Daniel Barbosa Santos (Açailândia, 25 de agosto de 1986), conhecido como Dr. Daniel Santos, é um médico e político brasileiro. Filiado ao Podemos (PODE), foi prefeito do município de Ananindeua de 2021 a 2026. Anteriormente, foi vereador de Ananindeua e deputado estadual do Pará, tendo presidido a Assembleia Legislativa de 2019 a 2021.

Biografia

Natural de Açailândia, no Maranhão, Daniel Barbosa Santos se mudou para Dom Eliseu, no estado do Pará, aos três anos de idade e lá permaneceu até completar seus treze anos, quando se mudou para a cidade de Belém para estudar.

Formou-se em Medicina pela Universidade do Estado do Pará (UEPA) e estagiou no antigo Hospital Frei Samarate, fixando-se no município de Ananindeua.

É sócio-proprietário do Hospital Santa Maria de Ananindeua (HSMA), juntamente com sua esposa, a médica dermatologista e deputada federal Alessandra Haber, com quem tem dois filhos, Júlia e Davi.

Trajetória e atuação política

Com especialização em obstetrícia e ginecologia, Daniel Santos decidiu ingressar na vida política em 2012, quando candidatou-se a vereador pelo município de Ananindeua pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), conseguindo eleger-se como o segundo candidato mais votado do município com a soma de 4.445 votos. Em seu primeiro mandato como vereador, Daniel Santos presidiu a Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho e Meio Ambiente da Câmara de Ananindeua e destacou-se pela criação do Instituto Deuseny Santos em 2013, um centro médico que oferece consultas gratuitas em várias especialidades.

Nas eleições de 2016, Daniel Santos concorreu novamente ao cargo de vereador pelo PSDB e conseguiu eleger-se com 12.675 votos, desta vez como o candidato mais votado do município e tornando-se o presidente da Câmara Municipal de Ananindeua. Durante o mandato, foi responsável pela aprovação de seis projetos de lei, dentre eles a Lei nº 2.881 que obrigava a substituição de sacolas plásticas por embalagens de papel ou materiais biodegradáveis nos estabelecimentos comerciais do município, e a Lei nº 2.857 que dispunha da capacitação de professores da rede municipal de ensino para introdução de estudos sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) nas escolas de Ananindeua, ambas sancionadas em 2017 pelo então prefeito, Manoel Carlos Antunes.

Em 2018, Daniel Santos concorreu a deputado estadual pelo PSDB para a legislatura 2019-2023 e, angariando 113.588 votos válidos, elegeu-se como o candidato mais votado do estado do Pará. Além disso, durante a sessão solene de posse dos deputados estaduais em 1 de fevereiro de 2019, Daniel Santos foi eleito como presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) para o biênio 2019-2020.

Também em 31 de agosto de 2018, durante a convenção estadual do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) realizada na Alepa, o deputado Daniel Santos mudou sua filiação para o MDB na mesma reunião em que Jader Filho, irmão do governador Helder Barbalho, assumiu a presidência estadual do partido. Em 2020 se elegeu prefeito de Ananindeua com o apoio de Barbalho e do então prefeito do município, Manoel Pioneiro (PSDB) com 67,70% dos votos válidos, sendo o segundo mais jovem da cidade. Com isso, Daniel renunciaria o cargo de deputado estadual e presidente da ALEPA.

Com recordes de aprovação no município e após ter rompido a aliança com Helder Barbalho, tendo como estopim as posições diferentes durante a Eleição presidencial no Brasil em 2022 e algumas acusações de interferências políticas usando meios jurídicos, Daniel se lançou candidato a reeleição em 2024 e trocou o MDB pelo PSB. Barbosa seria reeleito prefeito de Ananindeua com 83,48% dos votos válidos, sendo a maior votação de todos os municípios do Pará naquela eleição e da história da cidade.

Em março de 2025, tornou-se líder do diretório estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB) no estado do Pará, o que fez com que o partido assumisse a oposição ao governo Helder Barbalho, causando a saída de nomes históricos.

Em 5 de agosto, foi afastado do cargo de prefeito de Ananindeua por decisão liminar do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, após ser deflagrada a Operação Hades pelo Ministério Público, em relação a denúncias de corrupção em suposto desvio de verbas do Hospital Santa Maria de Ananindeua, do qual Daniel Santos foi sócio entre 2018 e 2022.

Na mesma data da decisão que o afastou do cargo de prefeito, anunciou a pré-candidatura ao governo do estado do Pará no pleito de 2026. No dia seguinte (6), reassumiu o cargo após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogar o seu afastamento, por considerar a decisão do TJ-PA desproporcional. No dia 2 de abril de 2026, renunciou ao cargo de prefeito de Ananindeua para seguir em sua candidatura ao governo do Pará, repassando o mesmo ao seu vice, Hugo Atayde (PSDB). A renúncia foi oficializada no dia seguinte (3), dentro do prazo determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Controvérsias

Operação Hades, afastamento e denúncia do MPPA Em 5 de agosto de 2025, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) deflagrou a chamada Operação Hades, destinada a apurar supostas irregularidades em contratos e procedimentos licitatórios da Prefeitura de Ananindeua durante a gestão do prefeito Daniel Barbosa Santos. Na mesma data, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços vinculados ao prefeito, a familiares e a empresas contratadas pelo município. A operação também incluiu medidas cautelares patrimoniais, como bloqueio e indisponibilidade de bens, com o objetivo de resguardar valores relacionados às investigações.

