A Ação Imperial Patrianovista Brasileira (AIPB) ou simplesmente Patrianovismo foi uma organização monarquista que esteve presente em vários estados brasileiros e que expressou as ideias nacionalistas do final da década de 1920 e início da década de 1930. Idealizada por Arlindo Veiga dos Santos, visava instaurar uma nova monarquia no Brasil, baseada numa filosofia política tradicionalista.

O patrianovismo propunha a instalação de um "Império Orgânico",Folheto, da Acção Imperial Patrianovista Brasileira, pregando a instauração do Império Brasileiro. São Paulo. - Fundação Getúlio Vargas (CPDOC-FGV) pautado na monarquia tradicional, que é por sua vez caracterizada como um regime apoiado no monarca, na Igreja Católica e nas corporações de ofício. Seu programa coloca em primeiro plano o credo católico, defendendo a obrigatoriedade da religião "nas escolas públicas, nos quartéis, institutos hospitalares e correcionais etc". O Estado deve ser organizado sob bases municipalistas e corporativistas sindicalistas. Em matéria de política internacional, defendiam uma política internacional "nacionalista, altiva e cristã".AÇÃO IMPERIAL PATRIONOVISTA - Fundação Getúlio Vargas (CPDOC-FGV)

A AIPB mantinha em seus quadros formação miliciana, porém desarmada, voltada a combater o comunismo. Tal como a saudação integralista "Anauê", os patrianovistas possuíam também uma saudação própria, constituída no leve erguimento do braço direito, com os dedos polegar, médio e indicador levantados. Este gesto era acompanhado da saudação oral "Glória!", uma contração de "Glória à Santíssima Trindade!". Todavia, a AIPB não possuía as características de um movimento de massas, sendo um movimento de cunho vanguardista."DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA... MONARQUIA: AÇÃO IMPERIAL PATRIANOVISTA E AÇÃO INTEGRALISTA BRASILEIRA - CHOQUES E CONSONÂNCIAS" - Felipe A. Cazetta - UFS

Etimologia miniaturadaimagem|Selo da Ação Imperial Patrianovista. O termo Pátria-Nova originou-se do integralismo português, que buscou criar um "Novo Portugal" recuperando as muitas instituições medievais e adaptando-as à era moderna. Essa ideologia apoiou o estabelecimento de uma monarquia orgânica, tradicionalista e anti-parlamentar baseada em ideais católicos, nacionalistas e antiliberais. Assim, no Brasil, o Pátria-Nova tornou-se sinônimo de busca de uma nova pátria com sua base na tradição.

História

Primeira Fase (1928-1937) miniaturadaimagem|Capa da revista Pátria-Nova. Em 1928, um grupo de jovens católicos, pertencentes em grande maioria a Congregação Mariana da Imaculada Conceição de Santa Ifigência, liderados pelos ativistas negros Arlindo Veiga dos Santos e seu irmão Isaltino Veiga dos Santos, fundou o Centro Monarquista de Cultura Social e Política Pátria Nova, que buscava estudar os problemas nacionais, unindo as ideias corporativistas ao monarquismo antiliberal, também em moda na época.Dias, Matheus Felipe Gomes. "A Frente Negra Brasileira: institucionalização, contestação e fascismo". In: Práxis Comunal, 2019; 2 (1) Em 1932 a Pátria-Nova torna-se então na Ação Imperial Patrianovista Brasileira. Nesse momento, o grupo já havia delimitado suas políticas: promover a instauração do Império Orgânico Brasileiro, com a ênfase de não tomar o mesmo caminho que o Segundo Reinado, liberal do ponto de vista patrianovista, tomou. Já no final de 1935, havia mais de 200 centros de propagação ideológica pelos estados. miniaturadaimagem|Arlindo Veiga dos Santos em 1949, sendo entrevistado sobre o Patrianovismo. miniaturadaimagem|248x248px|Patrianovistas da década de 30. Muitos patrianovistas ingressaram na Sociedade de Estudos Políticos (SEP), que viria a dar origem à Ação Integralista Brasileira (AIB), dentre eles, o próprio fundador da AIPB, Arlindo Veiga dos Santos. Tais patrianovistas acompanharam a fase inicial da AIB, rompendo com esta na ocasião em que foi definido o caráter republicano do Estado Integral pelo secretário de doutrina integralista, Miguel Reale. Outro ponto a distanciar os dois movimentos foi a rejeição da Ação Integralista em aderir ao modelo de Estado confessional. Por causa desse cisma, Plínio Salgado, que mandava cartas para Veiga com o intuito de converte-lo ao integralismo, sentiu-se tentado de atribuir a culpa para quaisquer fracassos da AIB em Arlindo, mas que não se provou necessário, visto que a AIB foi mais proeminente no cenário nacional.

