Fijación Oral, Vol. 1 é o sexto álbum de estúdio da cantora colombiana Shakira, lançado em pela Epic Records. Após alcançar sucesso internacional com seu primeiro álbum em inglês, Laundry Service (2001), a artista ficou em dúvida se deveria gravar seu próximo álbum em espanhol ou inglês. Após compor cerca de 60 canções, decidiu dividir o projeto em duas partes: Fijación Oral, Vol. 1 inclui composições em espanhol, enquanto Oral Fixation, Vol. 2 apresenta canções em inglês. Musicalmente, Fijación Oral, Vol. 1 é um álbum de pop latino com canções que misturam diversos gêneros, como reggaeton, synthpop, folk, dream pop e bossa nova. Shakira afirmou que o título da obra é "um termo de origem psicanalítica", com inspirações à Eva, a primeira mulher segundo a Bíblia, tanto em seu título quanto em seu projeto gráfico. Foi produzido pela própria intérprete juntamente com Gustavo Cerati, Lester Méndez, Luis Fernando Ochoa e José "Gocho" Torres. Rick Rubin atuou como produtor executivo.
Após seu lançamento, Fijación Oral Vol. 1 recebeu críticas geralmente favoráveis da crítica especializada, que elogiaram a evolução de Shakira em relação aos seus trabalhos anteriores. Comercialmente, o disco estreou em quarto lugar na parada Billboard 200 dos Estados Unidos, com 157 mil cópias vendidas na primeira semana, estabelecendo um recorde de maior estreia para um álbum em espanhol no país. Alcançou o primeiro lugar nas paradas segmentadas Top Latin Albums e Latin Pop Albums. Internacionalmente, também foi líder na Alemanha, Argentina, Grécia, Espanha e México. A obra ganhou o prêmio de Melhor Álbum de Rock Latino ou Alternativo, na 48.ª edição dos Grammy Awards e os de Álbum do Ano, Melhor Engenharia de Som e Melhor Álbum Vocal Pop Feminino na 7.ª edição do Grammy Latino. Tornou-se o segundo disco em espanhol mais comprado da década nos Estados Unidos e o primeiro de 2005.
Vários singles foram extraídos a partir de Fijación Oral Vol. 1. O primeiro, "La Tortura", uma colaboração com o cantor espanhol Alejandro Sanz, alcançou a 23.ª posição na principal tabela estadunidense, a Billboard Hot 100, e se tornou o quinto número um de Shakira na segmentada Top Latin Songs. O segundo, "No", foi composto por Shakira e Cerati, que também é creditado como artista convidado. "Día de Enero", "La Pared" e "Las de la Intuición" também obtiveram sucesso internacional. Para promover este e Oral Fixation, Vol. 2, Shakira embarcou na Oral Fixation Tour, sua quarta turnê internacional, em 2006 e 2007. Foi lançado um álbum ao vivo e de vídeo contendo o show, imagens de bastidores gravadas durante seu itinerário e videoclipes das músicas.
Antecedentes e desenvolvimento Após alcançar sucesso internacional com seu primeiro álbum gravado em inglês, Laundry Service (2001), Shakira inicialmente ficou em dúvida se lançaria um álbum em espanhol ou inglês como seu projeto seguinte. Tendo coescrito quase sessenta músicas, ela decidiu dividir o lançamento em dois volumes e partiu "em uma missão para selecionar [suas faixas] favoritas" as quais gravaria. Shakira afirmou que tomou essa decisão "porque simplesmente lhe veio à mente" e "isso resultou em dois álbuns". Ela escolheu lançar primeiro o disco em espanhol como parte de um projeto bilíngue de dois álbuns. Este seria seu primeiro em sua língua materna desde Dónde Están los Ladrones? (1998). Ela declarou: "O mercado reagiu muito bem ao Laundry Service. Mas o que a minha alma me pedia era lançar primeiro um disco em espanhol. Era o que eu tinha de fazer".
De acordo com uma entrevista de 2005, Shakira afirmou que o "processo do álbum" começou durante uma estadia em Madri, Espanha. Ao compor as músicas, ela afirmou que elas "se compunham sozinhas em inglês ou espanhol". Fijación Oral, Vol. 1 contém todas as músicas em espanhol, e Oral Fixation, Vol. 2 apresenta todas as faixas em inglês. Shakira inicialmente disse que o segundo volume teria um "novo repertório de músicas", embora o álbum completo inclua duas adaptações em inglês de músicas do primeiro disco. Foi relançado em 2006 em uma versão expandida com uma regravação traduzida como faixa adicional e seu futuro sucesso internacional, "Hips Don't Lie".
Durante a gravação dos discos, ela trabalhou com colaboradores anteriores, como Lester Méndez e Luis Fernando Ochoa, e com novos parceiros, como Gustavo Cerati e José "Gocho" Torres. Shakira gravou todas as faixas no Compass Point Studios em Nassau, Bahamas, em sessões de gravação com Gustavo Celis. As músicas foram mixadas no Warehouse Studios em Vancouver, Canadá, em 2004. Sobre a produção, Cerati se referiu a ela como "um encontro muito produtivo", descrevendo-a como "muito doce e muito agradável".
