Estado Islâmico na África Ocidental (EIAO), ou Província da África Ocidental do Estado Islâmico ( , Wilāyat al-Sūdān al-Gharbī, )Aviso à atenção da Província da África Ocidental do Estado Islâmico (ISWAP) e do Estado Islâmico no Grande Sara (ISGS), cujas designações foram acrescentadas à lista referida nos artigos 2.o, 3.o e 7.o do Regulamento (CE) n.o 881/2002 do Conselho que impõe certas medidas restritivas específicas contra certas pessoas e entidades associadas às organizações EIIL (Daexe) e Alcaida, por força do Regulamento de Execução (UE) 2020/288 da Comissão 2020/C 67/05 - Jornal Oficial da União Europeia, é um grupo terrorista jihadista e salafista e uma das "províncias" do Estado Islâmico.

O grupo surgiu em 7 de março de 2015 com a lealdade do Boko Haram ao Estado Islâmico, que foi oficialmente aceita cinco dias depois. No entanto, o grupo se dividiu em agosto de 2016, quando seu comandante, Abubakar Shekau, foi destituído pelo Estado Islâmico por "extremismo" e foi substituído por Abou Mosab al-Barnaoui. Opondo-se a essa decisão, Shekau assume a chefia de uma facção que retoma seu antigo nome "Grupo Sunita para a Pregação e a Jihad" — o nome oficial do Boko Haram. As duas facções, assim, tornam-se rivais e ocasionalmente se confrontam.

O grupo participa de uma insurreição jihadista no nordeste da Nigéria, no sudeste do Níger e no extremo norte dos Camarões. Em março de 2019, ingressou no Estado Islâmico – Província do Sahel, ativo no nordeste do Mali, no norte de Burkina Faso e no oeste do Níger.

Organização Comando Em 7 de março de 2015, Abubakar Shekau anunciou lealdade a Abu Bakr al-Baghdadi, califa do Estado Islâmico.Boko Haram fait allégeance au groupe État islamique, RFI, 7 de março de 2015. Em 12 de março, o Estado Islâmico declarou que acolheu a lealdade do Boko Haram.L'État islamique accepte l'allégeance de Boko Haram, Le Monde, 12 de março de 2015.

Mas em junho de 2016, o general Thomas Waldhauser, comandante do Comando dos Estados Unidos para a África, relatou uma cisão dentro do grupo, afirmando que metade dos membros do Boko Haram não obedecem mais a Abubakar Shekau. Os dissidentes reprovavam Shekau por não seguir as instruções do Estado Islâmico, nomeadamente ter ignorado as exigências do Estado Islâmico para acabar com os ataques suicidas cometidos por crianças.Boko Haram en proie à une scission, selon l'état-major américain, Reuters, 21 de junho de 2016.Y-a-t-il une scission au sein du groupe Boko Haram?, RFI, 22 de junho de 2016.

Em 2 de agosto, o Estado Islâmico apresenta Abu Mosab al-Barnaoui, como uale e chefe de suas forças na África Ocidental.L'EI nomme un nouveau chef de Boko Haram, le sort d'Abubakar Shekau incertain, France 24 com AFP, 4 de agosto de 2016. Shekau responde em 3 de agosto em um comunicado em áudio no qual recusou sua destituição. Embora ainda reconheça Abu Bakr al-Baghdadi como o "califa dos muçulmanos", critica Abu Mosab al-Barnaoui, a quem descreve como "desviante" e afirma que foi "enganado" e que não quer mais "seguir cegamente" certos emissários do Estado Islâmico: "Com esta mensagem, queremos afirmar que não aceitaremos mais nenhum emissário, exceto aqueles realmente comprometidos com a causa de Alá".Évincé par l'EI, le chef de Boko Haram Abubakar Shekau affirme être "toujours présent", France 24 com AFP, 4 de agosto de 2016.Joan Tilouine, L’organisation Etat islamique tente de reprendre en main Boko Haram, Le Monde, 4 de agosto de 2016. Segundo Romain Caillet, o grupo dividiu-se em duas tendências: "Uma tendência que associa-se a Abubakar Shekau, que é a mais rígida, e uma tendência que paradoxalmente será um pouco menos radical, pouco menos extremista e que é precisamente essa tendência que se uniu ao Estado Islâmico. Ou seja, [...] os partidários de Shekau são os adeptos da linha ultra-radical absoluta".Jean-Jacques Louarn, Romain Caillet: les deux tendances de Boko Haram, Shekau et al-Barnawi, RFI, 5 de agosto de 2016.

