thumb|Ostara Eostre, Ēostre, ou Eastre é a deusa, presumivelmente da primavera e da aurora, da mitologia anglo-saxã citada pelo livro Sobre a Contagem do Tempo, de São Beda, o Venerável.

Seu nome originou nome do Inglês Moderno para a Páscoa Cristã (Easter), bem como possivelmente, para o alemão (Ostern), e foi especulado como que ela teria equivalentes continentais como o nome Ostara (Alemão) e Austra (Nórdico).

Historiografia e Ligações Linguísticas Por meio da reconstrução linguística, a questão de uma deusa chamada *Austrō(n) na língua Proto-Germânica tem sido examinada em detalhes desde a fundação da filologia. Como as línguas germânicas descendem do Proto-Indo-europeu (PIE), os linguistas históricos rastrearam o nome até uma deusa protoindo-europeia da aurora, *H₂ewsṓs, da qual pode descender a deusa germânica na origem do inglês antigo Ēostre e do alto alemão antigo *Ôstara.

O livro de Beda, Sobre a Contagem do Tempo (De Temporum Ratione), composto em 725 d.C., ao falar sobre os nomes ingleses antigos do calendário Anglo-Saxão, afirma que o mês de Abril era dedicado à deusa, bem como nos mostra que o nome de Ēosturmónaþ passou a ser um equivalente lunar do mês de Abril, o chamado "mês pascal" dos latinos, aos anglo-saxões:

Beda é a única fonte mencionando deusa, embora outros martirológios ingleses mencionem o mês de Eosturmonath como referentes ao mês de Abril. O nome inglês antigo para a Páscoa era Eastron. Isso chamou a atenção de filólogos, que notaram equivalentes disso com o Alto-Alemão Antigo, como no nome Ostarun para a Páscoa, citado pelo Codex Abrogans, e o nome do mês no Alto-Alemão Antigo para Abril, Ostarmanoth citado por Eginhardo em sua biografia de Carlos Magno.

Autores notaram tal conexão linguística desde o século XVII, e passaram a especular que, inicialmente, O geógrafo Philipp Clüver, associava tal deusa à Lua ou à Terra-Mãe:

Quando Jacob Grimm publicou seu livro Deutsche Mythologie 1835, Ostara já havia sido objeto de dois séculos de estudos acadêmicos. Todavia, Grimm popularizou a hipótese em curso de que Eostre tivesse seu equivalente continental como Ostara, uma deusa da radiância e da primavera, esquecida e assimilada durante a Cristianização.

Grimm comparou a menção de Beda ao mês de Abril do Alemão do século XVIII (Ostermonat), bem como no Alto-Alemão Antigo como ôstarmânoth, e que a palavra ôstarâ aparece no Alto-Alemão Antigo como "dias da aurora". Essa raiz alemã teria a mesma de ôstar (“movimento para o leste/nascente do sol”), sendo cognato do Nórdico Antigo *austr-, do Gótico *austr e do inglês antigo *ēastor, tal qual o espírito da luz Austri das Eddas poéticas, em comparação às deusas Eos e Ushas, sugerindo que Eostre e Ostara sejam uma deusa pangermânica matriarcal, das terras nórdicas, onde a Páscoa foi chamada de páskar, sugerindo um culto masculino.

Parte dos acadêmicos atuais duvidam da confiabilidade do relato de Beda, embora confiem que essa deusa possa ter sido historicamente, e que Ēosturmónaþ significasse simplesmente "mês de abertura" ou "mês do começo". O relato de Grimm é considerado uma extrapolação por acadêmicos como o linguista Richard Sermon e o filólogo Philip A. Shaw.

