Like a Virgin é o segundo álbum de estúdio da artista musical estadunidense Madonna. Seu lançamento ocorreu em 12 de novembro de 1984, através das gravadoras Sire Records e Warner Bros. Records. Após o lançamento de seu álbum de estreia homônimo no ano anterior, a cantora queria se solidificar na indústria musical, devido ao sucesso de seu primeiro disco. Ela decidiu tornar-se uma das produtoras musicais de seu segundo trabalho, porém a Warner Bros. não estava pronta para lhe conceder a liberdade artística que queria. Nile Rodgers foi selecionado como o produtor principal do projeto pela própria intérprete, devido ao seu trabalho no disco Let's Dance (1983), de David Bowie.

Like a Virgin foi gravado no estúdio Power Station Studio em um ritmo rápido. Rodgers contou com a ajuda de seus antigos companheiros da banda Chic, nomeadamente Bernard Edwards, que tocava baixo, e Tony Thompson, que tocava bateria; eles apareceram em diversas faixas do álbum. O produtor decidiu ser o guitarrista do trabalho, porém Edwards lhe pediu para desempenhar esse cargo, em troca de sua ajuda. Jason Corsaro, engenheiro de áudio do projeto, convenceu Rodgers a usar a gravação digital, uma técnica introduzida na época. A capa e as imagens do encarte de Like a Virgin foram fotografadas por Steven Meisel. Madonna queria que o título e a capa do álbum fizessem uma ligação provocante entre o nome religioso Madonna — título dado para Maria, mãe de Jesus — e o conceito cristão do nascimento virgem. O trabalho foi relançado mundialmente em 1985, com a inclusão de "Into the Groove" como faixa bônus. Em 2001, foi distribuída uma versão remasterizada do material, apresentando dois remixes como faixas bônus.

Like a Virgin não é considerado um afastamento musical de Madonna, porém a cantora sentiu que o material era mais forte. Juntamente a Rodgers, Madonna também colaborou com seu então namorado Stephen Bray, com quem co-compôs diversas faixas do álbum. Suas canções são derivadas do dance-pop com influências do new wave, e tratam de assuntos variados, como o amor e o materialismo. Like a Virgin recebeu análises geralmente positivas da mídia especializada; embora tenham prezado sua produção e sua composição, resenhadores criticaram suas letras. Comercialmente, foi o primeiro disco de Madonna a obter sucesso internacional e liderou tabelas musicais de diversos países ao redor do mundo, como Alemanha, Espanha, Nova Zelândia e Reino Unido. Nos Estados Unidos, foi o primeiro álbum da cantora a culminar na Billboard 200 e recebeu uma certificação de diamante (10x platina) pela Recording Industry Association of America (RIAA), devido às vendas de dez milhões de cópias no país. Mundialmente, comercializou cerca de 21 milhões de unidades, tornando-se um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos.

Cinco singles foram lançados do disco, com a faixa homônima, "Material Girl" e "Into the Groove" tornando-se sucessos internacionais, sendo que a primeira citada foi o primeiro número um de Madonna na Billboard Hot 100. Para promover o álbum, a cantora apresentou-se em premiações e programas televisivos, lançou a coletânea de vídeos Madonna e embarcou em sua primeira turnê, The Virgin Tour, que visitou o Canadá e os Estados Unidos ao longo do ano de 1985. Like a Virgin alcançou significância como um artefato cultural dos anos 80. A artista provou que não era uma cantora de apenas um sucesso e foi capaz de estabelecer uma grande permanência no mundo musical. Suas canções, nomeadamente "Like a Virgin" e "Material Girl", tornaram-se destaque de críticas de conservadores e de imitações das mulheres mais jovens.

