A história de Brumado, município brasileiro no interior do Estado da Bahia, começou no século XVIII, quando já se encontrava por ali o descendente de espanhóis capitão Francisco de Souza Meira, vindo da Capitania de Minas Gerais. Em 1749, o padre André Antunes da Maia herda de seu pai, João Antunes Moreira, foreiro de Antônio Guedes de Brito, uma fazenda denominada "Campo Seco", posteriormente vendendo a mesma em 30 de Junho de 1749, a José de Souza Meira — segundo o que consta da escritura lavrada por um tabelião da vila Nova de Nossa Senhora do Livramento do Rio de Contas, atual cidade de Rio de Contas, território ao qual pertencia a fazenda. Assim como toda a região do alto sertão baiano, parte da chapada Diamantina e boa parte do norte de Minas Gerais pertenceu à sesmaria do antigo latifundiário Guedes de Brito.
A história de que, em 1813, Francisco de Souza Meira e sua tropa vieram do atual município de Livramento de Nossa Senhora, atravessando o rio Brumado (anteriormente chamado de rio de Contas Pequeno), adentrando ao território então ocupado por índios tupinambás ferozes, atingindo a foz do rio do Antônio, entrando em conflito com os índios, sendo estes derrotados, depois dando o nome de "Conquista" ao lugar, não tem crédito nos livros de história referente à região. De acordo com o pesquisador Cláudio Campacci, em seu livro Os sobrenomes mais comuns do Brasil, Francisco de Souza Meira veio do arraial de Santo Antônio da Manga, atual cidade de São Romão, Minas Gerais, sendo sua família de origem espanhola radicada no Brasil. Sendo assim, Francisco de Souza Meira é descendente do espanhol Baltazar de Meira e de um de seus dois filhos que, por volta de 1690 e 1700 ,chegaram ao Brasil, um, depois o outro. Em 1956, Licurgo Santos Filho, em seu livro Uma Comunidade Rural do Brasil Antigo (Aspectos da Vida Patriarcal no Sertão da Bahia nos Séculos XVIII e XIX), confirmou nos seus relatos sobre a história de Brumado, a compra da fazenda por Miguel Lourenço de Almeida e citou um artigo da revista Bahia Rural, de Janeiro de 1953.
Nos documentos antigos da família Canguçu do século XVIII, nada consta sobre alguma aventura de Souza Meira realizada nas antigas terras que futuramente se tornariam Brumado. Francisco é apontado como primo do capitão Antônio Pinheiro Pinto (do clã da família Canguçu) e citado em várias anotações de compra, venda e empréstimos desta família, como era também citado seu filho Antônio de Souza Meira, que foi casado com Zeferina Maria de Santo Antônio, filha de Antônio Pinheiro Pinto. Uma dessas notas é datada de 1800, isso quer dizer que Francisco já era homem feito nesta referida data e que já se encontrara por ali bem antes de 1813 — data apontada em sites oficiais (IBGE e Prefeitura de Brumado) como a suposta chegada dele. Em junho de 2020, a prefeitura eliminou da sua versão, o relato de uma data referente ao ano da suposta chegada de Francisco. Sabe-se que Francisco de Souza Meira era primo de Antônio Pinheiro Pinto, segundo senhor do Sobrado do Brejo e que ele, de fato, foi apontado como dono de metade da então conhecida serra das Éguas em 1814. Naquele ano, as terras da fazenda Bom Jesus foram divididas entre sua viúva e seus onze filhos. Pelos relatos históricos, Francisco é brasileiro, nascido em Minas Gerais, antigo habitante do arraial de Santo Antônio da Manga, atual cidade de São Romão.
Francisco morreu na fazenda Bom Jesus dos Meiras em 1814, conforme consta nos documentos do seu inventário. Sua esposa Ana Xavier morreu em 1843, também em Bom Jesus. A outra metade da antiga serra das Éguas pertencia a Lourenço de Almeida, um familiar do Santo Ofício. Na verdade, a serra não tinha este nome, mas ficou conhecida assim pelos populares, pela fama de se criar por lá muitos cavalos e éguas que eram comercializados por Lourenço de Almeida e seu genro, Antônio Pinheiro Pinto, e os demais donos da localidade, que herdaram as terras. No entanto, as terras as quais pertenciam a Francisco localizavam-se onde é hoje a sede de Brumado, a aproximadamente dez quilômetros da antiga fazenda Campo Seco. Pode-se então concluir, que as primeiras pessoas a povoarem a atual sede do município de Brumado foram Francisco de Souza Meira e seus descendentes. Por este motivo, Brumado foi outrora denominado de "Bom Jesus dos Meiras". Por outro lado, conclui-se que Miguel Lourenço de Almeida e sua família foram os primeiros habitantes da fazenda Campo Seco, e que esta era antes propriedade de José de Souza Meira. Assim começou o povoamento do município que conhecemos hoje como Brumado.
