Macedónia (região) 250px    Macedónia (Grécia)    Macedónia do Norte

Entre 1991 e 2019 ocorreu uma disputa sobre o nome da Macedônia, entre a Grécia e aquela que é agora conhecida como Macedônia do Norte. Até que uma solução fosse encontrada, a referência provisória "Antiga República Iugoslava da Macedônia" era usada por várias organizações internacionais e Estados, que podia ser referida antes do acordo como FYROM, um acrônimo da língua inglesa para Former Yugoslav Republic of Macedonia, que significa Antiga República Iugoslava da Macedônia (no Brasil) ou Antiga República Jugoslava da Macedónia (em Portugal).

Esta denominação é fruto da pressão exercida pela Grécia nos organismos internacionais, argumentando que o termo Macedônia/Macedónia refere-se a uma região em seu território e que ao usá-lo para nomear a antiga república iugoslava poderia suscitar reclamações territoriais consideradas inaceitáveis.FLOUDAS, Demetrius Andreas;

Desta forma, a Grécia só concordou com a admissão da Macedônia do Norte (nome constitucional) na Organização das Nações Unidas sob o nome provisório de "Antiga República Jugoslava da Macedónia" () e assim a Macedónia tornou-se membro em 1993.

As disputas sobre o uso do topônimo Macedônia/Macedónia continuam acesas entre greco-macedônios e eslavo-macedônios, mantendo-se a obrigatoriedade de usar a sigla FYROM como nome oficial da Antiga República Iugoslava da Macedônia.

A maioria das organizações internacionais adoptou a mesma convenção de nome, inclusive a OTAN, o FMI e o COI. Porém, um número crescente de países têm abandonado a referência provisória da ONU, inclusive três dos cinco membros permanentes do conselho de segurança da ONU: Estados Unidos, Rússia e China. Noventa países já reconhecem o país como "República da Macedónia" ou simplesmente "Macedónia".

Em 12 de junho de 2018, o primeiro-ministro da Grécia anunciou um acordo com o primeiro-ministro da Macedônia. Em 17 de julho de 2018, ocorreu o Acordo de Prespa, assinado pelos dois primeiros-ministros. Para que a modificação do nome seja aceite, o acordo ainda deve ser ratificado pelo legislativos de seus respectivos países.

Controvérsia e conflito direita|thumb|upright=1.2|Bandeira usada pela Macedônia do norte, de 1992 a 1995 O território da atual Macedônia do norte foi anteriormente parte da Rumélia, província do Império Otomano até 1913. Em 1893, um movimento revolucionário pela libertação da Macedônia como uma entidade territorial separada começou, resultando no Levante Ilinden em 2 de agosto de 1903 (dia de Santo Elias). O fracasso do Levante Ilinden provocou uma mudança na estratégia da Organização Revolucionária Interna Macedônia, passando do revolucionário para o institucional. O movimento dividiu-se em dois ramos (um lutando pela Macedônia autônoma dentro do Império Otomano ou numa federação balcânica liderado por Jane Sandansky, e um segundo ramo apoiando a inclusão da Macedônia na Bulgária). Depois do Levante Ilinden, o movimento revolucionário cessou e abriu espaço para esquadrões sérvios, búlgaros e gregos no território da Macedônia. Estes esquadrões, frequentemente apoiados pela população local, com frequência atacavam o exército turco, colaborando para o colapso do Império Otomano. A situação de conflito de 1912 resultou na Primeira Guerra Balcânica, e a maior parte da Europa Otomana, inclusive o território da Macedônia, foi libertada dos otomanos.

