Mota-Engil é um conglomerado português, líder nos setores da construção civil, obras públicas, operações portuárias, resíduos, águas e na logística.
O presidente do Conselho de Administração é António Vasconcelos da Mota, filho do fundador do Grupo, o empreiteiro Manuel António da Mota, e Gonçalo Moura Martins é atualmente o CEO da empresa. Jorge Coelho liderou a Comissão Executiva do Grupo de 2008 a 2013, e atualmente exerce funções como Consultor do Conselho Consultivo Estratégico da Mota-Engil.
Originário do concelho de Amarante, onde ainda possui sede social, este grupo empresarial possui atualmente os seus escritórios no Porto e em Lisboa.
O Grupo Mota-Engil integra mais de 280 empresas repartidas entre três grandes Áreas de Negócio — Engenharia e Construção, Ambiente e Serviços e Concessões de Transportes — marcando presença em 22 países através das suas sucursais e empresas participadas, entre elas a Mota-Engil Engenharia e Construção, S.A., SUMA, Manvia, Vibeiras e mais recentemente a EGF.
Em 2008 a Mota-Engil fez parte do ranking das cem maiores empresas europeias do setor da construção Construção: Mota Engil e Grupo Soares da Costa no ranking das 100 maiores empresas de construção da Europa , em Lusa.pt, 18 de Março de 2008., mas atualmente faz parte do ranking das 30 maiores empresas europeias do setor.
A Mota-Engil SGPS, sociedade holding do Grupo, está cotada no PSI, principal índice da Euronext Lisboa.
A Mota Engil é considerada a 14ª maior construtora europeia, de acordo com o ranking anual da Engineering News-Record (ENR).
História Em 29 de Junho de 1946, o empresário Manuel António da Mota fundou a Mota & Companhia na cidade portuguesa de Amarante. Nesse mesmo mês e ano foi criada uma sucursal da empresa em Angola.História da Empresa, em eliteangolancareers.com, 12 de Março de 2010.
Até 1974 as atividades da Mota & Companhia centraram-se no território angolano, de início na área de exploração e transformação de madeiras e depois, a partir de 1948, também na área de construção e obras públicas. Em 1952 foi adjudicada à Mota & Companhia a execução do Aeroporto Internacional de Luanda, primeira grande obra pública a ser executada pela empresa neste território, então sob administração colonial portuguesa.
Por iniciativa de Fernando José Saraiva e António Lopes de Almeida, é fundada no mesmo ano em Lisboa a Engil, Sociedade de Engenharia Civil, Lda.. Com a entrada para a empresa de Simões Cúcio e António Valadas Fernandes, a Engil conhece a partir de 1954 um novo impulso e renovado dinamismo.
Em 1961, a atividade da Engil até aí centrada na região de Lisboa, inicia a sua dispersão por outras regiões do território português, através da adjudicação da Escola Industrial e Comercial de Castelo Branco e da construção, em Mirandela, da Ponte sobre o Rio Tua.
O ano de 1969 fica marcado pela celebração de um contrato com a empresa Siemens-Baunnion, pelo qual a Engil adquiriu em exclusivo para Portugal a patente do sistema de cofragens deslizantes Siemcrete, o que lhe permitiu executar, a partir desta data, inúmeras grandes obras de silos e chaminés. No quadro do alargamento das suas operações, foi igualmente criada na cidade do Porto a delegação Norte da empresa.
Atualmente, a Mota-Engil é um dos 30 maiores grupos europeus de construção, marcando presença em mais de 30 países entre a Europa, África e América Latina.
Estrutura acionista
Entidade N.º de ações % de capital FM – Sociedade de Controlo, SGPS, SA 123.006.42440,10% China Communications Construction Co., Ltd.99.426.97432,41%Free float 78.250.97125,51%Treasury Shares6.091.5811,99%
Atividades em África Por seu turno e no ano de 1975, a Mota & Companhia expande a sua atividade para outros territórios africanos, iniciando na Namíbia a construção da barragem de Dreihuk. No Botswana, assegura a construção das infraestruturas do grande empreendimento Sun City e da estrada Matooster — Bierkraal. Posteriormente, na Suazilândia, constrói a estrada Lonhlupheko — Lomahasha. Com este conjunto de empreendimentos, a Mota & Companhia inicia assim o processo de progressiva internacionalização das suas actividades e negócios.
