A vespa-mandarina, também conhecida como vespa-gigante-asiática, é a maior vespa do mundo. É nativa do leste asiático temperado e tropical, sul da Ásia, sudeste da Ásia continental e partes do Extremo Oriente russo. Foi também encontrada no Noroeste Pacífico da América do Norte no final de 2019 e cientistas canadenses também confirmaram um espécime descoberto em 2020 em Langley, British Columbia, mas ainda sem informação que sugira que se tenham estabelecido lá. Preferem viver em montanhas e florestas baixas, evitando quase completamente planícies e climas de alta altitude. A Vespa mandarinia cria ninhos cavando, cooptando túneis preexistentes cavados por roedores ou ocupando espaços perto de raízes de pinheiros podres. Alimenta-se principalmente de insectos maiores, colónias de outros insectos eusociais, seiva de árvores e mel de colónias de abelhas. Esta vespa tem um comprimento de corpo de 45 milímetros, uma envergadura de cerca de 75 milímetros, e um ferrão com 6 milímetros de comprido, que injecta uma grande quantidade de veneno potente.
A vespa-mandarina é frequentemente confundida com a vespa-asiática (Vespa velutina), uma espécie invasora geradora de grande preocupação em toda a Europa.
Taxonomia e filogenia Vespa mandarinia é uma espécie do género Vespa, que compreende todas as vespas verdadeiras. Juntamente com outras sete espécies, V. mandarinia faz parte do grupo de espécies de V. tropica, definido pelo entalhe único localizado na margem apical do sétimo esterno gastral do macho. As espécies mais intimamente relacionadas dentro do grupo de espécies são V. soror. A forma triangular da margem apical do clípeo da fêmea é diagnóstica, o vértice de ambas as espécies é aumentado e a forma do ápice do edeago é distinta e semelhante. A divisão do género em subgéneros foi tentada no passado, mas foi abandonada devido à similaridade anatómica entre as espécies, e porque a similaridade comportamental não está associada à filogenia. Depois de 2012, existem apenas três subespécies reconhecidas: V. m. mandarinia Smith, 1852 (leste da China, Coreia, Rússia e Japão); V. mandarinia magnifica Smith, 1852 (China Ocidental, Índia, Nepal, Mianmar, Laos e Malásia peninsular); V. mandarinia nobilis Sonan, 1929 (apenas Taiwan). A antiga subespécie referida como V. mandarinia japonica não é considerada válida desde 1997.
Descrição miniaturadaimagem|200x200px| Detalhe da cabeça |alt=|esquerda Independentemente do sexo, a cabeça da vespa tem um tom de laranja claro e suas antenas são castanhas, com uma base amarelo-laranja. Os olhos e ocelos são castanho-escuros a pretos. A vespa-mandarina distingue-se das outras vespas pelo clípeo pronunciado e pela grande gena. A mandíbula laranja contém um dente preto que usa para cavar. O tórax é castanho-escuro, com duas asas cinzentas variando de 3,5 a 7,5 cm. As pernas dianteiras são mais brilhantes que as patas médias e traseiras, e a base destas é mais escura que as demais. O abdómen alterna entre faixas de castanho-escuro ou preto e um tom amarelo-laranja, consistente com a cor da cabeça. O sexto segmento é amarelo. O ferrão tem tipicamente 6 milímetros de comprimento e contém um potente veneno que, em casos de várias vespas picando simultaneamente, pode matar um humano.
As rainhas são consideravelmente maiores que as operárias, podendo exceder os 50 milímetros, enquanto as operárias estão entre 35 e 40 milímetros. A anatomia reprodutiva é comum entre os dois tipos, embora as operárias não se reproduzam. Os machos são semelhantes às fêmeas, mas não têm ferrão, uma característica comum entre os himenópteros.
