O Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro,Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em https://www.gov.br/jbrj/. Acesso em 19 de janeiro de 2025. ou apenas Jardim Botânico do Rio de Janeiro,Rio Prefeitura. Disponível em http://www.rio.rj.gov.br/web/riotur/exibeconteudo?article-id=157688. Acesso em 19 de abril de 2013. é um instituto de pesquisas e jardim botânico localizado no bairro do Jardim Botânico, na zona sul do município do Rio de Janeiro, no Brasil.

Uma das mais belas e bem preservadas áreas verdes da cidade, é um exemplo da diversidade da flora brasileira e estrangeira. Nele podem ser observadas cerca de 6 500 espécies (algumas ameaçadas de extinção), distribuídas por uma área de 54 hectares, ao ar livre e em estufas. A instituição é responsável pela coordenação da Lista de Espécies da Flora do Brasil e pela avaliação de risco de extinção destas espécies.

A instituição abriga, ainda, monumentos de valor histórico, artístico e arqueológico e a mais completa biblioteca do país especializada em botânica, com mais de 32 000 volumes e o maior herbário do Brasil, que possui 600 mil amostras desidratadas (número de 2014, com uma média de 20 mil novas amostras incorporadas anualmenteHerbário dados do site Jardim Botânico do Rio de Janeiro - acessado em 4 de julho de 2019) completamente informatizadas e disponíveis para o público na página da instituição.

História Da criação à independência do Brasil thumb|O Jardim Botânico em 1856 miniaturadaimagem|Solar da Imperatriz (1875) - Acervo Digital Afro-Brasileiro

A sua origem remonta à transferência da corte portuguesa para o Brasil, entre 1808 e 1821. A corte fixou-se na cidade do Rio de Janeiro, desde 1763 sede do Estado do Brasil, uma colônia portuguesa, e agora alçada à condição de sede do império português, propiciando-lhe diversas oportunidades e melhorias. Dentre essas destaca-se a implantação de uma fábrica de pólvora na sede do antigo "Engenho da Lagoa", de propriedade de Rodrigo de Freitas, cujas ruínas dos muros atualmente integram os limites da instituição. Por decreto real de 13 de junho de 1808, o príncipe-regente Dom João (futuro rei D. João VI), em nome de sua mãe incapacitada - a rainha Dona Maria I -, "Manda tomar posse do engenho e terras denominadas da Lagoa Rodrigo de Freitas",Cronologia Jardim Botânico do Rio de Janeiro Consultado em 23 Jun 2011. para criar naquele espaço o Jardim de Aclimação, com a finalidade de aclimatar as plantas de especiarias oriundas das Índias Orientais: noz-moscada, canela e pimenta-do-reino.Histórico in Instituto de Pesquisas Jardim Botânico. Consultado em 19 Jun 2011.

No mesmo ano, a 11 de outubro, recebeu o nome de Real Horto, e no dia seguinte (12 de outubro), o Príncipe-regente assinou um decreto real criando o cargo de feitor para a fazenda da Lagoa. Os primeiros exemplares de plantas que o integraram vieram do Jardim La Pamplemousse, nas ilhas Maurício, pelas mãos de Luiz de Abreu Vieira e Silva, que os ofereceu ao Príncipe-regente. Entre eles encontrava-se a chamada "Palma Mater".Palma Mater in Instituto de Pesquisas Jardim Botânico. Consultado em 19 Jun 2011. A sua direção foi inicialmente entregue ao general Carlos Antônio Napion (1808) e, em seguida, ao brigadeiro Dom João Gomes da Silveira Mendonça, marquês de Sabará, que o dirigiu de 1808 a 1819.Dirigentes do Jardim Botânico do Rio de Janeiro in Instituto de Pesquisas Jardim Botânico. Consultado em 19 Jun 2011. Em 1810, o prussiano Kancke transformou-o em uma estação experimental, recebendo, nessa função, mais de 800 000 réis por ano."Dicionário de Curiosidades do Rio de Janeiro". O botânico Kancke foi empregue como "Diretor das culturas das plantas exóticas dos Jardins e Quintas Reais" pelo decreto de 25 de maio de 1810 (Cronologia Jardim Botânico do Rio de Janeiro Consultado em 23 Jun 2011.) Nos viveiros, já havia mudas de cânfora, nogueira, jaqueira, cravo-da-índia e outras plantas do Oriente.

