O Sri Guru Granth Sahib (Punjabi (Gurmukhi): ਗੁਰੂ ਗ੍ਰੰਥ ਸਾਹਿਬ, ) é o texto religioso central do siquismo, considerado pelos siques como sendo o definitivo, soberano e eterno Guru, finalizando a sequência dos Gurus da religião. Trata-se de um texto volumoso, composto por angs (páginas), composto e compilado durante o período dos gurus siques humanos, que se estendeu de 1469 a 1708 e consiste numa coleção de hinos – shabads ou baani descrevendo as qualidades de Deus e a necessidade da medição no Seu Nome (Naam). O Guru Gobind Singh (1666–1708), o décimo da linhagem, após adicionar os bani do Guru Tegh Bahadur ao Adi Granth, determinou o texto sagrado como seu sucessor. O texto é a escritura sagrada dos siques, que reúne os ensinamentos de todos os gurus siques. O papel do Guru Granth Sahib é a de fonte ou guia de oração e é fundamental no culto sique.
O Adi Granth, como é conhecida a versão inicial do texto, foi inicialmente compilado pelo sexto guru, Arjan (1563–1606), com hino dos primeiros cinco gurus e outros homens santos - ou bhagats - incluindo treze santos hindus e dois muçulmanos.Mahinder Gulati (2008), Comparative Religious And Philosophies : Anthropomorphlsm And Divinity, Atlantic, ISBN 978-8126909025, page 302Os hindus são Ramananda, Namdev, Pipa, Ravidas, Beni, Bhikhan, Dhanna, Jaidev, Parmanand, Sadhana, Sain, Surdas e Trilochan]]. Por sua vez, os muçulmanos são: Kabir e FaridMahinder Gulati (2008), Comparative Religious And Philosophies : Anthropomorphlsm And Divinity, Atlantic, ISBN 978-8126909025, page 302HS Singha (2009), The Encyclopedia of Sikhism, Hemkunt Press, ISBN 978-8170103011, page 8 O Guru Gobind Singh, o décimo guru sique, adicionou todos os 115 hinos compostos pelo Guru Tegh Bahadur ao Adi Granth e esta versão passou a ser denominada Guru Granth Sahib. Após a morte de Gobind Singh, Baba Deep Singh e Bhai Mani Singh prepararam muitas cópias do texto para distribuição.
O Guru Granth Sahib foi redigido na escrita Gurmukhi, através das línguas punjabi, persa, sânscrito e vários dialetos, dentre eles: lehndi, braj bhasha, khariboli, cuja reunião era denominada genericamente como Sant Bhasha.Harnik Deol, Religion and Nationalism in India. Routledge, 2000. ISBN 0-415-20108-X, 9780415201087. Page 22. "Remarkably, neither is the Qur'an written in Urdu language, nor are the Hindu scriptures written in Hindi, whereas the compositions in the Sikh holy book, Adi Granth, are a melange of various dialects, often coalesced under the generic title of Sant Bhasha."The making of Sikh scripture by Gurinder Singh Mann. Published by Oxford University Press US, 2001. ISBN 0-19-513024-3, ISBN 978-0-19-513024-9 Page 5. "The language of the hymns recorded in the Adi Granth has been called Sant Bhasha, a kind of lingua franca used by the medieval saint-poets of northern India. But the broad range of contributors to the text produced a complex mix of regional dialects."Surindar Singh Kohli, History of Punjabi Literature. Page 48. National Book, 1993. ISBN 81-7116-141-3, ISBN 978-81-7116-141-6. "When we go through the hymns and compositions of the Guru written in Sant Bhasha (saint-language), it appears that some Indian saint of 16th century...."Introduction: Guru Granth Sahib. "Guru Granth Sahib Ji is written in Gurmukhi script. The language, which is most often Sant Bhasha, is very close to Punjabi. It is well understood all over northern and northwest India and is popular among the wandering holy men. Persian and some local dialects have also been used. Many hymns contain words of different languages and dialects, depending upon the mother tongue of the writer or the language of the region where they were composed."Nirmal Dass, Songs of the Saints from the Adi Granth. SUNY Press, 2000. ISBN 0-7914-4683-2, ISBN 978-0-7914-4683-6. Page 13. "Any attempt at translating songs from the Adi Granth certainly involves working not with one language, but several, along with dialectical differences. The languages used by the saints range from Sanskrit; regional Prakrits; western, eastern and southern Apabhramsa; and Sahiskriti. More particularly, we find sant bhasha, Marathi, Old Hindi, central and Lehndi Panjabi, Sgettland Persian. There are also many dialects deployed, such as Purbi Marwari, Bangru, Dakhni, Malwai, and Awadhi."Harjinder Singh, Sikhism. Guru Granth Sahib (GGS). "Guru Granth Sahib Ji also contains hymns which are written in a language known as Sahiskriti, as well as Sant Bhasha; it also contains many Persian and Sanskrit words throughout."
