andiroba foi a oferta de recursos financeiros a uma clientela de 7.600 empreendedores segmentados em extratores de borracha (1.200); coletores de castanha (800); manejadores florestais (2.000); beneficiadores de produtos florestais (1.600) e vendedores de produtos florestais (2.000).

O potencial de expansão dos clientes do microcrédito florestal incluía um total de 3 municípios do Vale do Rio Purus (a serem atingidos após dois anos de operação); 2 municípios do Vale do Rio Envira (a serem atingidos após três anos de operação); e 7 municípios no Vale do Rio Juruá a serem atingidos após cinco anos de operação.

O processo de expansão elevará o número de clientes atendidos a 20.748 empreendedores realizando operações médias de R$ 400,00 e totalizando uma carteira orçada em R$ 8.299.200,00.

A equipe técnica que compõe o setor de microcrédito florestal da Andiroba é composta por um gerente de microcrédito, por agentes de crédito e por agentes mobilizadores, além de uma equipe de técnicos que atuam em atividades meio.

O impacto ambiental e social da proposta é impressionante. Apresenta-se como instrumento de inclusão social, de redução da pobreza e consolidação do desenvolvimento sustentável na Amazônia. Afinal, nossos clientes são populações tradicionais da Amazônia. Ou seja, são gerações após gerações de comunidades que, desde o final de século dezenove, vem mantendo uma relação produtiva com o recurso florestal.

São mais de trezentos anos de ocupação produtiva da floresta que consolidou uma dupla dependência: os extrativistas sobrevivem do recurso florestal e a floresta sobrevive do extrativista. Afinal é o extrativismo, elevado tecnologicamente ao manejo florestal de uso múltiplo, a principal alternativa produtiva e, igualmente, principal barreira para impedir o avanço do desmatamento sobre a floresta.

Essa clientela maneja um leque variado de produtos da floresta. A variedade de produtos é do tamanho da diversidade biológica da Amazônia. Estão incluídos nesse leque de produtos os pescados, a fauna silvestre, as resinas, as frutas, as gomas e assim por diante.

Cada grupo, ou segmento produtivo, como esses se diversificam em várias espécies, animais e vegetais, com dinâmicas produtivas e realidades de mercado próprias, em uma cadeia infindável de possibilidades de empreender.

Todas essas possibilidades produtivas podem se transformar em linhas de financiamento de curto, médio e longo prazos, formando a Carteira de Microcrédito Florestal da Andiroba, que tem duas prioridades: 1. Permitir o acesso dos extrativistas ao crédito, por meio do uso de garantias de relacionamento entre o agente e o tomador do empréstimo; e 2. Promover uma produção florestal que esteja inserida nos ideais de sustentabilidade atualmente preconizados. , Associação Andiroba. Projetos, 2015. Disponível em:<http://www.andiroba.org.br/projetos/>. Acesso em: 22 de Maio de 2019.

Uso múltiplo da floresta e gestão comunitária em Reservas Extrativistas Em fevereiro de 1988 uma área com 41.000 hectares no Vale do Rio Acre foi transformada na primeira unidade de Reserva Extrativista da Amazônia, denominada de São Luís do Remanso. Após doze anos, foram conquistados mais de 3 milhões de hectares de reservas semelhantes na região.

Sem dúvida, a regularização fundiária na Amazônia em área originalmente habitada por populações tradicionais foi um grande e sensível avanço na legislação agrária do país. As Reservas Extrativistas são um modelo de Reforma Agrária, adequada à realidade da região, que vem sendo reproduzido em outras regiões do país e em outros países.

No entanto, a discussão inicial sobre sustentabilidade destas unidades está longe de se esgotar. Apesar do esforço institucional realizado no sentido de priorizar a implementação de ações de caráter social, que possibilitasse alteração nas condições de vida das populações, que há mais de um século se reproduzem sob a floresta, a situação destas unidades ainda é motivo de preocupação.

O investimento financeiro foi tímido frente a enorme demanda de uma realidade social até então isolada e esquecida pelas ações do Estado. E, no que concerne a geração de informações para orientar o estabelecimento de modelos de uso adequado dos recursos florestais por estas comunidades, a situação é ainda pior.

