thumb|Bandeira do estado do Paraná.|alt= A História do Paraná é uma série de conhecimentos da história do Brasil, dirigida para o estudo dos fatos históricos a partir das primeiras expedições exploradoras, no século XVI, até hoje.. Entretanto, a história estadual se inicia antes do descobrimento do Brasil. Neste momento, os primeiros moradores do que é hoje o território do estado foram os três povos indígenas, a saber: tupi-guaranis, caingangues e xoclengues..
No século XVII, o atual território do Paraná atraiu enorme interesse de portugueses e brasileiros. Estes dois povos encontraram ouro na região. Também cresceu o aprisionamento dos indígenas pelos bandeirantes paulistas. Até aquela época, colonizadores e jesuítas espanhóis foram os maiores colonizadores de Paranaguá, na costa, e Curitiba, no planalto, as principais vilas. No século XVIII, o fortalecimento e o desenvolvimento das atividades mineradoras em Minas Gerais colocaram o Paraná a um plano secundário. Pertencente à capitania de São Paulo, o estado mantinha a economia restrita à agropecuária de subsistência..
A província foi desmembrada em 1853. No final do século XIX a economia paranaense foi estimulada pelo cultivo da erva-mate. A economia ervateira era acompanhada do aproveitamento da madeira e das plantações de café. A expansão do café nas produtivas terras roxas do norte do estado propiciou enorme crescimento demográfico. Vieram ao Paraná migrantes gaúchos, paulistas, mineiros, nordestinos. Além disso, chegaram também imigrantes da Europa e do Japão. Esse vertiginoso progresso, entretanto, não aconteceu sem conflitos armados. De 1912 a 1916, agricultores carentes entraram em guerra contra forças federais e estaduais em nome de sua terra e de sua religiosidade na região do Contestado, na divisa entre os estados do Paraná e Santa Catarina. Naquele tempo, as duas unidades federativas disputavam essa região.
No começo do século XX, destacaram-se importantes companhias colonizadoras, como a britânica Paraná Plantation. Na área de atuação nasceram os municípios de Londrina e Maringá. Estas duas cidades, da década de 1950 até a de 1970, se transformaram em grandes centros cafeeiros. O desenvolvimento está associado a alterações econômicas que causaram problemas sociais, especialmente no campo. Na década de 1970 calcula-se que no mínimo 1 milhão de pequenos fazendeiros e agricultores perderam sua terra e seu emprego, em função da concentração de terras e da crise agrícola causada pela geada de 1975. Esta catástrofe natural destruiu os cultivos. Diversos trabalhadores rurais sem terra se transformaram em boias-frias. Já, outros se mudaram do estado em direção ao Centro-Oeste, ao Norte do Brasil e ao Paraguai. Cresceu a migração para os centros urbanos. Esse crescimento migratório, na década de 1980, colaborou para um rápido e atrasado desenvolvimento urbano. As médias e grandes cidades passaram a conviver com um grande crescimento das favelas, formadas por desempregados do campo.
Povos indígenas e período colonial
No tempo da descoberta do Brasil, os carijós, do grupo tupi, e os caingangues, do grupo jê, povoavam as terras que atualmente estão subordinadas ao estado do Paraná. Os carijós moravam no litoral e os caingangues residiam no interior..
esquerda|miniaturadaimagem|Capitanias do Brasil em 1534.
Até a metade do século XVII, a costa meridional da capitania de São Vicente, atualmente subordinada ao estado do Paraná, foi ocasionalmente percorrida por europeus que procuravam madeiras de lei. Na época de dominação castelhana, foi incentivado o encontro dos vicentinos com a região do rio da Prata e tornou-se mais contínuo o trajeto do litoral, cujo desbravamento descontínuo ainda seria ocasionado pela busca de indígenas e de riquezas minerais. Da costa, os paulistas avançaram para oeste, à procura de indígenas, ao passo que, a leste, onde atualmente se encontram Paranaguá e Curitiba, ocuparam-se da mineração.