Início da colonização thumb|esquerda|Antiga praça Armindo Azevedo, entre 1920 e 1950. À direita, o antigo Mercado municipal. A montanha ao fundo é o território do atual bairro São Félix|350px Brumado começou a ser colonizado no século XVIII, quando chegou por ali Francisco de Souza Meira, tendo edificado as primeiras residências na localidade que passou a denominar-se oficialmente como "freguesia de Bom Jesus dos Meiras" em 1869 e pertencia ao município de Caetité. O centro da cidade de Brumado, território onde se edificou as primeiras casas da sede, localiza-se a cerca de dez quilômetros da antiga fazenda Campo Seco, comprada por Lourenço de Almeida em 1755 das mãos de José de Souza Meira. No inventariado do capitão Estêvão Pinheiro de Azevedo, elaborado em 1759, consta o nome de uma fazenda denominada "Serra do Campo Seco", que ficava entre as fazendas Campo Seco e Bom Jesus, a qual pertencia ao autor do inventariado. Antes da fazenda ser vendida a José de Souza Meira, Estêvão era arrendatário de parte das terras. Esta também passou a pertencer a Lourenço de Almeida. Assim que morreu, Lourenço deixou as terras para sua viúva, Ana Francisca da Silva. Ana Francisca era natural da freguesia do Urubu, atual cidade de Paratinga. Morreu em 1839. No seu inventariado, ela declarou, na fazenda Serra das Éguas, uma posse de terras medindo dez léguas quadradas, o equivalente a 48,2 quilômetros quadrados de terras. Porções de terras da fazenda Serra das Éguas foram adquiridas por várias outras famílias, além de José de Souza Meira, Lourenço e seus descendentes. Sem datas definidas, simultaneamente ou em épocas diferentes, tomaram posse: Alcântara Vieira, Cunha Romaldes, Silva Barros, Silva Mirante, além do padre Marciano José da Silva Rocha, que foi procurador da capela do Bom Jesus. Essas pessoas tomaram posse apenas de pequenas parcelas, não da fazenda por inteiro.
Na história, duas pessoas aparecem com o nome José de Souza Meira, este nome é citado em dois acontecimentos importantes, o primeiro é quando um dos "josés" vende a fazenda Campo Seco para Lourenço de Almeida em 1755. Este primeiro José de Souza Meira comprou a fazenda em 1749, como já descrito, e passou a morar ali com sua esposa Micaela Santos de Jesus, morta em 1754. Depois, um segundo José de Souza Meira é citado em 1845 em um inventário que seria dele mesmo, e trata de uma parcela de terra que este herdara do seu tio e sogro, o capitão Francisco de Souza Meira. O José de Souza Meira que vendeu parte da fazenda Campo Seco para Lourenço de Almeida em 1745 é o pai de Francisco de Souza Meira, aquele que levaria o mérito pela fundação de Bom Jesus dos Meiras, e o José que aparece no inventariado de 1845 é sobrinho e genro de Francisco de Souza Meira. Foi de fato os Meiras os primeiros a edificarem casas em Bom Jesus, assim como os Canguçus, juntamente com Lourenço de Almeida, construíram as primeiras residências no Campo Seco. thumb|direita|O destaque em vermelho, localização da antiga vila Meira, hoje município de Meira, Espanha|250px
Origem das famílias e dos sobrenomes Canguçu e Meira e morte dos seus clãs O sobrenome Meira tem origem puramente toponímica, inspirado na vila Meira, da diocese de Tui, na Galiza, Espanha. O primeiro Meira foi Rodrigo Afonso de Meira. Os descendentes dos Meiras do Brasil são de Baltazar de Meira, pelos seus dois filhos: Marcos de Meira e Luiz de Meira, que chegaram à Minas Gerais, ao arraial de Serro Frio, atual cidade de Serro. Ainda eram crianças quando chegaram. Assim se deu origem aos Meiras, primeiro em Minas Gerais, depois na Região Nordeste e, consequentemente, na Bahia e, finalmente, Brumado, onde chegou Francisco de Souza Meira, fundando, então, a "fazenda Bom Jesus dos Meiras".
