A Organização Revolucionária Marxista Política Operária (Polop) foi uma organização da esquerda extraparlamentar brasileira, contrária à linha do Partido Comunista Brasileiro, e que deu origem a várias outras:

Comando de Libertação Nacional (Colina) Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) Partido Operário Comunista (POC) Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) Organização de Combate Marxista-Leninista - Política Operária (OCML-PO), também conhecida como "nova Polop" Movimento Comunista Revolucionário (MCR) Movimento de Emancipação do Proletariado (MEP) Organização Marxista Proletária (OMP) Coletivo Marxista Movimento Marxista 5 de Maio (MM5)

Objetivos A POLOP surgiu em janeiro de 1961, reunindo cerca de vinte militantes, como resultado da fusão de pequenos grupos do Rio de Janeiro (Juventude do Partido Socialista Brasileiro), Minas Gerais (Mocidade Trabalhista), São Paulo (Liga Socialista Independente) e Bahia (um  grupo em Salvador e outro em Ilhéus). Esses militantes não aceitavam as propostas do PCB, força então dominante na esquerda - que afirmava que a revolução no Brasil tinha caráter democrático-burguês -, e não concordavam com a orientação do PCB de levar o operariado a apoiar um setor da burguesia.

Na Convocatória para a fundação, colocavam-se os seguintes objetivos:

- elaborar um programa socialista para o país;

- recrutar jovens militantes operários para a organização;

- procurar influir sobre o desenrolar da luta de classes no país, em cada momento e com os meios disponíveis,.

História Genealogia As raízes da POLOP estão na Juventude Socialista do Partido Socialista Brasileiro (PSB) do Rio de Janeiro, que formou a Organização Revolucionária Marxista - Política Operária (ORM-Polop) em fevereiro de 1961, a partir da fusão com círculos de estudantes provenientes da Mocidade Trabalhista, de Minas Gerais, da Liga Socialista, de São Paulo, simpatizantes de Rosa Luxemburgo e alguns trotskistas, além de dissidentes do PCB do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas e militantes da Bahia (Salvador e Ilhéus).

Já em 1964, depois do golpe que derrubou o governo do presidente João Goulart, a Polop participou da articulação de uma guerrilha contra o regime militar, mas a tentativa foi abortada ainda na fase de planejamento, em Copacabana, pelo Centro de Informações da Marinha (Cenimar). Participou também no final de 1966 e início de 1967 da chamada Guerrilha do Caparaó, liderada por militantes do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), formada por ex-militares.

Em 1967, no IV Congresso, pouco menos da metade dos militantes cindem a Polop e dão origem ao Comando de Libertação Nacional (Colina), em Minas Gerais, enquanto, em São Paulo, uma "ala esquerda" da organização uniu-se a militantes remanescentes do MNR para constituir a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

Em 1969, remanescentes da VPR e do Colina se uniram para formar a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Em 1968 a Polop funde-se com a Dissidência Leninista do PCB, no Rio Grande do Sul, para criar o Partido Operário Comunista (POC).

Em abril de 1970, um grupo de militantes (quase a totalidade provenientes da Polop) desligou-se do POC para voltar a constituir a OCML-Polop; o motivo foi a adesão às ações armadas por parte da quase totalidade dos originários da dissidência leninista; a nova Polop manteve a orientação central de realizar o trabalho de propaganda junto a vanguarda operária, rebatizando sua organização como Organização de Combate Marxista-Leninista - Política Operária (OCML-PO).

No exílio, a OCML-PO editou, durante certo tempo, em conjunto com a Ação Popular (AP) Socialista e o MR-8, a revista de debates teóricos Brasil Socialista.

Finalmente, em 1976, o Movimento pela Emancipação do Proletariado (MEP) surgiu a partir de um grupo carioca da Polop, denominado Fração Bolchevique.