thumb|upright=1.2|Bandeira atual da Macedônia do norte Em 1913, a Segunda Guerra Balcânica deixou como resultado a divisão da maior parte do território europeu do Império Otomano em quatro partes, entre Grécia, Sérvia, Bulgária e Albânia. A atual Macedônia do norte foi então incluída na Sérvia. Em 1914, começou a Primeira Guerra Mundial e a Bulgária ocupou a Macedônia oriental e Vardar Macedônia, auxiliada pela Áustria-Hungria, derrotando os sérvios e criando um front em torno da parte grega da Macedônia. Portanto, a atual Macedônia do norte era parte da Bulgária entre 1915-1918. Depois que a Bulgária assinou a capitulação, as fronteiras retornaram, com pequenos ajustes, à situação de 1913, e a atual Macedônia do norte tornou-se parte do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos. Este período viu o primeiro reconhecimento da nação macedônia, pela Liga dos Comunistas da Iugoslávia, no terceiro congresso em Viena em 1926 e em 1936 Josip Broz Tito assumiu a liderança da Liga dos Comunistas da Iugoslávia. O Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos mudou seu nome em 1929 para Reino da Iugoslávia e a atual Macedônia do norte foi incluída junto com a Sérvia do sul na província chamada Vardar Banovina.

O Reino da Iugoslávia deixou de existir em 1941 como consequência da Segunda Guerra Mundial. A Bulgária, como parte do Eixo, avançou dentro do território da atual Macedônia do norte e na província grega da Macedônia. O território da atual Macedônia do norte foi então incluído na Albânia búlgara e italiana.

thumb|upright=1.2|Bandeira da Região grega da Macedônia com o Sol de Vergina O Movimento de Libertação Nacional da Macedônia começou oficialmente em 1941 no território da atual Macedônia do Norte. Em 2 de agosto de 1941 (dia de Santo Elias), homenageando os rebeldes do Levante Ilinden, a assembleia do povo constituiu o Estado macedônio como um estado federal dentro da estrutura da futura federação iugoslava. Em 1946, a República Socialista da Macedônia foi estabelecida como parte federal da recém-proclamada República Socialista Federativa da Iugoslávia, sob a liderança de Josip Broz Tito.

A questão do nome da república imediatamente gerou controvérsia com a Grécia, com preocupações sobre uma possível reivindicação territorial sobre a região costeira grega da Macedônia. O governo americano de Roosevelt expressou a mesma preocupação por Edward Stettinius em 1944.Quote a possible cloak for aggressive intentions against Greece ,from Wikiquote q:Edward R. Stettinius A imprensa grega e o governo grego de Andreas Papandreou continuaram a expressar a preocupação acima confrontando a visão da Iugoslávia durante os anos 1980 e as revoluções de 1989.

Em 1995, com a mediação da ONU, Grécia e Macedônia celebraram um acordo no qual, até que a questão do nome da república fosse definitivamente resolvida, a Grécia não poderia impedir a Macedônia de aderir a organismos internacionais, sendo que a mesma deveria usar o acrônimo FYROM.

Entretanto, em 2008, a Grécia impediu a OTAN de convidar a Macedônia a aderir-lhe. Com este fato, a Macedônia interpelou a Corte Internacional de Justiça que, em 05 de dezembro de 2011, decidiu que a conduta grega não poderia se repetir.

Instada a se manifestar, a OTAN disse que não irá convidar a Macedônia a ingressar em seus quadros até que a questão do nome esteja definitivamente resolvida.

Posição grega O nome constitucional do país Macedônia do norte e o nome abreviado Macedônia quando referido ao país, pode ser considerado ofensivo pela maioria dos gregos, especialmente pelos habitantes da região grega da Macedônia. O governo grego oficialmente usa os termos eslavo-macedônios tanto para descrever a língua quanto os membros do grupo étnico, e a referência provisória da Organização das Nações Unidas para o país (the former Yugoslav Republic of Macedonia, que significa antiga República Iugoslava da Macedônia) pelas principais organizações internacionais, inclusive a ONU. As razões oficiais para isso, como descrito pelo ministro grego das relações internacionais, são:

O primeiro-ministro e líder do partido grego Movimento Socialista Pan-helénico (PASOK), George Papandreou declarou em janeiro de 2002, quando ele era ministro das relações exteriores, estava próximo a um acordo com a liderança de Skopje sobre o uso de 'Горна Македонија' ('Gorna Makedonija' - "Macedônia Superior" em eslavo-macedônio). Os outros partidos e os ex-presidentes da república, disse ele, foram informados, mas o processo de solução não funcionou devido ao conflito macedônico de 2001.