Distribuição geográfica esquerda|miniaturadaimagem|Vídeo de Vespa-gigante-asiática direita|miniaturadaimagem| Vespa-gigante-asiáticaA vespa pode ser encontrada no Krai do Litoral, no Krai de Khabarovsk (somente parte sul) e nas regiões do Oblast Autónomo Judaico da Rússia, da Coreia - onde é designada , "vespa general"), China, Taiwan, Laos, Tailândia, Camboja, Mianmar, Vietname, Nepal, Índia e Seri Lanca, sendo também comum no Japão, onde prefere áreas rurais nas quais pode encontrar árvores para nidificar, sendo conhecida como o Em 2008, alguns meios de comunicação populares no Japão também se referiram a essa vespa como ,TV Asahi; broadcast listing for 28 September 2008 um nome que foi repassado em 2020 a um repórter do New York Times.
Em Setembro de 2019, o Ministério da Agricultura da Colúmbia Britânica confirmou que vespas foram encontradas na ilha Vancouver, no Canadá, com um ninho sendo descoberto e posteriormente destruído na cidade de Nanaimo.Berube, C. "Giant Alien Insect Invasion Averted – Canadian Beekeepers Thwart Apicultural Disaster" American Bee Journal, Feb. 2020 pp. 209–214 Em Dezembro de 2019, o Departamento de Agricultura do Estado de Washington confirmou um avistamento relatado, assim como um espécime morto em Blaine, no lado americano da fronteira adjacente à Ilha Vancouver, sendo este o primeiro relatório dessa espécie nos Estados Unidos, e muito perto dos avistamentos de Setembro. Em Abril de 2020, as autoridades de Washington pediram aos membros do público que ficassem alerta, e que relatassem qualquer avistamento dessas vespas, cuja actividade deve começar em Abril, caso estejam na área.Amanda Holpuch (2 May 2020), "'Murder hornets' in Washington state threaten bees and whip up media swarm; Asian giant hornet, which became more active in the state in April, is the world's largest and can kill humans with multiple stings", The Guardian Se as vespas tiverem se estabelecido, supõe-se que "poderiam dizimar populações de abelhas nos Estados Unidos e estabelecer uma presença tão profunda que todas as esperanças de erradicação pudessem ser perdidas". Uma "caça em grande escala" desta espécie está a ser promovida pelo Departamento de Agricultura do Estado de Washington. As descobertas laboratoriais determinaram que os espécimes recolhidos na Colúmbia Britânica e no Estado de Washington eram de diferentes colónias, sugerindo assim terem ocorrido duas introduções simultâneas da vespa gigante asiática na América do Norte a aproximadamente 80 quilómetros uma da outra. miniaturadaimagem|Corpo desfalecido de membro da subespécie vespa-gigante-japonesa Relatos desta espécie vindos de outras partes do mundo são identificações erróneas de outras espécies de vespas, como V. orientalis e V. velutina na Europa.
Nidificação esquerda|miniaturadaimagem|353x353px|Ninho de vespa-gigante-asiática A vespa mandarina nidifica no sopé de montanhas baixas e florestas de várzea. Sendo uma espécie particularmente dominante, nenhum esforço é direccionado à conservação da V. mandarinia ou dos seus habitats, sendo comuns em áreas de baixa perturbação humana. Ao contrário de outras espécies de vespa, a V. mandarinia habita quase exclusivamente ninhos subterrâneos. Num estudo levado a cabo em 31 ninhos, 25 foram encontrados em torno de raízes de pinheiros podres. Além disso, roedores, cobras e outros animais escavadores haviam feito alguns dos túneis, usando-os como tocas. Os ninhos encontravam-se a uma profundidade variável de 6 a 60 centímetros. A entrada na superfície do solo varia em comprimento de 2 a 60 centímetros, encontrando-se tanto horizontalmente, inclinada ou verticalmente. As rainhas que haviam que acharam o ninho preferem cavidades estreitas. Os ninhos desta vespa normalmente não possuem um envelope desenvolvido. Durante os estágios iniciais de desenvolvimento, o envelope está em formato de tigela invertida. À medida que o ninho se desenvolve, são criadas uma a três folhas ásperas de favos. Frequentemente, um favos primordiais são criados simultaneamente, e mais tarde fundidos num único favo.