Bases teóricas e ideológicas Quando da fundação da POLOP, em 1961, o PCB era praticamente sinônimo de esquerda no Brasil. Desde as décadas precedentes e até 1943, seguindo as orientações da Internacional Comunista, e, depois de 1947 (quando a IC foi extinta), do Cominform (Escritório de Informação dos Partidos Comunistas e Operários), o PCB sustentava que o caráter da revolução no Brasil era democrático, isto é, tratava-se de uma revolução burguesa; que o desenvolvimento do capitalismo no país era tolhido, de um lado, pelo latifúndio feudal ou semi-feudal e, de outro, pelo imperialismo americano; e que era, portanto, necessário apoiar um setor da burguesia – democrático, progressista ou nacionalista, sendo que o adjetivo variou ao longo do tempo – na sua luta contra o latifúndio e o imperialismo.

A ênfase na formulação das orientações em cada país recorrendo à aplicação da teoria, a partir da análise da realidade concreta, já havia sido soterrada pelo "pragmatismo", orientado pela necessidade dos Estados socialistas, vitoriosos em países periféricos e que enfrentavam o cerco das potências imperialistas.

A POLOP procurou incorporar conscientemente a tradição – da aplicação da teoria à realidade – retomando as formulações de Marx e Engels, e dos partidos comunistas do  início do século XIX e dos quatro primeiros Congressos da Terceira Internacional (que contaram com a participação de Lenin). Essa retomada se dá através de Eric Sachs, um dos fundadores da POLOP.

Austríaco de origem judaica, Sachs nasceu em 1922. Em 1934, devido ao recrudescimento das perseguições do nazismo aos judeus, emigra para a Rússia (sua mãe tinha um irmão militante do partido bolchevique). Lá, frequentou a escola Karl Liebknecht até 1937, quando foi expulso por manter contatos com militantes da Oposição Comunista Alemã (KPO). Volta à Áustria com a mãe e, depois de alguns meses, foge para Paris, onde se torna o mais jovem militante da KPO no exílio e conhece comunistas, como Victor Serge, e militantes do POUM da Espanha. Na mesma época, passa a conviver com August Thalheimer, com quem trava discussões sistemáticas.

Thalheimer, discípulo de Rosa Luxemburgo, militara na Liga Spartacus e participara, em 1919, da fundação do Partido Comunista Alemão (PCA), junto com Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht, Leo  Jogiches e outros. Na década de 1920, o PCA era um dos partidos comunistas mais importantes da Europa, e Thalheimer, o seu principal teórico do Partido. Ele e Heinrich Brandler foram dirigentes do PCA. Em 1928, ambos foram expulsos, juntamente com cerca de 5 mil outros militantes, por discordarem da política ultra-esquerdista da Terceira Internacional, e fundam, então, a Oposição Comunista (KPO). Thalheimer exila-se na França em 1932. Em 1940, após a ocupação da França pela Alemanha, tanto Thalheimer como Eric Sachs deixam o país. Thalheimer vai para Cuba e Sachs vai para o Brasil.Projeto Eric Sachs. Simpósio Nacional de História. ANPUH, 2013

As formulações da POLOP relativamente à independência das bandeiras e da organização da classe operária, à participação nas eleições, às palavras de ordem de transição e ao governo de transição, bem como às relações entre países imperialistas a partir da Segunda Guerra Mundial – a cooperação antagônica - retomam as orientações clássicas de Marx e Engels, dos quatro primeiros congressos da 3ª Internacional (época em que Lenin era vivo) e as marcas da convivência de Eric Sachs com Thalheimer.

Anti-imperialismo e anticapitalismo

Até a Segunda Guerra mundial as guerras entre potências imperialistas apresentavam-se como possibilidade para resolver as suas contradições. Desde então, com o fortalecimento do campo socialista (a União Soviética, mais os países socialista do leste europeu e a China – englobando 1/3 da população mundial), a guerra inter-imperialista não é mais vista como meio para solucionar as contradições entre as potências imperialistas diante da ameaça maior do campo socialista.