As histórias sobre a presença de enormes minas de ouro e prata trouxeram à região de Paranaguá inúmeros aventureiros. O próprio Salvador Correia de Sá, o qual em 1613 fora empossado da superintendência das minas do sul do Brasil, aí se encontrou durante três meses, ao passo que laborava com cinco autoridades que fizera chegar de Portugal. Não achou, entretanto, nenhuma onça de ouro. Sob a gestão do visconde de Barbacena, foi para lá mandado o espanhol Rodrigo Castel Blanco, importante especialista das minas do Peru, que em 1680 enviou uma carta escrita à bico de pena ao monarca português para igualmente desencantá-lo em definitivo a respeito da história das jazidas de prata.
miniaturadaimagem|200x200px|Índios caiouás em 1860 no Paraná. Aos indígenas, o paranaense deve o nome de seu estado e de muitas de suas cidades.
No desfecho do século XVII, deixados para trás os desejos de enormes riquezas minerais, continuou a procura do ouro de aluvião, considerado "de lavagem", por meio da qual os poucos moradores do local catavam recursos para a compra de produtos de fora. Os indígenas que fugiam do genocídio eram colocados na agricultura. Os escravos africanos passaram a ser empregados no século XVIII e já em 1798 o censo mostrava que sua quantidade, em termos relativos, ultrapassava a dos índios.
A vila de Paranaguá, fundada por uma carta régia de 1648, constituiu com o seu interior — os denominados campos de Curitiba, a mais de mil metros de altitude — uma só comunidade. Predominou em Paranaguá o plantio das terras e, nos campos, a pecuária. Aos poucos, Curitiba, promovida a vila em 1693, converteu-se no maior centro da comunidade paranaense, e para tanto foi motivo crucial o enorme caminho do gado que se implantou do Rio Grande do Sul a Sorocaba. Castro é o primeiro município verdadeiramente paranaense, a fundação do município ocorreu em 1778.
Imagem:Paraná história primeiros tempos.ogg
Tropeirismo
esquerda|miniaturadaimagem|Monumento ao Tropeiro no município da Lapa–PR. O descobrimento das jazidas de ouro da Capitania de Minas Gerais teve como um de seus resultados a enorme necessidade de gado cavalar e bovino. Utilizou-se, portanto, das mulas selvagens da região missioneira do sul, conduzidas pela estrada Viamão-Sorocaba, construída em 1731. Conforme Brasil Pinheiro Machado, a abertura dessa estrada foi “evento de importância na história do Paraná. Afastou Curitiba do ciclo litorâneo, desligando-a socialmente de Paranaguá e anexando-a ao sistema histórico dos conflitos fronteiriços, concedendo-lhe possibilidade de uma expansão para o sul, para o norte e para oeste, de modo que Curitiba começasse a representar o caráter de toda a região que seria a vindoura província”..
Começava-se dessa forma o tropeirismo na história do Paraná, que se prolongou até os anos 1870, no momento que se iniciou a era do transporte ferroviário. Inúmeros moradores ocuparam-se da rentável atividade de adquirir mulas no sul, inverná-los em seus campos e recomercializá-los nas feiras de Sorocaba. Foi fundamentalmente com a propagação das propriedades de pecuária e invernagem que se realizou a colonização do território. Com ênfase na qualidade dos pastos e na atividade de escravos africanos e indígenas, instalam-se as famílias que possuem o controle regional.... Graças às tropas que se estabeleciam ao entorno de alguns rios, surgiram municípios como Lapa,. Ponta Grossa. e Castro.
Imagem:Paraná história Ciclo das Tropas.ogg
Desenvolvimento da pecuária
esquerda|miniaturadaimagem|Panorama de Curitiba, em gravura de Jean-Baptiste Debret, 1827. No início do século XIX, com o agravamento do conflito armado no sul, tornou-se importante, como parte da estratégia de Portugal, a colonização das terras que, por intermédio do Tratado de Madri, estavam subordinadas ao Império Português, mas continuavam relegadas ao abandono a partir da devastação das missões jesuíticas pelos bandeirantes.
