Eni de Mesquita Samara (Itu, 20 de setembro de 1948 – 29 de agosto de 2011) foi uma historiadora e professora brasileira, além de diretora do Museu Paulista entre 2003 e 2007. Foi pioneira nos estudos de demografia histórica brasileira, dedicando-se desde os anos 1970 à pesquisa sobre família e relações de gênero.

Origens e carreira Eni de Mesquita Samara nasceu no interior de São Paulo, filha de Antônio de Mesquita Camargo e Maria do Carmo Franceschini, ambos nascidos em Cabreúva, onde Eni cresceu.

Graduou-se em História na Universidade de São Paulo. Obteve os títulos de mestre e de doutora em História Econômica pela mesma instituição, sob orientação de Maria Teresa Schorer Petrone. Tornou-se doutora em 1980 com tese sobre a família na sociedade paulista do século XIX. Após realizar pós-doutorado em Austin, nos Estados Unidos, obteve o título de livre docente em 1994 com pesquisa intitulada Feminismo, Cidadania e Trabalho: o Brasil e o contexto latino-americano nos séculos XVIII e XIX. Foi docente do departamento de História da FFLCH, no qual lecionou disciplinas de Brasil Colonial.

Foi considerada pela comunidade acadêmica pioneira no avanço dos estudos da família e das relações de gênero na área de demografia histórica brasileira. Teve publicações acadêmicas e de divulgação nessa área, tanto no Brasil quanto no exterior, fazendo uso de fontes primárias, manuscritas e impressas.

Assumiu em 1994 a direção do Centro de Estudos de Demografia Histórica da América Latina (CEDHAL), da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, no qual assumiu atividades e projetos variados. No CEDHAL, foi responsável pela organização de um arquivo de fontes primárias dentro da temática da história da população. Permaneceu no posto até 2004.

Foi também vice-diretora da FFLCH entre 2002 e 2003 e presidente da Associação Nacional de História (ANPUH) de 2005 a 2007.

Eni de Mesquita Samara foi diretora do Museu Paulista e do Museu Republicano de Itu. Foi a segunda diretora mulher do Museu Paulista, sucedendo Raquel Glezer, que ocupou o posto desde 1999. Ao assumir a direção-geral do Museu Paulista em 2003, Eni ressaltou a importância de o museu estar aberto às mudanças da sociedade contemporânea, evitando o fechamento sobre si. Na sua visão, o museu deveria ser um espaço de pesquisa de ponta e estar simultaneamente integrado à comunidade paulista de seu entorno, oferecendo um atendimento de qualidade aos visitantes. O desafio de sua gestão foi ampliar as iniciativas empreendedoras iniciadas em gestões passadas e buscou modernizar o museu. Anunciou no último ano de sua gestão, em 2007, reformas de expansão do museu e buscou captar recursos por meio de incentivos fiscais junto a iniciativa privada.

Foi durante a sua gestão, particularmente a partir de 2006, que as ações educativas realizadas no Museu Republicano “Convenção de Itu” ganharam outra dimensão. Foi sob seu mandato que foi organizado um concurso público para instalação de um setor específico para desenvolvimento de ações educativas neste museu.

Publicações

A família brasileira (1983) As mulheres, o poder e a família (1989) As ideias e os números do gênero (1997) Família e vida doméstica no Brasil (1999) Família, mulheres e povoamento (2003)

Ver também Lista de diretores do Museu Paulista

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