No ano de 1934, Veiga renunciou à sua posição de presidente da AIPB, por motivos particulares. A real razão pela qual ele tomou essa decisão não é certa, mas alguns historiadores teorizam que membros do alto escalão patrianovista tinham atitudes racista com o presidente, enquanto outros apontam a indisciplina e o desrespeito à autoridade dos patrianovistas como real motivo. Em 1936, Arlindo voltou à presidência.

O Patrianovismo teve vida longa, expandindo-se para mais de 15 estados, sendo a Região Sul do Brasil onde teve mais expressão, competindo com a Ação Integralista Brasileira. Expandindo-se de maneira irregular pela nação, devido a problemas comunicativos, fundos monetários escassos, líderes personalistas e propagandas errôneas, a organização perdeu um pouco de sua voz no ano de 1936. No ano seguinte, Getúlio Vargas, Presidente do Brasil, declara o Estado Novo, que proíbe organizações políticas, como a Pátria-Nova.

Segunda Fase (1945-1972) Os patrianovistas ressurgiram em 1945, após o primeiro governo de Vargas, mas o grupo estava quase completamente vazio. Quando partidos políticos se tornaram legais novamente, a Polícia Política começou a perseguir Arlindo Veiga por sua ligação ao Integralismo da AIB. Ele, por sua vez, nunca conseguiu reproduzir a mobilização da primeira fase da Pátria-Nova. A organização foi formalmente reativada em 1955. A partir daí, o movimento gradualmente perde suas forças, especialmente pela ditadura militar brasileira, apoiada entretanto por alguns patrianovistas. Em 1978, Arlindo Veiga morre por complicações de saúde, no meio da exclusão política em que se encontrou.

Pós-República Nova Atualmente, são organizações patrianovistas, a Legião Anchieta, a Ação Orleanista, a Legião Leonina e a União Nacional Restauradora. direita|miniaturadaimagem|Arlindo com Pedro Henrique, chefe da Casa imperial brasileira nos anos 50.

Ideologia O patrianovismo está enraizado no catolicismo, nos ensinamentos políticos de São Tomás de Aquino, no nacionalismo e na rejeição do liberalismo e da constituição. Critica, portanto, não apenas o processo de independência brasileira, na perspectiva de que o país havia alcançado a independência em 1815 – quando o Brasil foi elevado ao status de reino constituinte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves – mas também aqueles que buscavam restaurar o império com a Constituição Brasileira de 1824. Eles argumentaram que havia mais liberdades de autodescrição para os municípios do que após a "separação".

Para os patrianovistas, quando um monarca assina uma constituição, não importando as circunstâncias, eles próprios se tornam sujeitos àqueles que já foram seus vassalos. A AIPB argumentou que a noção de que o rei absoluto é um déspota é falsa e que o liberalismo é o verdadeiro governo despótico, uma vez que o despotismo é quando aquele ou os muitos no poder não reconhecem nenhum outro princípio, exceto sua própria vontade. miniaturadaimagem|Canudos, um vilarejo antirrepublicano criado em 1896. A vila foi organizada seguindo princípios que se assemelham ao municipalismo.

