miniaturadaimagem|281x281px|Bandeira da Ação Integralista Brasileira

Integralismo brasileiro é uma ideologia política de extrema-direita de caráter nacionalista e fascista, desenvolvida pelo escritor brasileiro Plínio Salgado no início da década de 1930 e que se agregou, a princípio, na Sociedade de Estudos Políticos, e, a partir da publicação do Manifesto de Outubro de 1932, na Ação Integralista Brasileira (AIB).

Em seus quase cem anos de história, o integralismo atravessou diversas fases e ciclos, refletindo as transformações políticas, sociais e culturais do Brasil. Fundado em 1932 por Plínio Salgado, o movimento inspirou-se nas ideologias fascistas da Europa, adaptando-as ao contexto brasileiro. Durante a década de 1930, o integralismo ganhou considerável influência, alcançando seu auge em 1937.

O movimento adotava como símbolo a letra grega sigma (Σ), em uma bandeira de fundo azul, e defendia pautas como o nacionalismo, o patriotismo, o espiritualismo, a democracia orgânica corporativista e Estado confessional católico.

História O integralismo tem sido representado por sucessivas agremiações desde 1932 e tem tido papel predominante em vários episódios da História brasileira, como no Golpe de 1937 e no Golpe de Estado no Brasil em 1964. Surgiu com a Ação Integralista Brasileira. Após o Estado Novo, seus membros se reagruparam no Partido de Representação Popular, posteriormente fechado pelo Ato Institucional n.º 2. Os remanescentes em geral uniram-se à Aliança Renovadora Nacional. A partir da década de 1970, houve inúmeros esforços na tentativa de recriar o movimento integralista brasileiro, como a Casa de Plínio Salgado (CPS), o Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA) e a Frente Integralista Brasileira (FIB), que representa a principal unidade do movimento integralista no Brasil.

Há ampla discussão sobre as proximidades do integralismo com o fascismo de Benito Mussolini. Embora tenha se distanciado em suas versões mais tardias, o movimento de Salgado surgiu com influências da contraparte italiana. Ademais, em seu início o integralismo recebeu financiamento do fascismo italiano. Batalha da Praça da Sé

miniaturadaimagem|Integralistas carregam companheiro ferido durante a Batalha da Praça da Sé, em 1934 A Batalha da Praça da Sé foi um conflito entre antifascistas e integralistas no centro da cidade de São Paulo no dia 7 de outubro de 1934. A Ação Integralista Brasileira (AIB) havia marcado para aquele dia um comício em comemoração aos dois anos do Manifesto Integralista, e, tão logo souberam dessa intenção, os antifascistas da capital paulista se organizaram para impedir a realização do evento

Alguns enfrentamentos menores ocorrem, ainda nesse momento sem muita gravidade. Os integralistas tomam as escadarias da Catedral da Sé, quando repentinamente uma rajada de metralhadora se faz sentir. Até hoje não se sabe quem disparou, mas um dos tiros atinge Mario Pedrosa, que consegue ser retirado da batalha por Fúlvio Abramo. Tomba morto o jovem comunista Décio de Oliveira. A partir de então, os distintos grupos que estavam espalhados pela região entram em enfrentamento direto com os integralistas. Ainda que sem uma direção centralizada, todas as forças da esquerda paulista participaram do conflito em especial a Frente Única Antifascista (FUA), que resultou em sete mortos — sendo eles um estudante antifascista, três integralistas, dois agentes policiais e um guarda civil — e cerca de trinta feridos. Para as esquerdas, esse evento tornou-se um símbolo da luta antifascista e contra os elementos reacionários da política nacional.

A Batalha da Praça da Sé é considerada um dos episódios mais violentos da história política do Brasil. O evento ocorreu em um momento de grande efervescência política no país, com a ascensão do fascismo na Europa e a crescente influência do comunismo no Brasil. O confronto entre integralistas e socialistas refletiu a polarização política que marcou o período.