História Durante o período de Guru Nanak, coleções de seus hinos foram compiladas e enviadas às comunidades siques mais distantes para uso nas orações matutinas e noturnas. Seu sucessor, o Guru Angad, começou a reunir os escritos de seu antecessor. Esta tradição foi continuada pelo terceiro e pelo quinto gurus.
Quando o quinto guru, Arjan, estava reunindo os escritos de seu predecessor, descobriu que vários pretendentes à condição de guru lançaram aquilo que ele considerou como antologias forjadas dos gurus anteriores e mesmo os próprios escritos de Arjan no meio deles. De forma a impedir que escritos espúrios ganhassem legitimidade, Guru Arjan iniciou o trabalho de compilar o livro sagrado para a comunidade dos siques. Ele terminou de reunir os escritos religiosos do Guru Ram Das, seu predecessor imediato, e convenceu Mohan, filho do Guru Amar Das, a dar-lhe a coleção dos escritos religiosos dos primeiros três gurus. Além disso, enviou discípulos a todas as regiões para encontrar e reaver quaisquer escritos, conhecidos ou não. Também convidou membros de outras religiões e escritores religiosos contemporâneos a enviar-lhe textos para possível inclusão. Guru Arjan selecionou hinos para inclusão no livro e Bhai Gurdas trabalhou na função de compilador.
Enquanto os manuscritos eram compostos, Akbar, o imperador mughal, recebeu um relatório informando que os manuscritos siques continham passagens vilipendiando o Islã. Assim, viajando em direção ao norte, Akbar parou no meio do caminho e exigiu inspecionar o conteúdo dos textos. Baba Buddha e Bhai Gurdas trouxeram-lhe uma cópia do manuscrito existente naquele momento. Apos escolher aleatoriamente três passagens do texto para ler, Akbar concluiu que o relatório era falso. Ele também garantiu, a pedido do Guru Arjan, uma dispensa do imposto anual do distrito, em função da falha das monções.
Em 1604, o manuscrito do Guru Arjan foi completado e instalado no Harmandir Sahib com Baba Buddha como o primeiro granthi (leitor). Em função de as comunidades de siques estarem espalhadas pelo norte da Índia, era necessário que cópias do livro sagrado estivessem disponíveis. O sexto, o sétimo e o oitavo gurus não redigiram versos religiosos, mas o nono, o Guru Tegh Bahadur, sim. O décimo guru, Guru Gobind Singh, incluiu os escritos do Guru Tegh Bahadur no Guru Granth Sahib.
Em 1704, na localidade de Damdama Sahib, durante a trégua de um ano durante a guerra das tropas de Aurangzeb contra as quais Khalsa estava engajada na época, o Guru Gobind Singh e Bhai Mani Singh adicionaram as composições religiosas do Guru Tegh Bahadur ao Adi Granth para criar uma versão definitiva. Os versos religiosos do Guru Gobind Singh não foram inclusos no Guru Granth Sahib, mas alguns deles foram inclusos nas orações diárias dos siques. Ao longo desse período, Bhai Mani Singh também reuniu os escritos do Guru Gobind Singh, assim como os dos poetas de sua corte, incluindo-os em outro texto religioso, conhecido como Dasam Granth Sahib. A esse texto não é dada a reverência dada ao Granth Sahib, considerado o único Guru pelos siques.
Significado e papel no siquismo left|170px|thumb|Guru Granth Sahib Os siques consideram o Guru Granth Sahib um guia espiritual não apenas para eles próprios, mas sim para toda a Humanidade; ele assim exerce um papel central. Seu papel na vida devocional dos siques está baseada em dois princípios fundamentais: que o texto é o Guru vivo e que todas as respostas concernentes à religião e à moralidade podem ser encontrados nele. Seus hinos e ensinamentos são chamados gurbani ou "Palavra do guru" e às vezes Guru ki bani. Assim, na teologia sique, a palavra revelada divinamente está escrita pelos gurus anteriores. Vários homens santos, à parte dos gurus siques, são coletivamente considerados como Bhagats ou "devotos".