O ano de 1976 é assinalado pelo relançamento da Mota & Companhia em Portugal, através da adjudicação de uma pequena barragem (Lucefecit, Alentejo). Logo após, a Mota & Companhia surge como adjudicatária da empreitada de Regularização do Baixo Mondego, que permitiu lançar a empresa como construtora de grandes projetos nacionais, tornando-se, a breve trecho, na terceira maior empresa portuguesa do sector. miniaturadaimagem|Ponte de Catumbela, Angola. Em 1978, numa associação com a empresa Retosa, sediada em Caracas - Venezuela, a Engil participou, durante dois anos, na construção de fábricas e da Barragem do Guri, naquele país. A partir de 1980 a Mota & Companhia expandiu as suas operações na República Popular de Angola. Neste ano, e em parceria com o estado angolano, criou a empresa de Construção de Terraplanagens Paviterra, UEM. A Mota & Companhia e a Paviterra foram, durante vários anos, as únicas estruturas empresariais de construção de obras públicas em Angola.
Em Agosto de 1987 a Mota & Companhia, sociedade por quotas, transformou-se em sociedade anónima, com posterior dispersão de 12% do seu capital pelo público e admissão à Bolsa de Valores de Lisboa. No mesmo ano é constituída a Engil SGPS, procurando dar resposta à evolução do mercado de obras públicas e privadas e à necessidade de diversificação das suas atividades. Nos anos subsequentes foram adquiridas as empresas Sociedade de Empreitadas Adriano (1988), Gerco - Sociedade de Engenharia Eletrotécnica, SA (1990) e Ferrovias e Construções (1991). O ano de 1987 é ainda marcado pela construção da Barragem do Lindoso. Pela sua dimensão e características técnicas, esta obra constitui um marco na história das grandes obras construídas pela Engil. miniaturadaimagem|Ponte Vasco da Gama, Lisboa. Com a entrada no mercado angolano em 1989, é relançado o processo de internacionalização da Engil. Nos anos de 1993, 1994 e 1996, foi dado novo impulso ao processo de internacionalização, com as entradas, respetivamente, nos mercados de Moçambique, Alemanha e Peru. A partir de 1990, a Mota & Companhia empreende o processo de diversificação da sua atividade. Entra nos negócios nas áreas da promoção imobiliária, sinalização de estradas, pré-fabricação de elementos estruturais, cerâmica, massas asfálticas, comercialização de veículos e equipamentos, transporte marítimo e indústria de tintas.
Em 1994 a Mota & Companhia integra o consórcio construtor da Ponte Vasco da Gama, em Lisboa ligando as margens norte e sul do rio Tejo. O ano é ainda marcado pela prossecução da diversificação de negócios da empresa através da aposta na área das Concessões de Transportes, em associação com outras empresas de referência. É assim constituída a Lusoponte, empresa concessionária das travessias rodoviárias do Tejo a jusante de Vila Franca de Xira.
A 23 de Julho de 1999, empresas do universo da família Mota, lançam uma Oferta Pública de Aquisição sobre a totalidade do capital da Engil SGPS, de que resultou, já no decorrer de 2000, a formação do Grupo Mota-Engil. Em 2002, a fusão das empresas Mota & Companhia, SA, Engil – Sociedade de Construção Civil, SA e Mota-Engil Internacional, dá origem à criação da maior construtora portuguesa. Simultaneamente, intensifica-se a estratégia de diversificação, com especial ênfase nos setores das concessões de transportes e ambiente e serviços. Em 2003 ficam definidas quatro áreas de negócio autónomas. A sociedade holding Mota-Engil SGPS agrega a Mota-Engil, Engenharia e Construção, SA, Mota-Engil, Ambiente e Serviços, SGPS, SA, MEITS – Mota-Engil, Imobiliário e Turismo, SA, Mota-Engil, Concessões de Transportes, SGPS, SA, detendo ainda diretamente o capital da Mota-Engil Serviços Partilhados Administrativos e de Gestão, SA. Em 2012 deu-se a mudança do Modelo Organizacional do Grupo, que passou a ser definido por Regiões (Portugal / África / Europa Central e América Latina).