Como já descrito, foi em 1755 que a fazenda Campo Seco — e não a fazenda Bom Jesus dos Meiras — foi comprada pelo português Miguel Lourenço de Almeida, tendo assim, de fato, dado início ao povoamento nesta parte especifica, onde até então, era apenas mata. Ainda hoje, parte da antiga fazenda conserva o nome antigo de "Campo Seco" e fica na parte rural do município de Brumado. De acordo com os relatos de Licurgo Santos Filho, no seu livro Uma Comunidade Rural do Brasil Antigo, tanto a antiga fazenda Campo Seco quanto o antigo local denominada Bom Jesus pertenciam, há muito tempo, a Antônio Guedes de Brito, morto em 1694. Não há relatos de como Francisco de Souza Meira tomou posse de uma localidade distante dez quilômetros da fazenda Campo Seco. Certo é que não foi por nenhuma "aventura épica", como é relatado por alguns leigos. Ele veio de Minas Gerais para ali fundar a fazenda Bom Jesus dos Meiras. A partir de 1749, a outra fazenda, a Campo Seco, passou a pertencer a João Antunes Moreira, depois, a seu filho, o padre André Antunes da Maia, que vendeu-a para José de Souza Meira. Em 1759, uma porção de terra que ficava entre Campo Seco e Bom Jesus pertencia ao capitão Estevão Pinheiro de Azevedo.
José de Souza Meira foi dono da fazenda Campo Seco por pouco tempo. Aqui não se pode confundir sobre as localidades, pois como já descrito, os Meiras moravam a cerca de dez quilômetros da fazenda Campo Seco e nunca tinham sido donos desta, antes que José de Souza Meira a comprasse. Fato é que José vendeu a Fazenda Campo Seco para Lourenço de Almeida. Este foi uma das figuras principais da povoação de Brumado, considerado o primeiro senhor da fazenda Campo Seco, visto que sua filha casou-se com Antônio Pinheiro Pinto, da família Canguçu. As duas localidades — Bom Jesus e fazenda Campo Seco — foram fundidas através do enlace matrimonial entre Inocêncio Canguçu e Prudência Rosa de Santa Edwiges, filha de Francisco de Souza Meira. Estas duas famílias, Canguçu e Meira, são consideradas centrais no povoamento do município.
Miguel Lourenço de Almeida, casado com Ana Francisca da Silva, realizou os casamentos de três filhas suas com três irmãos da família Pinheiro Pinto, sendo: Antônio, Joaquim e José Pinheiro Pinto. Eram descendentes de portugueses radicados em Caetité, gente de origem modesta da pequena burguesia, como o próprio Lourenço de Almeida, porém sendo este último natural de "Camarõens", freguesia de São Pedro, no concelho de Sintra, distrito de Lisboa, onde nasceu, em 1708. thumb|esquerda|Em destaque vermelho, Antigo concelho de Sintra, hoje, vila de Sintra, em Portugal|250pxLourenço de Almeida vendia e comprava territórios e gado equino, desde o atual município de Rio de Contas, que era rota dos garimpeiros que exploravam ouro na região. O capitão Antônio Pinheiro Pinto sucedeu seu sogro, após a morte deste em 1785. Antônio era também homem de muitas posses e expandiu o território da fazenda Campo Seco, adquirindo outras fazendas: Pedra Branca, Jardim, Santa Rosa e Santa Rita, além de outras. É importante frisar que a fazenda campo seco não se restringia a apenas à serra das Éguas — a qual tem dez quilômetros de largura e dezoito de comprimento, atingindo 1 100 metros de altura, desde o nível do mar —, mas abrangia também as atuais localidades de Ubiraçaba, Itaquaraí, Cristalândia (todos distritos de Brumado) e a atual Cidade de Malhada de Pedras, distante 30 quilômetros da sede (Brumado).