Benjamin de Almeida Sodré (Mecejana, 10 de abril de 1892 — Rio de Janeiro, 1 de fevereiro de 1982) foi um Almirante da Marinha do Brasil, escoteiro e um futebolista brasileiro que ficou conhecido como "Mimi Sodré".

Campeão em 1910 e 1912, pelo Botafogo, sendo em 1912 também o artilheiro do certame (com doze gols), foi o primeiro botafoguense a marcar gol pela Seleção Brasileira de Futebol (em 1916). Também foi o primeiro jogador a obter duas artilharias seguidas no campeonato carioca, sendo artilheiro também do de 1913.

Mimi Sodré destacou-se ainda no Paysandu, integrando simultaneamente como jogador e presidente do clube o primeiro título do "Papão" no campeonato paraense (em 1920).DA COSTA, Ferreira (2013). Mimi Sodré - O Garoto de Ouro do futebol brasileiro. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 212-213

Carreira esportiva Botafogo thumb|right|300px|O Botafogo campeão carioca de 1910. Mimi Sodré é o penúltimo no chão, juntamente com seus irmãos Emanuel Sodré (primeiro) e Lauro Sodré Filho (último). O terceiro no chão é Abelardo de Lamare, outro jogador de origem paraense, tal como o primeiro da fileira do meio, Rolando de Lamare.

Era filho de Lauro Sodré e de Teodora de Almeida Sodré. Seu pai foi político e militar, abolicionista e republicano histórico, constituinte em 1891, além de governador do Pará de 1891 a 1897 e de 1917 a 1921; e Senador de 1897 a 1917 e de 1921 a 1930.

Com efeito, Mimi costuma ser dado como natural do Estado do Pará, embora biografia sua escrita por filha dele o registre como nascido em Mecejana, no Ceará. Ainda criança, mudou-se para o Rio de Janeiro. Depois de terminar seus estudos secundários, prestou concurso para admissão na Escola Naval, sendo aprovado em primeiro lugar.

Em paralelo à carreira militar, a partir de 1908 ele começou a praticar futebol no Botafogo; Emanuel de Almeida Sodré, outro filho de Lauro Sodré, havia sido precisamente um dos fundadores do então Botafogo Football Club em 1904. Outro irmão, Lauro Sodré Filho, também integrou o clube naqueles primeiros anos, tendo os três chegado a conviver juntos na temporada alvinegra histórica de 1910.

Em 1910, precisamente, Mimi marcou um dos gols da maior goleada botafoguense no clássico com o Fluminense, o 6-1 pelo campeonato carioca daquele ano,O vovô de todos os clássicos (maio de 2005). Placar Especial 35 Anos - Coleção de Aniversário n. 2, "Os Grandes Clássicos". Editora Abril, pp. 20-25 vencido pelo Botafogo - no primeiro título isolado dos alvinegros, cuja única conquista anterior (de 1907) havia sido dividida justamente com o Fluminense.Resumo histórico do Campeonato Carioca (2004). Anuário Placar 2003. São Paulo: Editora Abril, p. 260 O artilheiro, Abelardo de Lamare, era curiosamente paraense.

Embora a Seleção Brasileira de Futebol só viesse a existir oficialmente em 1914, inclusive com o próprio Abelardo no jogo inaugural, Mimi chegou a representar, junto do irmão Lauro, equipes precursoras - em 1910, inclusive fez o gol de honra de derrota do chamado "combinado brasileiro" para o Corinthian inglês, visto até a Primeira Guerra Mundial como equipe mais forte do mundo, inspirando tanto o Corinthians brasileiro (fundado naquele ano na repercussão da excursão dos britânicos) como o uniforme do Real Madrid.

O Botafogo foi novamente campeão em 1912, dessa vez com o próprio Mimi de artilheiro. Em 1913, ele entrou para a história do clássico com o Flamengo ao marcar o primeiro gol do duelo (o único da partida, em que também esteve seu irmão Lauro), histórico também por inaugurar o estádio de General Severiano. Naquele ano, foi novamente artilheiro do estadual, conseguindo também um hat trick com o qual fez todos os gols de outro clássico com o Fluminense; e sobreviveu ao naufrágio do Rebocador Guarani. Ele e Lauro também tornaram a enfrentar o Corinthian, vencendo-o por 2-1 pela Seleção Carioca.