Em termos administrativos, o alvará de 1 de março de 1811 "Cria a Real Junta de Fazenda dos Arsenais, Fábricas, e Fundição da Capitania do Rio de Janeiro e uma Contadoria dos mesmos Arsenais (...) dirigindo também um estabelecimento de um jardim botânico da cultura em grandes plantas exóticas que mando que se haja de formar na dita fazenda da Lagoa (...)." No ano seguinte (1812), chegaram, ao Real Horto, as primeiras mudas de chá (Camellia sinensis, planta denominada anteriormente como Tea viridis), enviadas de Macau pelo senador daquela colônia portuguesa no Extremo Oriente, Dom Rafael Botado de Almeida. Visando dinamizar essa cultura, em 1814 o Príncipe-regente faz trazer para trabalhar no jardim um grupo de cerca de 300 chineses.RODRIGUES, 1908.

O decreto real de 11 de maio de 1819 anexa o Real Horto ao Museu Real, criado no ano anterior, por decreto real de 6 de junho de 1818. Pelo decreto real de 22 de fevereiro de 1822, a instituição, que, desde 1808 ,se encontrava subordinada ao Ministério dos Negócios da Guerra, passou para a alçada do Ministério dos Negócios do Reino.Que posteriormente, com a independência do Brasil (7 de setembro de 1822), passou a ser designado como Ministério do Império.Cronologia do Jardim Botânico do Rio de Janeiro Consultado em 23 Jun 2011.

O período imperial thumb|esquerda|upright|Planta do Imperial Jardim Botânico por Karl Glasl (1863)

Com a proclamação da independência do Brasil (1822), no mesmo ano o Real Horto foi aberto à visitação pública como Real Jardim Botânico. Mais tarde, ainda nesse mesmo ano, em decorrência da fundação do Império do Brasil (1822), passou a se chamar Imperial Jardim Botânico. Adquiriu a partir de então foros de jardim botânico, uma vez que o seu diretor passou a ser o carmelita frei Leandro do Santíssimo Sacramento (1824-1829), professor de botânica reconhecido pelos seus estudos da flora brasileira. Frei Leandro introduziu melhoramentos e organizou um catálogo das plantas ali cultivadas, tendo sido o orientador das aléias de mangueiras, jaqueiras, nogueiras e outras, assim como das cercas de murtas, crótons e hibisco. Em sua homenagem, uma das dependências do jardim tem o seu busto e o lago principal recebeu o seu nome.

A Decisão nº 69, de 21 de março de 1825, é expedida em resposta a um ofício do diretor do Imperial Jardim Botânico para melhor andamento da instituição, principalmente no que tange à cultura do chá nela promovida. Nesse momento destaca-se ainda a cessação de atividades da fábrica de pólvora no local (1826), posteriormente transferida para a então vila de Inhomirim, no sopé da serra dos Órgãos.Cronologia Jardim Botânico do Rio de Janeiro Consultado em 26 Jun 2011. O Regulamento nº 15, de 1 de abril de 1838, criou, na então Imperial Fazenda da Lagoa Rodrigo de Freitas, uma Escola de Agricultura, teórica e prática. Esse projeto, entretanto, não chegou a materializar-se à época. Ainda no mesmo ano, pelo decreto imperial de 6 de setembro, é instituído um regulamento policial para o Imperial Jardim Botânico, e promove-se o plantio de amoreiras (Morus nigra) para alimentar a criação de bicho da seda (Bombyx mori) visando à produção de seda.

Data de 1842, por iniciativa do então diretor Serpa Brandão, o plantio de mudas da palmeira-imperial na aleia principal do Jardim, que possui cerca de 140 exemplares da espécie enfileirados numa extensão de 740 metros. miniaturadaimagem|upright|Jadim Botânico, 1894. Arquivo Nacional

Em 1851, dá-se início à implementação da Fábrica de Chapéus de Chile, utilizando como matéria-prima a palha da palmeira-bombonaça (Carludovica palmata). A fábrica teve duração efêmera, de apenas três anos. No mesmo ano, foi erguido um novo portão e implementado o sistema de escoamento e canalização de águas para o Jardim, projeto que foi completado com a construção do Aqueduto da Levada, no vale das Margaridas, em 1853.

