O Território de Identidade Bacia do Rio Corrente é composto por 11 municípios: Brejolândia, Canápolis, Cocos, Coribe, Correntina, Jaborandi, Santa Maria da Vitória, Santana, São Félix do Coribe, Serra Dourada e Tabocas do Brejo Velho. ocupa uma área de 44.813 km², o que corresponde a aproximadamente 8% da extensão territorial da Bahia. Entre seus municípios, Correntina possui a maior área, enquanto Canápolis apresenta a menor. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2010, a população total do território é de 200.819 habitantes, resultando em uma densidade demográfica de 4,44 habitantes por km².23__bacia_rio_corrente.pdf
História As terras que hoje compõem o Território de Identidade Bacia do Rio Corrente eram originalmente habitadas por povos indígenas das etnias Massacarás, Pontás, Aracujás, Pimenteiras e Cariris.
A ocupação colonial intensificou-se no Século XVIII, motivada pela exploração de pedras preciosas e pela descoberta de minas de ouro no Rio das Éguas. As bandeiras que partiam do litoral em direção às minas do atual estado de Goiás utilizavam a via fluvial do Rio São Francisco, passando pela região onde se localiza o município de Correntina. A notícia da existência de ouro atraiu numerosos colonizadores, resultando na formação de um povoado primitivo destinado ao abastecimento.territorio_identidade_vol03.pdf
O primeiro município a ser instituído foi Correntina, em 1866, inicialmente denominado Vila de Nossa Senhora da Gloria do Rio das Éguas. Em 1891, por ato estadual, recebeu a denominação atual. Posteriormente, surgiram Santa Maria da Vitória (1880), fruto da exploração aurífera, e Santana (1890), vinculada à expansão da pecuária iniciada no Século XVI pelo sertanista Garcia d'Ávila.Os demais municípios foram criados entre as décadas de 1950 e 1980, sendo São Félix do Coribe o último, instituído em 1989.
Geografia
Clima Integra a área de abrangência do Semiárido baiano, embora os municípios de Jaborandi, Correntina, Canápolis e Santa Maria da Vitória não estejam inseridos oficialmente nessa região. No eixo leste-oeste, observa-se uma variação climática que transita do semiárido ao úmido, com predominância das faixas subúmida a seca e úmida a subúmida na porção central do território.
Na porção leste, onde prevalecem os climas semiárido e subúmido a seco, as chuvas concentram-se na primavera-verão, com índices pluviométricos entre 800 mm e 1.000 mm anuais. Já na porção oeste, caracterizada pelo clima úmido, a estação seca é bem definida, mas acompanhada de precipitações intensas também na primavera-verão. A temperatura média anual nessa área é de aproximadamente 23,4 ºC.
Vegetação O mosaico vegetacional é composto por formações típicas do Cerrado, da Floresta Estacional e da Floresta de Galeria. O Cerrado ocorre em diferentes fisionomias, incluindo a forma gramíneo-lenhosa e com aspecto de parque, especialmente nos vales.
Na porção nordeste do território, destaca-se a presença da Floresta Estacional Semidecidual, caracterizada pela perda parcial das folhas durante a estação seca. As Florestas de Galeria, por sua vez, acompanham os curso de água, formando corredores verdes que desempenham papel fundamental na proteção dos recursos hídricos e na manutenção da biodiversidade local.
Hidrografia O território está integralmente inserido na Bacia hidrográfica do Rio São Francisco. Uma das peculiaridades da hidrografia local é a ocorrência de drenagem paralela, especialmente visível na porção oeste, onde o relevo escarpado se dispõe de forma paralela.
Os principais cursos d’água são os rios Arrojadinho, Arrojado, Carinhanha, Rio Correntina, das Éguas (ou Corrente), do Meio, dos Angicos, Formoso, Guará, Itaguari e Pratudão, além das poucas veredas que ainda persistem na paisagem.
Entre os espelhos d'Água de maior relevância destacam-se as lagoas do Juazeiro, em Tabocas do Brejo Velho; as lagoas do Pratudinho e do Pratudão, em Jaborandi; e a lagoa do Formoso, localizada nos municípios de Cocos e Jaborandi.
Infraestrutura A BA-172 constitui a principal rodovia do território, funcionando como ramal da BR-242 — popularmente conhecida como Salvador–Brasília. Essa estrada cruza as sedes dos municípios de Serra Dourada, Santana, Santa Maria da Vitória e São Félix do Coribe, além de servir como acesso a localidades como Canápolis, Tabocas do Brejo Velho e Brejolândia.
Outra via relevante é a BR-349, que desempenha papel estratégico ao conectar o território aos Territórios Sertão Produtivo e Sudoeste Baiano, além de atender diretamente os municípios de Correntina, Santa Maria da Vitória e São Félix do Coribe. Já os municípios de Jaborandi, Coribe e Cocos têm como principal acesso a BR-135, a partir da continuidade da BA-172.