Em 1914, Mimi ainda marcou outros gols em dois duelos distintos contra o Fluminense. No Botafogo, por sua vez, a relação familiar se estendia a mais um irmão, Teodoro, o "Dorinho", e ao casamento da Orminda Sodré, outra filha de Lauro Sodré, com Eurico Viveiros de Castro, outro dos fundadores do Botafogo.

Em 1916, Mimi veio a jogar propriamente pela Seleção Brasileira, destacando-se pelo fair play de denunciar à arbitragem irregularidade cometida involuntariamente por ele próprio, quando bola resvalou acidentalmente em sua mão quando marcou gol sobre o Uruguai em Montevidéu. A despeito da cavalheira anulação do gol, o Brasil pôde vencer ainda assim, por 1-0, em outro gol dele - no que foi precisamente o primeiro gol de um botafoguense para o Brasil. Dias antes, também contra o Uruguai, participara da primeira Copa América, na edição de 1916.

Ainda em 1916, Mimi, por seus compromissos relacionados à Marinha do Brasil, foi transferido a Belém; só voltou em setembro de 1920 à então capital federal, realizando em 1922 mais algumas partidas pelo Botafogo. Também veio a ser presidente botafoguense, em 1941, e parente de outro, o do biênio 1983-84: Emmanuel Sodré Viveiros de Castro, apelidado de "Maninho", era um dos filhos de Orminda e Eurico, tal como outros frequentadores do clube, a exemplo de Lauro Sodré Viveiros de Castro, Ormindo, campeão do estadual infantil de 1932, e de Eurico Sodré Viveiros de Castro, futebolista do time principal em 1935. Eurico, inclusive, substituiu Leônidas da Silva no jogo histórico que valeu o tetracampeonato estadual seguido, por aquele ano.

Paysandu thumb|right|300px|Membros do Paysandu campeão paraense de 1920. Mimi é o penúltimo dos jogadores em pé. O segundo da fileira do meio, Suíço, também foi convocado pelo Brasil para Copa América (à de 1921).

Mimi era no Rio de Janeiro o representante da Liga Paraense de Football junto à Confederação Brasileira de Desportos, cargo que na sua mudança a Belém, em 1916, foi repassado ao irmão Emanuel Sodré. Nos primeiros meses de 1917, o próprio Emanuel e outros irmãos, Lauro Filho e Teodoro (o "Dorinho"), também se encaminharam a Belém, assim como o cunhado Eurico Viveiros de Castro.

Inicialmente, Mimi seguiu como dirigente: em 1917, foi consagrado com a presidência da Liga Paraense de Sports Terrestres e também da Liga Paraense de Sports Náuticos. Naquele mesmo ano, o irmão Teodoro "Dorinho" Sodré já se desempenhava no Paysandu. Mimi, por sua vez, chegou a ser árbitro de Re-Pa naquele ano, com seu renome fazendo a partida (vitória de 2-0 do Paysandu) terminar registrada pelo Jornal do Commercio no Rio de Janeiro.

Mimi passou a defender em campo o Paysandu a partir de 1918, ano em que foi pela primeira vez eleito presidente do clube - em mandato que durou de 2 de fevereiro de 1918 até 23 de fevereiro de 1919. Em 1920, integrou a histórica campanha que rendeu o primeiro título paraense do clube,DA COSTA, Ferreira (2013). 1920 - Paysandu é campeão pela 1ª vez e com 100% de aproveitamento. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 29-30 já novamente como presidente, em mandato que exerceu entre 4 de março e 6 de setembro daquele ano. A diretoria alviceleste tinha omo secretário seu parente Leônidas Sodré de Castro, primo materno de Lauro Sodré. Leônidas posteriormente seria homenageado com o nome oficial do estádio da Curuzu - então ainda pertencente à firma Ferreira & Comandita e adquirido já na presidência de Leônidas (em 1930), cujo filho Paulo Mota de Castro seria igualmente presidente do clube, entre 1973 e 1974.DA COSTA, Ferreira (2018). LEONIDAS SODRÉ DE CASTRO. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, p. 357

Embora integrasse o título de 1920, Mimi não permaneceu até o final da campanha, só finalizada em novembro, por W.O. do rival Remo no que seria o segundo Re-Pa do certame. Ainda em setembro daquele ano, tornou a ser transferido pela Marinha, regressando ao Rio de Janeiro.