Arte da capa e título thumb|right|160px|A imagem de capa do álbum foi influenciada pela pintura Madona Litta (imagem), de Leonardo da Vinci. A arte da capa de ambos os álbuns foi inspirada em Eva, a primeira mulher segundo a Bíblia; Shakira disse que "[queria] atribuir a Eva mais um motivo para morder o fruto proibido, e esse seria sua fixação oral" e que "[sempre sentiu] que [ela] foi uma pessoa muito oral. [É a sua] maior fonte de prazer". No entanto, em vez de aceitá-la como uma narrativa sagrada, a cantora a criticou abertamente como misógina; "Eva foi uma história criada por misóginos para colocar as mulheres numa caixinha onde temos que permanecer em silêncio, não expressar nossas opiniões e não ser um catalisador para a mudança. Para manter as coisas como estão". Em relação à esta capa com a de Oral Fixation, Vol. 2, a colombiana explicou que a primeira "é mais freudiana e a segunda mais junguiana, porque Eva [a primeira mulher] é um arquétipo universal. Tentei manter a unidade entre as duas capas e optei por usar a iconografia renascentista. A mãe e o filho e o pecado original são conceitos recorrentes do Renascimento, e eu estava buscando uma personagem histórica". Na capa de Fijación Oral, Vol., a artista é vista com cabelos loiros e com um vestido de gaze leve, segurando um bebê que estende a mão para seu seio. Um editor do site Blu Radio, sentiu que "a imagem evoca imediatamente a iconografia da Virgem Maria com o Menino Jesus, com referências específicas à "Madona Litta", obra de Leonardo da Vinci. No entanto, há também um eco a Deusa Mãe das culturas antigas: um símbolo de fertilidade, proteção e transmissão do conhecimento. Em um contexto pós-11 de setembro de 2001 e a consequente guerra global, a imagem sugere refúgio na maternidade e pureza em um mundo que parece cada vez mais violento e desprovido de humanidade".
Shakira também disse que o título da obra alude à teoria do psicanalista Sigmund Freud, segundo a qual os bebês começam a descobrir o mundo pela boca durante a fase oral do desenvolvimento psicossexual. Sobre esse aspecto, ela teorizou que a "fixação oral" era uma ideia inspirada pela psicanálise e por sua própria vida: "Vivi através da minha boca, cantando, beijando, conversando e comendo chocolate, minha fraqueza. É também um termo de origem psicanalítica, reforçado pela imagem de uma mãe amamentando seu filho". A criança que aparece na capa ao lado de Shakira é sobrinha materna da cantora, filha de um primo por parte de mãe. Essa foto foi censurada nas prensagens do disco no Oriente Médio, pois a nudez do bebê na foto "ofendeu a cultura e a religião (islâmica)", de acordo com um CEO. Para Jon Pareles, periodista do The New York Times, "por razões óbvias, a capa do álbum Fijación Oral, Vol. 1 é atraente".
Composição
Musicalmente, Fijación Oral, Vol. 1 é classificado como um álbum de pop latino "elétrico", que combina elementos de diversos gêneros, como dream pop, bossa nova, e synth-pop com várias canções de amor. O álbum "experimenta novos sons", como o reggaeton, que a cantora chama de "shaketon" porque "é o novo ritmo vindo de Porto Rico, mas feito do [seu] jeito". É considerado um "álbum bilíngue", pois contém faixas em espanhol com versos em francês e alemão. Na avaliação de Barry Walters, da Rolling Stone, o projeto contém influências de trabalhos de Stereolab, Eurythmics, Elvis Costello, Depeche Mode e Soda Stereo. De acordo com Hugo Fernández, do site espanhol LaHiguera, Fijación Oral, Vol. 1 "contém melodias excelentes, boas letras e uma voz sensacional". Inicialmente, Shakira planejou lançar um álbum com gêneros como rock eletrônico e rock alternativo. No entanto, ela afirmou que descartou essa ideia: "Lembro que no início eu realmente queria fazer um álbum influenciado pelos anos oitenta, queria fazer um álbum eletrônico, que evocasse bandas como Depeche Mode [e] The Cure. Então eu disse: 'Nada de riffs de guitarra, tirem todas as guitarras e vamos usar apenas sintetizadores [...] Eu queria trabalhar com os elementos mais primordiais".
thumb|right|120px|O cantor espanhol Alejandro Sanz participa de "La Tortura", o qual foi lançado como o primeiro single do álbum. thumb|right|120px|O cantor espanhol Alejandro Sanz participa de "La Tortura", o qual foi lançado como o primeiro single do álbum. Fijación Oral, Vol. 1 abre com "En Tus Pupilas", uma balada dream pop que incorpora elementos de folk. Esta que inicia-se com versos em francês; "Quando olho nos seus olhos, vejo que Deus existe". Liricamente, é uma declaração de amor sincera a uma pessoa, onde ela se abre sobre uma química tão forte que se convence de que Deus existe, e declara que é a melhor coisa que lhe aconteceu entre o mundano e o sagrado; "E eu sinto algo em você, algo entre nós dois / Que me faz insistir/ Quando olho nos seus olhos, sei que Deus não deixou de existir/ Você o faz viver". "La Pared", balada pop rock suave, descreve de forma comovente a sensação de estar presa e isolada em um relacionamento, como nos versos; "Depois de você, há uma parede / Nunca me deixe / Eu ficaria debaixo do asfalto e mais abaixo eu estaria / Sem você". "La Tortura", a terceira faixa, é uma canção de pop latino ornado a gêneros como dance, flamenco e reggaeton. É uma colaboração entre Shakira e o cantor espanhol Alejandro Sanz e se desenrola como uma discussão acalorada entre dois amantes separados pela infidelidade, mas que ainda se sentem magneticamente atraídos um pelo outro. A interpretação fervorosa da cantora transmite vulnerabilidade, enquanto a voz suave e arrependida do cantor contrasta com sua dor, oferecendo um charme sensual irresistível. A quarta faixa, "Obtener un Sí", é uma bossa nova com forte influência de Sinatra, onde Shakira "é acompanhada por uma orquestra de um crooner dos anos 1950". "Día Especial" conta com a participação do músico argentino Gustavo Cerati no violão. Letras como "Adiantei os ponteiros do relógio / A lágrima secou, a tempestade recuou" falam de perdão e renovação.