Repercussão Ao final do dia, de acordo com o relato de Fúlvio se podiam ver as camisas verde dos integralistas espalhadas pela Praça da Sé. Plínio Salgado, que não saiu da sede da Ação Integralista, recebe a notícia da debandada. A força pública teve um saldo de seis agentes mortos e vários feridos. Quanto aos integralistas não se tem o número preciso. O grosso do contingente integralista saiu em disparada da praça abandonando seus uniformes verdes por vários pontos da cidade, daí o nome “A Revoada dos Galinhas Verdes”.

Uma testemunha da época assim descreveu a cena: “Despiam as camisas mesmo correndo. Naquela capital do inferno em que se transformara a Praça da Sé, desabusada e corajosamente, rindo, um antifascista, Vitalino, carroceiro, dono de um ferro-velho, divertia-se, ajudando-os a despi-las. Tempos depois, vangloriava-se de possuir, como recordação, em sua casa, mais de uma dúzia delas, guardadas como troféus de um momento histórico”. Diante desta fuga desorganizada, o humorista comunista Barão de Itararé ironizou: “Um integralista não corre, voa”. Levando a criação de uma marchinha Galinha Verde, de autoria de José Gonçalves e André Gargalhada, e interpretada pela cantora Marilu.

Princípios Para a constituição do Manifesto de Outubro, Plínio Salgado redigiu e apresentou nove princípios básicos norteadores da doutrina a ser formada na Sociedade de Estudos Políticos:

"Somos pela unidade da Nação. Somos pela expressão de todas as suas forças produtoras no Estado. Somos pela implantação do princípio da autoridade, desde que ele traduza forças reais e diretas dos agentes da produção material, intelectual e da expressão moral do nosso povo. Somos pela consulta das tradições históricas e das circunstâncias geográficas, climatéricas e econômicas que distinguem nosso País. Somos por um programa de coordenação de todas as classes produtoras. Somos por um ideal de justiça humana, que realize o máximo de aproveitamento dos meios de produção, em benefício de todos, sem atentar contra o princípio da propriedade, ferido tanto pelo socialismo, como pelo democratismo, nas expressões que aquele dá à coletividade e este ao indivíduo. Somos contrários a toda tirania exercida pelo Estado contra o Indivíduo e as suas projeções morais; somos contra a tirania dos Indivíduos contra a ação do Estado e os superiores interesses da Nação. Somos contrários a todas as doutrinas que pretendem criar privilégios de raças, de classes, de indivíduos, grupos financeiros ou partidários, mantenedores de oligarquias econômicas ou políticas. Somos pela afirmação do pensamento político brasileiro baseado nas realidades da terra, nas circunstâncias do mundo contemporâneo, nas superiores finalidades do Homem e no aproveitamento das conquistas científicas e técnicas do nosso século."

Filosofia esquerda|miniaturadaimagem|Plínio Salgado, político, escritor, jornalista e teólogo, fundou o movimento integralista e foi nomeado Chefe Perpétuo da Revolução Integralista pelo Congresso de Vitória da Ação Integralista Brasileira em 1934. É a principal figura do movimento. Nesta foto, Plínio aos 64 anos, em seu primeiro ano no Parlamento, em 1959 Na definição da Enciclopédia do Integralismo, o integralismo “é uma filosofia e um método”, e se define na ”doutrina que correlaciona os fenômenos e procura deduzir as soluções particulares da solução geral do problema nacional e humano”. Adotando uma concepção global da fenomenologia socioeconômico-política, nas palavras de Plínio Salgado, a doutrina integralista compreende o Universo e o Homem de maneira global no conjunto dos fenômenos que lhes são inerentes e consequentes. Assim, o integralismo coloca-se como "a harmonia de todas as formas e movimentos", "do que é autônomo e do que é determinado". Essa concepção total do Universo principia na consideração de Deus como a "Eterna Verdade".

