Californication é o sétimo álbum de estúdio da banda norte-americana de rock Red Hot Chili Peppers. Produzido por Rick Rubin e lançado em 8 de Junho de 1999 pela Warner Bros. Records, Californication marcou o retorno do guitarrista John Frusciante à banda. Frusciante, que havia aparecido em Mother's Milk e Blood Sugar Sex Magik, substituiu Dave Navarro. Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame
Californication representou uma notável mudança no estilo musical que era produzido com Navarro. Greg Tate, da Rolling Stone, notou que "enquanto os projetos anteriores dos Chili Peppers foram altamente divertidos, Californication se atreve a ser espiritual e epifânico." Os assuntos do álbum incorporaram diversas insinuações sexuais, comummente associadas com a banda; todavia, os temas abordados são mais variados em relação às produções anteriores. Luxúria, morte, suicídio, drogas, globalização e viagens são alguns dos temas presentes em Californication.
É o álbum mais bem-sucedido comercialmente do Red Hot Chili Peppers, tendo vendido mais de 18 milhões de cópias ao redor do mundo, com mais de 8 milhões de cópias vendidas somente nos Estados Unidos. Em 2002, o álbum havia vendido mais de 4 milhões de cópias na Europa.IFPI Platinum Europe Awards - 2002 Federação Internacional da Indústria Fonográfica. Página visitada em 12 de Agosto de 2011.
De Californication saíram alguns dos principais sucessos da banda, como "Otherside", "Californication" e o vencedor do Grammy "Scar Tissue". O álbum atingiu a terceira posição da Billboard 200 nos Estados Unidos.
Antecedentes O guitarrista John Frusciante deixou o Red Hot Chili Peppers em meados de 1992, durante a turnê do aclamado Blood Sugar Sex Magik. A banda levou mais de um ano para encontrar outro guitarrista e iniciar, oficialmente, a gravação de um novo álbum. Dave Navarro, ex-Jane's Addiction, foi convidado para participar do grupo após a demissão de Arik Marshall, guitarrista com o qual a turnê do Blood Sugar Sex Magik aconteceu. Navarro foi o guitarrista do álbum seguinte, o One Hot Minute, incorporando elementos do heavy metal e do rock psicodélico.One Hot Minute review, Allmusic.Página visitada em 8 de outubro de 2011 . One Hot Minute foi um sucesso comercial, vendendo cerca de cinco milhões de cópias (sucesso menor quando comparado ao do Blood Sugar Sex Magik). Críticos, no entanto, classificaram o álbum como fraco e sem foco. Pouco depois do lançamento do One Hot Minute, Navarro foi demitido devido a divergências internas. No ano seguinte, Frusciante viu-se profundamente dependente de heroína e cocaína, o que o levou à pobreza e quase provocou sua morte. Em janeiro de 1998, recorreu à reabilitação.Biography of John Frusciante, Allmusic. Página visitada em 8 de outubro de 2011. Em abril de 1998, após três meses de tratamento, Flea fez-lhe uma visita e, abertamente, o convite de retornar à banda. Frusciante aceitou. Logo em seguida, e pela primeira vez em seis anos, os quatro se reuniram para tocarem juntos e produzirem um novo álbum.
Escrita e Produção Grande parte do álbum foi escrito nas casas dos membros da banda, no verão de 1998. Kiedis e Frusciante muitas vezes passavam dias juntos, discutindo a criação de músicas, riffs de guitarra e de conteúdo lírico. Baixo e percussão foram construídos através de jams e do trabalho individual de Flea e Smith.Kiedis and Sloman (2004), pp. 401–406.
As letras do Californication nasceram de ideias e experiências de vida de Anthony Kiedis. A maior parte do material do álbum veio da "turbulência pessoal e profissional" que os membros da banda passaram e estavam passando. Isso resultou na "abordagem sensível que não se pode esperar de uma banda cujos seguidores são punks de skate e garotos da fraternidade". O ponto principal de Anthony Kiedis foi "contar histórias de almas errantes que perderam o caminho em busca do sonho americano na Califórnia". Como exemplo, temos "Porcelain", em que Kiedis fala de uma jovem mãe, que conheceu no YMCA, que estava tentando tratar de seu vício do álcool, enquanto vivia com sua filha bebê. A canção "Emit Remmus", que é horário de verão soletrado para trás, foi inspirada em um breve relacionamento de Anthony com Melanie Chisholm da Spice Girls. miniaturadaimagem|O guitarrista John Frusciante, que já havia produzido com a banda dois álbuns, saiu do vício em drogas e retornou a banda em 1998 para produzir o álbum. "Get On Top" é uma música que contém o uso de wah pedal para fazer efeito de voz, e foi formada depois de uma jam realizada logo após Frusciante ter escutado Public Enemy: "Eu vim com [o ritmo para a música] na forma de ensaio-apenas tocando-a com o pé."Blackett, Matt (September, 1999). "Return of the Prodigal Son." Guitar Player. O solo de guitarra discreto no meio da canção foi originalmente destinado a ser mais visível, de acordo com Frusciante, que estava tocando solos de guitarra. Ele mudou seu processo de pensamento depois de ouvir Steve Howe, guitarrista do Yes na canção "Siberian Khatru". "Savior" apresenta efeitos pesados, principalmente da Electro-Harmonix Micro Synth com a técnica do Delay.
