Napoleão Rodrigues Laureano (Natuba, – Rio de Janeiro, ) foi um médico oncologista brasileiro. atendia seus pacientes carentes de graça, ficando conhecido como médico dos pobres. Em 1945 entrou para a política, para ajudar mais na área da saúde da capital paraibana, sendo o primeiro presidente da câmara municipal de João Pessoa. Logo após, adoece de câncer, na época a Paraíba, não tinha nenhuma estrutura para tratamento da doença no estado. Usando sua influência e sua vida, passar a lutar contra a doença e para a implantação de um hospital de câncer em João Pessoa. Após sua morte, doa todos os seus bens, em prol da luta contra o câncer em todo o Brasil.

O Hospital Napoleão Laureano em João Pessoa é nomeado em sua homenagem.

Biografia Era filho do tenente Floriano Rodrigues Laureano e D. Theophila Bezerra da Silva. Foi casado com D. Marcina Sampaio de Melo Laureano, filha de José Oemio de Melo e Maria Sampaio de Melo. Como filha, o casal adotou Maria do Socorro Sampaio Laureano, nascida no Recife a 18.06.1946.

Em 1943, diplomou-se pela Faculdade de Medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1943, após um curso brilhante, onde se distinguiu entre seus companheiros de turma; foi discípulo do renomado professor Ageu Magalhães, grande anatomo-patologista pernambucano, tendo frequentado o Serviço Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro. Especializou-se em cirurgia do câncer. Logo após sua formatura, voltou a João Pessoa e abriu consultório na rua Barão do Triunfo, 474 – 1º andar. Conforme anúncio publicado no jornal A UNIÃO durante o mês de outubro de 1944, Napoleão Laureano oferecia seus serviços nas seguintes especialidades: Doenças das senhoras, operações, partos, tratamento cirúrgico das cicatrizes e outros defeitos congênitos ou adquiridos. A essa época residia à rua Monsenhor Walfredo, 663, em Tambiá.

Ao lado do Dr. Asdrúbal Marsiglia de Oliveira, Laureano foi dos primeiros médicos paraibanos a se dedicarem ao tratamento do câncer, uma doença maldita e preconceituosa nos anos 40. O canceroso, mesmo entre os profissionais da Medicina, era discriminado. Nem todos se acercavam do paciente com uma dose de humanismo. Desde os tempos de universitário, vivendo os momentos finais da ditadura de Getúlio Vargas, Laureano engajara-se no movimento dos estudantes pernambucanos contra o Estado Novo. Era natural seu comportamento nessa fase da vida brasileira, embora não fosse um militante de primeira linha.

Política Sua dedicação no atendimento dos pobres fê-lo ingressar na política em 1945, por ocasião da redemocratização, filiando-se à União Democrática Nacional – UDN, partido por onde foi eleito vereador para a Câmara Municipal de João Pessoa. Após tantos anos sem funcionar, a campanha para vereador foi bastante renhida por se tratar da primeira eleição para a Câmara Municipal, com os candidatos se engalfinhando na disputa por apenas doze vagas. A União Democrática Nacional – UDN fez a maioria dos vereadores, tendo Napoleão Laureano recebido uma votação consagradora, ficando em segundo lugar, com 959 votos, suplantado apenas pelo vereador Cabral Batista, que obteve 974 votos.

Na primeira eleição da Mesa Diretora da Câmara, ele foi eleito Vice-presidente, tendo logo em seguido assumido a Presidência, desde que o Presidente, vereador Miguel Bastos, assumira a Prefeitura, uma vez que seus titulares, prefeito e vice-prefeito entraram de licença para tratamento de saúde. Assim, Laureano foi o primeiro Presidente da Câmara Municipal de João Pessoa nessa nova fase. Sua liderança era inconteste, pois chegou a ser seu presidente no período de 49/51, tendo se afastado por ter sido acometido de câncer. Com sua morte a 31 de maio de 1951 deixou de assumir a presidência da Câmara, cuja direção era composta por ele, como Presidente; Miguel Bastos Lisboa, Vice-presidente; Henrique Bernardo Cordeiro; 1º Secretário; João Batista Cabral, 2º Secretário. Logo após a sua morte, no dia 5 de junho o vereador Miguel Bastos Lisboa foi eleito para substitui-lo.