Abu Mosab al-Barnaoui é assessorado por Mamman Nour e entre os outros chefes que se juntaram a ele estão principalmente Mallam Bako, Abubakar al-Nouké, Abubakar Mainoké e Adam Badri Mohammed Yusuf - irmão de al-Barnaoui.Tanguy Berthemet, L'État islamique reprend en main Boko Haram, Le Figaro, 16 de março de 2017.

Durante o ano de 2018, os expurgos internos teriam afetado o comando do Estado Islâmico na África Ocidental, de acordo com a mídia nigeriana.Violences au Nigeria: les plus radicaux pourraient avoir pris le contrôle de Boko Haram, AFP, 18 de setembro de 2018. Em agosto de 2018, Mamman Nour, o número dois da organização, teria sido executado por outros membros do Estado Islâmico na África Ocidental.Nigeria: purges à la tête de Boko Haram, RFI, 2 de outubro de 2018. Incorporando a tendência menos radical do grupo, ele foi acusado pelos mais extremistas de ter libertado as meninas raptadas em Dapchi sem obter um resgate. Em outubro, o número três, Ali Gaga, também foi executado após se suspeitar que pretendia se render às autoridades nigerianas.

Abu Mosab al-Barnaoui, por sua vez, seria deposto pelo Estado Islâmico em março de 2019 e substituído por Abou Abdallah Idrisa ou Abou Abdullah Ibn Umar Al-Barnaoui.Un chef local de Boko Haram, al-Barnawi, aurait été destitué, RFI, 8 de março de 2019.Nigeria : L'Etat islamique destitue Al-Barnawi, chef d'une faction de Boko Haram, Koaci, 8 de março de 2019.Matteo Puxton, État islamique au Nigeria: le nouveau champ de bataille des djihadistes, France Soir, 5 de junho de 2019.Matteo Puxton, Etat islamique au Nigéria: les djihadistes ont "tiré les leçons de l'expérience irako-syrienne", France Soir, 13 de junho de 2019.

Efetivos Em junho de 2016, a CIA estimou que havia 7.000 jihadistas membros do Estado Islâmico na África Ocidental.

Em 2018, o Combating Terrorism Center estima que a facção de Abu Mosab al-Barnaoui tenha entre 3.500 e 5.000 combatentes e a de Abubakar Shekau aproximadamente 1.000 combatentes. Nigeria : les jihadistes se déplacent librement autour du Lac Tchad, France 24, 26 de novembro de 2018.Julia Dumont, Pourquoi les attaques jihadistes sont en hausse dans la région du lac Tchad, France 24, 30 novembro de 2018. No início de 2019, para Vincent Foucher, pesquisador do CNRS, indica que, segundo fontes de segurança, a facção de al-Barnaoui contaria com 2.500 a 5.000 homens e a de Shekau com aproximadamente 2.000 membros.Fatoumata Diallo, Nigeria : Boko Haram, affaibli par les troupes de Buhari, « a gagné en qualité tactique », Jeune Afrique, 12 de fevereiro de 2019. Outras fontes relatam cerca de 13.000 homens para a facção de Barnaoui em 2019.

Segundo fontes militares francesas do Le Figaro, pelo menos quinze iraquianos do Estado Islâmico foram enviados em 2016 à Nigéria por seis meses para treinar os insurgentes "em técnicas de combate, manuseio de explosivos e fabricação de armas artesanais, incluindo lança-foguetes".Georges Malbrunot, Traqué, Al-Baghdadi, le chef de Daech, se terre dans le désert, Le Figaro, 9 de março de 2017.Georges Malbrunot, Daech cherche à s'étendre en Afrique, Le Figaro, 16 de março de 2017. Eles teriam sido avistados na floresta de Sambisa e no estado de Adamawa.

Entre 2015 e 2017, grupos de combatentes do Estado Islâmico na África Ocidental partem para a Líbia para receber treinamento militar do ramo líbio do Estado Islâmico. Os jihadistas líbios também partem para a Nigéria para servir como instrutores.