Oito pontos Os oito pontos feitos no jornal do partido Pátria Nova em 1929 foram os seguintes:

Credo – O catolicismo romano deve ser obrigatório em todas as instituições; Monarquia – Um monarca responsável deve ser capaz de governar e governar livremente. A monarquia é a base para o municipalismo sindicalista; Pátria e raça brasileira – Afirmação do povo brasileiro em todas as posições: religiosa, física e economicamente; Novo método de divisão administrativa – O Brasil deve ser dividido em províncias e regiões menores, apenas por razões administrativas, para prevenir o regionalismo e o separatismo consecutivo; Organização sindicalista – Produções espirituais e econômicas devem ser organizadas em sindicatos. Capital imperial no centro/coração do Império; Relações exteriores baseadas no cristianismo; Relação de acordo especial com a Ibero-América.

Manifesto Somos Pátria-Nova, extrema direita radical e violenta, afirmadores de Deus e sua Igreja, afirmadores da Pátria Imperial e Católica, inimigos irreconciliáveis e intolerantes do burguesismo, plutocratismo e capitalismo materialista, ateu, gozador, explorador, internacionalista, judaízante e maçonizante; inimigos da república, dos partidos, do parlamentarismo, em suma do liberalismo religioso, político e econômico; enfim, tão inimigos também da anarquia bolchevista que com erros igualmente grandes pretende em vão "corrigir" a tirania da burguesia liberal, como inimigos da ordem social mentirosa, instalada em quase todo o mundo.https://www.scielo.br/j/vh/a/K7h4tBfsCVhMX3pstG3nznf/?lang=ptO Clarim de Pátria-Nova. São Paulo, s/d.

Corporativismo O movimento era adepto do corporativismo como a forma ideal de organização política, social e econômica. A razão central para o apoio ao corporativismo foi o descrédito com a república liberal e secular, alimentada pelo colapso econômico que o mundo sofreu em 1929 e pela religiosidade dos patrianovistas. Paim Vieira alegou que o corporativismo é simplesmente "o instrumento do espírito cristão" e que não pode funcionar sem religião. Para os patrianovistas afro-brasileiros, como o líder do partido, o corporativismo foi a saída da exclusão social.

Anti-democracia Rejeitou a participação das massas e partidos políticos, assim como a AIB, seguindo estás ideias sobre essa questão:

O poder é exclusivo do monarca; As próprias massas eram a favor de uma forma de governo liderada por uma figura poderosa (como um rei ou um general) em vez de políticos que eram apáticos ao seu bem-estar; Diferentes partidos políticos levariam à polarização e à separação da população; Transformam bens públicos em propriedade privada; Atuam contra a cooperação dos municípios; As várias facções políticas trabalharam contra a unidade nacional.

O patrianovismo também acusou os vários partidos políticos de serem o mesmo conglomerado, mas apenas com um nome diferente para se disfarçarem. Eles os acusaram de modos predatórios e de tentarem tomar as rédeas, com a intenção de atacar a ordem tradicional, buscando o benefício de se tornarem organizações sem responsabilização à nação. Reforçando sua visão anti-partidarismo, os patrianovistas expressaram desinteresse nos resultados das eleições presidenciais no Brasil, e descontentamento nas leis de votação compulsórias.

Anti-republicanismo Para os patrianovistas, a república democrática com partidos vai na direção oposta do municipalismo. Eles também expressaram que esta forma de governo, assim como a "ação anti-luso da década de 1820", é um esquema político importado pelos bárbaros, "uma ideia de brasileiros, mas nunca uma ideia brasileira", prejudicando o que viam como instituições tradicionais e sagradas de um Brasil genuíno. Para eles, a república é o eterno recomeço em que o governo republicano sempre tem um retrocesso, nunca aprendendo a crescer. Enquanto isso, no governo monárquico, existiria um crescimento linear para a prosperidade. A forma republicana de governo também seria o ninho para caudilhos, ditadores e tiranos, enquanto a forma monárquica de governo seria a mais adequada para preservar a ordem e a liberdade. Arlindo caracterizou a república como uma forma de governo opressiva, burocrática, incompetente, imoral e desmoralizada, alegando que enquanto o Brasil estivesse sob tal regime, seria um país ocupado e explorado.

Tradicionalismo