Apesar da elevada participação da atividade primária na geração de riquezas, o território não dispõe de malha ferroviária. Também não possui aeroportos comerciais, contando apenas com pistas de pouso privadas, localizadas em Correntina, Jaborandi e Cocos.
População Entre 2000 e 2010, a população do Território de Identidade Bacia do Rio Corrente apresentou variação nula, conforme dados do Censo 2010 do IBGE. Esse resultado decorre da redução da população rural (-0,9%) não ter sido compensada pelo crescimento da população urbana (+1,2%). Os municípios de Jaborandi (-1,4%) e Tabocas do Brejo Velho (-1%) registraram as maiores perdas populacionais, associadas à diminuição do número de habitantes da zona rural.Perfil_Bacia do Rio Corrente
No mesmo intervalo, observou-se a redução da população com idade até 14 anos, que passou de 34% para 26,8%, e o aumento da população idosa, de 9,3% para 12,1%, percentual superior à média da Bahia (10,3%). A faixa etária entre 15 e 59 anos, embora em expansão, manteve-se abaixo da média estadual (61,1% contra 64%).
Parte da diminuição populacional está relacionada à migração. Entre 2005 e 2010, o saldo líquido entre imigrantes e emigrantes foi negativo em 9 mil pessoas, equivalente a 4,9% da população do território — taxa significativamente superior à média da Bahia (-1,8%).
Educação Apesar da redução no número de analfabetos entre a população com idade superior a 15 anos, o percentual no Território de Identidade Bacia do Rio Corrente permanece elevado em comparação à média estadual. Entre 2000 e 2010, o índice caiu de 30,2% para 24,5%, mas ainda distante do patamar da Bahia (16,3%). Os números são particularmente altos em Coribe (30,5%) e Canápolis (30,4%), enquanto apenas São Félix do Coribe (17,8%) apresenta taxa inferior a 20%.
No acesso à educação da faixa etária entre 6 e 14 anos, os resultados do território são mais favoráveis que os da Bahia: 98,2% contra 96,9%. Os melhores índices pertencem a Santa Maria da Vitória (98,9%) e Serra Dourada (98,8%), enquanto Jaborandi (96,1%) e Canápolis (96,9%) registram valores abaixo de 97%.
Entre adolescentes de 15 a 17 anos, o percentual de acesso à educação evoluiu de 81,4% para 84,9% no período, superando a média estadual (83,7%). Contudo, quando se considera a taxa de escolarização líquida — que desconsidera a evasão escolar — os resultados são menos expressivos: o índice passou de 12,3% para 39,7%, ainda que superior ao da Bahia (38%), evidenciando a necessidade de maiores avanços.
Saúde Em 2010, a taxa de mortalidade infantil no Território de Identidade Bacia do Rio Corrente foi de 15 óbitos por mil nascidos vivos, resultado mais favorável que a média estadual (18 por mil). Considerando a mortalidade infantil até os 5 anos de idade, o índice também se mostrou inferior ao da Bahia: 16,9 por mil contra 20,7 por mil, respectivamente.
No combate à dengue, houve avanços significativos entre 2001 e 2012, com a redução de 1,4 mil casos para apenas 59. Contudo, entre 2009 e 2010, registrou-se um aumento expressivo, com 1.862 e 1.036 casos, respectivamente.
Doenças como tuberculose e lepra apresentam cenários distintos. A tuberculose manteve-se sob controle, com 27 casos em 2001 e 30 em 2012. Já a hanseníase apresentou crescimento, passando de 19 para 37 casos no mesmo período, com picos mais significativos em 2005 (65 casos) e 2007 (64 casos).
Cultura A partir da década de 1960, o território atraiu agricultores, especialmente do Sul do país, em razão de sua posição estratégica e da disponibilidade de recursos naturais, como a oferta de água. Esse processo resultou em conflitos fundiários com agricultores familiares locais. O agronegócio consolidou-se com êxito, dinamizando a economia regional e expandindo a fronteira agrícola, mas também provocou concentração fundiária e uso desordenado dos recursos naturais.
As manifestações culturais da região incluem a festa do Divino, o reisado, as festas juninas, a chula e outras expressões da cultura sertaneja. O território integra a rota turística Caminhos do Oeste, destacando-se o Vale do Rio Corrente, grutas como a do Padre, cachoeiras, além da gastronomia e do artesanato baseados em espécies do Cerrado. Apesar do potencial turístico, a região enfrenta dificuldades de aproveitamento devido à distância em relação ao litoral — mais visitado pelos turistas — e à capital Salvador, onde se localiza o principal aeroporto do estado.
No âmbito da produção agropecuária, as terras são utilizadas coletivamente para a criação de gado bovino, solto no Cerrado ou na Caatinga, atividade sustentada pela existência de cerca de 20 comunidades de fundo de pasto, ou comunidades soltas, principalmente em Correntina.
Ver também
Chapada Diamantina
Referências
Ligações externas
Categoria:Territórios de identidade da Bahia