O Nacional Fast Clube, mais conhecido como Fast Clube, é um clube esportivo brasileiro com sede na cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas. Foi fundado por dissidentes do Nacional, com quem exerce sua maior rivalidade no futebol, e ao lado deste e do Rio Negro faz parte do grupo dos três clubes mais tradicionais do futebol amazonense. É campeão de 7 edições do Campeonato Amazonense de Futebol, além de ter vencido o Torneio do Norte de 1970. As cores de seu uniforme são azul, vermelho e branco, remetendo à bandeira do Amazonas.

História O Fast Clube foi fundado em 8 de Julho de 1930, por uma ala de dissidentes do Nacional. A crise política no Nacional estava complicada, dias antes, em 5 de Julho, 27 associados pediram desligamento deste. Uma questão sobre a participação dos jogadores nas eleições estava estremecendo a unidade do clube azulino. Com o veto na participação dos atletas, gerou-se uma grande revolta, que acabou resultando no cisma. Sob a sombra dessa divergência, foi idealizado o Fast Clube.

A nova agremiação contou com os seguintes senhores no ato de sua fundação: Os atletas: José Lopes, Rodolpho Gonçalves (até então era capitão do Nacional), Frederico Gonçalves "Fredoca", Marculino da Silva Lopes, Humberto Peixoto, Arthur Meninéia, Leonardo Barbosa Lima, Orlando Medeiros, Eduardo Martins "Cangalhas", Orfeus Batista, Raimundo Batista, Luiz Batista e Socrates Batista. Os sócios fundadores: Vivaldo Palma Lima, Álvaro Leite de Oliveira, Elias Benayon, Miguel Nascimento Fonseca, Crisólogo Gastão de Oliveira e Oscar Rayol.

Teria sido Rodolpho, o capitão do time nacionalino, quem sugeriu em assembleia que os jogadores tivessem direito a voto, uma vez que também pagavam mensalidades. Porém, o então presidente do Nacional, Coronel Leopoldo Mattos, vetou essa participação. Havia a ideia de que os atletas estariam unidos em torno do nome de Vivaldo Lima para a presidência. Com a cisão e a fundação de uma nova entidade, Vivaldo Lima foi aclamado seu primeiro presidente.

O grupo dissidente considerava que a nova agremiação seria o próprio Nacional, trazendo o nome "Nacional" para o novo clube, adotando também a cor azul, as iniciais NFC e uma estrela como seu símbolo maior. Acontece que foram obrigados a fazer algumas diferenciações, assim o clube adicionou as cores vermelho e branco, passando a referenciar as cores da bandeira do estado do Amazonas. A estrela passou a ser dourada, sendo inserida no centro de um escudo, e não mais isolada. O nome completo da nova agremiação também deveria ser distinto, e como queriam manter as iniciais, resolveram consultar Carlos Mesquita, professor de língua inglesa no Gimnasyo Amazonense Dom Pedro II, que sugeriu que a letra "F" passasse a ser referência ao termo "Fast", que em inglês significa "rápido", fazendo uma analogia à rapidez e a destreza que os jogadores se apresentavam em campo.

O primeiro jogo O primeiro jogo que se tem registro do "Tricolor" foi um amistoso contra o Rio Negro, valendo a posse da Taça Sylvio Franco, realizado no Parque Amazonense. Esta partida foi realizada em 12 de Outubro de 1930 e vencida pelo Fast Clube por 2 a 1.

O início Por conta de suas origens, o clube já nascia com a premissa de ser uma força no futebol local. Ingressou na 1ª Divisão em 1932, temporada da qual já seria vice-campeão. Na década de 30 brigou pelo título em todos os anos, mas colecionou vice-campeonatos. Sua força o colocou em pé de igualdade com Nacional e Rio Negro, formando o "trio de ferro" do futebol amazonense.

