O Atlético Rio Negro Clube (conhecido apenas como Rio Negro, cuja sigla é "ARNC") é um clube poliesportivo brasileiro, sediado em Manaus. Fundado em 13 de novembro de 1913 como “Athletic Rio Negro Club”, mais tarde rebatizado usando a grafia atual, o nome do clube é uma homenagem ao Rio Negro, um dos mais importantes do país. É um dos clubes mais tradicionais e importantes do Estado do Amazonas, no qual se destaca em diversas modalidades esportivas dentre as quais o vôlei e o futebol profissional.
Tem como principal apelido a alcunha de Barriga Preta, em alusão ao seu uniforme principal, que tem a camisa branca com uma faixa horizontal preta, e seu mascote é o Galo, que lhe rendeu outro apelido, o "Galo Gigante do Norte". Seu principal rival no futebol é o Nacional, com quem mantém o maior clássico do futebol amazonense e umas das maiores rivalidades do norte-brasileiro.
Ao longo de sua história no futebol, o Rio Negro possui 16 conquistas do Campeonato Amazonense de Futebol profissional, incluindo um tetracampeonato entre 1987 e 1990. E na poliesportividade, coleciona títulos nas mais diversas modalidades.
História thumb|right|180px|Schinda, ainda jovem, idealizador de um dos gigantes do futebol nortista, fundou o Rio Negro para o futebol baré.
Fundação do Rio Negro Shinda Uchôa, ainda um jovem de 16 anos, teve a ideia e insistiu com seus amigos para que criassem um clube. A insistência foi tanta, que no dia 13 de Novembro de 1913, às 16h, um grupo de rapazes se reuniu na residência de Manuel Afonso do Nascimento, na Rua Henrique Martins (hoje Lauro Cavalcante) para concretizar a ideia do jovem. Os jovens fizeram neste dia a ata de fundação e no meio da leitura do documento, o momento histórico foi brindado com vinho do porto, bebido em autênticas taças francesas de cristal bacará. Na mesma ocasião, foi realizada uma eleição e o primeiro presidente foi Edgar Lobão. Uchôa foi designado secretário, recebendo também o título de presidente de honra.
O brinde realizado durante o ato de sua fundação recebeu o nome de “Porto de Honra” e passou a se repetir nos aniversários do clube. Das doze taças originais, seis foram recuperadas pelo diretor cultural do clube, Abrahim Baze, que criou um museu para guardar a história do Rio Negro. Três delas são usadas no brinde atual pelo presidente mais duas autoridades escolhidas por ele durante o evento. Na casa onde o clube foi fundado, até pouco tempo atrás funcionou o Banco da Mulher, e de acordo com Abrahim Baze, o prédio ainda conserva a mesma arquitetura do início do século.
Um clube de garotos O Rio Negro foi idealizado por jovens, todos brasileiros, praticantes do esporte, principalmente do futebol, que ganhava popularidade entre os jovens manauaras. Dentre esses destacam-se: Schinda Uchôa - 16 anos. Depois mudou-se para o Rio de Janeiro. Voltou a Manaus e se tornou presidente de honra. Manol Affonso do Nascimento - Filho dos proprietários da residência onde foi fundado o clube. Edgar Lobão - 19 anos, o mais velho dentre os fundadores e o primeiro presidente. Deoclides de Carvalho Leal - foi atleta de vôlei do Rio Negro, depois chegou a ser vice-governador do estado do Amazonas. Ao todo, haviam 11 pessoas no momento de fundação, podemos citar que estavam também presentes: França Marinho, Raymundo Vieira, Leopoldo Neves, Basílio Falcão, Paulo Nascimento, João Falcão, Ascendino Bastos e Affonso Nogueira.
O nome thumb|left|180px|Rio Negro, que deu o nome ao clube. O nome do clube no início tinha a grafia “Athletic Rio Negro Club” o que remetia a muitos clubes de origem inglesa na cidade, hoje em dia a grafia foi aportuguesada para “Atlético Rio Negro Clube”. O nome do clube é uma homenagem clara ao rio do qual Manaus está situada a margem esquerda: o Rio Negro. Na história do clube consta que, no momento da fundação, os jovens que o fundaram estavam na casa que tinha vista para o grande Rio Negro, o que motivou a escolha do nome.