Expansão para Europa de Leste e América Latina Em termos internacionais assiste-se a um reforço da carteira de encomendas na Europa de Leste. Depois da fusão de duas associadas do Grupo, constitui-se a Mota-Engil Polska, dando origem à quarta maior construtora a operar na Polónia. Em 2005 a Mota-Engil passou a ser cotada no PSI, principal índice da Euronext Lisbon no final de 2006, através da Mota-Engil Ambiente e Serviços, SGPS, o Grupo Mota-Engil adquiriu uma posição de controlo no Grupo Tertir, entrando assim no setor logístico e portuário.CMVM registou OPAs da Mota-Engil sobre Tertir e Ternor, em Diario Digital.pt, 26 de Maio de 2007.
Em 2008, avançou para o México através da concessão rodoviária Perote-Xalapa, no estado de Vera Cruz. Posteriormente, entrou no Brasil, Peru e Colômbia, numa altura em que Portugal mergulhou na crise.
Outros Em 2007, a participada do Grupo Mota-Engil, Martifer SGPS, solicitou a admissão à negociação das suas ações na Euronext Lisbon, tendo a operação consistido num aumento de capital de 75 milhões de acções para 100 milhões, através de uma oferta pública de subscrição (IPO) de 25.000.000 ações representativas do capital social.Mota/Engil: Resultados líquidos do grupo cresceram 202,9% em 2007, em Expresso.com, 12 de Março de 2008..Em 2008 é constituída a Ascendi, resultante de uma parceria entre a Espírito Santo Concessões e a Mota-Engil Concessões. Neste novo veículo societário irão concentrar-se os ativos dos dois Grupos na área das concessões de transportes. No dia 26 de Maio de 2008 o Conselho de Administração da Mota-Engil SGPS deliberou a constituição de uma Comissão Executiva, tendo sido nomeado seu Presidente Jorge Coelho, função que exerceu até 2013.
Em 2009 é constituída a Fundação Manuel António da Mota, atualmente com sede no Mercado do Bom Sucesso, e que todos os anos atribui o "Prémio Manuel António da Mota", distinguindo organizações e personalidades que se destaquem nos vários domínios da sua atividade.
Em 5 de Janeiro de 2011, a Mota-Engil Engenharia e Construção, SA, foi agraciado com o Nielsen Norman Group Design Award 2011 Intranet.San Francisco Chronicle: Mota-Engil awarded the prestigious Nielsen Norman Group 2011 Intranet Design award 05 Janeiro 2011 (inglês)
Em 2014, a Mota-Engil recebeu dois galardões nos Prémios IRGA 2014, um para melhor Investor Relations Officer, recebido por João Vermelho, responsável pelas Relações com os Mercados, e outro por ter sido reconhecida como a empresa com melhor Performance em Bolsa.http://economico.sapo.pt/noticias/antonio-borges-distinguido-com-o-premio-carreira-dos-irga2014_196912.html
Também em 2014, o Grupo Mota-Engil venceu a corrida à privatização da Empresa Geral de Fomento (EGF),
iniciou atividade no Ugandahttp://www.jornaldenegocios.pt/empresas/construcao/detalhe/mota_engil_ganha_obra_de_60_milhoes_de_euros_no_uganda.html e obteve um contrato de 3,5 mil milhões de dólares nos Camarões, o maior contrato da sua história.http://www.dinheirovivo.pt/Empresas/interior.aspx?content_id=3959138
Em 2017, O grupo Mota-Engil vendeu a totalidade do capital da RTA, empresa detentora do Parque Aquático de Amarante, ao grupo europeu Looping Group, que se apresenta como líder europeu na gestão e exploração de parques de diversão, com um total de 14 equipamentos em sete países.
Controvérsias Em 2006, a Mota-Engil foi alvo de buscas e o seu líder António Mota constituído arguido em 2009 entre outros 700, por envolvimento no sistema de fraude fiscal valendo várias centenas de milhões de euros que deu origem à Operação Furacão. António Mota, a sua irmã Maria Manuela e a Mota-Engil aceitaram pagar ao fisco cerca de 6,1 milhões de euros em duas prestações para não serem acusados pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal de prática do crime de fraude fiscal qualificada.