Anumane III ibne Almondir (), também transcrito como Naamane (Na'aman), Nuamane (Nu'aman) e Nomane (Noman) e muitas vezes conhecido pela cúnia Abu Cabus , foi o último rei lácmida de Hira e um árabe cristão nestoriano. Ele é considerado um dos mais importantes governantes lácmidas.

Biografia

Infância e irmãos Anumane era filho de e Salma, a filha de um ourives judeu, Uail ibne Atia de Fadaque, e foi escrava de Alharite ibne Hisne, da tribo dos calbitas. A origem básica e até servil de sua mãe costumava ser usada para zombar de Anumane pelos poetas contemporâneos. Além disso, as fontes árabes retratam por unanimidade Anumane como um indivíduo particularmente feio, e comentam sobre seus cabelos ruivos, sua baixa estatura e sua pele manchada. Segundo Atabari, ele foi criado na infância pelo poeta cristão , que com seus irmãos serviu como secretário de assuntos árabes para o senhor dos lácmidas, o xainxá sassânida. Ele tinha numerosos irmãos — 11 ou 12, segundo as fontes.

Reinado miniaturadaimagem|upright=1.05|miniaturadaimagem|esquerda|Dracma de Hormisda IV miniaturadaimagem|esquerda|upright=1.05|Dracma de

A sucessão de Anumane em 580 não esteve imune à oposição, pois o clã dos marinaítas apoiou seu irmão Alaçuade. O xainxá nomeou como governador interino, enquanto um candidato adequado foi procurado na dinastia lácmida. As fontes árabes informam que a intervenção de Adi ibne Ziade foi decisiva: Adi fez os outros filhos de Almondir se apresentarem primeiro a Hormisda, que perguntou se eles poderiam cumprir os deveres do cargo. A isso, todos responderam, instruídos por Adi: "Podemos controlar os árabes para você, exceto Anumane". Quando Anumane veio pela última vez, ele prometeu com confiança não apenas controlar os árabes, mas também seus irmãos, dizendo: "Se eu não posso lidar com eles, então não posso lidar com ninguém!". Satisfeito com sua resposta, Hormisda o nomeou rei e lhe deu uma coroa incrustada em ouro e pérola no valor de 60 mil dirrãs para confirmar sua posição.

Anumane era um governante forte e enérgico, mas pouco se sabe sobre seu reinado. Ele foi confrontado com divisões entre as tribos e clãs sujeitos a ele. Assim, quando tentou remover o direito de liderar uma divisão em batalha (o chamado ridafa) dos , uma subtribo dos tamimitas, e entregá-lo aos darimitas, outra subtribo, isso provocou um choque violento entre as duas em . Apesar do apoio dado por Anumane aos darimitas, os iarbuítas venceram e aprisionaram o filho e um dos irmãos de Anumane, que foram resgatados pelo preço de mil camelos. Ao contrário de seus antecessores, Anumane mal se preocupava com os tradicionais rivais árabes dos lácmidas, os gassânidas, pois estes haviam brigado com seus senhores bizantinos em e foram eliminado como potências regionais. A única atividade militar registrada de Anumane é um ataque à fortaleza bizantina de Circésio durante a guerra bizantina-sassânida de 572-591. Segundo relatos árabes, Anumane deu refúgio ao filho de Hormisda, , durante sua fuga do usurpador em 590, e lutou ao lado dele numa batalha no Canal de Narauã contra as forças do usurpador.

Queda, morte e consequências miniaturadaimagem|Dinar de

Apesar da assistência prestada a Cosroes, depois que este foi restaurado ao seu trono, os dois querelaram. As fontes não fornecem uma razão clara para isso, atribuindo sua disputa à recusa de Anumane em dar seu cavalo a Cosroes ou em casar uma de suas filhas, , com um dos parentes de Cosroes. É mais provável que isso tenha a ver com a briga anterior entre Anumane e seu conselheiro principal, Adi ibne Zaíde, que ficou sob suspeita de conspirar contra Anumane e foi executado. O filho de Adi, que tinha o ouvido de Cosroes, conseguiu virar o governante persa contra Anumane. A conversão deste último ao cristianismo nestoriano também pode ter sido um fator, pois Cosroes desconfiava da crescente influência dos cristãos em sua própria corte. Por outro lado, o ramo nestoriano do cristianismo era geralmente visto com menos hostilidade pelos governantes sassânidas, e o próprio Cosroes era casado com uma cristã, Sirém.

Depois que tomou conhecimento da hostilidade de Cosroes, Anumane fugiu de sua capital e procurou refúgio entre os becritas, mas acabou sendo forçado a se render e foi executado sendo esmagado por elefantes. No entanto, de acordo com uma crônica siríaca, Cosroes convidou Anumane para um banquete onde foi desonrado e preso; outra crônica siríaca afirma que Cosroes capturou Anumane junto com seus filhos, que então foram envenenados. O fim do reinado de Anumane é geralmente colocado em por estudiosos modernos. Após sua prisão, Cosroes removeu completamente os lácmidas do poder e confiou o governo de Hira a Ias ibne Cabiçá Atai. Isso marcou o fim da dinastia lácmida, que havia efetivamente protegido a Pérsia contra as tribos árabes por quase três séculos. Muito rapidamente, os efeitos nocivos disso se fizeram sentir, quando os bacrtias, insatisfeitos com Ias, se revoltaram e derrotaram uma força persa na Batalha de Di Car. Juntamente com o aumento da instabilidade na Pérsia, após a queda de Cosroes em 628, esses eventos anunciaram a decisiva Batalha de Cadésia em 636 e a conquista muçulmana da Pérsia.

Legado

Segundo Irfan Shahîd, nas histórias posteriores, o reinado de Anumane "foi o mais memorável depois do de seu avô, Almondir". A capital lácmida, Hira, continuou a ser o principal centro cultural árabe de seu tempo, particularmente através do patrocínio de poetas de AAnumane, principalmente Adi ibne Zaíde e o panegirista Anabiga Adubiani. Anumane também foi o primeiro a se converter abertamente ao cristianismo, provavelmente após a conclusão da paz com Império Bizantino em 591. Isso aumentou a importância de Hira como um centro cristão nestoriano, particularmente para atividades missionárias no Golfo Pérsico e na Arábia Oriental.

Bibliografia

Categoria:Reis lácmidas Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Árabes do Império Sassânida