A Arte Vestível é uma linguagem artística que está inserida em outras linguagens e ainda carece de reconhecimento como um campo muito vasto a ser estudado e fomentado. O movimento que deu início as primeiras manifestações da área foi o de contracultura, onde os artistas e estilistas estavam em busca de questionar a alta produção industrial, pouco tempo depois da Revolução Industrial.
Sendo assim, a Arte Vestível surge nos Estados Unidos e na Europa, assim como em países da Oceania, como Nova Zelândia e Austrália. A WOW, World of Wearable Art, na Nova Zelândia foi o primeiro grande evento que destacou a Arte Vestível como protagonista da cena, o qual trata-se de uma competição anual em forma de espetáculos performáticos e exposições, que explora a conjunção entre performance, moda, artesanato e arte. A variedade das peças produzidas segue as seções temáticas determinadas a cada ano, que já se dividiram entre: arquitetura, monocromia, era Elizabetana, Avant-garde, Aotearoa (cultura tradicional da Nova Zelândia), seção aberta, entre outras. A diversidade dessas seções temáticas gera uma infinidade de possibilidades criativas ao design final, com o uso dos mais inusitados materiais e técnicas na construção física e conceitual dessas obras vestíveis, as quais são expostas em grandes espetáculos performáticos na WOW, segundo a pesquisa de Marina Pessôa Gomes de Oliveira, (Alinhamentos da Arte Vestível no Brasil, 2023, Dissertação de Mestrado Design UFPE).
A pesquisa de Marina Pessôa Gomes de Oliveira, comenta que "em 1987 na Nova Zelândia, numa área rural de Nelson, a escultora Suzie Moncrieff precisava de algo “novo” para lançar uma galeria de arte, numa velha casa de campo em ruínas, recém reformada", como conta Craig Potton (2013). "Moncrieff imaginou um show, onde obras de arte seriam expostas sobre corpos em movimento, mais do que modelos desfilando em passarelas, ela queria que toda atmosfera contasse uma história, e, para isso, era fundamental criar um clima com luzes, performers e música, como uma peça de teatro emocionalmente audaciosa. Tanto o público quanto os artistas ficaram entusiasmados com a ideia da arte vestir corpos humanos com formas bizarras e incrivelmente belas (Potton, 2013)". (continua...)
No campo da Arte, o conceito de Arte Vestível foi utilizado no Brasil, no início dos anos 1990, como fundamentação do trabalho produzido então pela artista Verônica Alkmim França. Sem qualquer vínculo com grifes, seu trabalho opunha-se aos grandes lançamentos editoriais e inspirou as gerações futuras. miniaturadaimagem|Obra de Arte vestível criada pela artista plástica Veronica Alkmim França. Com esse conceito, Verônica recuperava a chamada Wearable Art, que havia se desenvolvido nos Estados Unidos, entre os anos 1960 e 1970, como uma área artística distinta tanto da Alta-costura quanto da Moda. Tratava-se, antes, de uma Art to Wear ou Fiber Art, que entendia a vestimenta como um paramento do corpo capaz de produzir seu envolvimento expressivo e transformador.Dale, J. S. (1986). "Art to Wear", New York: Abbeville Press. Chamada, no Brasil, de Rouparte, essa manifestação artística forneceu as bases para a construção de uma linguagem própria, em que a roupa passava a ser concebida como um instrumento de sedução e de individualização, inédito e original, que não poderia ser repetido.
Com sua criatividade, Verônica Alkmim França criou um espaço original no campo da arte, ainda pouco explorado no país: ainda que Pietro Maria Bardi promovesse iniciativas relacionadas à moda desde a década de 1950, foi apenas em 1987 que se realizou, sob a organização da Paradoxart, galeria dedicada a Wearable Art em São Paulo, a primeira exposição da área no Museu de Arte de São Paulo.
A inovação de Verônica instaurou uma série de discussões que envolviam a fina fronteira que separa o design, a moda e a arte, e ela passou a apresentar seus trabalhos em exposições individuais, realizadas em museus e entidades culturais. Em 1991, inaugurou, na Fundação Cultural de Curitiba, sua primeira exposição Arte Vestível, posteriormente apresentada no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (1992), na Fundação Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo (1992), e no Museu Nacional do Traje, em Lisboa, Portugal (1997).
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