Antecedentes e desenvolvimento 165px|thumb|right|upright|Nile Rodgers (imagem) foi selecionado por Madonna como o produtor de Like a Virgin devido ao seu trabalho com David Bowie no álbum Let's Dance (1983). Ex-dançarina e figura presente nas boates nova-iorquina, Madonna Louise Ciccone tornou-se conhecida mundialmente simplesmente como Madonna com o lançamento de seu álbum de estreia homônimo em 1983. Apoiado por canções de sucesso como "Holiday", "Borderline" e "Lucky Star", o disco foi um dos mais vendidos naquele ano e ajudou a musicista a se tornar uma das artistas revelações mais interessantes dos anos 1980. Quando começou a trabalhar em seu segundo álbum, Madonna sentiu que seu trabalho anterior havia obtido sucesso em introduzi-la na personalidade de "rainha da dança de rua", e queria se solidificar na indústria musical baseando-se nesse conceito. Ela disse: "Meu trabalho, minha dedicação — a obsessão em lançar Madonna — valeu a pena. Estava na hora [certa] de solidificar meu futuro [musical]". Em Like a Virgin, Madonna queria se tornar uma das principais produtoras musicais, sentindo que precisava controlar os diversos aspectos de sua música. Ela acreditou que depender de um produtor particular em seu álbum não era algo que lhe convinha. A artista disse: "Eu aprendi minha lição enquanto criava meu álbum de estreia, e o jeito como [Reggie] Lucas me deixou sozinha com o projeto, [faz com que] você não possa acreditar nos homens", referindo-se ao incidente que ocorreu durante a produção de Madonna, quando certas diferenças de opinião entre ela o produtor Reggie Lucas fez com que ele abandonasse o projeto. Entretanto, a Warner Bros. não estava pronta para lhe dar a liberdade artística que queria. Em sua biografia escrita pelo autor J. Randy Taraborrelli, Madonna disse:

Mais tarde, Nile Rodgers foi selecionado por Madonna como o produtor do álbum, com a aprovação dos executivos da gravadora. Ela escolheu Rdogers principalmente devido ao seu trabalho como integrante do Chic, uma banda dos anos 1970, além de sua então recente produção com David Bowie em seu disco Let's Dance (1983). Sobre a escolha, a cantora comentou o seguinte: "Quando eu estava fazendo o disco, eu fiquei muito assustada e feliz [ao mesmo tempo] em trabalhar com Nile Rodgers. Eu adorava Nile por causa de todas as coisas [que ele fez] com o Chic. Eu não pudia acreditar que a gravadora me deu o dinheiro [necessário], então eu pude trabalhar com ele". Rodgers respondeu que ele viu Madonna pela primeira vez em uma boate pequena em Nova Iorque, no ano de 1983. Em uma entrevista para a Time, ele explicou: "Eu fui à boate para assistir outra mulher cantar, mas quando eu estava lá, Madonna estava no palco. Eu amei sua presença de palco e então nós nos encontramos depois [daquela performance]. Eu continuei pensando: 'Puxa, ela é uma estrela', mas ainda não era na época. Eu sempre quis trabalhar com ela e Like a Virgin parecia a oportunidade perfeita".

Gravação

Like a Virgin foi gravado no estúdio Power Station Studio em Nova Iorque, em um ritmo rápido. Rodgers contou com a ajuda de seus ex-companheiros de Chic, nomeadamente Bernard Edwards, que era o baixista, e Tony Thompson, que era o baterista; eles apareceram em diversas faixas do álbum. O produtor decidiu ser o guitarrista, porém Edwards lhe pediu para desempenhar este papel, em troca de sua ajuda. As sessões de gravação não iniciavam-se até a tarde, já que Rodgers, que frequentava festas noturnas, não estava acostumado a trabalhar de manhã. Esses atrasos causaram dificuldade para Madonna, que respondeu que costumava "ir para o clube de natação no Upper West Side e nadar, e caminhar de lá para o estúdio de gravação. Para mim, foi impossível chegar lá de manhã". Rodgers disse que a cantora era muito trabalhadora e incrivelmente tenaz. Ele comentou: "Eu sempre me impressiono pelo incrível julgamento de Madonna quando se trata de fazer discos pop. Eu nunca vi ninguém fazer [álbuns pop] melhor [do que ela], e essa é a verdade. Quando fizemos esse álbum, foi a união perfeita, e eu sabia disso desde o primeiro dia [em que estava] no estúdio. Sabe, aquilo entre nós foi sexual, apaixonante, criativo [...] foi pop".

