Stray é um jogo eletrônico de aventura desenvolvido pela BlueTwelve Studio e publicado pela Annapurna Interactive. A história acompanha um gato feral que cai em uma cidade murada subterrânea povoada por robôs, máquinas e bactérias mutantes, tentando retornar à superfície com a ajuda de um drone chamado B-12. A jogabilidade consiste em o jogador navegar pelo mundo ao pular entre plataformas ou escalar obstáculos, interagindo com o ambiente a fim de abrir novos caminhos e hackeando tecnologias para solucionar desafios. O jogador também precisa em certos momentos fugir dos antagonistas que tentam matá-lo.

O desenvolvimento de Stray começou em 2015 pelos diretores Colas Koola e Vivien Mermet-Guyenet, que queriam seguir com um projeto independente depois de trabalharem na Ubisoft Montpellier, fazendo uma parceria com a Annapurna Interactive. Os visuais do jogo foram influenciados pela Cidade Murada de Kowloon, que os desenvolvedores acharam que poderia ser apropriadamente explorada por um gato. A jogabilidade foi inspirada nos gatos dos próprios Koola e Mermet-Guyenet, com a equipe também estudando vídeos e imagens de gatos para pesquisa. Eles descobriram que jogar como um gato criava oportunidades interessantes para projeto de estágios. A decisão de povoar o mundo com personagens robóticos influenciou a narrativa.

Stray foi anunciado em 2020 e gerou grande antecipação. Após alguns adiamentos, ele foi finalmente foi lançado em 19 de julho de 2022 para Microsoft Windows, PlayStation 4 e PlayStation 5, com uma versão para Xbox One e Xbox Series X/S estreando em 10 de agosto de 2023. Em 5 de dezembro de 2023 foi lançada uma versão para macOS, e em 19 de novembro de 2024 foi lançada uma versão para Nintendo Switch. O título foi bem recebido pela crítica de forma geral, que elogiou o projeto artístico, jogabilidade, narrativa, elementos de plataforma e a trilha sonora, porém as sequências de combate e furtividade tiveram uma recepção mais mista. Stray foi indicado e venceu diversos prêmios, incluindo em categorias no Golden Joystick Awards e The Game Awards.

Jogabilidade thumb|esquerda|upright=1.2|A jogabilidade de Stray envolve o jogador navegar pelo ambiente, que pode ser feita ao pular entre plataformas e escalar obstáculos Stray é um jogo eletrônico de aventura visto de uma terceira pessoa. O jogador controla um gato feral que consegue pular entre plataformas e escalar obstáculos. É possível abrir novos caminhos ao interagindo com os ambientes, como por exemplo entrar dentro de baldes, derrubar latas de tinta, operar máquinas de venda automática e arranhar objetos. O jogador precisa solucionar obstáculos para progredir na narrativa, frequentemente envolvendo mover objetos de lugar. Atividades opcionais incluem dormir, miar e aninhar-se com personagens não jogáveis, a maioria dos quais muitas vezes provocam uma resposta. Algumas fases possuem elementos de mundo aberto, o que permite que o jogador vague como desejar.

O jogador é acompanhado por um drone que traduz o idioma de outros personagens, armazena itens encontrados pelo mundo, proporciona iluminação e hackeia tecnologias para abrir caminhos e solucionar quebra-cabeças. O jogador pode encontrar várias memórias de B-12 no decorrer do jogo, proporcionando maior contexto para a história. A maioria dessas são opcionais, mas algumas são destravadas ao progredir pela narrativa. É possível coletar bótons, incluindo vários opcionais pelo mundo, que são exibidos na mochila do gato.

O mundo é povoado por robôs que frequentemente pedem para o jogador localizar objetos que revelam mais informações e progridem a narrativa. Alguns oferecem tarefas opcionais, como Morusque, que toca músicas ao receber partituras encontradas pela favela. O jogador pode interagir com a maioria dos robôs. Stray tem dois tipos de inimigos: zurks, uma grande bactéria mutante que pode enxamear e devorar o gato, e os Sentinelas, drones de segurança que tentam atirar no jogador assim que o veem. O jogador pode prender um equipamento a B-12 durante a maior parte do jogo que possibilita que este destrua os zurks, porém pode ser usado apenas por um período limitado antes de B-12 superaquecer e necessitar de um tempo para recarregar. É possível evitar os Sentinelas ao escapar de suas linhas de visão, indicadas por luzes.

Enredo Um grupo de quatro gatos de rua vagam por uma instalação industrial abandonada quando um deles se separa do resto após cair em um abismo, indo parar em uma cidade subterrânea deserta. O gato encontra um laboratório onde ajuda a fazer o download de uma inteligência artificial para o corpo de um pequeno drone chamado B-12. Este explica que costumava ajudar um cientista, mas boa parte de sua memória está corrompida e precisa de tempo para ser recuperada. B-12 promete ajudar o gato a voltar para a superfície e o acompanha mais fundo na cidade. Eles acabam descobrindo que apesar de não existirem mais humanos na cidade, seus servos robóticos, chamados de Companheiros, permanecem funcionando. Estes ganharam autoconsciência na ausência humana e construíram sua própria sociedade nas ruínas da cidade, mas também estão presos no subterrâneo. Além disso, as ruínas estão infestadas de zurks, bactérias mutantes que evoluíram para devorar tanto vida orgânica quanto robótica.

