O SMS Hertha foi um cruzador protegido operado pela Marinha Imperial Alemã e segunda embarcação da Classe Victoria Louise, depois do e seguido pelo , e . Sua construção começou em fevereiro de 1896 nos estaleiros da AG Vulcan e foi lançado ao mar em abril de 1897, sendo comissionado em julho de 1898. Era armado com uma bateria principal de dois canhões de 210 milímetros em duas torres de artilharia individuais, tinha um deslocamento de mais de seis mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de dezenove nós.

O Hertha passou seus primeiros seis anos de serviço ativo atuando no estrangeiro como parte da Esquadra da Ásia Oriental, que era baseada na Tsingtao na China. Participou em meados de 1900 da subjugação do Levante dos Boxers, contribuindo com uma equipe de desembarque que ajudou a capturar os Fortes de Taku e depois fez parte da Expedição de Seymour. Ficou viajando pela região e visitando vários portos pelos quatro anos seguintes, mas ao final de 1904 sua condição tinha deteriorado a ponte de precisar de uma grande manutenção e assim voltou para a Alemanha.

Chegou em 1905 e foi modernizado, sendo usado como navio-escola ao voltar ao serviço em 1908. Ele passou os anos seguintes realizando vários cruzeiros de treinamento, incluindo uma grande viagem para os Estados Unidos em 1909. O Hertha brevemente fez parte da Divisão do Mediterrâneo em 1912. A Primeira Guerra Mundial começou em 1914 e o cruzador foi mobilizado como parte do V Grupo de Reconhecimento, mas serviu nesta função apenas brevemente antes ser descomissionado em novembro. Depois disso foi usado como alojamento flutuante e desmontado em 1920.

Características

thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe Victoria Louise Elementos do alto comando naval alemão discordavam no início da década de 1890 sobre que tipos de cruzadores deveriam ser construídos para atender as necessidades da Marinha Imperial Alemã. Um lado preferia uma combinação de cruzadores de seis mil e de 1,5 mil toneladas, enquanto o outro lado defendia uma força uniforme de três mil toneladas. O primeiro lado venceu e três navios de seis mil toneladas foram autorizados em 1895, seguidos por mais dois no ano seguinte. A experiência da Marinha Imperial Japonesa na Primeira Guerra Sino-Japonesa mostrou os benefícios dos canhões de 210 milímetros, assim esta arma foi escolhida para a nova Classe Victoria Louise.

O Hertha tinha 110,6 metros de comprimento de fora a fora, boca de 17,4 metros e calado de 6,58 metros à vante. Tinha um deslocamento normal de toneladas e um deslocamento carregado de toneladas. Seu sistema de propulsão tinha onze caldeiras Belleville a carvão que alimentavam três motores verticais de tripla expansão com quatro cilindros, cada um girando uma hélice. A potência indicada de dez mil cavalos-vapor ( quilowatts) para uma velocidade máxima de dezenove nós (35 quilômetros por hora). Podia carregar até 950 toneladas de carvão, o que proporcionava uma autonomia de milhas náuticas ( quilômetros) a doze nós (22 quilômetros por hora). Sua tripulação era formada por 31 oficiais e 446 tripulantes.

O armamento principal era composto por dois canhões calibre 40 de 210 milímetros montados em duas torres de artilharia individuais, uma à vante e outra à ré. A bateria secundária tinha oito canhões calibre 40 de 149 milímetros, quatro em torres de artilharia individuais à meia-nau e os outros quatro em casamatas. A defesa contra barcos torpedeiros era formada por dez canhões calibre 30 de 88 milímetros e dez canhões Maxim de 37 milímetros. Por fim, foi equipado com três tubos de torpedo submersos de 450 milímetros, um na proa e um em cada lateral. A blindagem era feita de aço Krupp; o convés tinha cem milímetros de espessura com laterais inclinadas de quarenta milímetros. As torres de artilharia principais e secundárias tinham laterais de cem milímetros, mesma nível de proteção das casamatas. A torre de comando tinha laterais de 150 milímetros.