Shaw argumenta que o argumento Grimm extrapola o alcance das evidências. Formas derivadas de pascha (latim) dominam comumente as regiões Frísia, Saxônia e Escandinávia, provavelmente difundidas a partir da diocese de Colônia. Já o nome ôstarun no sudeste (incluindo diocese de Mainz) pode resultar de influência missionária Anglo-Saxã, via Bonifácio (bispo de Mainz) e contatos com a Nortúmbria, o qual importavam cópias das obras de Beda, incluindo possivelmente seu livro De Temporum. Isso sugere adoção cristã do termo ēastre em Mainz sem necessidade de uma pré-cristã e pangermânica.

Freckenhorster Heberegister, um livro monástico saxão do século IX, contém a palavra asteronhus, possivelmente significando “casa pascal”. Esse termo encontra paralelo no sobrenome flamengo Paashuis/Paeschhuis, registrado na Antuérpia do século XVI, reforçando a ideia de que formas germânicas não derivadas de pascha estavam em uso.

Com a prevalência de nomes topônimos ao Leste da Inglaterra, como Eastry e, e gentílicos da mesma região, como *Ēastorwara em Kent, Shaw conclui que Eostre era uma deusa tutelar específica de Kent.

Sermon, por outro lado reivindica maior popularidade de Eostre na Inglaterra, e especulando que sua festa tenha certa relevância, suficiente para que o nome da deusa seja adotada pelos missionários, justificado pelo seu papel funcional da aurora durante a primavera:

Neopaganismo e Lendas posteriores Ostara é conhecido como o nome do festival Wiccano de Sabá de Equinócio de Primavera, caindo entre os dias 20-23 de Março, os quais se celebram em honra à deusa do mesmo nome. Mesmo seu nome não tendo algum tipo de confirmação antiga, o nome da deusa foi escolhido somo Sabá por Aidan Kelly em 1974, tendo usado o livro de Beda como referência. O Ostara é também celebrado por neopagãos como os Ásatrú, os quais dedicam poemas e rituais em honra à mesma.

Coelhos e Ovos Embora muitos associem ovos e coelhos como símbolos de Eostre/Ostara, isso carece de evidência. Os ovos aparentam terem surgido das dietas das quaresmas medievais, que proibiam o consumo de ovos e laticínios, conforme proibido pelo Concílio de Trullo, e documentado por Tomás de Aquino. Os coelhos parecem terem sido criados por alemães da Alsácia ou do Palatinado, durante o século XVI ou XVII d.C, embora neopagãos também celebrem o festival de Ostara com ovos decorativos pintados. A influência de Eostre não aparenta ter sido fundamental para o desenvolvimento litúrgico da Páscoa, fora da questão linguística inglesa e alemã.

Do ponto de vista zooarqueológico, sabe-se que na as Ilhas Britânicas, com populações da Idade do Ferro, Romano-Britânicas, Anglo-Saxônicas, Medievais Galesas, existem possíveis associações divinas à lebre, como a deusa Icena Andraste, e figuras sincréticas, como Diana, e Santa Melangell possuem associações sugeridas às lebres, mas nenhuma associação confirmada a Eostre ou Ostara. É sugerido que eles fossem usados também para adivinhação pelos Icenos:

Onde se sabe, os Anglo-Saxões tinham um histórico de domesticação de lebres, mas não pareciam atribuir algum propósito simbólico especial à Primavera e nem restringiam seu consumo como os Gauleses ou os Icenos. Durante a Alta Idade Média, o consumo de carne de coelhos e lebres era altamente comum durante as festas Natal, passando longe de ser tão precocemente um símbolo primaveril durante os reinos cristãos medievais.

Ostara como Pássaro e Lebre Uma tradição afirma que Ostara havia se transformado em um pássaro, e posteriormente, em uma lebre, colocando ovos os quais se tornaram símbolo dela. Embora isso não reflita alguma crença pré-cristã, a aceitação dessa lenda começou a ficar popular por conta de uma publicação de 1883 da revista britânica Folk-Lore. A revista se baseou nas alegações do livro Überreste germanischen Heidentums im Christentum de K. A. Oberle, indicando para uma tradição lendária nativa do século XIX.

Ver também Páscoa Mitologia nórdica

Ligações externas

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