Em 1860, Frederico Leopoldo César Burlamaque, então diretor do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura, apresentou a esta entidade uma moção reivindicando a administração do Imperial Jardim Botânico por esta instituição de caráter privado. O Imperial Jardim Botânico foi desvinculado do Ministério do Império e subordinado ao recém-criado Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Em 17 de agosto de 1861, foi assinado um contrato entre o Governo Imperial e o Imperial Instituto Fluminense de Agricultura, determinando que a administração do Imperial Jardim Botânico passasse para o referido Instituto, cuja direção tinha o interesse em fundar ali um estabelecimento de ensino agrícola, denominado Asilo Agrícola da Fazenda Normal, que serviria de escola prática e de modelo às fazendas de cultura de especiarias, no qual seriam ensaiados os processos de agricultura mais aperfeiçoados à época. A direção do Imperial Jardim Botânico, a partir desse contrato, ficou a cargo Burlamaque (que a exerceu de julho de 1861 a agosto de 1862), sendo a direção das culturas confiada a Hermann Herbster. É lançada a "Revista Agrícola do Imperial Instituto Fluminense da Agricultura" (setembro de 1869), cuja publicação se estende até à queda do Império do Brasil (1889) ver proclamação da república brasileira).

Da proclamação da república aos dias de hoje thumb|upright|esquerda|Cristo Redentor visto do Jardim Botânico.

Com a proclamação da república brasileira (1889), no ano seguinte (1890), passou a ser denominado como Jardim Botânico. A partir de então, receberia diversos visitantes ilustres, como Albert Einstein (maio de 1925) Einstein no Brasil in Instituto de Física/UFRGS. Consultado em 28 out 2011. e a rainha Isabel II do Reino Unido (novembro de 1968),Visitas Reais ao Rio de Janeiro in "História do Consulado Geral", Embaixada Britânica, Brasília. Consultado em 26 Out 2011. entre outros, transformando-se em cartão-postal da cidade. Entre os nomes de pesquisadores que lhe estão ligados destaca-se o de Manuel Pio Correia.

O Jardim Botânico do Rio de Janeiro encontra-se tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1937. Em 1991, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura considerou-o como Reserva da Biosfera. Naquele momento, quando o jardim passava por dificuldades de manutenção e conservação, um grupo de empresas públicas e privadas formou-se para auxiliá-lo.

Como resultado das parcerias, em 1992 o orquidário e a estufa de violetas foram renovados, além de procedida uma limpeza no lago. Em 1995, foi construído o Jardim Sensorial, com plantas aromáticas e placas indicadoras em braille, permitindo a visitação por deficientes visuais.

Posteriormente, uma nova estufa para as bromélias foi construída. No início do século XXI, o muro do jardim na rua Pacheco Leão foi demolido, dando lugar a uma grade, melhorando a sua integração paisagística com o bairro. Como reconhecimento pela sua importância científica, foi rebatizado como Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em 1998, ficando afeto ao Ministério do Meio Ambiente. Em 2002, tornou-se uma autarquia federal.

Características

thumb|O Centro dos visitantes thumb|Aleia Barbosa Rodrigues thumb|Chafariz central thumb|Aqueduto da Levada thumb|Casa dos Pilões thumb|Lago Frei Leandro thumb|Garça moura caçando no Lago Frei Leandro thumb|Cômoro Frei Leandro thumb|Orquidário thumb|Bromeliário thumb|Parte do Jardim sensorial thumb|Lago amazônico thumb|Jardim Japonês thumb|Parte do Arboreto thumb|Espaço Tom Jobim

O Jardim Botânico do Rio de Janeiro é aberto a visitação pública em horário restrito de funcionamento e mediante cobrança de taxa. O espaço pode ser explorado através de mapa informativo que contém os roteiros delimitados por "Aleias", ao invés de ruas, pois os caminhos são ladeados de árvores. Além do "Guia de Visitação" adquirido no Centro de Visitantes, há também guias credenciados para se fazer o passeio. Entre os pontos a serem considerados pelo visitante, destacam-se:

Centro de Visitantes