Na década de 40 o tricolor continuou forte, mas continuava também esbarrando no 2º lugar. Na segunda metade desta década, o abandono do futebol pelo Rio Negro trouxe o Fast Clube para uma posição mais privilegiada, e este acabou conquistando um bicampeonato em 1948-49, se consolidando como uma potência local com nomes como Raul, Nêgo, Marcílio, Aurélio, Mário Torres, Waldemir Osório, Paulo Onety, Dedé e Zequinha, entre outros grandes jogadores. A década de 50 tinha tudo pra ser brilhante pra o "tricolor cintado" mas o surgimento do "América de Cláudio Coelho" deu ao clube mais três vice-campeonatos consecutivos, de 1950 a 53. Tantos vices geraram descontentamento e o clube se licenciou em 1954, para um retorno triunfal em 1955 onde bateu o próprio América e conquistou seu 3º título. Porém, Cláudio Coelho se tornou uma pedra no sapato fastiano. Agora no Auto Esporte, Coelho levou duas taças. Quando ele saiu para organizar o retorno do Rio Negro depois de 14 anos, o Fast Clube conquistou seu 4º título, em 1960. Um jogo que entrou para a histórica do Rolo Compressor nesta década foi contra a equipe do Sport Club do Recife, que veio para a inauguração dos refletores do Estádio da Colina. O jogo foi realizado em fevereiro de 1961, o Sport vinha de duas vitórias frente a São Raimundo e Santos. O Fast Clube, em uma tarde inspirada, venceu de 7x5. O restante da década de 60 se passou sem conquistas, mas foi no final dela que o clube iniciou sua melhor fase, numa grande rivalidade com o Nacional. Em 1967 e 68, em campeonatos de pontos corridos, perdeu o título nos detalhes. Mas o melhor estava por vir.

Anos 1970 A virada dos anos 60 para os 70 foram os melhores da história do "tricolor de aço", quando o industrial Jonas Martins Lopes assumiu a presidência, o clube viveu seus melhores anos. Depois dos vice-campeonatos consecutivos em 1968 e 69, o Fast foi bicampeão do Campeonato e também da Taça Amazonas. Em 70 venceu um campeonato de pontos corridos disputado ponto a ponto com Nacional, Rodoviária e Rio Negro. O título veio no último jogo, contra o Rio Negro:

25 de Outubro de 1970 - Fast Clube 3x1 Rio Negro - Parque Amazonense (11.273 pagantes)

O Time do jogo do título: Maneco, Antonio Piola, Casemiro, Zequinha Piola e Pompeu; Zezinho e Parada (Valdocir), Laércio, Afonso, Edson Piola e Adinamar Abib (Zequinha). Os gols foram de: Afonso, abrindo o marcador (40¹), Anízio empatando para o Rio Negro (3²), Laércio recolocado o Fast a frente (13²) e Afonso novamente, fechando o placar (45²). O "tricolor" fez 14 jogos, dos quais venceu 8, empatou 4 e perdeu 2.

em 1971 e perdeu o de 1972 para o Nacional. O clube seria o primeiro amazonense a jogar o Campeonato Brasileiro de Futebol, em 1971, quando, por ser campeão amazonense, jogaria a Série B, mas acabou se juntando a clubes e federações descontentes com a não inclusão na primeira divisão do futebol brasileiro e fez parte da disputa do Torneio de Integração Nacional, disputada em Goiás, e a vaga na Taça de Prata ficou com a Rodoviária.

A partir do seu último título em 1971, passou a figurar entre a 2ª e a 3ª posição do campeonato, num período de grande domínio dos seus dois grandes rivais, sendo finalista em 1977 e 78, garantindo assim sua estreia na elite do futebol nacional, por conta da ausência rionegrina.

Bicampeonato amazonense 70-71 No início dos anos 70 o clube conquistou seu 2º bicampeonato com o que é considerado o melhor time de sua história, conhecido como o "time dos irmãos Piola" que ganharam fama no Norte-Nordeste do país naquele período. Até os dias atuais este é considerado um dos melhores times da história do futebol amazonense. Em 1970, num campeonato de pontos corridos, superou o Nacional por um ponto. Em 1971 venceu a Rodoviária no último jogo de uma melhor de três, por 4x1, depois de dois empates em 0x0, e levantou sua sexta taça oficial. Naqueles dois anos, o faz disputou 29 jogos pelo Campeonato Amazonense de Futebol, sendo 18 vitórias, 7 empates e 4 derrotas.

Os times campeões, comandados pelo técnico Osvaldinho, foram: Em 1970 – Zé Carlos (Maneco) Antônio Piola, Casemiro, Zequinha Piola e Pompeu; Zezinho e Parada; Laércio, Afonso, Edson Piola e Adinamar Abib. Participaram da campanha, também: Ney, Valdocir, Itagiba, e Zequinha Paraense. Em 1971 – Marialvo (Zé Carlos), Antônio Piola, Casemiro, Zequinha Piola e Pompeu; Zezinho e Holanda; Mano, Afonso Edson Piola e Adinamar Abib. No elenco, estavam também: Formiga, Hélito, Melo, Barrote, Simão, Paulo Pernambucano, Marcos Pintado, Rangel, Ivo e Pibo.