História

Relações entre o Estado Islâmico na África Ocidental e o Boko Haram Após a divisão de 2016, a facção de Shekau reteve a floresta Sambisa como seu reduto,Nigeria : 21 lycéennes de Chibok libérées par le groupe djihadiste Boko Haram, Le Monde com AFP, 13 de outubro de 2016. enquanto a facção de Barnaoui se estabeleceu a nordeste de Maiduguri e na região do Lago Chade.Nigeria/lycéennes: Boko Haram prêt à négocier, Le Figaro com Reuters, 16 de outubro de 2016.Barnaoui à la tête de Boko Haram : le djihadisme de père en fils, AFP, 25 de agosto de 2016.Boko Haram perd du terrain au Nigeria, Le Monde com AFP, 28 de dezembro de 2016. A maioria dos combatentes permanecem leais a al-Barnaoui.“L’ancien chef de Boko Haram a été destitué par l’État islamique pour extrémisme”, Les Inrocks, 7 de agosto de 2016.

Em 7 de agosto de 2016, Abubakar Shekau aparece com vários de seus combatentes em um vídeo no qual denuncia o "dogma desviante" de Abu Mosab al-Barnaoui, mas afirma que não lutará contra ele. Shekau declara que prossegue na luta contra os "descrentes", ameaçando as Nações Unidas, os Estados Unidos, França e Alemanha. Também afirma fazer "da luta contra a Nigéria e o mundo inteiro uma responsabilidade pessoal".L’ex-chef de Boko Haram apparaît dans une vidéo adressée au groupe État islamique, Les Inrocks, 8 de agosto de 2016.Nigeria : Shekau réaffirme sa volonté de se battre à la tête de Boko Haram, Le Point com AFP, 8 de agosto de 2016.Clarisse Martin, Boko Haram : pourquoi Abubakar Shekau a été destitué par Daesh, RTL com AFP, 8 de agosto de 2016.Anissa Boumediene, Destitution du chef de Boko Haram : «Si Abubakar Shekau sort du giron de Daesh, la confrontation armée sera inévitable», 20 Minutes, 8 de agosto de 2016.Boko Haram: qui est à la tête de l'organisation?, France Culture, 9 de agosto de 2016.

No entanto, são relatados confrontos entre o Estado Islâmico e o Grupo Sunita para a Pregação e a Jihad, em particular em setembro de 2016Nigeria : Boko Haram déchiré par des combats entre factions rivales, Jeune Afrique com AFP, 7 de setembro de 2016. e em janeiro de 2020.Lutte contre Boko Haram. Le Tchad rapatrie ses troupes du Nigeria, Ouest-France com AFP, 4 de janeiro de 2020.

Em maio de 2021, o Estado Islâmico na África Ocidental atacou as forças do Boko Haram na floresta de Sambisa.Nigeria : la mort de Shekau, un tournant dans la guerre entre Boko Haram et l’État islamique ?, Jeune Afrique, 1 de junho de 2021. Durante os combates que se seguiram, Abubakar Shekau se viu cercado e cometeu suicídio após se recusar a se render.Nigeria : le chef de Boko Haram est mort, selon le groupe jihadiste rival Iswap, France 24 com AFP, 6 de junho de 2021.

União com o Estado Islâmico – Província do Sahel Em março de 2019, o Estado Islâmico – Província do Sahel (EIGS), liderado por Adnane Abou Walid al-Sahraoui, foi integrado ao Estado Islâmico na África Ocidental.Ennemi prioritaire de la France et du G5 Sahel: Comment l'ex-EIGS en est arrivé là..., Dakaractu, 15 de janeiro de 2020.L'Etat islamique désigné ennemi numéro 1 au Sahel, Le Figaro com AFP, 15 de janeiro de 2020. A partir dessa data, os ataques do Estado Islâmico – Província do Sahel serão reivindicados pelo Estado Islâmico na África Ocidental. Os dois ramos permanecem separados territorialmente, porém os jihadistas nigerianos foram enviados para a área de ação do Estado Islâmico – Província do Sahel.

Financiamento Em 2016, o Estado Islâmico transferiu quantias de $ 500.000 de dólares para sua filial nigeriana a cada quatro meses. A partir de 2017, essas quantias tornam-se menos substanciais, mas em 2018 o Estado Islâmico na África Ocidental é capaz de se autofinanciar. Recolhe impostos e domina a produção e distribuição de peixe seco pescado no Lago Chade, bem como a produção de pimenta seca e arroz. Assim, a organização arrecada de $ 2 a 3 milhões de dólares por mês nos territórios sob seu controle.

Notas

Categoria:Estado Islâmico Categoria:Grupos rebeldes da Nigéria