Controle de Objetivos para Informação e Tecnologias Relacionadas (do inglês: Control Objectives for Information and Related Technologies) mais conhecido pela abreviação COBIT, é um guia ou conjunto de boas práticas (framework) sobre Governança de Tecnologia de Informação (GTI) empresarial, criado em 1996 pela ISACA (Associação de Auditoria e Controle de Sistemas de Informação), para gerenciamento dos recursos e ferramentas tecnológicas da empresa.

Possui uma série de recursos que servem como um modelo de referência para governança da TI e do negócio, incluindo um sumário executivo, um framework, objetivos de controle, mapas de auditoria, ferramentas para a sua implementação e principalmente, técnicas de gerenciamento. Especialistas em gestão e institutos independentes recomendam o uso do COBIT como meio para optimizar os investimentos em TI, melhorando o retorno sobre o investimento (ROI), fornecendo métricas para avaliação dos resultados (Key Performance Indicators KPI, Key Goal Indicators KGI e Critical Success Factors CSF).

O COBIT é independente das plataformas adotadas nas empresas, do tipo de negócio e da participação que a tecnologia da informação tem na cadeia produtiva da empresa.

Histórico A ISACA lançou o COBIT em 1996. Originalmente, um conjunto de objetivos de controle para ajudar a comunidade de auditoria financeira a lidar melhor com ambientes relacionados à TI. Era inicialmente denominado "Control Objectives for Information and Related Technologies", embora antes do lançamento do quadro as pessoas o chamassem de "CobiT" como "Control Objectives for IT" ou "Control Objectives for Information and Related Technology." O framework define um conjunto de processos genéricos para o gerenciamento de TI, com cada processo definido em conjunto com entradas e saídas do processo, key process-activities (KPAs), objetivos de processo, medidas de desempenho e um modelo de maturidade elementar. COBIT também fornece um conjunto de recomendadas boas práticas para o processo de governança e controle de sistemas de informação e tecnologia com a essência de alinhar a TI com o negócio. O COBIT 5 consolida COBIT 4.1, Val IT e Risk IT em uma única estrutura atuando como uma estrutura corporativa alinhada e interoperável com outros frameworks e padrões.

Percebendo valor na expansão desse mesmo framework além do domínio da auditoria, a ISACA lançou uma versão mais ampla, a 2 em 1998 e expandiu ainda mais, adicionando diretrizes de gerenciamento na versão 3 na década de 2000. O desenvolvimento de ambos os padrões [AS 8015]: Australian Standard for Corporate Governance of Information and Communication Technology em janeiro de 2005 e o padrão mais internacional ISO/IEC DIS 29382 (que logo se tornou ISO/IEC 38500 em janeiro de 2007) aumentaram a conscientização sobre a necessidade de mais componentes de governança em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Inevitavelmente a ISACA adicionou componentes/frameworks relacionados com as versões 4 e 4.1 em 2005 e 2007, respectivamente, "abordando os processos e responsabilidades de negócios relacionados à TI na criação de valor (Val IT) e gerenciamento de risco (Risk IT)."Nova versão do Cobit apoia regulamentações - Computerworld

O COBIT 5, liberado em 2012, é a atual versão do framework. Uma das principais alterações em relação ao COBIT 4.1 é a integração com outros conjuntos de boas práticas e metodologias, como padrões ISO, ITIL, dentre outros.

O COBIT 5 foi construído e integrado com base em 20 anos de desenvolvimento neste campo de atuação. Desde os seus primórdios, centrado na comunidade de auditoria de TI, o COBIT se tornou um framework de Governança e Gerenciamento de TI mais abrangente, compreensivo e aceito. O COBIT 5 foi adicionalmente complementado com os frameworks Val IT e Risk IT. Antes do COBIT 5, o Val IT endereçava processos de negócio e responsabilidades na criação de valor empresarial e o Risk IT fornecia uma visão de negócio holística sobre o gerenciamento de riscos. Agora, ambos estão incorporados ao COBIT 5.

