Jean-Hilaire Aubame (Librevile, 10 de novembro de 1912 — Librevile, 16 de agosto de 1989) foi um professor, funcionário público e político gabonês.
Nascido em uma família fangue, Aubame ficou órfão ainda jovem. Foi criado pelo meio-irmão de Léon Mba, que se tornaria o principal rival político de Aubame. Incentivado por seus colegas, Aubame entrou para a política, servindo como primeiro representante do Gabão na Assembleia Nacional da França de 1946 a 1958. Aubame também foi um líder na solução de problemas africanos, particularmente no desenvolvimento do padrão de vida gabonês e no planejamento de áreas urbanas. O rápido crescimento de Aubame na política gabonesa foi impulsionado com o apoio das missões e dos estratos sociais médios urbanos, enquanto grande parte da força de Mba veio da burguesia francesa.
Apesar da rivalidade, Aubame formou várias uniões políticas com o então presidente Mba. Em agradecimento pelo seu apoio, Mba nomeou Aubame como ministro das Relações Exteriores e posteriormente presidente do Supremo Tribunal. As tensões entre os dois logo aumentaram devido à recusa de Aubame em fundir seu partido com o de Mba, criando assim um Estado unipartidário. Aubame foi investido como presidente do Gabão durante um golpe de estado de 1964 contra Mba. No entanto, o golpe foi derrubado três dias depois, e embora não tenha participado do planejamento do golpe, Aubame foi condenado a 10 anos de trabalhos forçados e 10 anos de exílio. Ele foi espancado quase diariamente por seus guardas prisionais enquanto cumpria sua sentença. O sucessor de Mba como presidente, Omar Bongo, permitiu o retorno de Aubame ao Gabão em 1972.
Político particularmente popular durante sua carreira política, principalmente por ter sido um dos principais articuladores da independência gabonesa, segundo a Time sua prisão em 1964 o levou "a tomar proporções heróicas aos olhos do público".
Biografia Juventude e início da carreira política thumb|left|Fangues em uma missão cristã, aprox. 1912 Nascido em uma família fangue perto de Librevile, Aubame perdeu seu pai aos 8 anos de idade e sua mãe aos 11. O abade Jean Obame, meio-irmão de Léon Mba, cuidou dele órfão e providenciou a sua educação em várias missões católicas. Depois de formado, Aubame tornou-se professor.
Mba ajudou-o a conseguir um emprego na alfândega em 24 de março de 1931. Nesta instituição, foi primeiramente nomeado para atuar em Librevile de 1931 a 1935, depois transferido para Bangui em 1935, e por último para Brazavile em 1936, onde co-fundou uma filial da Mutual Gabonesa junto a um irmão do político Louis Bigmann. Foi também membro do Associação dos Funcionários, uma organização sindical que era dominada por outros dois futuros políticos: René-Paul Sousatte e Jean Rémy Ayouné.
Após o discurso de Charles de Gaulle no Apelo de 18 de junho, em 1940, Aubame ficou do lado da França Livre, e em novembro foi enviado pelas autoridades de Librevile para reunir os fangues em prol da causa. Em fevereiro de 1942, Aubame conheceu o administrador colonial Félix Éboué, e rapidamente se tornou seu pupilo. Ele serviu como um assessor para Éboué sobre assuntos africanos. Aubame foi recompensado como um dos vários africanos promovidos em 23 de fevereiro de 1943 à seção europeia da função pública, e em 1 de janeiro de 1944, Éboué o nomeou presidente da comissão municipal da seção Poto-Poto de Brazavile.
Mais tarde, participou da Conferência de Brazavile de 1944, e serviu neste posto até 10 de novembro de 1946. Após a morte súbita de Éboué, em março de 1944, Aubame trabalhou como assessor do governador-geral André Bayardelle e seu secretário André Soucadoux. Eles encorajaram Aubame a concorrer às eleições, o que fez com que ele retornasse ao Gabão para liderar sua campanha, que contou com o apoio tanto da administração local quanto dos missionários.