O volume de recursos financeiros, quer seja na forma de incentivos e fomento, quer seja na forma de pesquisas, destinados à busca da viabilização de atividades nocivas ao homem e ao meio ambiente amazônico, como por exemplo a pecuária, é de tal ordem de grandeza que seria até irônico uma tentativa de comparação.

Apesar disto, algumas iniciativas surgidas nos últimos cinco anos merecem destaque enquanto possibilidades de replicação e de assimilação como políticas públicas importantes para Amazônia.

É neste contexto que se insere o presente projeto. Por meio dele foram executadas uma série de atividades em uma das principais e pioneiras experiências de uso e gestão coletiva dos recursos florestais, o Manejo Florestal de Uso Múltiplo na Reserva Extrativista do Porto Dias, localizada no município de Acrelândia, no Estado do Acre.

Projeto Paca de Acrelândia No final da década de oitenta, vislumbraram-se possibilidades de mudanças na forma como tradicionalmente ocorria a produção agropecuária na Amazônia. No Acre, foi precisamente em 1989, que a Fundação de Tecnologia Estadual , PORTAL FUNTAC. Disponível em: <http://www.funtac.ac.gov.br/wps/portal/funtac/funtac/principal/!ut/p/c5/04_SB8K8xLLM9MSSzPy8xBz9CP0os_gAD8_A4FAPU0OL0CBjA8-AMH8Xb3dTY4tAY6B8pFm8AQ7gaEBAt5d-VHpOfhLQnnCQzXjUGkLk8djk55Gfm6pfkBtRGRyQrggAYxgoPw!!/dl3/d3/L2dBISEvZ0FBIS9nQSEh/>. Acesso em: 22 de maio de 2010. (Funtac) começou a delinear um consórcio de espécies florestais e agrícolas a ser cultivado na mesma tarefa de roçado do produtor.

Era o início do que viria a ser conhecido como Sistema Agroflorestal (SAF). O SAF consorcia, mistura, na mesma área, espécies classificadas como permanentes, ou como semipermanentes, de ciclo médio, ou de ciclo longo, florestais ou não, com espécies da agricultura branca tradicional, de ciclo curto, como: milho, arroz, feijão e macaxeira. No início do plantio, quando as mudas das árvores e arbustos ainda estão no primeiro estágio, o produtor pode auferir renda com a cultura branca.

A partir do segundo ou terceiro ano, quando o produtor normalmente abandona o plantio em busca de novas áreas, deixa para trás um plantio formado de espécies frutíferas e madeireiras. Na verdade, o produtor enriquece a área de pousio, que periodicamente é tomada pela capoeira. Ocorre que, tradicionalmente, na produção agrícola regional, o produtor abandona – para descanso (ou pousio) -, por tempo superior a cinco anos, a área de roçado utilizada para cultivo por determinado período consecutivo.

Uma vez instalado o SAF, ao invés da formação de uma capoeira sem utilidade aparente na área abandonada, já no segundo ano existirá uma cultura permanente, formada por espécies de valor comercial, que pode gerar rendimentos para o produtor por mais de 15 anos.

A ideia básica é contornar o problema do desgaste agronômico do solo, resultado de sucessivas queimadas, plantios e colheitas de culturas brancas, por meio do seu descanso prolongado. O produtor não mexe na terra e as culturas permanentes possibilitam melhoria sensível nas condições físicas e químicas do solo. Após esse longo período, o produtor tem novamente uma terra em boas condições para receber novos plantios de milho, arroz etc.

Além disso, há outro significativo resultado produzido pela tecnologia do SAF. É que os pequenos e médios produtores agrícolas que obtêm certo nível de capitalização tendem, inevitavelmente, a apostar na pecuária bovina como opção de investimento. A instalação do SAF faz com que o produtor volte sua atenção para outro tipo de produção.

Em vez de seguir na trilha da agricultura destinada a amansar a terra para a pecuária, o produtor tem a possibilidade de ir além na própria agricultura, saindo do ciclo curto, que exige trabalho árduo da família, para o ciclo médio e longo, com produtos de maior valor agregado e, o que é melhor, que exigem menos sacrifícios.

No final das contas, o SAF tem a grande vantagem de afastar o produtor do caminho perigoso da pecuária. Mais importante ainda, o SAF tira o produtor do ciclo anual do desmatamento-queimada-plantio. E o leva a convencer seu vizinho a também não queimar, a fim de garantir o crescimento das culturas perenes.

Ciliar Só-Rio Acre