Curiosamente, de modo indireto relacionou-se a outro destacado jogador com trajetórias por Botafogo, Paysandu e Seleção - Quarentinha, maior artilheiro alvinegro, era filho de ex-estudante do internato que levava o nome de Lauro Sodré, colégio cujas instalações atualmente abrigam o Tribunal de Justiça do Estado do Pará. Até a contratação de Quarentinha, o Botafogo também viria a abrigar outros futebolistas de origem paraense que defenderam a Seleção Brasileira, a exemplo de Nilo Murtinho, tio de Rosamaria Murtinho; Pamplona, que, tal como Nilo, esteve na Copa de 1930; e Octávio Moraes, filho de Eneida de Moraes.

Títulos thumb|right|500px|Segundo da esquerda para a direita em outro registro do Paysandu de 1920. Botafogo Campeonato Carioca: 1910 e 1912 Troféu Interestadual Rio-São Paulo: 1910

Paysandu Torneio Início: 1919 Campeonato Paraense: 1920

Artilharias

Campeonato Carioca: 1912 (12 gols) Campeonato Carioca: 1913 (13 gols)

Carreira militar

Chefiou a Comissão Naval Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial. Tornou-se almirante em 1954. Também se tornou um personagem muito importante na história do Escotismo brasileiro, o que lhe valeu ser conhecido pelos escoteiros como "O Velho Lobo", teve em sua vida muitas passagens e características semelhantes às de Robert Baden-Powell.

O Velho Lobo, assim como o fundador Baden-Powell, tinha uma série de talentos e interesses diferentes. Foi professor de astronomia, navegação e história da Escola Naval, publicou diversos trabalhos, foi maçom e sobretudo um excelente jogador de futebol, ponta esquerda do time do América-RJ, do Botafogo e da Seleção Brasileira de Futebol entre 1910 e 1916.

Desde que entrou em contato com o Movimento Escoteiro tornou-se um grande seguidor dos ideais de Baden-Powell, participando da fundação e organização dos Escoteiros do Mar, o primeiro Grupo Escoteiro de Belém, a Federação de Escoteiros paranaenses, entre outros. Escreveu o "Guia do Escoteiro" de 1925, uma das mais importantes obras do Escotismo brasileiro. Entre os anos de 1921 e 1933, foi o redator da coluna sobre o escotismo publicada na revista O Tico-Tico.

Foi fundador também do Grupo Escoteiro do Mar Gaviões do Mar, o 4°/RJ, localizado na Ilha de Boa Viagem em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro.

Os escoteiros do Brasil nesse período eram divididos em diversas federações e não constituíam uma unidade central. Desta forma, O Velho Lobo teve papel fundamental na idealização e criação da União dos Escoteiros do Brasil, a UEB, reunindo as quatro primeiras federações (a Federação de Escoteiros Católicos do Brasil, Federação Brasileira de Escoteiros do Mar, Federação dos Escoteiros do Brasil e Federação Fluminense de Escoteiros).

Em 1952 participou da criação da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra ADESG, da qual foi o primeiro presidente, e em 1953 chefiou o departamento de estudos da Escola Superior de Guerra (ESG).

Depois de ter alcançado o posto de Almirante de Esquadra da Marinha do Brasil, exerceu a Presidência da UEB União dos Escoteiros do Brasil, da CNEC Campanha Nacional das Escolas da Comunidade, da ADESG Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra - seu primeiro presidente, do Grande Oriente do Brasil, e da Comissão Nacional de Moral e Civismo.

Morte Morreu em 1 de fevereiro de 1982, pouco mais de dois meses antes de completar 90 anos. Atualmente vários Grupos Escoteiros, ruas e espaços municipais levam o nome de Almirante Benjamin Sodré, em sua homenagem. Os Escoteiros do Brasil que completam 50 anos de bons serviços para a instituição são reconhecidos com a "Medalha Velho Lobo", em referência e homenagem a Benjamim Sodré.

Homenagens Foi honrado com uma série de títulos, entre eles o de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro e outros Estados e medalhas de mérito, presidindo a Ordem do Tapir de Prata, a mais alta condecoração do Escotismo brasileiro.

É o PATRONO Oficial da Turma de 1985 do Colégio Naval e de 1991 da Escola Naval que celebra seus 30 anos em 21 de março de 2015 com evento comemorativo e Cerimônia Militar no Colégio Naval.