Elevação do Adi Granth a Guru Granth Sahib Em 1708, o Guru Gobind Singh conferiu o título de "Guru dos Siques" ao Adi Granth. O evento foi registrado num Bhatt Vahi (o rol do bardo) por uma testemunha, Narbud Singh, que era um bardo na corte dos Rajputs associados aos gurus. Grande variedade de outros documentos também atesta esta proclamação realizada pelo décimo guru. Assim, apesar de poucas dissidências, os siques desde então têm aceitado, esmagadoramente, o Guru Granth Sahib, como seu eterno guru.
Composição
O texto do Guru Granth Sahib é integralmente redigido na escrita Gurmukhi, padronizada pelo Guru Angad no século XVI. De acordo com a tradição sique e o Mahman Prakash, um dos primeiros escritos siques, Guru Angad teria inventado a escrita por sugestão do Guru Nanak durante a vida do fundador do siquismo. A palavra Gurmukhī traduz-se como "[vindo] da boca do Guru". Ela descende das escritas Laṇḍā e foi usada como fonte para compilar as escrituras siques. Os siques conferem alto grau de santidade à escrita Gurmukhī. Esta é a escrita oficial para a língua punjabi no estado indiano do Punjabe.
O Guru Granth Sahib está dividido musicalmente em ragas ao longo de páginas conhecidas como angs na tradição sique. Pode ser caracterizado em duas seções: Seção introdutória, que consiste em: Mul Mantra, Japji e Sohila, comspostas pelo Guru Nanak; Composições dos gurus siques, seguidas pelas dos bhagats que conhecem somente a Deus, coletadas de acordo com a cronologia dos ragas.
A palavra raga refere-se à "cor" e, mais especificamente, a emoção ou modo produzido pela combinação e pela sequência de tons. Uma raga é composta por uma série de motivos melódicos, baseados em uma escala definida de modos musicais de sete salmizações (Swara), que provêm uma estrutura básica em torno da qual os músicos tocam. Algumas ragas podem ser associadas às horas do dia e aos momentos do ano. Há 31 ragas no sistema sique, divididas em 14 ragas e 17 raginis (ragas menores, menos definidas). Dentro da divisão das ragas, as canções são arranjadas pela ordem dos gurus siques e bhagats aos quais eles são associados.
As ragas são, em ordem: Sri, Manjh, Gauri, Asa, Gujri, Devagandhari, Bihagara, Wadahans, Sorath, Dhanasri, Jaitsri, Todi, Bairari, Tilang, Suhi, Bilaval, Gondi, Ramkali, Nut-Narayan, Mali-Gaura, Maru, Tukhari, Kedara, Bhairav, Basant, Sarang, Malar, Kanra, Kalyan, Prabhati e Jaijawanti. Adicionalmente, há 22 composições de Vars (baladas tradicionais). Nove dessas ragas possuem ordem específica; no entanto, o restante pode ser cantado em qualquer toada.
Autores thumbnail|right|Mapa que mostra os lugares de nascimento dos vários autores com textos presentes no Guru Granth Sahib. A lista a seguir relaciona os autores cujos hinos estão presentes no Guru Granth Sahib: Kabir Ravidas Namdev Bhagat Beni Bhagat Bhikhan Bhagat Dhanna Jayadeva Bhagat Parmanand Bhagat Pipa Ramananda Bhagat Sadhana Bhagat Sain Surdas Bhagat Trilochan Guru Nanak Guru Angad Guru Amar Das Ramkali Sadu Fariduddin Ganjshakar Guru Ram Das Guru Arjan Satta Doom Balvand Rai Bhatt Kalshar Bhatt Balh Bhatt Bhalh Bhatt Bhika Bhatt Gayand Bhatt Harbans Bhatt Jalap Bhatt Kirat Bhatt Mathura Bhatt Nalh Bhatt Salh Guru Tegh Bahadur
Santidade entre os siques right|thumb|O Mool Mantar na escrita do Guru Har Rai.