Início no futebol De 1914 a 1945 A primeira competição oficial de futebol disputada pelo Rio Negro foi o torneio da Liga Amazonense de Foot-ball (reconhecido como estadual) em 1914, apesar de já ter disputado muitos jogos. Este foi um campeonato muito ruim para a equipe alvinegra, sendo que neste ano sofreu as duas maiores goleadas da história no Clássico Rio-Nal. O time era formado por jovens ainda inexperientes no Futebol, que era um esporte ainda em crescente no mundo inteiro.
O primeiro título oficial foi a 2ª Divisão do Estadual em 1917. A nível de elite, a primeira conquista veio em 1921, quando conquistou o Campeonato Amazonense, pondo fim ao domínio do Nacional que havia conquistado os 5 últimos. No mesmo ano venceu o Torneio Interno do Dispensário Maçônico (torneio chancelado pela Federação Amazonense de Desportos Atléticos, equivalente a Copa Amazonas) após grande disputa com o Nacional. Por este último recebeu como troféu um escudo de prata. Polidesportivamente, o clube alvinegro já havia sido campeão da Liga de Baseball da Tranways em 1920.
Linhas de Ataque destacadas No período o clube barriga-preta teve linhas de ataque muito respeitadas no futebol amazonense: primeiro o "Ataque Demolidor" que foi campeão estadual de 1932, que contava com Ciro, Goiot, Vidinho, Raimundo Bandeira e Ofir Corrêa alternando com Adair Marques (O Príncipe). No ano de 1939 o galo revelava novamente um grandioso ataque, desta vez composto por Babá, Cláudio, Lé, Bezerra e Benjamim que ficaram conhecidos por “Os Granadeiros”.
Primeiro Título em 1921 O Rio Negro evoluiu rapidamente no futebol. Depois de um início amargo em 1914, o clube passou a brigar pela taça principal do futebol amazonense a partir de 1916. Apesar disso, viu nascer um grande rival que dominou as conquistas naqueles primeiros anos e coube ao "Galo" frear o adversário, conquistando assim seu primeiro título oficial e reconhecido em 1921. Esse adversário é o Nacional, que foi campeão de 1916 a 1920 mas após uma derrota no campeonato de 1921, decidiu por abandonar o campeonato. Tal confronto ocorreu em 1º de Maio (feriado), no Parque Amazonense e o time "barriga-preta" venceu por 4 a 2. Mais tarde outro clube desistiu após uma derrota para o "Galo", o Sporting, após ser goleado por 5 a 0. Os nomes que entraram para a história alvinegra como os primeiros campeões são: Manoelzinho; Mendonça e Santana; Evangelista, Castrinho e Pantaleão; Anízio, Rochinha, Pudico, Hermínio e Luiz Travassos.
1939 - Perdeu nos últimos minutos Em 1939 o Galo viveu um drama na reta final do campeonato. O jogo decisivo, no Parque Amazonense, como já era praxe na época, novamente foi contra o Nacional. O Rio Negro liderava a tabela e jogava por um empate, resultado que estava acontecendo até 30 minutos do 2º tempo, quando o juiz Tácito Moura marcou um pênalti para o adversário. Neste instante, o jogador rionegrino Cláudio Coelho, pegou a bola e prendeu a consigo, impedindo a continuação da partida. Com o chegar da noite, o jogo teve de ser suspenso pois o estádio não possuía iluminação.
A decisão foi parar no tribunal, onde foi determinado que os últimos 15 minutos do jogo fossem disputados, iniciando com a cobrança do pênalti a favor do Nacional. O pênalti foi convertido mas não demorou muito e o Rio Negro empatou enquanto os nacionalinos ainda comemoravam, com gol de Joel. O jogo permaneceu assim até que o tempo regulamentar já fosse dado como esgotado, o que daria o título ao time barriga-preta. A torcida já comemorava e se preparava para invadir o campo, quando no "apagar das luzes" o Nacional virou novamente e tirou do Rio Negro um título do qual ele esteve a segundos de conquistar. De 1945 a 1960 Em 1945 o clube seria campeão amazonense, após a descoberta de uma irregularidade do Nacional, que perderia pontos de uma partida contra o Olímpico e assim seria ultrapassado pelo time alvinegro. Na comemoração de mais um aniversário, em sua sede, no dia 13 de Novembro de 1945, após a punição ao Nacional, o clube recebeu o presidente da FADA, que apenas por sua palavra afirmou que o Rio Negro era de fato o campeão de 1945. Dias depois o rival recorreu e acabou revertendo a situação.