As preocupações gregas podem ser analisadas como segue:

Preocupações históricas thumb|esquerda|upright=1.5|Greco-macedônios protestam em Melbourne em abril de 2007, carregando símbolos descritivos das preocupações históricas sobre a disputa do nome e outros com o Sol de Vergina.

Os gregos argumentam que o nome Macedônia é historicamente inseparável da cultura grega, desde o antigo Reino da Macedônia e dos antigos macedônios. Eles portanto consideram que somente os gregos têm o direito histórico de usar o nome atualmente, uma vez que os modernos eslavos do sul chegaram à região mil anos após aquele reino, não tendo nenhuma relação com os antigos Macedônios ou com a cultura grega.

Esforços por eslavo-macedônios para construir uma narrativa de continuidade étnica ligando-os aos antigos Macedônios de várias maneiras e as ações simbólicas de tais reivindicações, tal como o uso público do Sol de Vergina como bandeira da Macedônia do norte, ou a renomeação do aeroporto de Skopie como "Aeroporto Alexandre o Grande" enfrentam grande crítica do lado grego, muito da mídia internacional que trata da assunto, e mesmo de visões políticas moderadas na própria Macedônia do norte.Kiro Gligorov, primeiro presidente da Macedônia do norte: Nós somos eslavos que vieram à esta área no século VI [...] nós não somos descendentes dos antigos Macedônios". (Foreign Information Service Daily Report, Eastern Europe, 26 de fevereiro de 1992, p. 35) - "Nós somos Macedônios mas somos eslavo-macedônios. Isto é o que nós somos! Nós não temos conexão com Alexandre o Grande e sua Macedônia [...] Os nossos ancestrais vieram para cá nos séculos V e VI (d.C.) (Toronto Star, 15 de março de 1992Gyordan Veselinov, diplomata da Macedônia do norte: Nós não somos relacionados aos gregos do norte que produziram líderes como Filipe e Alexandre o Grande. Nós somos um povo eslavo e nossa linguagem é relacionada proximamente ao búlgaro[...] Há alguma confusão sobre a identidade do povo de meu país (Ottawa Citizen, 24 de fevereiro de 1999)Denko Maleski, ministro do exterior da Macedônia de 1991 a 1993, e embaixador nas Nações Unidas de 1993 a 1997: A ideia que Alexandre o Grande pertence a nós, estava na mente de alguns grupos políticos somente! Estes grupos eram insignificantes nos primeiros anos de nossa independência mas o grande problema é que as velhas nações balcânicas aprenderam a legitimar-se por sua história. Nos Bálcãs, se você quer ser reconhecido como nação, você precisa ter 3000 anos de história. Assim se você nos faz inventar uma história, nós a inventamos![...] Vocês nos forçaram às armas dos nacionalistas extremos que hoje reivindicam que nós somos descendentes de Alexandre o Grande! (Numa entrevista para o canal de TV Grega Mega, novembro de 2006) De acordo com notícias em jornais, há planos para uma estátua de oito andares de altura de Alexandre o Grande a cavalo a ser construída no centro da cidade de Skopie. A Grécia tem caracterizado o esforço, como o ministério do exterior comentando sobre o tamanho da estátua como inversamente proporcional à seriedade e à verdade histórica. O projeto recebeu críticas pela União Europeia, chamando-o "não colaborativo" bem como de arquitetos e acadêmicos eslavo-macedônios e políticos comentando sobre o resultado anti-estético e semântico de tal ação.

Alguns gregos enfatizam a tardia emergência da nação macedônia, frequentemente apontando a 1944 como a data de sua artificial criação sob Josip Broz Tito, descontando raízes anteriores nos séculos XIX e início do .DANFORTH, Loring, The Macedonian Conflict: Ethnic Nationalism in a Transnational World, p. 56 A visão grega também reforça que o nome Macedônia é um termo geográfica e historicamente usado para referir-se à parte sul e grega da região, e não ou apenas marginalmente ao território da atual república. Eles também notam que o território não foi chamado de Macedônia como entidade política até 1944.