Ainda em 5 de agosto de 2025, o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJ-PA) Pedro Sotero determinou o afastamento cautelar do prefeito do exercício do cargo, sob o fundamento de necessidade de preservação da instrução processual.

No dia seguinte, 6 de agosto de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), por decisão monocrática do ministro Og Fernandes, suspendeu o afastamento e autorizou o retorno de Daniel Santos ao cargo. A decisão manteve outras medidas cautelares patrimoniais impostas no curso da investigação.

Em 13 de agosto de 2025, o ministro relator declarou-se suspeito para atuar no caso, em razão de possível conflito de interesses, e o processo foi redistribuído no STJ pra o ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

Posteriormente, em 3 de outubro de 2025, o MPPA apresentou denúncia criminal contra o prefeito, imputando-lhe, conforme a peça acusatória, os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes em licitações. A denúncia formalizou as acusações decorrentes da Operação Hades e deu início à fase processual correspondente.

Manifestação da PGR no STJ Em 22 de outubro de 2025, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou manifestação em procedimento em trâmite no STJ, na qual requereu a adoção de medidas cautelares adicionais, incluindo novo afastamento do cargo. O pedido foi fundamentado em elementos relacionados a movimentações financeiras e aquisições patrimoniais analisadas no curso das investigações.

Emendas e contratos municipais Em janeiro de 2026, o Diário do Pará noticiou que aproximadamente R$ 15 milhões em emendas parlamentares na modalidade “Emenda Pix” — mecanismo que permite a transferência direta de recursos federais a estados e municípios — foram destinados ao município de Ananindeua durante a gestão de Daniel Santos, através do mandato de sua esposa Alessandra Haber.

Segundo a reportagem, parte dos valores beneficiou empresas que mantinham contratos com a Prefeitura e que, à época, eram alvo de investigações por supostas irregularidades licitatórias.

De acordo com as matérias, cerca de R$ 11,6 milhões foram direcionados à Construtora Santa Cruz, empresa que acumulou contratos expressivos com o município. Entre os procedimentos citados estava um contrato estimado em R$ 42 milhões, no qual teriam sido apontados indícios de falhas de publicidade e possível restrição à concorrência. As reportagens também indicaram que, entre 2021 e 2025, duas empresas mencionadas nas investigações somaram mais de R$ 261 milhões em contratos com a Prefeitura de Ananindeua. As apurações eram conduzidas pelo Ministério Público do Pará.

Ademais, a deputada federal Alessandra Haber destinou aproximadamente R$ 3,7 milhões em emendas parlamentares na modalidade “Emenda Pix” ao município de Ananindeua, valores que beneficiaram diretamente a empresa Norte Ambiental Gestão e Serviços, contratada pela prefeitura e mencionada nas investigações sobre contratos municipais.

Aquisição de imóvel no Ceará Segundo o Diário do Pará, a Construtora Santa Cruz teria realizado uma transferência de R$ 500 mil que constaria na relação de pagamentos vinculados à aquisição de um imóvel no município de Fortim (CE), valor mencionado no âmbito das investigações conduzidas pelo Ministério Público do Pará. A informação foi divulgada no contexto das apurações sobre contratos públicos e eventuais vínculos financeiros entre a empresa e a administração municipal.

Uso de jatinho O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de imagens que mostram Daniel Santos utilizando um jatinho particular de matrícula PP-OLY, pertencente à Lucena Infraestrutura Ltda. e associado à empresa Norte Ambiental Gestão e Serviços, contratada pelo município. Reportagem do Metrópoles informou que a empresa teria recebido R$ 58,5 milhões da Prefeitura de Ananindeua entre 2023 e 2025. A situação foi noticiada como parte do debate público sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo contratos municipais.

Vídeo íntimo Na noite de 3 de agosto de 2026, um suposto vídeo do então pré-candidato ao governo do Pará circulou nas redes sociais, com Daniel aparecendo numa cama de casal na companhia de uma influenciadora, enquanto se relacionavam sexualmente. Em um trecho do vídeo, ele chegou a atender uma ligação de Alessandra Haber, sua esposa e deputada federal. No dia seguinte (4), Santos compartilhou em conjunto com a sua esposa no Instagram, uma foto dos dois juntos em uma mesa de café da manhã, desmentindo os rumores de separação, bem como também acusou seus adversários de praticarem um "jogo sujo" às vésperas da convenção estadual que oficializaria sua candidatura.

Desempenho eleitoral

Ano Eleição Coligação Partido Candidato a Votos % Resultado 2012 Municipal de Ananindeua Sem coligação PSDB Vereador 4.445 (2°) 2,03 2016 Municipal de Ananindeua Sem coligação PSDB Vereador 12.675 (1°) 5,38 2018 Estadual no Pará PSDB, DEM, PDT e PRP PSDB Deputado estadual 113.588 (1°) 2,83%2020Municipal de AnanindeuaMDB, PSDB, DEM, PV, PODE, Republicanos, Avante, PCdoB, PROS, PSB, PSC, PSL, PL, Solidariedade e PatriotaMDBPrefeito 152.352 (1°) 67,70% 2024Municipal de AnanindeuaPSB, Solidariedade, Fed. PSDB Cidadania, Republicanos, PL, PODE, PRTB e DCPSBPrefeito 229.930 (1°) 83,48% 2026Estadual no ParáPODE, PL, Fed. Renovação Solidária (PRD e Solidariedade), NOVO e DCPODEGovernador

Bibliografia

Ligações externas

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