Com a tripla finalidade de colonizar o território, dominar os indígenas e abrir passagem às missões, em junho de 1810 uma operação militar alcançou os campos de Guarapuava, que em seguida foram concedidos em sesmarias. Os "mais ricos habitantes" distribuíram os indígenas caçados e três décadas depois a região se encontrava colonizada. Tratava-se então de dominar os autóctones os campos de Palmas, o que fora realizado em 1839 por duas sociedades privadas, concorrentes, que se utilizaram do arbitramento para que não houvesse conflito armado dentre seus integrantes. Terminou-se desse modo na metade do século XIX, e em consequência da atividade pecuarista, a colonização dos campos do interior.
Período imperial
miniaturadaimagem|Fac-símile da Lei Imperial n.º 704 de 26 de agosto de 1853, que deu autonomia ao Paraná. Por intervenção do alvará de 19 de fevereiro de 1811, foi fundada a comarca de Curitiba e Paranaguá, subordinada à capitania de São Paulo. A 6 de julho daquele janeiro a câmara municipal de Paranaguá encaminhou-se ao príncipe regente para solicitar o desmembramento da comarca e a fundação de nova capitania. Uma década mais tarde, a Conjura Separatista, comandada por Floriano Bento Viana, elaborou publicamente seu pedido emancipacionista, mas ainda sem conseguir sucesso.
Mesmo com a ação política manifestada em repetidos cuidados e requerimentos que objetivavam o desmembramento político-administrativo, e ainda após a emancipação nacional, permaneceram os então denominados "paranaguaras" sujeitos aos líderes da força regional, porque o governo provincial se encontrava distante e nem um pouco interessado naquelas regiões.. A relevância política e estratégica da região sobressaía com o tempo e destacava-se com eventos que tiveram impacto no cenário brasileiro,. como a Guerra dos Farrapos (1835–1845) e as revoltas liberais de 1842.
Em 29 de maio de 1843, entra em primeira discussão o projeto de lei que elevava a comarca de Curitiba à categoria de província. Durante os debates, destacaram-se os deputados de Minas Gerais e São Paulo. Segundo os deputados paulistas, o verdadeiro motivo da criação da nova província, por desmembramento da Província de São Paulo, seria o de punir esta última por sua participação na Revolta Liberal de 1842. Ao mesmo tempo, a economia do Paraná, ao lado do comércio de gado, recebia desenvolvimento com a venda externa da erva-mate nativa aos comércios platino e chileno. Foram realizadas promessas de desmembramento, ao passo que continuavam as comissões e os debates no Parlamento. Enfim, em 28 de agosto de 1853 foi promulgado o projeto de fundação da província do Paraná. Este abrigaria como capital provisória (que mais tarde seria ratificada) a cidade de Curitiba. miniaturadaimagem|Depósito de erva-mate.
Em 19 de dezembro daquele ano veio à capital Zacarias de Góis e Vasconcelos, primeiro presidente da província, que a partir deste momento se comprometeu em tomar providências para estimular a economia regional e obter capitais para as atividades administrativas que eram precisas. Buscou direcionar para demais negócios, principalmente agrícolas, parte da mão-de-obra e dos recursos que eram utilizados na produção e venda da erva-mate. A mais rentável atividade da província continuava sendo, entretanto, a invernada e a comercialização de mulas para São Paulo. Essa atividade atingiu o ponto culminante nos anos 1860 e apenas entrou em decadência no desfecho do século.
No decorrer do período provincial, o governo do Paraná não atingiu a importante permanência executiva, porque a presidência da província, de livre nomeação do poder central, possuía nada além de 55 titulares em 36 janeiros. Os liberais do Paraná reuniram-se sob o comando de Jesuíno Marcondes e seu cunhado Manuel Alves de Araújo, membros da família dos barões de Tibagi e Campos Gerais, até então a mais influente oligarquia da região. Os conservadores eram liderados por Manuel Antônio Guimarães e Manuel Francisco Correia Júnior, de famílias que administravam o setor terciário da costa.
Crise na sociedade pecuarista