Depois de uma grande disputa extra-campo, o clube se viu derrotado nos tribunais mesmo após ter o título de campeão entregue em sua sede. A cúpula do clube, que muito elitizada já não via mais o futebol com bons olhos, resolveu tirar o clube dos torneios de futebol da Federação Amazonense de Desportos Atléticos (permaneceu nos quadros da mesma em outras modalidades).
Década de 1960 - Retorno Durante o afastamento, segundo Carlos Zamith, era unanimidade em Manaus de que "o futebol amazonense não podia viver sem o Rio Negro" pois sua ausência tirava a emoção e o entusiasmo dos campeonatos e consequentemente afastava o torcedor dos estádios. Em 1959 o político (então deputado estadual) e jornalista Josué Cláudio de Souza tomou a iniciativa de levar à presidência o projeto de retorno do clube ao futebol. O projeto foi aceito, contanto que o futebol passasse a ser autônomo e de responsabilidade de Josué. Este assumiu a responsabilidade e logo montou um elenco para o clube, que passou a disputar jogos em 1960. Em poucos anos, Josué fez do Rio Negro campeão estadual de 1962 e 1965.
1962 e o "Time de Heróis" Em 1962, no turno de classificação, o "galo" fez uma campanha mediana, se classificando em 4º lugar dentre 5 vagas. A fase final do campeonato foi disputada em Pentagonal (com cinco clubes) que se encerrou apenas em Janeiro de 1963. Coincidiu de Rio Negro e Nacional serem os únicos com chance de título na rodada de confronto direto, onde quem vencesse levaria a taça. A partida decisiva aconteceu em 12 de Janeiro de 1963, um dia antes do aniversário de 50 anos do clube azulino.
A final foi disputada no Parque Amazonense, com bom público. No primeiro tempo o jogo decorria em equilíbrio até que o juiz expulsou o jogador Lacinha, do Nacional. Eis que se iniciou um tumulto, envolvendo inclusive o governador do estado, Plínio Coelho, que também era presidente do Nacional. Coelho ameaçou que tiraria o time de campo por considerar a expulsão injusta. Logo depois, em um consenso geral inesperado (inclusive dos dirigentes do Rio Negro) o árbitro Dorval Medeiros jogou as regras do futebol para o alto, e permitiu que o jogador expulso fosse substituído. E assim se encerrou o primeiro tempo.
No segundo tempo os dois times voltaram com mais ímpeto e o "alvinegro" abriu o placar logos aos 4 minutos com gol de Thomaz. Aos 12, nova confusão, e desta vez o árbitro faz sinal de expulsar o defensor rionegrino Catita mas novamente volta atrás, porque Catita permaneceu em campo como se nada tivesse acontecido. Aos 26 após confusão na área, o Nacional empata, com Jayme Basílio, e outra confusão por conta das trocas de pontapés antes do empate. A luta seguiu empatada até que aos 35 minuto, Dermílson, que vinha se destacando na partida, marcou o gol da vitória. A torcida barriga-preta ficou eufórica, já que estavam odiosas do rival pelo fato do galo ter se afastado durante tanto tempo, carregando os campeões e seguindo de pés rumo à sede do clube na Praça da Saudade, onde já eram aguardados por uma multidão. No outro dia os jornais diziam "Rio Negro: campeão de fato e de direito"
Os jogadores campeões foram chamados de heróis, sendo eles: Chicão (que foi trocado por Pedro Brasil), Bololô e Mário; Fernando, Catita e Eudóxio; Horácio, Thomaz, Airton, Dermílson e Orlando Rabelo; No banco estavam Aderson, Luiz, Gravata, Marcondes, Rodrigo, Machado e Ismaelino; Técnico: Cláudio Coelho
Ainda em 1962 o Rio Negro fez uma excursão pelo Pará e Maranhão, fez um total de 6 jogos, saindo invicto, sendo que os resultados dos quais se tem conhecimento são: 2x2 Paysandu em Belém e 2x1 no Sampaio Corrêa no Maranhão.
1964: A profissionalização