O hit "Around the World", que remonta ao som funk de influência do Red Hot Chili Peppers, foi feito por Frusciante em sua casa. O ritmo e a batida, entretanto, exigiram que ele tocasse a música com o resto da banda, em vez de tocá-la sozinho. O baixo foi composto em "talvez 15 minutos", de acordo com Frusciante. A faixa-título do álbum foi uma dos mais difíceis para a banda compor. Na autobiografia de Kiedis, Scar Tissue, ele revela que a banda teve uma enorme dificuldade em compor a música. Kiedis tinha escrito a letra, que achava uma das melhores que ele já tinha escrito, mas a banda não conseguia decidir a forma como a música deveria soar musicalmente. Enquanto lutavam com a composição, parecia que não seriam capazes de terminar a tempo de incluí-la no álbum. Frusciante completou o riff final, dois dias antes da gravação, depois inspirando-se na canção "Carnage Visors" do The Cure. A faixa título teve intenção de representar os estilos de vida californiano, e mais especificamente, a natureza falsa que está associada a grande parte da Hollywood.
O recorde foi uma mudança de estilo para o Red Hot Chili Peppers, especialmente em comparação com seu álbum anterior, One Hot Minute que combinava vários elementos de hard rock e rock psicodélico, embora Californication ainda contivesse elementos do "punk funk" (como em "Purple Stain", "Get on Top", "I Like Dirt", "Around the World", e "Right on Time") e riffs melódicos (como em "Scar Tissue" e "Otherside") e fosse focado em canções com mais estrutura, em vez de jams.
Frusciante se aproximou da linha de guitarra presente em "Scar Tissue" como uma tentativa de usar duas notas que são tocadas longe, mas produzem um "ritmo legal". Ele havia explorado essa técnica em seu primeiro álbum solo, Niandra Lades, de 1994.
Frusciante considera "Scar Tissue" um "exemplo muito simples de técnica, mas acho que é um estilo que parece comigo". O guitarrista fez uso de slide-guitar para os solos da música. Get on Top", uma canção que contém uso significativo de um pedal wah , foi formada depois de uma jam session conduzida logo após Frusciante ter ouvido Public Enemy: "Eu criei o ritmo da música no caminho para o ensaio". Apenas batendo com o pé." O solo de guitarra discreto tocado no meio da música foi originalmente concebido para ser mais perceptível, de acordo com Frusciante, que estava tocando solos de guitarra gritando.
Capa do Álbum A famosa capa de Californication é uma longa história. Para mostrar o retorno da banda, especialmente de Frusciante e o novo estilo de fazer música da banda, de um funk agitante e eletrizante para uma música alternativa mais espiritual, os membros pensaram em fazer um disco de rock épico e comunicar isso por meio da capa do álbum. Para isso, Anthony Kiedis precisava de um designer gráfico, então o nome dele era Lawrence Azerrad, que quando foi chamado estava trabalhando dentro do estúdio da Warner Bros. Records. Kiedis disse sobre um sonho de John Frusciante, em que ''havia uma piscina, e o céu estava na água, e a água estava no céu''. A peça chave então se tornou em como traduzir este sonho esteticamente e também tinha que ser algo que a banda sentisse confortável para ser uma representação visual de sua música. Porém, Anthony tinha a ideia de outro conceito. Eles tinham uma enfermeira para tirar o sangue dos membros da banda para uma sessão de foto, a ideia era ampliar microscopicamente os sangues dos integrantes para criar a obra de arte. Visualmente não estava funcionando, mas eles não queriam desistir no desenvolvimento deste conceito. Isto foi enquanto perseguiam o conceito da piscina. Em uma entrevista com Lawrence, ele disse o seguinte sobre o conceito: ''Para compensar o conceito do sangue, eu encontrei um Dr. e Fotógrafo que se especializou em fotografia 3D de biologia microscópica. Usando imagens deste Dr., compusemos colagens e padrões, na esperança de fazer uma capa. Nós tentamos seguir algumas direções ao longo deste percurso, mas a ideia da piscina venceu."
Um grande desafio foi encontrar a piscina certa para fotografar. A banda, o designer e o fotógrafo procuraram centenas de piscinas na área de Los Angeles, até chegar a piscina certa, quando encontraram-a. Logo começou a sessão de design gráfico, que, segundo Lawrence, durou cerca de 5 semanas, e se tornou na memorável e lendária capa do álbum.
A capa de Californication sempre é considerada uma das mais bonitas não só do rock, mas da música popular em geral. O álbum as vezes, chega a ser conhecido apenas pela capa, mesmo que a pessoa nunca tenha ouvido alguma música do álbum.
Supostas mensagens escondidas As mensagens subentendidas do álbum Californication começam pelo título. Apesar de o vocalista Anthony Kiedis negar, existe um duplo entendimento no nome ''Californication'', como muitos afirmam, que é uma mistura de Califórnia com ''fornication'' fazendo alusão à fornicação.
Um detalhe que salta aos olhos logo que se presta atenção na capa do CD é a mistura entre o céu e a água da piscina, em que pode-se perceber a presença de nuvens na piscina e ondas no céu; a piscina é o céu e o céu é a piscina.
Olhando a capa de cabeça para baixo, pode-se perceber um cavalo no desenho das nuvens na piscina. Já com a capa virada ao normal, percebe-se um sapo à beira da piscina, que simboliza transformação e o reflexo de um anjo bem sutilmente no vidro atrás da piscina perto do sapo, que significa purificação. Juntando os dois símbolos, a ideia trazida é de se purificar inicialmente, se desprender de conceitos engessados para chegar à transformação.
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