Em abril de 2019, foi lançada a versão atual do COBIT, com a denominação COBIT 2019, onde uma das principais atualizações são as orientações que permitem a personalização da governança de TI, ou seja, as diretrizes estão mais livres, alinhadas de acordo com as demandas de cada organização.

Framework e componentes A orientação do COBIT aos negócios consiste em vincular metas comerciais à objetivos de TI, fornecendo métricas e modelos de maturidade para medir sua conquista e identificando as responsabilidades associadas dos proprietários de processos comerciais e de TI.

O foco do processo do COBIT é ilustrado por um modelo de processo que subdivide TI em 4 domínios (Planejar e Organizar, Adquirir e Implementar, Entregar e Suportar e Monitorar e Avaliar) e 34 processos em linha com as áreas de responsabilidade de planejar, construir, executar e monitorar. Está posicionado em um nível alto e foi alinhado e harmonizado com outros padrões de TI mais detalhados e boas práticas, tais como COSO, ITIL, BiSL, ISO 27000, CMMI, TOGAF e PMBOK. A metodologia COBIT atua integrando esses diferentes guias, resumindo os principais objetivos em um único 'framework guarda-chuva' que vincula os modelos de boas práticas com os requisitos de governança e negócios. O COBIT 5 consolidou e integrou os frameworks COBIT 4.1, Val IT 2.0 e Risk IT e atraiu o IT Assurance Framework da ISACA (ITAF) e o Business Model for Information Security (BMIS).

O framework e seus componentes podem, quando bem utilizados, também contribuir para garantir a conformidade regulamentar. Ele pode encorajar o menor gerenciamento de informações menos importantes, melhorar a fixação de cronogramas, aumentar a agilidade nos negócios e reduzir os custos, melhorando o cumprimento das normas de salvaguarda de dados e gerenciamento.

Os componentes COBIT incluem: Framework: organiza objetivos de Governança de TI e boas práticas por domínios e processos de TI e os conecta à requisitos de negócios; Descrição do processo: modelo de processo de referência e linguagem comum para todos na organização. Os processos mapeiam as áreas responsáveis por planejar, construir, executar e monitorar; Objetivos de controle: fornece um conjunto completo de requisitos de alto nível a serem considerados pelo gerenciamento para o controle efetivo de cada processo de TI; Diretrizes de gerenciamento: ajuda a atribuir responsabilidade, concordar com os objetivos, medir o desempenho e ilustrar a inter-relação com outros processos; Modelos de maturidade: avalia a maturidade e a capacidade por processo e ajuda a resolver lacunas.

O cubo do Cobit É o modelo que representa como os componentes se inter-relacionam:thumb|cubo do COBIT

Critérios de Informação ou Requisitos de Negócio Efetividade: informação relevante e pertinente para o processo de negócio, bem como entregue em tempo, de maneira correta, consistente e utilizável.

Eficiência: entrega da informação através do melhor uso dos recursos, de forma mais produtiva e econômica.

Confidencialidade: proteção das informações confidenciais a fim de se evitar sua divulgação indevida. Integridade: fidedignidade e totalidade da informação, bem como sua validade para o negócio. Disponibilidade: informação acessível e utilizável quando exigida pelo negócio. Também possui relação com a salvaguarda dos recursos necessários e sua capacidade. Conformidade: aderência a leis, regulamentos e obrigações contratuais relacionadas ao negócio. Confiabilidade: entrega da informação apropriada para tomada de decisão.