Campeonato Brasileiro Estreou na Primeira Divisão do Futebol Brasileiro em 1977, muito em decorrência da desativação do futebol do Rio Negro, que era o dono da vaga por ser vice-campeão estadual em 1976. O clube era comandado pelos irmãos Piola, ídolos do clube no início da década, com Edson como presidente e Antônio como técnico. Os principais nomes do time para aquele campeonato foram o goleiro Iane Jaber, o meia Rolinha e o centroavante Dentinho. A estreia ocorreu em 17 de outubro de 1977, em jogo contra o Nacional, com mando do adversário no Estádio Vivaldo Lima, sendo derrotado por 2x0. Ao todo a equipe disputou 17 jogos, onde conseguiu 4 Vitórias, 2 Empates e 11 Derrotas; fez 22 e tomou 31, fazendo 9 gols negativos de saldo. Na classificação geral terminou na 24ª colocação.

Ainda disputou os brasileiros de 1978 e 1979 também sem grande êxito, tendo como vitória mais destacada um 2x1 aplicado no Fluminense em pleno Maracanã. Em três participações venceu 11 jogos, empatou 7 e perdeu 25, fez média de público pagante de 6.382 torcedores por cada um dos 21 jogos que atuou como mandante.

Jogos internacionais Em 1971 o Futebol Clube do Porto veio a Manaus fazer alguns amistosos, o Fast Clube enfrentou a equipe portuguesa no dia 17 de novembro em seu 1º jogo contra um clube do exterior, no Estádio Vivaldo Lima. O Porto venceu por 3 a 1. Apesar da grandeza do evento, apenas cerca de 8 mil torcedores pagaram para assistir o jogo. Ao decorrer dos anos o "tricolor de aço" fez mais algumas partidas contra equipes do exterior, todos no Estádio Vivaldo Lima:

17 de Novembro de 1971 - Fast Clube 1x3 Porto. 9 de Março de 1980 - Fast Clube 0x0 Cosmos de Nova Iorque. 8 de Julho de 1980 - Fast Clube 0x1 Seleção Polonesa de Futebol. 7 de Maio de 1981 - Fast Clube 1x0 Millonarios.

Na ocasião do confronto contra o Cosmos, o Fast Clube estabeleceu o recorde de público do futebol amazonense, com cerca de 54 mil pessoas, público que jamais será alcançando uma vez que o antigo estádio foi demolido, e a Arena da Amazônia, inaugurada em 2014, tem capacidade para 45 mil pessoas. O jogo de 9 de Março de 1980 parou Manaus, uma vez que o Cosmos era considerado o time com as principais estrelas do futebol mundial, como o tricampeão mundial Carlos Alberto Torres, o alemão Franz Beckenbauer, o ainda iniciante Romerito, e o italiano Giorgio Chinaglia. Para este jogo o "tricolor" contou com o também tricampeão mundial Clodoaldo.

1980 a 2005 A década iniciou com um 3º lugar no campeonato de 80, e um vice-campeonato em 81 novamente porque o Rio Negro saiu da competição. Em 82 voltou ao 3º lugar, e em 83 acabou sendo o pior time da competição. Depois, passou a alternar 3ºs e 4ºs lugares com campanhas péssimas, longe de qualquer protagonismo. Chegou a disputar duas edições do Campeonato Brasileiro de Futebol - Série B em 1980 e 81, com campanhas fraquíssimas. Depois disso, uma longa ausência no cenário nacional.

Em 91 novamente foi vice-campeão estadual, novamente porque o Rio Negro preferiu não disputar o campeonato. Foi o último suspiro de grandeza do clube antes de uma grande fase ruim iniciada com o último lugar em 92. Nos 13 anos que foram de 1992 até 2005 o Fast Clube teve seu pior momento em toda a sua história, colecionando péssimas posições e também deixando de participar por três oportunidades, a primeira vez em 1998, sua primeira ausência desde 1954. Ainda disputou o Campeonato Brasileiro de Futebol de 1996 - Série C, como convidado, num grupo com os grandes rivais Nacional e Rio Negro, acabou fazendo fraca campanha também.