Modificações O Hertha passou por uma reconstrução entre 1906 e 1908. Esta incluiu a substituição de suas caldeiras e a redução do número de chaminés de três para duas. Seus mastros militares foram removidos e substituídos por mastros de poste, o que melhorou sua capacidade de virada. Dois canhões de 149 milímetros e todas as armas Maxim foram removidas, enquanto um novo canhão de 88 milímetros foi instalado junto com três canhões calibre 35 de 88 milímetros. O navio foi totalmente desarmado em 1916.

Carreira Início de serviço O Hertha foi nomeado em homenagem à predecessora fragata SMS Hertha, tendo sido encomendado sob o nome de contrato "K". Seu batimento de quilha ocorreu em 15 de fevereiro de 1896 nos estaleiros da AG Vulcan em Estetino, porém a montagem de alguns materiais já tinha começado em oficinas em 15 de outubro de 1895. Foi lançado ao mar em 14 de abril de 1897, tendo sido batizado pelo príncipe Luís da Baviera, filho mais velho de Leopoldo, Príncipe Regente da Baviera. Testes do sistema de propulsão começaram em 24 de abril de 1898, enquanto o navio ainda estava incompleto. O imperador Guilherme II da Alemanha foi inspecionar o cruzador em junho, seu interesse vindo parcialmente do papel que desempenhou no processo de projeto. O navio ainda incompleto foi para o Estaleiro Imperial de Kiel para passar por equipagem e, enquanto estava no local, foi levemente abalroado pelo ironclad SMS Baden. Foi comissionado em 23 de julho de 1898 para iniciar seus testes marítimos. Seu primeiro oficial comandante foi o capitão de fragata Guido von Usedom, Parte dos seus testes foram filmados por Oskar Messter com um cinetoscópio. Os testes iniciais revelaram problemas em suas caldeiras, mas mesmo assim ele foi enviado junto com o aviso SMS Hela para escoltar Guilherme a bordo de seu iate em uma viagem pelo Mar Mediterrâneo.

Deixou Kiel em 18 de setembro, parou em Gibraltar e então foi para Veneza na Itália em 4 de outubro, onde se encontrou com o Hohenzollern e Hela. Visitaram vários portos na região, incluindo Constantinopla, Jafa, Haifa, Beirute e Porto Said no Império Otomano. o Hertha foi destacado enquanto estava em Beirute em 11 de novembro e designado para substituir o antigo ironclad na Esquadra Internacional que tinha sido formada em resposta à Revolta de Creta. Entretanto, suas caldeiras tinham sofrido danos sérios durante a viagem por conta de seus defeitos de projeto, assim ele partiu em 14 de novembro para Gênova na Itália para reparos. Entrou no porto na noite dos dias 26 para 27 e bateu em um navio mercante que tinha se soldado de suas amarras devido a um forte vendaval. O convés superior do Hertha foi danificado e uma serviola arrancada. Ele então foi para os estaleiros da Gio. Ansaldo & C. para reparos. Enquanto estes ocorriam, a embarcação recebeu ordens para em seguida se juntar à Esquadra da Ásia Oriental.

Esquadra da Ásia Oriental thumb|240px|Desenho do Hertha em 1900 O Hertha realizou breves testes marítimos ao fim dos reparos para garantir que seu sistema de propulsão estava funcionando direito e em seguida partiu em 11 de abril de 1899 para o Sudeste Asiático. Parou em Singapura em 21 de maio e chegou em 8 de junho em Tsingtao, na possessão colonial alemã da Território Arrendado da Baía de Kiauchau, na China. Sua chegada permitiu que o ironclad voltasse para a Alemanha. Ao mesmo tempo, o contra-almirante Ernst Fritze, o segundo em comando da Esquadra da Ásia Oriental, temporariamente fez do cruzador sua capitânia. A embarcação então iniciou uma viagem pela região, algumas vezes com outros navios da esquadra, indo para o norte e depois para o sul até Amoy em 2 de novembro. Encontrou-se no local com seu irmão , que se tornou a nova capitânia de Fritze. O Hertha prosseguiu para Hong Kong junto com o ironclad , a capitânia da esquadra. O cruzador foi depois passar por sua manutenção periódica, que durou três meses, enquanto o Deutschland voltou para casa. O vice-almirante Felix von Bendemann, o comandante da esquadra, fez do Hertha sua capitânia em 17 de fevereiro de 1900.