Jason Corsaro, engenheiro de áudio de Like a Virgin, convenceu Rodgers a usar a gravação digital, uma técnica introduzida na época que fez Corsaro acreditar que seria o futuro da gravação. Para ter certeza de que tal daria certo, ele usou o gravador de fita digital de 24 faixas Sony 3324 e o gravador de duas faixas Sony F1 durante a mixagem das canções. A artista gravou as partes principais das músicas em uma pequena sala de madeira e com piano, situada no último andar e na parte de trás do Studio C, também conhecida como a "sala R&B" do Power Station. Jason então colocou um painel para isolar o som ao redor dela enquanto usava a parte superior de um microfone estéreo AKG C24, com um pré-amplificador de microfone Schoeps e um equalizador Pultec. Uma vez que as faixas foram aprovadas por todos, Robert Sabino adicionou os teclados, tocando principalmente um Sequential Circuits Prophet-5, bem como partes do piano Rhodes e do piano acústico, enquanto Rodgers também tocou um synclavier. Embora não tenha sido obrigada, Madonna esteve presente nas sessões de gravação e no processo de mixagem. Corsaro comentou: "Nile estava lá na maior parte do tempo, mas ela [Madonna] sempre estava lá. Ela nunca saía".

Capa e título 200px|thumb|right|O vestido usado na capa do álbum está exposto no Hard Rock Cafe em Miami. A capa de Like a Virgin e as fotos que ilustram seu encarte foram tiradas por Steven Meisel, que viria a se tornar um frequente colaborador de Madonna, em uma suíte no St. Regis Hotel. A intérprete queria que o título do álbum fizesse uma ligação provocativa entre seu próprio nome religioso — Madonna é o título que os católicos usavam para se referir à Maria, mãe de Jesus — e a crença cristã da Imaculada Conceição. Com a faixa-título aludindo-se a este conceito, ela queria que a capa também demonstrasse essas mensagens contraditórias. O autor Graham Thompson descreveu a capa da seguinte forma: "Reclinada sobre um lençol de cetim, com um buquê em seu colo e usando um vestido de noiva, uma inspeção mais detalhada revela que a imagem de Madonna é altamente fetichista e sexual". Ele acrescentou que a maquiagem pesada, os lábios em forma de selinho e o cabelo despojado, juntamente com o busto justo e as luvas compridas, faziam de Madonna uma figura não de ingenuidade, mas de malícia. Este ponto, segundo Thompson, é ainda mais enfatizado pelo cinto usado, o qual apresenta as palavras "Boy Toy". Thompson concluiu: "A imagem era ambígua e se baseava no fato de que o apelo de Madonna naquele momento de sua carreira não era apresentar-se como um objeto de desejo, mas como uma mulher desejável".

Stephen Thomas Erlewine, do portal Allmusic, comentou que a "capa fotografada por Steven Meisel [...] foi como uma chave para a reinvenção dela, [assim] como a música do álbum em si". William McKeen, autor de Rock and roll is here to stay: an anthology, sentiu que a imagem era outro mecanismo e testamento ao fato de que Madonna era a última palavra em termos de moda para mulheres e jovens garotas daquela era — considerada por ele o "epítome do legal". A figurinista Arianne Phillips falou sobre o estilo adotado pela cantora para Like a Virgin: "Esse foi um dos momentos mais chocantes, libertadores e influentes na história da cultura pop/da moda. [...] A moda nunca mais foi a mesma". Madonna declarou: "Eu sempre gostei de interpretar o gato e o rato com os estereótipos convencionais. A capa do meu álbum Like a Virgin é um exemplo clássico. As pessoas estavam pensando em quem eu estava tentando ser — a virgem Maria ou uma vadia? Essas eram as duas extremas imagens de mulheres que eu conheci vividamente e me lembro desde a infância, e eu queria brincar com elas. Eu queria ver se poderia misturar a virgem Maria e a vadia como um todo. A foto era um testamento de independência, 'Se você quiser ser uma virgem, seja bem vida. Mas se você quiser ser uma vadia, é seu direito ser uma".

Estrutura musical