O gato e B-12 conhecem Momo, um membro dos Extramuros, um grupo de Companheiros dedicados a encontrar um meio até a superfície. Os dois, com a ajuda dos Extramuros, conseguem chegar no setor superior da cidade. Eles conhecem Clementine, outra Extramuro, que planeja roubar uma bateria atômica a fim de energizar um trem de metrô até a superfície. Os três são pegos e presos pelos Sentinelas, mas o gato consegue libertar todos. Clementine permanece para trás para atrasar os Sentinelas enquanto o gato e B-12 escapam pelo metrô, que os leva até o centro de controle da cidade. B-12 recupera suas memórias, revelando que originalmente era um cientista humano que tentou transferir suas memórias para um corpo robótico, mas o processo falhou até a chegada do gato. A cidade fora construída para proteger a humanidade de uma catástrofe ambiental na superfície, mas uma praga acabou por exterminar toda a população humana. B-12, percebendo que o legado da humanidade está agora com os Companheiros e o gato, se sacrifica para abrir as portas da cidade, expondo-a à luz do Sol que mata os zurks e os Sentinelas. O gato deixa a cidade para a superfície.

Desenvolvimento Os diretores Colas Koola e Vivien Mermet-Guyenet, os dois fundadores da BlueTwelve Studio, começaram a trabalhar em Stray em meados de 2015 pois desejavam ir atrás de um projeto independente depois de trabalharem na Ubisoft Montpellier. O projeto inicialmente recebeu o nome provisório de HK Project. A publicadora Annapurna Interactive entrou em contato com os dois em abril de 2016 depois deles terem compartilhado alguns vídeos do jogo no Twitter; Koola e Mermet-Guyenet tinham desenvolvido apenas algumas cenas iniciais, mas já tinham um direcionamento forte para o projeto final. A Annapurna ainda não tinha publicado um único jogo eletrônico na época que um acordo foi fechado, mas ajudou na construção da BlueTwelve pelos anos seguintes, proporcionando opiniões ocasionais, porém deixou que os desenvolvedores mantivessem sua liberdade criativa. Financiamento para o estúdio foi confirmado em abril de 2017 e a equipe de desenvolvimento cresceu até cinco pessoas no final de 2017. Koola e Mermet-Guyenet sabiam desde o início do desenvolvimento que queriam manter uma equipe pequena, pois preferiam trabalhar com comunicação direta. Uma equipe pequena também fez com que o escopo do título diminuísse com o passar do tempo, com o foco sendo direcionado para elementos que os desenvolvedores consideravam importantes. Os desenvolvedores, após a revelação do jogo, queriam se focar na produção e apenas começar a divulgação quando o desenvolvimento estivesse quase no fim. Eles acharam que a recepção da revelação adicionou pressão para entregarem uma experiência polida. O motor de jogo usado foi a Unreal Engine 4.

thumb|right|upright=1.35|A estética de Stray foi influenciada pela Cidade Murada de Kowloon, que os desenvolvedores consideraram o "parquinho perfeito para um gato" Stray foi muito influenciado esteticamente pela Cidade Murada de Kowloon, com Koola e Mermet-Guyenet gostando da construção orgânica da cidade e achando-a interessante para se abordar como artistas. Eles projetaram alguns testes gráficos dos ambientes e edifícios, descobrindo que a cidade era o "parquinho perfeito para um gato" devido aos vários caminhos e vistas. A equipe achou que a jogabilidade como um gato levava a oportunidades interessantes de projeto de jogo, particularmente em relação a elementos de plataforma e quebra-cabeça. Eles enfrentaram desafios artísticos e técnicos ao equilibrar projeto de jogo interessante com mundo aberto, pois itens tipicamente decorativos, como canos e ar-condicionados, são caminhos exploráveis em Stray. A Vila Formiga permitiu que a equipe experimentasse com um projeto vertical e que proporcionasse várias opções de caminho para o jogador. A BlueTwelve decidiu cedo evitar desafios tradicionais de plataforma, pois observaram vários jogadores teste errarem saltos e isto não parecia ser "coisa de gato". Segundo o produtor Swann Martin-Raget, os movimentos de um gato parecem mais suaves, o que levou a equipe a criar seu sistema de movimento guiado que ainda assim permitia liberdade de escolha. A equipe achou que os sons e vibrações do controle DualSense do PlayStation 5 adicionava à fisicalidade e interatividade de se jogar como um gato, enquanto o ângulo de câmera baixo levava a uma observação mais profunda do ambiente do que com um protagonista humano.

Elementos contrastantes foram importantes para os desenvolvedores, como por exemplo o "pequeno, orgânico e vívido" gato contrastando com os "angulares e arrojados" robôs. Mermet-Guyenet inicialmente criou alguns personagens não jogáveis humanos para serem usados no mundo, mas ficou insatisfeita com o resultado e percebeu que a alta qualidade visual necessária exigiria muito tempo de trabalho de uma equipe pequena. A equipe experimentou com robôs e os acharam mais fáceis de colocar nas cenas, também gostando do contraste com o gato. A inclusão dos robôs inspirou mais elementos da história, com a equipe achando adequado devido sua fascinação com filmes como Blade Runner. O idioma dos robôs escrito pelo mundo foi adicionado para fazer os jogadores se sentirem como se estivessem em um lugar estrangeiro; sua inclusão levou ao desenvolvimento da história pregressa do mundo. B-12 foi adicionado como o companheiro do gato a fim de disponibilizar mais habilidades ao jogador, como interação com tecnologia. Tanto B-12 e a mochila do gato foram concebidos cedo no desenvolvimento enquanto o jogo ainda era conhecido como HK Project.