Tratamento de Saúde A doença de Laureano ensejou uma luta sem quartel, promovendo uma grande campanha nacional em prol da assistência hospitalar aos cancerosos do Brasil, contribuindo para a fundação do Hospital do Câncer da Paraíba e a criação da Fundação Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro. Por sua pertinácia na conquista desse desiderato, foi consagrado como o patrono dos cancerosos.

O noticiário do jornal A UNIÃO, a partir de 13 de março de 1951, passou a informar com assiduidade a situação da saúde de Napoleão, assim como os jornais do Rio de Janeiro passaram a se ocupar de sua situação, enfatizando o problema do câncer no país, onde cerca de 30 mil brasileiros eram portadores daquele mal. Na sexta-feira, 16 de março, Napoleão seguiu para o Rio de Janeiro numa tentativa final para curar-se. Sua ida para o Rio visava submeter-se a um tratamento de soroterapia, tratamento esse baseado nos estudos do cientista russo Bogolomet e do francês Darach e adaptado no Rio de Janeiro pelo conhecido médico Fiedler Hungria. Antes ele já havia ido aos Estados Unidos, onde permaneceu alguns meses tratando-se no Memorial Center Hospital de Nova York, onde os especialistas o haviam desenganado ante às precárias condições do combate ao câncer da época, dando-lhe semanas ou meses de vida.

Em Recife, onde se encontrava, após retornar dos Estados Unidos, foi sempre cercado dos cuidados da classe médica e da população, que vinham acompanhando seu estado de saúde, o qual era cada dia mais grave, uma vez que perdia forças a olhos vistos. Foi aberta uma subscrição pública para custear sua viagem ao Rio. Mas as despesas previstas eram enormes. Daí Napoleão ter feito um apelo aos paraibanos, através dos DIÁRIOS ASSOCIADOS: “Ajude-me a morrer tranqüilo”..Ele sempre se queixava que a demora em se auto-diagnosticar foi por conta da falta de aparelhagem na Paraíba para tal, razão por que seu primeiro pedido ao governador José Américo de Almeida foi para que adquirisse um equipamento de radium. O câncer que atingiu Napoleão Laureano estava localizado no maxilar e, em menos de um ano do aparecimento dos primeiros sintomas, dominara-lhe inteiramente o organismo.

Ideia da Construção do Hospital na Paraíba Suas primeiras revelações foram no sentido de lançar a ideia de construir um hospital para cancerosos em João Pessoa, com a contribuição voluntária de quantos quisessem ver concretizada uma obra que, além de marcar um grande passo na história da Paraíba, viria contribuir para a diminuição de óbitos produzidos pela terrível moléstia. O movimento, a princípio encabeçado pelo jornalista e fotógrafo Rafael Mororó, mereceu o apoio do Governo, de autoridades estaduais e municipais e do povo em geral, passando a ser patrocinado pela Rádio Arapuan, por iniciativa do Dr. Eduardo Bergallo, superintendente daquela Rádio, que possibilitou uma intensa propaganda pela campanha em nosso Estado.

A ideia lançada obteve apoio imediato, com a contribuição de diversas pessoas, tendo inicialmente o prefeito da cidade, Oswaldo Pessoa, contribuído com a metade dos seus vencimentos, durante dois meses. Na A UNIÃO de 14.03.51 o escritor Lopes de Andrade fez uma crônica intitulada Da Vida e da Morte sobre Napoleão e Juarez Batista, diretor daquele jornal, representando o governador José Américo de Almeida, visitou Laureano para manifestar-lhe o apoio do Governo na construção de um hospital. Juarez Batista, na oportunidade, entrevistou Napoleão Laureano, conforme foi publicado naquela edição. Foram palavras de Laureano: “Estou entusiasmado. Foi a Paraíba que deu o primeiro grito no sentido de positivar a criação do hospital”. E acrescentou: “O serviço contra o câncer funcionará”.