Partiu no início de abril em uma viagem pelo Japão, onde foi visitado pelo imperador Meiji. A Esquadra da Ásia Oriental era formada na época pelo Hertha, o Hansa, os cruzadores protegidos e , e o cruzador desprotegido . Os cinco se encontraram em Tsingtao em 23 de abril e realizaram exercícios até o início de maio. Então se dispersaram em cruzeiros pela região; o Hertha e o Gefion navegaram pelo rio Yangtzé até Hankou. Todos retornaram para Tsingtao no final de maio. O Hertha iria navegar até Tientsin a fim de levar Bendemann e o barão Clemens von Ketteler, o ministro alemão na China, para uma visita à corte imperial, porém relatos sobre o Levante dos Boxers chegaram aos alemães em 29 de maio, fazendo-os cancelar a visita.

Levante dos Boxers

Europeus na região inicialmente não ficaram preocupados com o levante, mas a situação piorou e o vice-almirante britânico sir Edward Seymour entrou em contato com os outros comandantes navais europeus e pediu por uma reunião para discutir medidas que poderiam ser tomadas. Bendemann ordenou que sua esquadra, exceto o Irene que permaneceu para trás a fim de proteger Tsingtao, se encontrasse com os navios britânicos da Estação da China próximos de Taku, na foz do rio Hai. Os alemães chegaram em 8 de junho e Bendemann se encontrou com Seymour no dia seguinte. Os dois inicialmente não estabeleceram um plano de ação devido a falta de informações sobre a situação geral, pois a linha de telégrafo para as embaixadas em Pequim tinha sido cortada. Bendemann mesmo assim enviou um grupo de desembarque formado por cem homens oriundos de seus quatro navios com o objetivo de reforçar os homens em Tientsin, estes vindos da Aliança das Oito Nações, que tinha sido formada para combater os boxers.

thumb|240px|esquerda|Ilustração de Fritz Neumann da captura dos Fortes de Taku Seymour informou Bendemann pouco depois da meia-noite de 10 de junho sobre um telegrama que recebeu lhe informando sobre a situação crítica no Bairro das Legações em Pequim. Ele decidiu liderar uma força de tripulantes das embarcações europeias que marcharia para Pequim a fim de reforçar as guarnições. Bendemann contribuiu com vinte oficiais, dois médicos e 487 marinheiros para a Expedição de Seymour, aproximadamente um quarto da força internacional, que também incluía franceses, russos, italianos, austro-húngaros, japoneses e estadunidenses. A contribuição do Hertha foi de quatro oficiais e 120 marinheiros liderados por Usedom; a embarcação foi comandada pelo capitão-tenente Max Hecht, o oficial executivo, enquanto o capitão permaneceu em terra. Durante a expedição, Usedom substituiu o capitão John Jellicoe como chefe do estado-maior de Seymour depois de Jellicoe ter sido ferido em combate. A expedição fracassou depois de encontrar forte resistência chinesa tanto dos boxers quanto de soldados do governo. Enquanto isso, Bendemann, preocupado com a situação da expedição e sabendo sobre reforços chineses nos Fortes de Taku, defendeu uma ação e isto resultou na Batalha dos Fortes de Taku em 17 de junho. Ao mesmo tempo, os homens que inicialmente tinham desembarcado para defenderem Tientsin no dia 9 foram atacados, assim mais precisaram ser enviados; o Hertha contribuiu com sessenta homens e quatro suboficiais liderados pelo capitão-tenente Adolf von Trotha. A força de Seymour voltou a Tientsin em 23 de junho e reforçou o contingente ocupando a cidade. Confrontos continuaram até meados de julho, mas a maioria dos homens retornaram para seus navios até o dia 18.