Os favos são conectados através de um sistema de pilar principal e pilares secundários, possuindo os ninhos geralmente entre quatro a sete favos. O favo superior é abandonado após o Verão, e deixado em decomposição. O maior favo encontra-se na parte do meio para o fundo do ninho. Os maiores favos criados pela mandarina mediam 49,5 por 45,5 centímetros, com 1.192 células, sem obstáculos, e de forma circular, e 61 por 48 centímetros, elípticos e enrolados no sistema radicular. Em algumas aldeias serranas japonesas, os ninhos são escavados, sendo as larvas consideradas uma iguaria quando fritas.
Ciclo da colónia O ciclo de nidificação de V. mandarinia é bastante consistente com o de outros insectos eusociais, apresentando seis fases por ciclo.
Período de pré-descanso Tanto as rainhas inseminadas como as não insemindas entram em hibernação após um ciclo. Aparecem pela primeira vez no início e meados de Abril, começando a se alimentar da seiva de carvalhos. Embora esse momento seja comum entre as vespas, a V. mandarinia domina o abastecimento, preferindo e controlando as fontes de seiva de primeira categoria. Entre as rainhas de V. mandarinia, há uma hierarquia de dominância. As rainhas de primeira linha começam a se alimentar, enquanto as outras rainhas formam um círculo ao seu redor. Quando a rainha do topo termina, a segunda rainha do nível mais alto é alimentada. Esse processo repete-se até que a última rainha se alimente numa má hora.
Períodos solitários, cooperativos e poléticos Em finais de Abril, as rainhas inseminadas começam a procurar locais de nidificação. As não inseminadas não chegam a procurar ninhos, pois os seus ovários nunca se desenvolvem completamente. As vespas continuam a se alimentar, vindo a desaparecer no início de Julho.direita|miniaturadaimagem|250x250px| Macho ou vespão de vespa-gigante-asiáticaUma rainha inseminada começa a criar células relativamente pequenas, nas quais cria cerca de 40 pequenas operárias, as quais não começam a trabalhar fora da colmeia até Julho. As rainhas participam de actividades fora da colmeia até meados de Julho, quando se recolhem ao ninho, permitindo que as operárias realizem actividades extranidais. No início de Agosto o ninho encontra-se já totalmente desenvolvido, contendo três favos, cada um com 500 células e 100 operárias. Após meados de Setembro, não há mais deposição de ovos, e o foco muda para o cuidado com as larvas. As rainhas morrem no final de Outubro.
Dissolução e período de hibernação Os machos e as novas rainhas assumem as suas responsabilidades em meados de Setembro e meados de Outubro, respectivamente. Durante esse período, a cor do corpo torna-se intensa, e o peso da rainha aumenta cerca de 20%. Tanto os machos como a rainha não retornam após deixar o ninho. No caso da V. mandarinia, os machos esperam do lado de fora da entrada do ninho até a rainha emergir. Quando esta emerge, os machos interceptamna no ar, trazem-na para o chão, copulando de 8 a 45 segundos, após o que retornam à entrada para uma segunda tentativa, quando a rainha sair. Muitas rainhas tentam combater os machos, saindo sem ser fertilizadas. As rainhas são depois encontradas em habitats húmidos e subterrâneos.
Quando os indivíduos sexuados emergem, as operárias mudam seu foco alimentar de proteínas e animais para carboidratos. Os últimos indivíduos sexuados a emergir morrem de fome.
Picada O ferrão da vespa gigante asiática mede cerca de 6 milímetros, injectando um veneno especialmente potente que contém, como muitos venenos de abelhas e vespas, um peptídeo citolítico, um mastoparan, que pode danificar o tecido ao estimular a acção da fosfolipase, para além da sua própria fosfolipase. O ferrão desta vespa mede cerca de 4,5 milímetros a mais que o de uma abelha comum. Masato Ono, entomologista da Universidade Tamagawa, perto de Tóquio, descreveu a sensação da picada como "um prego quente sendo enfiado na minha perna".