Deputado Deputado na Assembleia Nacional Francesa Aubame perdeu as eleições de 1945, embora em 10 de novembro de 1946 tenha se tornado o primeiro representante de Gabão na Assembléia Nacional Francesa, conquistando 7.069 votos dos 12.528 votos válidos. De 1946 a 1951, foi Comissário de Transporte, Imprensa, Comunicação, Trabalho e Previdência Social. Ele votou pela independência da Argélia, em 27 de agosto de 1947, e pelo estabelecimento de um Conselho da Europa, em 9 de julho de 1949.
Aubame foi reeleito deputado em duas outras ocasiões: em 17 de junho de 1951, com 17.329 votos de um total de 29.203; e em 2 de janeiro de 1956, com 26.712 votos de um total de 57.031, mandato este que durou até o final da Quarta República Francesa. Já nesta altura, Mba estabelecia a sua carreira política após ser exilado em Ubangui-Chari. Afiliando-se à Secção Francesa da Internacional Operária (SFIO), Aubame trabalhou posteriormente de maneira mais próxima com os "Independentes do Ultramar", um grupo parlamentar africano cujos líderes eram o senegalês Léopold Sédar Senghor e o camaronês Louis-Paul Aujoulat. Enquanto deputado, viveu em Paris, mas retornava regularmente ao Gabão.
Continuou a desenvolver a política local gabonesa, em particular trabalhando pela revitalização dos clãs fangues. Neste sentido, Mba chegaria a afirmar que Aubame estava muito envolvido com os fangues para prestar atenção aos interesses das tribos do sul, uma acusação posteriormente ridicularizada por Aubame. Ele foi também um líder na solução de problemas africanos, particularmente no desenvolvimento do padrão de vida gabonês e no planejamento de áreas urbanas. Em 29 de setembro de 1951, ele votou para aumentar o salário mínimo nos territórios ultramarinos da França, e foi vice-presidente da Comissão criada para este fim entre 1953 e 1955. Organizou a União Democrática e Social Gabonesa (UDSG) em 1947, cuja posição de destaque veio principalmente do interior, particularmente da Província de Woleu-Ntem. O partido, por sua vez, apoiou a reeleição de Aubame, entre 1951 e 1956. O partido conservava diferenças filosóficas com o Bloco Democrático Gabonês (BDG) — agremiação mais conservadora e tribalista liderada por Mba — como a defesa de uma independência econômica da França, uma democracia multirracial e modernizante e um acesso mais rápido de africanos aos cargos políticos locais. Rapidamente, a política gabonesa se viu dividida entre Aubame, impulsionado com o apoio das missões e pelos estratos sociais médios urbanos, e por Mba, apoiado pela burguesia francesa.
Deputado na Assembleia Territorial Gabonesa Em 1952, foi eleito como representante de Woleu-Ntem na Assembleia Territorial do Gabão. Foi reeleito nas eleições de março de 1957, nas quais a UDSG também ficou em primeiro lugar, ganhando 18 das 40 cadeiras disputadas, contra 16 da BDG. Tal resultado incomodou a grande burguesia franco-gabonesa sob a figura de Roland Bru que, com outros membros da burguesia francesa no Gabão, subornaram vários deputados da UDSG para que mudassem de partido político para o BDG. A pressão da burguesia surtiu efeito quando o partido de Mba conquistou 21 cadeiras contra 19 do partido de Aubame após uma recontagem. No entanto, na ausência de uma maioria absoluta, ambos os partidos foram obrigados a apresentar, em 21 de maio de 1957, uma lista de indivíduos que ambos concordavam serem adequados para a formação de um governo. Nesse mesmo dia, Mba foi nomeado vice-presidente do governo. Logo, as divisões dentro do governo cresceram, e Aubame renunciou ao cargo, apresentando uma moção de censura contra o governo. A moção foi rejeitada em uma votação por uma maioria de 21 contra 19. Com a vitória de Mba, muitos membros eleitos da UDSG se juntaram à maioria parlamentar, dando ao grupo governista 29 das 40 cadeiras legislativas. Bem instalado no governo, Mba começou a tomar medidas para reforçar seu poder.