Por tudo isso, para Plínio Salgado, de acordo com a criteriologia administrativa totalista (ou integralista), "não será possível encontrar solução isolada para problemas isolados, pois todas as questões, que particularmente se oferecem à nossa consideração, vinculam-se às outras, do mesmo modo como, em nosso corpo, os órgãos e funções se correlacionam, em inevitável interdependência". A partir disso, convencionou-se a reproduzir: "Ou resolvemos todos [os problemas], segundo as suas correlações, as suas recíprocas interferências, as suas implicações, uns sobre os outros, ou não resolvemos nenhum".

A partir disso, Plínio Salgado desenvolve a teoria do "homem integral", fundamento de todo o seu pensamento político. O homem integral é a união consubstanciada de corpo e alma, cujo comportamento é a resultante de tríplice matriz, apresentando-se como ser cívico, econômico e espiritual. Repudiando o conceito puro de "indivíduo", puramente distintivo, o integralismo vê o homem enquanto "pessoa", ou seja, ser "consciente, volitivo e independente". O homem possui um poder relativo de criação e de interferência, subordinado ao mundo e à sua eterna regência, Com efeito, assim definia Plínio Salgado sobre o Homem nas Conversações Católicas Internacionais de San Sebastian, em 1948: "O Homem é um ser feito à imagem e semelhança de Deus, seu Criador, possuindo uma alma espiritual e imortal, dotada de inteligência e de vontade livre. Ele deve encontrar na sociedade civil os meios de cumprir seus deveres e de exercer seus direitos correlativos, conforme as finalidades da sua natureza e sua vocação divina".

Plínio Salgado opõe as cosmovisões espiritualista e materialista, sendo que esta última considera a vida humana como um fenômeno puramente terreno.

Nacionalismo miniaturadaimagem|Alberto Torres foi um político e pensador brasileiro que atuou entre os séculos XIX e XX. Seus dois principais livros, "O problema nacional brasileiro" e "A Organização Nacional", ambos de 1914, foram fundamentais para a elaboração do nacionalismo integralista Enquanto concebe a Nação como um dos grupos naturais, o integralismo adota, como é trivial, uma posição nacionalista. Conforme destaca o Manual do Integralista, a Nação, dentro do conceito Integralista, é "uma grande sociedade de famílias, vivendo em determinado território, sob o mesmo governo, sob a impressão das mesmas tradições históricas e com as mesmas aspirações e finalidades".

Plínio Salgado define o nacionalismo nas seguintes palavras: "Nacionalismo é compreensão íntima do meio social e do meio cósmico. Nacionalismo é a visão total do país e é, ao mesmo tempo, a consciência particular de cada caráter e de cada tendência, de cada modo de ver, sentir, estar, resolver, aspirar, trabalhar e viver dos indivíduos isoladamente e das populações agremiadas sob o império de uma forma de atividade econômica, uma circunstância geográfica e uma feição moral". Segundo ele, em outro momento, nacionalismo é "a manutenção da integridade da Pátria".

A Doutrina Integralista rejeita agressivamente o cosmopolitismo, que entende como costumes antinacionais enraizados numa civilização burguesa instalada no Brasil. Conforme escrito no documento fundador da Ação Integralista Brasileira, o Manifesto de Outubro, em seu capítulo "O nosso nacionalismo": "O cosmopolitismo, isto é, a influência estrangeira, é um mal de morte para o nosso Nacionalismo. Combatê-lo é o nosso dever. E isso não quer dizer má vontade para com as Nações amigas, para com os filhos de outros países, que aqui também trabalham objetivando o engrandecimento da Nação Brasileira e cujos descendentes estão integrados em nossa própria vida de povo. Referimo-nos aos costumes, que estão enraizados, principalmente em nossa burguesia, embevecida por essa civilização que esta periclitando na Europa e nos Estados Unidos. [...] O nacionalismo para nós não é apenas o culto da Bandeira e do Hino Nacional; é a profunda consciência das nossas necessidades, do caráter, das tendências, das aspirações da Pátria e do valor de um povo. Essa é uma grande campanha que vamos empreender".