O sentido de auto-defesa perante a revolução mundial (a cooperação) passa a prevalecer nas relações entre as potências imperialistas; as contradições (os antagonismos) inter-imperialistas se manifestam de outra forma: há uma cooperação antagônica” (termo cunhado por August Thalheimer) sob a hegemonia dos EUA.

O mesmo fenômeno ocorre nas relações entre o imperialismo e o capital nacional: os choques entre eles não se sobrepõem ao interesse maior de exploração da mais-valia. Por isso, a luta anti-imperialista é ao mesmo tempo luta anti-capitalista. Não corresponde mais à realidade da luta de classes esperar que qualquer setor da burguesia se engaje decididamente em uma luta anti-imperialista.

Hoje, mesmo com o desmoronamento do campo socialista, o potencial militar dos EUA, tão superior ao dos demais países capitalistas, torna improvável uma guerra inter-imperialista. As burguesias dos países centrais preferem resolver as suas contradições por outros meios. É por isto que a POLOP, e hoje os mantenedores de sua tradição teórica (agrupados em organizações como ASS - Alternativa Sindical Socialista e CVM - Centro de Estudos Victor Meyer), pontuam que a luta anti-imperialista é inseparável da luta anticapitalista.

O caminho pacífico: a coexistência pacífica na luta de classes

A história mostra que nenhuma classe abandonou o seu domínio sem luta. Todas as revoluções vitoriosas tiveram que se impor através de uma luta tenaz e armada contra o inimigo interno e externo.

A diplomacia dos países socialistas usava a defesa da “coexistência pacífica” como argumento para denunciar os preparativos bélicos dos países imperialistas, para os quais a guerra é uma saída para as suas crises; a guerra servindo, além disso, como a única possibilidade de conter as lutas de libertação dos povos.

A “coexistência pacifica” não pode ser aplicada, entretanto, nas relações entre países dominados e dominadores, nem nas relações entre as classes exploradas e exploradoras.

Não era esse o entendimento do PCB que afirmava na época (pré golpe) o caminho pacífico para se alcançar o socialismo no Brasil: a vitória através de reformas pacíficas. O PCB apenas seguia orientação do movimento comunista internacional resultante da subordinação dos interesses da revolução mundial à defesa dos Estados socialistas.

Os proletariados do mundo capitalista tem que, ao mesmo tempo, solidarizar-se com os Estados socialistas na sua luta contra as potências capitalistas e buscar, de modo autônomo, os caminhos da revolução, contribuindo assim efetivamente para a luta conjunta contra o mundo capitalista.

O golpe militar de 64 desmentiu de modo contundente a ilusão do caminho pacífico, um dos fatores da desagregação ulterior do PCB. A POLOP criticava essa visão e afirmava que o processo em curso acabaria desembocando em uma luta acirrada e que o golpe viria, e de fato veio com todas as consequências conhecidas: a intervenção nos sindicatos, perseguição aos partidos de esquerda, às ligas camponesas, à UNE, etc.

As condições para a conquista do poder; a situação revolucionária

Sabe-se que a sociedade capitalista funciona com ciclos de crescimento econômico, auge, crise e descenso; e a experiência histórica mostra que há crises econômicas que coincidem com crises políticas, em que os desentendimentos entre setores das classes dominantes são de tal ordem que o domínio da burguesia se enfraquece (os de cima não conseguem dominar como antes), e propicia a irrupção de movimentos dos de baixo, independentes de partidos, classes e grupos; são as chamadas situações revolucionárias, momentos em que esses movimentos podem se propor romper o domínio existente (os de baixo não querem continuar a viver como antes), e que se forem suficientemente fortes fazem a revolução. (“A falência da II Internacional” Lenin – 1915).

A POLOP resgatou essa caracterização das condições para liquidar o domínio burguês, contra a ideia de conquistar o poder pela via eleitoral (implícita nas formulações da corrente dominante na esquerda – o PCB).

O governo revolucionário dos trabalhadores