Independência e oposição thumb|Bandeira do Gabão. Líder da oposição A partir de julho de 1958, a mobilização do Partido da União Nacional Gabonesa (PUNGA), liderado por René-Paul Sousatte e Jean-Jacques Boucavel, passou a reunir as correntes mais radicais pela total e irrestrita independência nacional, conquistando forte apoio dos comunistas, socialistas, nacionalistas, sindicalistas e da população em geral. Tal movimento, recebeu apoio da UDSG e Aubame e exerceu enorme pressão sobre a posição dúbia e conservadora de Mba e sobre a burguesia francesa no Gabão, que muito se assustou com a rápida e avassaladora mobilização. Após votar a favor da Comunidade Franco-Africana, semelhante à Comunidade Britânica de Nações, no referendo constitucional de 28 de setembro de 1958, o Gabão tornou-se pseudopoliticamente independente, sob o nome Comunidade Gabonesa. Em dezembro de 1958, a Assembleia votou pela criação do legislativo e, em seguida, promulgou a constituição da República do Gabão em 19 de fevereiro de 1959. Como resultado imediato, e para conter a rápida evolução política popular sob liderança de Sousatte e Boucavel, Mba tornou-se primeiro-ministro do Gabão semi-independente em 27 de fevereiro de 1959.
As eleições legislativas foram marcadas para 19 de junho de 1960 através do sistema de votação por lista, uma forma de votação em bloco na qual cada partido oferece uma lista de candidatos em quem a população vota; a lista que obtém a maioria dos votos é declarada vencedora e ganha todas as cadeiras disputadas. No entanto, um estratagema realizado pelas autoridades e pela burguesia francesa promoveu a reorganização dos limites dos distritos e das circunscrições eleitorais, com o BDG de Mba recebendo arbitrariamente 244 assentos, enquanto a UDSG de Aubame recebeu 77.
O Primeiro-Ministro Mba decidiu dissolver a Assembleia e procurou a oposição para fortalecer sua posição. Com Aubame, ele formou uma série de alianças políticas com o objetivo de atrair o eleitorado. No dia 12 de fevereiro, eles ganharam 99,75% dos votos para o parlamento, e Mba, concorrendo sem oposição, foi eleito primeiro Presidente do Gabão. Com um Gabão em regime semipresidencialista, Mba nomeou Aubame ministro das Relações Exteriores, no cumprimento dos acordos políticos entre o BDG e a UDSG, em substituição a André Gustave Anguilé. Ao contrário de Mba, que queria um regime presidencialista puro, com amplos poderes para o presidente, Aubame preferia uma república parlamentarista. As tensões aumentaram quando uma nova constituição foi aprovada por unanimidade, em 21 de fevereiro de 1961, prevendo um regime chamado "hiperpresidencial". Sob este sistema, Mba pôde nomear ministros cujas funções e limitações eram decididas por ele.
Em 19 de fevereiro, ele rompeu os laços com Aubame; todos os representantes da UDSG foram demitidos, com exceção de um apoiador de Mba, Francis Meye. Isso se deveu à recusa de Aubame em fundir a UDSG com o partido do governo e criar um estado unipartidário. Numa tentativa de destituir Aubame de sua cadeira legislativa, Mba o nomeou Presidente do Supremo Tribunal Federal em 25 de fevereiro. Posteriormente, Mba alegou que Aubame havia renunciado à Assembleia Nacional, citando incompatibilidade com funções parlamentares. Aubame resolveu a acusação renunciando ao seu cargo de Presidente da Suprema Corte, complicando as coisas para Mba. Diante da tensão entre o governo e a Assembleia Nacional, ainda que 70% de sua composição fossem membros do BDG de Mba, o presidente gabonês dissolveu a legislatura em 21 de janeiro de 1964 como "medida de economia"..
As condições eleitorais foram anunciadas da seguinte forma: Os 67 distritos eleitorais foram reduzidos para 47. Mba desqualificou Aubame, anunciando que ninguém que ocupasse um cargo recentemente foi banido. Qualquer partido teria que apresentar 47 candidatos que tivessem que pagar US$160 ou não poderiam se candidatar. Assim, mais de US$ 7.500 seriam depositados sem considerar as despesas de campanha. A ideia de Mba era que nenhum outro partido além do seu teria dinheiro para inscrever candidatos. Em resposta a isso, a oposição anunciou sua recusa em participar de eleições já que não consideravam essas regras justas.