Recursos de TI Aplicações: sistemas de informação usados na organização Infraestrutura: tecnologia utilizada, como os equipamentos, sistemas operacionais, redes de comunicação de dados que processam as aplicações Informações: são os dados em todas as suas formas utilizados nos sistemas de informação e usados pelos processos de negócios Pessoas: as pessoas requeridas para planejar, organizar, adquirir, entregar, dar suporte e monitorar os aplicativos, processos e serviços de TI

Processos de TI Domínios Processos Atividades

Versões

Cobit 4.1

Estrutura Cobit cobre 4 domínios, os quais possuem 34 processos, e estes processos possuem 210 objetivos de controle:Cobit 4.1, IT Governance Institute, 2007.

Planejar e Organizar Adquirir e Implementar Entregar e Suportar Monitorar e Avaliar

Cada processo do Cobit deve descrever as seguintes características:

Nome do processo Descrição do processo Critérios de informação Declaração genérica de ações Indicadores de performance Recursos de TI envolvidos Objetivos de controle detalhados Diretrizes de gerenciamento Entradas Saídas Matrizes de responsabilidade Objetivos e métricas Modelo de maturidade

Tabela genérica de Objetivos de TI.

Objetivos de TI

1

Responder aos requerimentos de negócios de maneira alinhada com a estratégia de negócios.

2

Responder aos requerimentos de governança em linha com a Alta Direção.

3

Assegurar a satisfação dos usuários.

4

Otimizar o uso da informação.

5

Criar agilidade para TI.

6

Definir como funções de negócios e requerimentos de controles são convertidos em soluções automatizadas efetivas e eficientes.

7

Adquirir e manter sistemas aplicativos integrados e padronizados.

8

Adquirir e manter uma infraestrutura de TI integrada e padronizada.

9

Adquirir e manter habilidades de TI que atendam as estratégias de TI.

10

Assegurar a satisfação mútua no relacionamento com terceiros.

11

Assegurar a integração dos aplicativos com os processos de negócios.

12

Assegurar a transparência e o entendimento dos custos, benefícios, estratégia, políticas e níveis de serviços de TI.

13

Assegurar apropriado uso e a performance das soluções de aplicativos e de tecnologia.

14

Responsabilizar e proteger todos os ativos de TI.

15

Otimizar a infraestrutura, recursos e capacidades de TI.

16

Reduzir os defeitos e retrabalhos na entrega de serviços e soluções.

17

Proteger os resultados alcançados pelos objetivos de TI.

18

Estabelecer claramente os impactos para os negócios resultantes de riscos de objetivos e recursos de TI.

19

Assegurar que informações confidenciais e críticas são protegidas daqueles que não deveriam ter acesso às mesmas.

20

Assegurar que transações automatizadas de negócios e trocas de informações podem ser confiáveis.

21

Assegurar que os serviços e infraestrutura de TI podem resistir e recuperar-se de falhas devido a erros, ataques deliberados ou desastres.

22

Assegurar o mínimo impacto para os negócios no caso de uma parada ou mudança nos serviços de TI.

23

Garantir que os serviços de TI fiquem disponíveis de acordo com o requerido.

24

Aprimorar a eficiência dos custos de TI e sua contribuição para a lucratividade dos negócios.

25

Entregar projetos no tempo certo dentro do orçamento e com os padrões de qualidade esperados.

26

Manter a integridade da informação e da infraestrutura de processamento.

27

Assegurar a conformidade de TI com leis, regulamentos e contratos.

28

Assegurar que a TI ofereça serviços de qualidade com custo eficiente, com contínuo aprimoramento e preparação para mudanças futuras.

Planejar e Organizar <p align="justify" style="text-indent: 1cm; margin-bottom: 0.40cm; line-height: 160%">O domínio de Planejamento e Organização cobre o uso de informação e tecnologia e como isso pode ser usado para que a empresa atinja seus objetivos e metas. Ele também salienta que a forma organizacional e a infraestrutura da TI devem ser consideradas para que se atinjam resultados ótimos e para que se gerem benefícios do seu uso. A tabela seguinte lista os processos de TI para o domínio do Planejamento e Organização.

PROCESSOS DE TI Planejar e Organizar