Napoleão "O Médico dos Pobres". Durante a entrevista, o cônego José Coutinho, um das figuras destacadas do assistencialismo na Paraíba, após apertar a mão de Laureano, disse: “Dr. Napoleão, trago-lhe as preces de todos os pobres que o Sr. operou gratuitamente”, recebendo como resposta: “A alma está muito forte. Não tenho medo .” Na ocasião, a reportagem de A UNIÃO registrou a presença de destacadas personalidades do mundo social paraibano, entre elas: Drs. José Betâmio Ferreira, Luiz Ribeiro Coutinho, Newton Lacerda, Pedro Honorato Pereira, Giuseppe Marques, Manoel Paiva, Cícero Leite, Hermes Fonseca, Fernando Carneiro, Fernando Milanez, Janson Guedes, prefeito Oswaldo Pessoa, Newton Borges, Abelardo Jurema, padre João Onofre, além do jornalista José Leal e do fotógrafo José Medeiros, de O CRUZEIRO.

No dia 15 de março, ocorreu a posse da nova mesa diretora da Câmara Municipal. Laureano havia sido eleito presidente para o período 1951/52. Ele foi empossado, embora sem comparecer. A Mesa ficou assim constituída: Presidente: Napoleão Laureano; Vice-presidente: Miguel Bastos Lisboa; 1º Secretário: Henrique Bernardo Cordeiro; 2º Secretário: João Batista Cabral.

Os acadêmicos de Medicina foram os primeiros a se movimentarem em torno da campanha pró-construção do Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa, formando uma comissão constituída dos universitários Gilvandro Pinto Moura, João Cavalcanti de Albuquerque e Jurandir Macedo de Carvalho. Essa comissão comunicou que havia sido instalada uma Comissão Central que dirigiria a propaganda, com a participação do Dr. Newton Lacerda, diretor da Faculdade de Medicina da Paraíba; Dr. Miranda Freire, presidente da Sociedade de Medicina; Dr. José Mousinho, presidente da Associação Comercial e desembargador Severino Montenegro, provedor da Santa Casa da Misericórdia.

Inicialmente, a Cia. Exibidora de Filmes, do grupo Wanderley, promoveu um festival com vários artistas da Rádio Tabajara, no Cinema Rex, com rendimento em benefício da campanha. O Plaza exibiu o filme “Delírio” e o cinema S. Pedro exibiu outro filme, com a mesma finalidade. Os funcionários do Banco do Brasil oferecerem uma razoável contribuição e apelaram para o presidente do Banco do Brasil, Ricardo Jafet, sugerindo que o Banco do Brasil contribuísse com um milhão de cruzeiros para a campanha. Posteriormente, o Banco do Brasil contribuiu com Cr$ 500 mil. A Secretaria de Agricultura do Estado oficiou a várias repartições sugerindo o engajamento na campanha. Sob a presidência do Dr. José Rafael de Menezes, reuniram-se os diretores de grupos escolares e inspetores técnicos da capital e aclamaram uma Diretoria para promover a campanha em sua área. A Comissão ficou assim constituída: Presidente – Dr. José Rafael de Menezes, Diretor do Departamento de Educação; Secretária – Professora Maria da Conceição de Freitas, inspetora técnica da 1a zona; Tesoureira – Adelita Bezerra Cavalcanti, diretora do Grupo Thomaz Mindelo; Orientador do movimento – professor Rubens Filgueiras, Inspetor Geral do Ensino.

Tratamento no Rio de Janeiro No dia 16 de março, Napoleão Laureano chegou ao Rio, mantendo contato imediato com o cientista húngaro Josef Fiedler a fim de se submeter a uma soroterapia especial. O Presidente Vargas havia oferecido um avião da FAB para transportar o Dr. Napoleão Laureano ao Rio, tendo Laureano agradecido a gentileza do Presidente, por ser mais cômoda a viagem pelo Constelation da PANAIR. Como a aeronave da PANAIR atrasou, Napoleão viajou pelo avião da FAB que lhe fora oferecido pelo presidente Vargas.